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Pequeno Tratado sobre a Mortalidade do Amor

“Pequeno Tratado sobre a Mortalidade do Amor”
Alexandre Inagaki

Todos os dias morre um amor. Quase nunca percebemos, mas todos os dias morre um amor. Às vezes de forma lenta e gradativa, quase indolor, após anos e anos de rotina. Às vezes melodramaticamente, como nas piores novelas mexicanas, com direito a bate-bocas vexaminosos, capazes de acordar o mais surdo dos vizinhos. Morre em uma cama de motel ou em frente à televisão de domingo. Morre sem beijo antes de dormir, sem mãos dadas, sem olhares compreensivos, com gosto de lágrima nos lábios. Morre depois de telefonemas cada vez mais espaçados, cartas cada vez mais concisas, beijos que esfriam aos poucos. Morre da mais completa e letal inanição.

Todos os dias morre um amor. Às vezes com uma explosão, quase sempre com um suspiro. Todos os dias morre um amor, embora nós, românticos mais na teoria do que na prática, relutemos em admitir. Porque nada é mais dolorido do que a constatação de um fracasso. De saber que, mais uma vez, um amor morreu. Porque, por mais que não queiramos aprender, a vida sempre nos ensina alguma coisa. E esta é a lição: amores morrem.

Todos os dias um amor é assassinado. Com a adaga do tédio, a cicuta da indiferença, a forca do escárnio, a metralhadora da traição. A sacola de presentes devolvidos, os ponteiros tiquetaqueando no relógio, o silêncio ensurdecedor depois de uma discussão: todo crime deixa evidências.

Todos nós fomos assassinos um dia. Há aqueles que, feito Lee Harvey Oswald, se refugiam em salas de cinema vazias. Ou preferem se esconder debaixo da cama, ao lado do bicho-papão. Outros confessam sua culpa em altos brados, fazendo de penico os ouvidos de infelizes garçons. Há aqueles que negam, veementemente, participação no crime, e buscam por novas vítimas em salas de chat ou pistas de danceteria, sem dor ou remorso. Os mais periculosos aproveitam sua experiência de criminosos para escrever livros de auto-ajuda com nomes paradoxais como O Amor Inteligente ou romances açucarados de banca de jornal, do tipo A Paixão Tem Olhos Azuis, difundindo ao mundo ilusões fatais aos corações sem cicatrizes.

Existem os amores que clamam por um tiro de misericórdia: corcéis feridos.

Existem os amores-zumbis, aqueles que se recusam a admitir que morreram. São capazes de perdurar anos, mortos-vivos sobre a Terra teimando em resistir à base de camas separadas, beijos burocráticos, sexo sem tesão. Estes não querem ser sacrificados, e, à semelhança dos zumbis hollywoodianos, também se alimentam de cérebros humanos, definhando paulatinamente até se tornarem laranjas chupadas.

Existem os amores-vegetais, aqueles que vivem em permanente estado de letargia, comuns principalmente entre os amantes platônicos que recordarão até o fim de seus dias o sorriso daquela ruivinha da 4ª série, ou entre fãs que ainda suspiram em frente a um pôster do Elvis Presley (e, pior, da fase havaiana). Mas titubeio em dizer que isso possa ser classificado como amor (bah, isso não é amor; amor vivido só do pescoço pra cima não é amor).

Existem, por fim, os amores-fênix. Aqueles que, apesar da luta diária pela sobrevivência, das contas a pagar, da paixão que escasseia com o decorrer dos anos, da TV ligada na mesa-redonda ao final do domingo, das calcinhas penduradas no chuveiro e das brigas que não levam a nada, ressuscitam das cinzas a cada fim de dia e perduram – teimosos, e belos, e cegos, e intensos. Mas estes são raríssimos, e há quem duvide de sua existência. Alguns os chamam de amores-unicórnio, porque são de uma beleza tão pura e rara que jamais poderiam ter existido, a não ser como lendas. Mas não quero acreditar nisso.

Um dia vou colocar um anúncio, bem espalhafatoso, no jornal.

PROCURA-SE: AMOR-FÊNIX
(oferece-se generosa recompensa)

—————–//———————

Tento ainda entender quem é a criatura criminosa que conseguiu transformar um texto tão bom na coisa que segue, abaixo. É uma prova de que pode-se matar um texto com simples “adaptações”. Certamente essa pessoa achou que, “traduzido” para sua linguagem medíocre, o texto ficaria mais “tocante”. Daí para um acréscimo e outro, e outro e outro, foi um passo. Não bastasse ter sido sutilmente distorcido, o texto ainda foi transformado em poema (?!) assinado pelo Autor Desconhecido. E, o cúmulo da degradação do indivíduo, o texto, alterado, foi inserido em uma daquelas apresentações bregas de Power Point. Leia, agora, o texto assassinado (uma das versões que circulam pela net):


Morre Um Amor
***
Todos os dias morre um amor.
Quase nunca percebemos,
mas todos os dias morre um amor.
Às vezes de forma lenta e gradativa,
quase indolor, após anos e anos de rotina.
Às vezes melodramaticamente,
como nas piores novelas mexicanas,
com direito a bate bocas vexaminosos,
capazes de acordar o mais surdo dos vizinhos.
Pode morrer em uma cama de motel
ou simplesmente em frente à televisão de domingo.
Morre sem um beijo antes de dormir,
sem mãos dadas, sem olhares compreensivos,
com um gosto salgado de uma lágrima nos lábios.
Morre depois de telefonemas cada vez mais espaçados,
diálogos cada vez mais resumidos,
de beijos cada vez mais gelados…
Morre da mais completa e letal inanição!!!

