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Sobre gatos

Nunca pensei que algum dia precisaria usar este blog em proveito próprio. Acreditava, na verdade, que em poucos anos veríamos o problema da autoria desconhecida diminuir na internet (ah, Vanessa, sempre visionária e idealista!). No entanto, infelizmente, a coisa só tem crescido. Felizmente, os textos que temos aqui já estão devidamente desvendados, mas novos continuam a aparecer e a pesquisa para identificar a fonte fica mais complicada conforme a internet cresce. Mas não quero que isso pareça pessimismo! Difícil não é impossível! O desafio aumenta, mas se não houvesse desafios, que graça teria a vida, não é mesmo?

Pois bem, virei Autor Desconhecido. Por um bom motivo, veja bem. Em nome das boas causas e dos bons motivos, atropela-se a ética, como se justificasse. Eu entendo que textos com autoria modificada tornam-se frankensteins em pouquíssimo tempo e daqui a pouco, podem dizer qualquer coisa, inclusive o contrário do que o autor quis dizer. Frankensteins são incontroláveis.  Foi o que aconteceu. Eliminaram o link para o ensaio que deu origem ao texto, porque ele identificava a autoria…e sei lá mais o que eliminaram porque nem quis comparar, para não me irritar…rs…

Ainda que estejamos lutando por uma causa – e principalmente por esse motivo – é importante que a fonte seja mantida.  Nunca me opus à divulgação desse texto, pelo contrário, eu quero que ele seja divulgado, desde que sejam dados os devidos créditos e não haja alteração não autorizada. Então, com vocês, o longo (porém muito informativo ) texto sobre posse responsável de gatos, que tem sido espalhado por aí alucinadamente como se não tivesse pai nem mãe.  O texto original está no meu blog pessoal, neste link aqui (clique para abrir).

Sobre gatos

Alguns esclarecimentos a quem insiste em dizer que quer fazer o melhor por seus gatos:

tela

Por que insistir em conscientizar os proprietários de gatos sobre a importância de mantê-los sem acesso à rua em vez de brigar com os malvados que atropelam, envenenam, torturam… a culpa dessas atrocidades não é de quem as comete? Simples, pois é muito mais fácil e eficiente fazer com que quem REALMENTE GOSTA de gatos se conscientize sobre a importância de castrá-los e não dar acesso à rua do que fazer com que psicopatas deixem de ser psicopatas.

Se com leis rígidas contra o assassinato de seres humanos ainda tem um monte de gente matando por aí, imagina em relação aos gatos, animais de que a maioria das pessoas não gosta e tem preconceito e a quem não há lei eficiente que proteja?

Não, gatos que vivem dentro de casa não estão sofrendo e infelizes. E não, gatos que têm acesso à rua não estão livres e felizes. Como eu sei disso? Porque meu conceito de felicidade e infelicidade felina não está apoiado em meus valores humanos (isso seria um contra senso, não? “Eu sou feliz transando, logo, meu gato é feliz transando também”), mas em como os gatos demonstram felicidade ou infelicidade.

Porém, algumas coisas são universais: nenhum ser espancado é feliz. Nenhum ser envenenado é feliz. Nenhum ser torturado é feliz. Nenhum ser com ferimentos infeccionados é feliz. É só ter noção de causa e conseqüência. Um gato não castrado vai fazer pelo menos quatro gatinhos abandonados em cada gata que encontrar pelo caminho, em suas “andanças”. O que acontecerá com esses gatinhos? O que acontece com filhote de gato na rua? Os poucos que sobreviverem farão mais gatos abandonados, e a responsabilidade é do gato que originou tudo isso ou do dono que não o castrou? E a gata na sua casa que tem uma cria que você distribui entre os amigos?

E os filhotes desses filhotes? O que seus amigos farão com eles? E os que fizerem filhotes pelas ruas? Isso não é responsabilidade nossa?

A realidade sobre a castração

Gatos são animais com uma grande profusão hormonal. Bem maior do que a nossa, aliás. Hormônios sexuais que os obrigam a reproduzir a espécie, para que não desapareça. