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Navegue

Esse texto foi enviado pela leitora Nancy, tem circulado como sendo uma poesia de Fernando Pessoa. Não é. É de autoria de Silvana Duboc, e não tem absolutamente nada a ver com nada que Pessoa escreveu em toda a sua vida. Ocorre que uma criatura resolveu “completar” o texto com uma frase que creditou a Fernando Pessoa “Circunda-te de rosas, ama, bebe e cala.
O mais é nada”
e o texto todo foi engolido pelo crédito equivocado. A autora inclusive divulga o número do registro do poema, para que não haja dúvida.

NAVEGUE

Silvana Duboc

Navegue,

descubra tesouros, mas não os tire do fundo do mar,
o lugar deles é lá.


Admire a lua,

sonhe com ela, mas não queira trazê-la para a terra.


Curta o sol,

se deixe acariciar por ele,
mas lembre-se que o seu calor é para todos.


Sonhe com as estrelas,

apenas sonhe, elas só podem brilhar no céu.


Não tente deter o vento,

ele precisa correr por toda parte,
ele tem pressa de chegar sabe-se lá onde.

Não apare a chuva,

ela quer cair e molhar muitos rostos,
não pode molhar só o seu.

As lágrimas?

Não as seque, elas precisam correr na minha,
na sua, em todas as faces.

O sorriso!

Esse você deve segurar, não deixe-o ir embora, agarre-o!

Quem você ama?

Guarde dentro de um porta-jóias, tranque, perca a chave!
Quem você ama é a maior jóia que você possui,
a mais valiosa.

Não importa se a estação do ano muda,

se o século vira,
se o milênio é outro, se a idade aumenta;
conserve a vontade de viver,
não se chega à parte alguma sem ela,


Abra todas as janelas

que encontrar, e as portas também.

Persiga um sonho,

mas não deixe ele viver sozinho.

Alimente sua alma

com amor, cure suas feridas com carinho.

Descubra-se todos os dias,

deixe-se levar pelas vontades,
mas não enlouqueça por elas.

Procure,

sempre procure o fim de uma história, seja ela qual for.

Dê um sorriso

para quem esqueceu como se faz isso.

Acelere seus pensamentos,

mas não permita que eles te consumam.

Olhe para o lado,

alguém precisa de você.

Abasteça seu coração de fé,

não a perca nunca.

Mergulhe de cabeça

nos seus desejos, e satisfaça-os.

Agonize de dor

por um amigo,
só saia dessa agonia se conseguir tirá-lo também.


Procure os seus caminhos,

mas não magoe ninguém nessa procura.


Arrependa-se,

volte atrás, peça perdão!


Não se acostume

com o que não o faz feliz,
revolte-se quando julgar necessário.

Alague

seu coração de esperanças,
mas não deixe que ele se afogue nelas.

Se achar

que precisa voltar, volte!

Se perceber

que precisa seguir, siga!

Se estiver tudo errado,

comece novamente.

Se estiver tudo certo,

continue.

Se sentir saudades,

mate-a.

Se perder um amor,

não se perca!

Se achá-lo, segure-o!

Caso sinta-se só,

olhe para as estrelas: eu sempre estarei nelas.

Não estão ao seu alcance

mas estarão eternamente brilhando para você! ”



A publicação desta obra foi autorizada pela Autora – Silvana Duboc – e encontra-se devidamente Registrada na Fundação Biblioteca Nacional
Ministério da Cultura – Escritório de Direitos Autorais
Rua da Imprensa 16 – sala 1205 – Centro – Rio de Janeiro
Registro – 309.788
Livro – 564
Folha – 448
Analisado por – Pedro José Guilherme de Aragão
Assinado por – Célia Ribeiro Zaher- Diretora do Centro de Processos Técnicos

Deus usa a solidão

Fernando Pessoa não tem culpa!

Uma amiga recebeu o seguinte texto, creditado a Fernando Pessoa e, certa de que não era dele, me perguntou, bem direta: “Me diz que não foi o Fernando Pessoa que escreveu essa m…”

Bem, eu nunca entro no mérito da questão, se os textos têm ou não qualidade literária, porque todos os textos – até mesmo os ruins – têm autor.

“Deus costuma usar a solidão
para nos ensinar sobre a convivência.
Às vezes, usa a raiva,
para que possamos compreender
o infinito valor da paz.
Outras vezes usa o tédio,
quando quer nos mostrar a importância da aventura e do abandono.
Deus costuma usar o silêncio para nos ensinar sobre a responsabilidade
do que dizemos.
Às vezes usa o cansaço,
para que possamos compreender
o valor do despertar.
Outras vezes usa doença,
quando quer nos mostrar
a importância da saúde.
Deus costuma usar o fogo, para nos ensinar sobre água.
Às vezes usa a terra,
para que possamos compreender o valor do ar.
Outras vezes usa a morte,
quando quer nos mostrar
a importância da vida”.

Ok, não foi o Fernando Pessoa. Eu sabia disso. Era óbvio, mas eu não conseguia descobrir de onde raios a coisa surgiu, até que pedi ajuda aos universitários…risos…na comunidade “Afinal, quem é o autor?” a Betty Vidigal acabou descobrindo que trata-se de um legítimo Paulo Coelho!! Se é que existe algo de legítimo em Paulo Coelho. Está em seu livro“Manual do Guerreiro da Luz”, em prosa, o seguinte parágrafo, sem título, a versão original da coisa:

“O guerreiro da luz aprendeu que Deus usa a solidão para ensinar a convivência. Usa a raiva para mostrar o infinito valor da paz. Usa o tédio para ressaltar a importância da aventura e do abandono. Deus usa o silêncio para ensinar sobre a responsabilidade das palavras. Usa o cansaço para que se possa compreender o valor do despertar. Usa a doença para ressaltar a benção da saúde. Deus usa o fogo para ensinar sobre a água. Usa a terra para que se compreenda o valor do ar. Usa a morte para mostrar a importância da vida.”



Então…créditos dados. Porque nem mesmo Paulo Coelho merece ter autoria trocada. Embora ele mesmo seja fã de “inspirar-se” em textos alheios e citações de autoria desconhecida.

. No comentário escrito por Lucia Joia na comunidade Quem é o Autor, veja que Paulo Coelho tem grandes semelhanças com sua discípula Camila:


Revista Época: O mago Paulo Coelho é acusado de “transmutar” texto originalmente escrito por colombiana… A psicóloga Sonia Hurtado, colunista do jornal El Pais, de Cali, acusou o escritor de plagiar um artigo seu intitulado “Cerrando ciclos” (“Fechando ciclos”)…”

Ele teve a cara-de-pau de dizer: “Na abertura de seu artigo, Paulo Coelho dizia que encontrou o texto na internet e admitia: “Não fui eu quem escreveu o original (infelizmente), mas resolvi adaptá-lo, e agora posso pelo menos reivindicar parte de sua autoria” …

Quem quiser ler o artigo da Revista Época na íntegra: Clique aqui.

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Por essas e outras, não consigo respeitá-lo como escritor. Escritor de verdade, que conhece a dificuldade e o trabalho de se produzir um texto do nada não faz isso NUNCA, sob nenhum pretexto. Nem precisa.
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