Todos os dias morre um amor, embora nós,
românticos mais na teoria do que na prática,
relutemos em admitir.
Pode morrer como uma explosão,
seguida de um suspiro profundo
(porque nada é mais dolorido do que a constatação de um fracasso),
de saber que, mais uma vez, um amor morreu.
Porque, por mais que não queiramos aprender,
a vida sempre nos ensina alguma coisa.
Esta é a lição: qualquer amor pode morrer!
E todos os dias, em algum lugar do mundo,
existe um amor sendo assassinado.
Como pista desse terrível crime,
surge uma sacola de presentes devolvidos,
uma lista de palavrões sem censura,
ou o barulho insuportável do relógio depois da discussão…
Afinal, todo crime deixa as suas evidências!
Todos nós podemos ser um assassino.
E podemos agir como age um assassino:
podemos nos esconder debaixo das cobertas,
podemos nos refugiar em salas de cinema vazias,
ou preferir trabalhar que nem um louco,
ou viajar para “espairecer”,
ou confessar a culpa em altos brados,
fazendo do garçom o seu confidente…

Mas há também aqueles que negam, veementemente,
a sua participação no crime, e buscam por novas vítimas
em salas de bate papo ou pistas de danceteria,
sem dor ou remorso.
Os mais perigosos aproveitam sua experiência
de criminosos para escreverem livros de auto ajuda,
com a ironia de quem tem muito a ensinar
para os corações ainda puros.
Existem também os amores
que clamam por um tiro de misericórdia:
ainda estão juntos,
mas se comportam como um cavalo ferido,
esperando ser sacrificado.

Existem também os amores fantasma,
aqueles que se recusam a admitir que já morreram..
São capazes de perdurar anos,
como mortos vivos sobre a Terra,
teimando em resistir apesar das camas separadas,
beijos frios e burocráticos,
e sexo sem tesão (se houver).
Estes não querem ser sacrificados,
mas irão definhar aos poucos,
até se tornarem como laranjas chupadas.
Existem ainda os amores vegetais,
aqueles que vivem em permanente estado de letargia,
que se refugiam em fantasias platônicas,
recordando até o fim de seus dias
o sorriso daquela ruivinha da 4a. série.
Ou, se faz presente na fã que até hoje suspira e delira
em frente a um pôster do Elvis Presley.
Mas eu, quase já desistindo da minha busca,
pude ainda encontrar uma outra classificação:
os amores vencedores.
Aqueles que, apesar da luta diária pela sobrevivência,
das infinitas contas a pagar,
da paixão que decresce com o decorrer dos anos,
da mesa-redonda no final de domingo,
das calcinhas penduradas no chuveiro
e das brigas que não levam a nada,
ressuscitam das cinzas e se revelaram fortes,
pacientes e esperançosos.
Mas estes são raríssimos,
e há quem duvide de sua existência.
São de uma beleza tão pura e rara que parecem lendas.
Um dia vou colocar um anúncio,
bem espalhafatoso, no jornal:
PROCURA-SE UM AMOR VENCEDOR
– ofereço generosa recompensa.
Mas, no fundo, sei que ele não surgiria como por acaso…
O que esses poucos vencedores
falam é de que esse amor foi suado,
trabalhado, bem administrado
nas centenas de situações do cotidiano.
Não é um presente de loteria,
de sorte, nem de magia.
É simplesmente o resultado concreto daquilo
que foi um relacionamento maduro
e crescente entre duas pessoas .




Um pedaço de outra versão do atentado ao texto:

“Mas eu, desiludida, triste e quase já desistindo de acreditar no amor, pude ainda encontrar uma outra classificação: os amores-vencedores.
Aqueles que, apesar da luta diária pela sobrevivência, das infinitas diferenças a serem superadas, das mágoas que às vezes acontecem sem querer, ressuscitam a cada momento e se revelam fortes, pacientes e esperançosos.

Esses são raríssimos, e há quem duvide de sua existência, jurando que irão acabar a qualquer momento.
São de uma beleza tão pura e rara que parecem lendas, impressionando a quem os observa incrédulos, sem entender como duas pessoas podem se amar tanto.

Mas, no fundo, sei que estes não surgem como por acaso…
O que se observa é que esse amor foi suado, cultivado, trabalhado, bem administrado nas centenas de situações do cotidiano.
Não é um presente de loteria, de sorte, nem de magia.
É simplesmente o resultado concreto daquilo que foi
um relacionamento maduro, seguro e crescente entre duas pessoas.”

Acréscimos ou A Festa da Mediocridade:

Algumas versões circulam com acréscimos no final:
“E, assim sendo, renasce como um fenix a cada tentativa de morte. Surgindo mais brilhante e forte, apresentando-se como indissociável da própria vida, que não mais poderia ser vivida sem ele.

Estou sentindo sua falta…”

Outros preferem assassinar o texto (já agonizante) discordando, na apoteose da breguice:

“Alguns chamam-nos de “Amores-unicórnio”, porque são de uma beleza tão pura e rara que jamais poderiam ter existido, a não ser como lendas.

Mas… Eu recuso-me a acreditar nisso!!!

Não importa o tamanho da montanha… Ela não pode tapar o Sol!!! ”


E uma versão tão revoltante quanto:

Todos os dias nascem pessoas, morrem pessoas.
Mas existe também, A MORTE DO AMOR:
Todo o dia morre um amor.
(…)

Morre depois de telefonemas cada vez mais espaçados, camas separadas, distância, diálogos cada vez mais resumidos, de beijos cada vez mais gelados, do sexo sem tesão (qdo há)…

Todos os dias morre um amor.

Existem também os amores que clamam por um tiro de misericórdia: ainda estão juntos mas se comportam como um cavalo ferido, esperando ser sacrificado.
Existem também os amores-fantasma, aqueles que se recusam a admitir que já morreram.
Todo dia um amor começa a morrer.
Há quem perceba a tempo de salvá-lo.
Há quem perceba tarde demais.
Há quem veja isto acontecer e nada possa fazer…ou apenas omita socorro.
Há quem perceba bem depois que ele morreu, daí não há mais como ressuscitá-lo.

Mas que todo dia morre um amor, ah, isso morre.
Afinal, o pra sempre, sempre acaba, né não? ”

Urgh

Encontrei uma versão em que a pessoa parece ter escrito (errado) enquanto alguém ditava. Assim, “quase indolor” virou “quase incolor”, “telefonemas cada vez mais espaçados” virou “telefonemas cada vez mais gelados” e, por fim “Morre da mais completa e letal inanição” virou “Morre da mais completa e letal inanimação”.

Alguns terminam antes de acabar, assim:

“Alguns os chamam de amores-unicórnio, porque são de uma beleza tão pura e rara que jamais poderiam ter existido, a não ser como lendas. E é esse amor que eu quero viver , PARA SEMPRE!!”


E assim, vira festa da uva. Se o texto é de Autor Desconhecido significa que o autor não existe (me abstenho de comentar tal dedução) e, portanto, não vai reclamar de ter sido roubado e adulterado. Pensando (?) por esse lado, a pessoa acrescenta o que melhor se encaixe em sua realidade ou altera pura e simplesmente para convencer seus amigos de que ela realmente escreveu aquilo. Eu, sinceramente, não entendo qual é a graça de receber elogios por um texto que foi feito por outra pessoa. Atestado de loser. Desculpe, mas é o que eu mais vejo por aí. Copiam e colam textos “sem autor”, modificam e respondem aos elogios dos leitores com um “ah, obrigada, eu estava inspirada nesse dia”.

Dia desses encontrei um post datado de 2005 no blog de uma menina, formado por dois parágrafos de um post meu de 2004 (notem que nem era um texto, era um post de blog) como se tivesse sido escrito por ela. E teve ainda a história de uma amiga que teve o blog inteiro copiado por uma menina que queria impressionar o namorado. Para que isso? Será que não existe nada dentro dessas criaturas? Me desculpe, mas não adianta falar mal do governo, a honestidade tem que estar presente nas pequenas coisas, naquilo que fazemos sozinhos, sem que ninguém nos veja. Só assim estaremos preparados para mostrar honestidade diante de outras pessoas e cobrar o mesmo de quem quer que seja. Não nos deixar corromper por dinheiro, por poder ou por vaidade. Por nada.

Por favor, não repasse esse texto-Frank, alterado. Se quiser repassar ou publicar, use o original, creditado ao autor, Alexandre Inagaki, do blog Pensar Enlouquece. Pense Nisso.

PS: Mantenho o direito de expressar meu repúdio a esse tipo de coisa, afinal de contas, é mais ou menos para isso que este blog serve.
.

Meus secretos amigos

Não é Shakespeare, não é do Desconhecido, não é Vinícius, não é Garth Henrichs (seja lá quem for)

Essa me foi perguntada pela Alice nos comentários do texto anterior. Esse texto foi publicado originalmente pelo cronista gaúcho Paulo Sant’Ana, o verdadeiro autor, na coluna que ele assina no jornal Zero Hora e também consta no livro “O Gênio Idiota” (1992, ed. Mercado Aberto). Sobre a confusão, o próprio jornal Zero Hora, publicou, em 19 de junho de 2002: “O colunista Paulo Sant’Ana recebeu esse e-mail do jornalista Emanuel Mattos no dia de seu aniversário e, para seu espanto, identificou que o texto, assinado por Vinícius de Moraes, é de sua autoria. Surpreso, imediatamente ligou e desfez a confusão. A criação de Sant’Ana já deve ter circulado por muitas caixas de mensagens com a assinatura de Vinícius, sem que ninguém soubesse da troca de autor. Somente, é claro, o próprio Sant’Ana.”

Sendo assim, autoria desvendada, agradeço a colaboração de outras formiguinhas do direito autoral, de quem encontrei os textos prontos que me facilitaram (e muito) o trabalho: o jornalista gaúcho Emilio Pacheco e a escritora Betty Vidigal . Agradecendo também ao meu marido, o escritor e cartunista Davison Lampert, gaúcho, porto-alegrense, que já tinha lido o texto de seu conterrâneo e me confirmou, sem sombra de dúvidas, que o Paulo Sant’Ana era o pai do negócio.



MEUS SECRETOS AMIGOS

Paulo Sant’Ana

Tenho amigos que não sabem o quanto são meus amigos. Não percebem o amor que lhes devoto e a absoluta necessidade que tenho deles.

A amizade é um sentimento mais nobre do que o amor, eis que permite que o objeto dela se divida em outros afetos, enquanto o amor tem intrínseco o ciúme, que não admite a rivalidade. E eu poderia suportar, embora não sem dor, que tivessem morrido todos os meus amores, mas enlouqueceria se morressem todos os meus amigos! Até mesmo aqueles que não percebem o quanto são meus amigos e o quanto minha vida depende de suas existências…

A alguns deles não procuro, basta-me saber que eles existem. Esta mera condição me encoraja a seguir em frente pela vida. Mas, porque não os procuro com assiduidade, não posso lhes dizer o quanto gosto deles. Eles não iriam acreditar.

Muitos deles estão lendo esta crônica e não sabem que estão incluídos na sagrada relação de meus amigos. Mas é delicioso que eu saiba e sinta que os adoro, embora não declare e não os procure. E às vezes, quando os procuro, noto que eles não tem noção de como me são necessários, de como são indispensáveis ao meu equilíbrio vital, porque eles fazem parte do mundo que eu, tremulamente, construí e se tornaram alicerces do meu encanto pela vida.

Se um deles morrer, eu ficarei torto para um lado. Se todos eles morrerem, eu desabo! Por isso é que, sem que eles saibam, eu rezo pela vida deles. E me envergonho, porque essa minha prece é, em síntese, dirigida ao meu bem estar. Ela é, talvez, fruto do meu egoísmo.

Por vezes, mergulho em pensamentos sobre alguns deles. Quando viajo e fico diante de lugares maravilhosos, cai-me alguma lágrima por não estarem junto de mim, compartilhando daquele prazer…

Se alguma coisa me consome e me envelhece é que a roda furiosa da vida não me permite ter sempre ao meu lado, morando comigo, andando comigo, falando comigo, vivendo comigo, todos os meus amigos, e, principalmente os que só desconfiam ou talvez nunca vão saber que são meus amigos!

——————–

UPDATE

Já tinha lido isso, mas não tinha dado crédito por conta da republicação do texto como o recebi, na Zero Hora, sem explicação do paulo Sant’Ana sobre a última frase: “A gente não faz amigos, reconhece-os”. Recebi o seguinte comentário do Emilio Pacheco:

Só uma observação: a última frase, segundo consta (acho que foi realmente Betty Vidigal quem desvendou isso), é mesmo de Garth Henrichs. “One does not make friends. One recognizes them.” Fui olhar no livro “O Gênio Idiota” e – surpresa! – essa frase não constava no final da crônica. Ela foi acrescentada “a posteriori” na “ciranda” de e-mails. Só que, ao republicar a crônica na Zero Hora para reivindicar sua autoria, Sant’ana deixou a frase a mais, como se constasse do original e fosse também dele.

Então, Emilio, a famigerada frase de Garth Henrichs foi sumariamente cortada do texto postado aqui. A César o que é de César. Se não é de César a gente deleta e credita o resto ao próprio :) E que seja feita a justiça ao pobre Henrichs, que ninguém conhece.

A verdade sobre Romeu e Julieta

Não é Verissimo!! – Parte vinte.

Demorei um século para identificar a autora desse texto e entrar em contato com ela, mas finalmente encontrei. Francine Bittencourt de Oliveira é a autora do texto abaixo, intitulado “A verdade sobre Romeu e Julieta”, espalhado pela internet como sendo do Luis Fernando Verissimo, ou mesmo do nosso amigo, o Desconhecido. Por favor, corrijam a autoria, espalhem os nomes dos verdadeiros autores dos textos aqui postados, vamos combater essa praga que é a bagunça autoral que textos encaminhados causam.


: A VERDADE SOBRE ROMEU E JULIETA ::

Francine Bittencourt de Oliveira

Sabem porque Romeu e Julieta são ícones do amor? São falados e lembrados, atravessaram os séculos incólumes no tempo, se instalando no mundo de hoje como casal modelo de amor eterno?

Porque morreram e não tiveram tempo de passar pelas adversidades que os relacionamentos estão sujeitos pela vida afora. Senão provavelmente Romeu estaria hoje com a Manoela e Julieta com o Ricardão.

Romeu nunca traiu a Julieta numa balada com uma loira linda e siliconada motivado pelo impulso do álcool.

Julieta nunca ficou 5 horas seguidas esperando Romeu ,fumando um cigarro atrás do outro, ligando incessantemente para o celular dele que estava desligado.

Romeu não disse para Julieta que a amava, que ela especial e depois sumiu por semanas. Julieta não teve a oportunidade de mostrar para ele o quanto ficava insuportável na TPM.

Romeu não saia sexta feira a noite para jogar futebol com os amigos e só voltava as 6:00 da manhã bêbado e com um sutiã perdido no meio da jaqueta (que não era da Julieta). Julieta não teve filhos, engordou, ficou cheia de estrias e celulite e histérica com muita coisa para fazer.

Romeu não disse para Julieta que precisava de um tempo, que estava confuso, querendo na verdade curtir a vida e que ainda era muito novo para se envolver definitivamente com alguém. Julieta não tinha um ex-namorado em quem ela sempre pensava ficando por horas distante, deixando Romeu com a pulga atrás da orelha.

Romeu nunca deixou de mandar flores para Julieta no dia dos namorados alegando estar sem dinheiro. Julieta nunca tomou um porre fenomenal e num momento de descontrole bateu na cara do Romeu no meio de um bar lotado.

Romeu nunca duvidou da virgindade da Julieta. Julieta nunca ficou com o melhor amigo de Romeu.

Romeu nunca foi numa despedida de solteiro com os amigos num prostíbulo.

Julieta nunca teve uma crise de ciúme achando que Romeu estava dando mole para uma amiga dela.

Romeu nunca disse para Julieta que na verdade só queria sexo e não um relacionamento sério, ela deve ter confundido as coisas. Julieta nunca cortou dois dedos de cabelo e depois teve uma crise porque Romeu não percebeu a mudança.

Romeu não tinha uma ex- mulher que infernizava a vida da Julieta.

Julieta nunca disse que estava com dor de cabeça e virou para o lado e dormiu.

Romeu nunca chegou para buscar a Julieta com uma camisa xadrez horrível de manga curta e um sapato para lá de ultrapassado, deixando- a sem saber onde enfiar a cara de vergonha…

Por essas e por outras que eles morreram se amando…

Pedido de amigo

Não é por nada, não, mas acho que esse pessoal que acredita nos pseudo-textos de Verissimo nunca leu UM mísero livro do cara. O texto abaixo não é estilo dele, assim como os da Martha Medeiros não são, muito menos o “Quase” da Sarah Westphal é. O texto abaixo não é do Luis Fernando Verissimo, não é do Autor Desconhecido, foi publicado no dia 1/11/2004 nesta página da Revista O Caixote , é um conto de autoria de J. Miguel. Antes do texto, uma pequena Bio (retirada do site) para apresentar o autor:
“J. Miguel – É carioca, tem 39 anos de idade e mora no Rio. Estudou no Colégio Pedro II e depois fez Física na Faculdade de Humanidades Pedro II, em São Cristóvão, também no Rio. Lecionou por um período, mas deixou as salas de aula para trabalhar na Petrobras, onde passou dez anos, até 1998, quando resolveu se dedicar a uma empresa de equipamentos de informática, ramo de atividade com o qual trabalha até o momento.
Editou apenas um livro, lançado em maio de 2004, com o título Contos de vida ¿ e vida após a vida, cujo conteúdo reúne cinco contos relacionando os conhecimentos científicos e a existência de uma vida após a morte.
Vem escrevendo, simultaneamente, um romance baseado na história de Antônio Conselheiro e Canudos; um livro de ficção futurística, a respeito de uma raça de humanóides criada geneticamente para suportar o fim da camada de ozônio e uma guerra entre essa raça e a humanidade; um livro científico a respeito das teorias de formação do Universo, inclusive a semimorta atual, do Big Bang e sua provável substituta, a Teoria das Supercordas e Multiversos (que particularmente pensa tratar-se de uma manobra, apenas para não dar fim à Teoria do Big Bang ¿ o que enterraria muitas mentes soberbas da atualidade) e, por fim, diversos contos curtos, alguns de humor, outros metafísicos.”
Pedido de Amigo
J.Miguel
Vinte anos. Ah, os vinte anos. De casados, claro!
Casamos novos. Ela com 19 e eu com 20 anos de idade. Lua-de-mel, viagens, mobílias na casa alugada, prestações da casa própria e o primeiro bebê. Anos oitenta e a moda era ter uma filmadora do Paraguai. Sempre tinha um vizinho ou amigo contrabandista disposto a trazer aquela muambazinha por um preço módico.
Ela tinha vergonha, mas eu desejava eternizar aquele momento. Irrompi na sala de parto com a câmera no ombro e chorei enquanto filmava o parto do meu primeiro filho. Todo mundo que chegava lá em casa era obrigado a assistir o filme. Perdi a conta das cópias que fiz do parto e distribuí entre amigos, parentes e parentes dos amigos. Meu filho e minha esposa eram o meu orgulho.
Três anos depois, novo parto, nova filmagem, nova crise de choro. Como ela categoricamente disse que não queria que eu filmasse, invadi a sala de parto mais uma vez com a câmera ao ombro. As pessoas que me conhecem sabem que havia apenas amor de pai e marido naquele ato. O fato de fazer diversas cópias da fita era apenas uma demonstração de meu orgulho. Nada que se comparasse ao fato de ela, essa semana, invadir a sala do meu proctologista, câmera ao ombro, filmando o meu exame de próstata. Eu lá, com as pernas naquelas malditas braçadeiras, o cara com um dedo (ele jura que era só um!) quase na minha garganta e a mulher gritando:
– Ah! Doutoor! Que maravilha! Vou fazer duas mil cópias dessa fita! Semana que vem estou enviando uma para o senhor!
Meus olhos saindo da órbita a fuzilaram, mas a dor era tanta que não conseguia falar. O miserável do médico girou o dedo e eu vi o teto a dois centímetros do meu nariz. A mulher continuou a gritar, como um diretor de cinema:
– Isso, doutor! Agora gire de novo, mais devagar. Vou dar um close agora…
Alcancei um sapato na mesa e joguei na maldita.
Agora, estou escrevendo este e-mail, pedindo aos amigos que receberem uma cópia do filme, que o enviem de volta para mim. Eu pago o reembolso.
Não é por nada, não, mas acho que esse pessoal que acredita nos pseudos-textos de Verissimo nunca leu UM mísero livro do cara. O texto abaixo não é estilo dele, assim como os da Martha Medeiros não são, muito menos o “Quase” da Sarah Westphal é. O texto abaixo não é do Luis Fernando Verissimo, não é do Autor Desconhecido, foi publicado no dia 1/11/2004 nesta página da Revista O Caixote , é um conto de autoria de J. Miguel. Antes do texto, uma pequena Bio (retirada do site) para apresentar o autor:

“J. Miguel – É carioca, tem 39 anos de idade e mora no Rio. Estudou no Colégio Pedro II e depois fez Física na Faculdade de Humanidades Pedro II, em São Cristóvão, também no Rio. Lecionou por um período, mas deixou as salas de aula para trabalhar na Petrobras, onde passou dez anos, até 1998, quando resolveu se dedicar a uma empresa de equipamentos de informática, ramo de atividade com o qual trabalha até o momento.

Editou apenas um livro, lançado em maio de 2004, com o título Contos de vida ¿ e vida após a vida, cujo conteúdo reúne cinco contos relacionando os conhecimentos científicos e a existência de uma vida após a morte.

Vem escrevendo, simultaneamente, um romance baseado na história de Antônio Conselheiro e Canudos; um livro de ficção futurística, a respeito de uma raça de humanóides criada geneticamente para suportar o fim da camada de ozônio e uma guerra entre essa raça e a humanidade; um livro científico a respeito das teorias de formação do Universo, inclusive a semimorta atual, do Big Bang e sua provável substituta, a Teoria das Supercordas e Multiversos (que particularmente pensa tratar-se de uma manobra, apenas para não dar fim à Teoria do Big Bang ¿ o que enterraria muitas mentes soberbas da atualidade) e, por fim, diversos contos curtos, alguns de humor, outros metafísicos.”


Pedido de Amigo
J.Miguel
Vinte anos. Ah, os vinte anos. De casados, claro!

Casamos novos. Ela com 19 e eu com 20 anos de idade. Lua-de-mel, viagens, mobílias na casa alugada, prestações da casa própria e o primeiro bebê. Anos oitenta e a moda era ter uma filmadora do Paraguai. Sempre tinha um vizinho ou amigo contrabandista disposto a trazer aquela muambazinha por um preço módico.

Ela tinha vergonha, mas eu desejava eternizar aquele momento. Irrompi na sala de parto com a câmera no ombro e chorei enquanto filmava o parto do meu primeiro filho. Todo mundo que chegava lá em casa era obrigado a assistir o filme. Perdi a conta das cópias que fiz do parto e distribuí entre amigos, parentes e parentes dos amigos. Meu filho e minha esposa eram o meu orgulho.

Três anos depois, novo parto, nova filmagem, nova crise de choro. Como ela categoricamente disse que não queria que eu filmasse, invadi a sala de parto mais uma vez com a câmera ao ombro. As pessoas que me conhecem sabem que havia apenas amor de pai e marido naquele ato. O fato de fazer diversas cópias da fita era apenas uma demonstração de meu orgulho. Nada que se comparasse ao fato de ela, essa semana, invadir a sala do meu proctologista, câmera ao ombro, filmando o meu exame de próstata. Eu lá, com as pernas naquelas malditas braçadeiras, o cara com um dedo (ele jura que era só um!) quase na minha garganta e a mulher gritando:

– Ah! Doutoor! Que maravilha! Vou fazer duas mil cópias dessa fita! Semana que vem estou enviando uma para o senhor!

Meus olhos saindo da órbita a fuzilaram, mas a dor era tanta que não conseguia falar. O miserável do médico girou o dedo e eu vi o teto a dois centímetros do meu nariz. A mulher continuou a gritar, como um diretor de cinema:

– Isso, doutor! Agora gire de novo, mais devagar. Vou dar um close agora…

Alcancei um sapato na mesa e joguei na maldita.

Agora, estou escrevendo este e-mail, pedindo aos amigos que receberem uma cópia do filme, que o enviem de volta para mim. Eu pago o reembolso.

Depois de um tempo (Aprender)


Texto-Frankenstein

Circula na internet um texto intitulado “Aprender”, creditado a William Shakespeare. Colo abaixo minha resposta ao e-mail de um leitor que queria confirmar se o texto era ou não de Shakespeare:

Olha, existe uma entidade desconhecida que distorce e alonga textos de autores pouco conhecidos e cola o nome de escritores mais conhecidos, para dar credibilidade. O texto que você me enviou é largamente atribuído a Shakespeare, mas você deve ter estranhado o tom “auto-ajúdico” quase adolescente da mensagem e algo lá dentro gritou: “cara, isso não pode ser Shakespeare!”. Você tem razão. É uma coletânea. Ou um “Texto-Frankenstein”, como costumo chamar, cuja base é um poema de Esse é um poema de Veronica Shoffstall (“After a While”, ou “Depois de um Tempo”), de 1971. Também conhecido por “Comes the Dawn”.

Boa lembrança, vou adicionar este texto ao catálogo do Autor Desconhecido. Valeu!

Abaixo vai o poema que originou o texto-Frank, para você conferir.


After a while

Veronica Shoffstall

After a while you learn
the subtle difference between
holding a hand and chaining a soul
and you learn
that love doesn’t mean leaning
and company doesn’t always mean security.
And you begin to learn
that kisses aren’t contracts
and presents aren’t promises
and you begin to accept your defeats
with your head up and your eyes ahead
with the grace of woman, not the grief of a child
and you learn
to build all your roads on today
because tomorrow’s ground is
too uncertain for plans
and futures have a way of falling down
in mid-flight.
After a while you learn
that even sunshine burns
if you get too much
so you plant your own garden
and decorate your own soul
instead of waiting for someone
to bring you flowers.
And you learn that you really can endure
you really are strong
you really do have worth
and you learn
and you learn
with every goodbye, you learn.


A verdadeira tradução:

Depois de um tempo

Veronica Shoffstall

Depois de um tempo você aprende
a sutil diferença entre
segurar uma mão e acorrentar uma alma
e você aprende
que amar não significa apoiar-se
e companhia não quer sempre dizer segurança
e você começa a aprender
que beijos não são contratos
e presentes não são promessas
e você começa a aceitar suas derrotas
com sua cabeça erguida e seus olhos adiante
com a graça de mulher, não a tristeza de uma ciança
e você aprende
a construir todas as estradas hoje
porque o terreno de amanhã é
demasiado incerto para planos
e futuros têm o hábito de cair
no meio do vôo
Depois de um tempo você aprende
que até mesmo a luz do sol queima
se você a tiver demais
então você planta seu próprio jardim
e enfeita sua própria alma
ao invés de esperar que alguém lhe traga flores
E você aprende que você realmente pode resistir
você realmente é forte
você realmente tem valor
e você aprende
e você aprende
com cada adeus, você aprende.




E uma das versões do texto- Frankenstein:

Aprender

Depois de algum tempo você aprende a diferença,
A sutil diferença entre dar a mão e acorrentar uma alma.
E você aprende que amar não significa apoiar-se,
E que companhia nem sempre significa segurança.
E começa a aprender que beijos não são contratos
E presentes não são promessas.
E começa a aceitar suas derrotas
Com a cabeça erguida e olhos adiante,
Com a graça de um adulto
E não com a tristeza de uma criança.
E aprende a construir todas as suas estradas no hoje,
Porque o terreno do amanhã
É incerto demais para os planos,
E o futuro tem o costume de cair em meio ao vão.
Depois de um tempo você aprende
Que o sol queima se ficar exposto por muito tempo.
E aprende que não importa o quanto você se importe,
Algumas pessoas simplesmente não se importam…
E aceita que não importa quão boa seja uma pessoa,
Ela vai feri-lo de vez em quando E você precisa perdoá-la por isso.
Aprende que falar pode aliviar dores emocionais.
Descobre que se leva anos para se construir confiança
E apenas segundos para destruí-la,
E que você pode fazer coisas em um instante,
Das quais se arrependerá pelo resto da vida.
Aprende que verdadeiras amizades
Continuam a crescer mesmo a longas distâncias.
E o que importa não é o que você tem na vida,
Mas quem você tem na vida.
E que bons amigos são a família
Que nos permitiram escolher.
Aprende que não temos que mudar de amigos
Se compreendemos que os amigos mudam,
Percebe que seu melhor amigo e você
Podem fazer qualquer coisa, ou nada,
E terem bons momentos juntos.
Descobre que as pessoas
Com quem você mais se importa na vida
São tomadas de você muito depressa,
Por isso sempre devemos deixar
As pessoas que amamos com palavras amorosas,
Pode ser a última vez que as vejamos.
Aprende que as circunstâncias e os ambientes
Têm influência sobre nós,
Mas nós somos responsáveis por nós mesmos.
Começa a aprender Que não se deve comparar com os outros,
Mas com o melhor que pode ser.
Descobre que se leva muito tempo
Para se tornar a pessoa que quer ser,
E que o tempo é curto. Aprende que não importa aonde já chegou,
Mas onde está indo.
Mas se você não sabe para onde está indo,
Qualquer lugar serve.
Aprende que, ou você controla seus atos
Ou eles o controlarão,
E que ser flexível não significa
Ser fraco ou não ter personalidade,
Pois não importa quão delicada e frágil
Seja um situação, Sempre existem dois lados.
Aprende que heróis são pessoas
Que fizeram o que era necessário fazer,
Enfrentando as conseqüências.
Aprende que paciência requer muita prática.
Descobre que algumas vezes
A pessoas que você espera que o chute quando você cai
É uma das poucas que o ajudam a levantar-se.
Aprende que maturidade tem mais a ver
Com os tipos de experiência que se teve
E o que você aprendeu com elas
Do que com quantos aniversários você já celebrou.
Aprende que há mais dos seus pais em você
Do que você supunha.
Aprende que nunca se deve dizer a uma criança
Que sonhos são bobagens,
Poucas coisas são tão humilhantes
E seria uma tragédia se ela acreditasse nisso.
Aprende que quando está com raiva
Tem o direito de estar com raiva,
Mas isso não te dá o direito de ser cruel.
Descobre que só porque alguém não o ama
Do jeito que você quer que ame,
Não significa que esse alguém
Não o ame com tudo o que pode,
Pois existem pessoas que nos amam,
Mas simplesmente não sabem
Como demonstrar ou viver isso.
Aprende que nem sempre é suficiente
Ser perdoado por alguém,
Algumas vezes você tem que aprender
A perdoar-se a si mesmo.
Aprende que com a mesma severidade com que julga,
Você será em algum momento condenado.
Aprende que não importa
Em quantos pedaços seu coração foi partido,
Mundo não pára para que você o conserte.
Aprende que o tempo não é algo
Que possa voltar para trás,
Portanto, plante seu jardim e decore sua alma,
Ao invés de esperar que alguém lhe traga flores.
E você aprende que realmente pode suportar…
Que realmente é forte,
E que pode ir muito mais longe
Depois de pensar que não se pode mais.
E que realmente a vida tem valor
E que você tem valor diante da vida!
Nossa dádivas são traidoras
E nos fazem perder
O bem que poderíamos conquistar,
Se não fosse o medo de tentar
——-

URGH!!!!!!!

Isso é, definitivamente, uma praga. Daquelas que destroem civilizações… será que um dia conseguiremos acabar com essa desgraça? Por favor, não repassem esse texto-Frank, alterado. Se quiserem repassar ou publicar, use o original ou a tradução do original, creditada à Veronica Shoffstall.

O Perigo do Pão


O texto abaixo foi retirado do site www.perigodopao.com.br, é uma tradução. O texto original foi retirado daqui, atribuído a um certo “B.S. Wheatberry”, traduzido por Pinatubo e recebeu modificações pelo Knuttz, do site http://ueba.com.br. Finalmente alguém que modifica e assume a autoria da modificação, dando nome aos bois.

Antes que o texto vire spam, me antecipo, facilitando quem busca autoria por aqui:

O Perigo do Pão
Bread is Dangerous – B.S Wheatberry
Tradução: Pinatubo
Versão Brasileira: Knuttz

Pesquisas Sobre O Pão Indicam Que:

1. 100% dos consumidores de pão acabam MORTOS.

2. 98,3% dos presidiários que cumprem pena por crimes violentos, são usuários de pão.

3. 85,2% de todos os alunos do ensino médio que obtém resultados insatisfatórios nas provas, consomem pão diariamente.

4. No século XVIII, quando todo o pão era preparado nas próprias residências, a expectativa de vida média era de menos de 50 anos. As taxas de mortalidade infantil eram absurdamente elevadas, muitas mulheres morreram no parto e doenças tais como a febres, tifóide, amarela, e surtos de gripe dizimaram cidades inteiras.

5. 92,7% dos crimes violentos são cometidos dentro de 24 horas depois da ingestão de pão.

6. O pão é feito basicamente de farinha de trigo. Está provado que menos de 500 gramas de farinha de trigo são suficientes para sufocar um rato. O indivíduo médio, que consome em média dois pães de cinqüenta gramas por dia, terá ingerido no final do mês farinha suficiente para ter matado seis ratos.

7. Sociedades tribais primitivas que não fazem uso do pão, apresentam baixa incidência, de câncer, do Mal de Alzheimer, de Parkinson e da osteoporose.

8. Está provado estatística e cientificamente que o uso do pão, causa dependência física e mental. Pesquisa feita em voluntários, revelou que 99,8% daqueles que foram submetidos a uma dieta forçada somente à base de água, imploraram por pão, em três dias ou menos.

9. O pão é um alimento freqüentemente utilizado em conjunto com outros alimentos pesados e prejudiciais à saúde, tais como a manteiga, queijo, geléia e aos embutidos ricos em gorduras e colesterol.

10. Testes científicos comprovaram que o pão absorve a água. Partindo do princípio que o mais 90 % corpo humano é água, todo aquele que ingere pão, corre o risco de sofrer desidratação grave.

11. O pão é assado em fornos cujas temperaturas são mantidas acima de 200º Celsius. Essa temperatura pode matar um indivíduo adulto em menos de um minuto.

12. 58% dos indivíduos que consomem pão, são totalmente incapazes de distinguir entre fatos científicos comprovadamente significativos e baboseiras estatísticas sem sentido e manipuladas, como essa.

Querido Diário

O texto a seguir foi postado no dia 09 de Outubro de 2003 pela escritora Patrícia Daltro em seu blog, A Criatura e a Moça.

Querido Diário
Patrícia Daltro

Hoje começo a fazer dieta. Preciso perder 8 kg. O médico aconselhou a fazer um diário, onde devo colocar minha alimentação e falar sobre o meu estado de espírito. Sinto-me de volta a adolescência, mas estou muito empolgada com tudo. Por mais que dieta seja dolorosa, quando conseguir entrar naquele vestidinho preto maravilhoso, vai ser tudo de bom.

Primeiro dia de dieta. Um queijo branco. Um copo de diet shake. Meu humor está maravilhoso. Me sinto mais leve. Uma leve dor de cabeça talvez.

Segundo dia de dieta. Uma saladinha básica. Algumas torradas e um copo de iogurte. Ainda me sinto maravilhosa. A cabeça doi um pouquinho mais forte, mas nada que uma aspirina não resolva.

Terceiro dia de dieta. Acordei no meio da madrugada com um barulho esquisito. Achei que fosse ladrão. Mas, depois de um tempo percebi que era o meu próprio estômago. Roncando de dar medo. Tomei um litro de chá. Fiquei mijando o resto da noite.
Anotação: Nunca mais tomo chá de camomila.

Quarto dia de dieta. Estou começando a odiar salada. Me sinto uma vaca mascando capim. Estou meio irritada. Mas acho que é o tempo. Minha cabeça parece um tambor. J. comeu uma torta alemã hoje no almoço. Mas eu resisti.
Anotação: Odeio J.

Quinta dia de dieta. Juro por Deus que se ver mais um pedaço de queijo branco na minha frente, eu vomito! No almoço, a salada parecia rir da minha cara. Gritei com o boy hoje! E com a J. Preciso me acalmar e voltar a me concentrar. Comprei uma revista com a Gisele na capa. Minha meta. Não posso perder o foco.

Sexto dia de dieta. Estou um caco. Não dormi nada essa noite. E o pouco que consegui sonhei com um pudim de leite. Acho que mataria hoje por um pedaço de brigadeiro…

Sétimo dia de dieta. Fui ao médico. Emagreci 250 gramas. Tá de sacanagem! A semana toda comendo mato. Só faltando mugir e perdi 250 gramas! Ele explicou que isso é normal. Mulher demora mais emagrecer, ainda mais na minha idade. O FDP me chamou de gorda e velha!
Anotação: Procurar outro médico.

Oitavo dia de dieta. Fui acordada hoje por um frango assado. Juro! Ele estava na beirada da cama, dançando can-can.
Anotação: O pessoal do escritório ficou me olhando esquisito hoje, J. diz que é porque estou parecendo o Jack do Iluminado.

Nono dia de dieta. Não fui trabalhar hoje. O frango assado voltou a me acordar, dançando dança-do-ventre dessa vez. Passei o dia no sofá vendo tv. Acho que existe um complô. Todos os canais passavam receita culinária. Ensinaram a fazer Torta de morangos, salpicão e sanduiche de rocambole.
Anotação: Comprar outro controle remoto, num acesso de fúria, joguei o meu pela janela.

Décimo dia de dieta. Eu odeio Gisele B.

Décimo primeiro dia de dieta. Chutei o cachorro da vizinha. Gritei com o porteiro. O boy não entra mais na minha sala e as secretárias encostam na parede quando eu passo.

Décimo segundo dia de dieta. Sopa.
Anotação:Nunca mais jogo poquer com o frango assado. Ele rouba.

Décimo terceiro dia de dieta. A balança não se moveu. Ela não se moveu! Não perdi um mísero grama! Comecei a gargalhar. Assustado o médico sugeriu um psicologo. Acho que chegou a falar em psiquiatra. Será porque eu o ameacei com um bisturi?
Anotação: Não volto mais ao médico, o frango acha que ele é um charlatão.

Décimo quarto dia de dieta. O frango me apresentou uns amigos. A picanha é super gente boa, e a torta, embora meio enfezada, é um doce.

Décimo quinto dia de dieta. Matei a Gisele B! Cortei ela em pedacinhos e todas as fotos de modelos magérrimas que tinha em casa.
Anotação: O frango e seus amigos estão chateados comigo. Comi um pedaço do Sr. Pão. Mas foi em legítima defesa. Ele me ameaçou com um pedaço de salame.

Décimo sexto dia. Não estou mais de dieta. Aborrecida com o frango, comi ele junto com o pão. E arrematei com a torta. Ela realmente era um doce.

Por Moça – que apesar de estar acima do peso, se recusa a fazer dieta.

—–

O texto é legal, não é? Muito. Patrícia Daltro é uma escritora de talento e gasta seu tempo precioso bolando textos como esses e disponibilizando-os na internet. Se você gostou do texto e quiser repassá-lo ou colar em seu blog, não deixe de mostrar seu respeito pelo trabalho dessa profissional mantendo o nome dela no texto.

PS: Patrícia escreveu em um comentário, no outro site: “Para os interessados, a autora deste texto, está agora no blog Http://www.avidasemmanual.blogspot.com e o texto é registrado no Escritório de Direitos autorais.”
Já virou peça, inclusive.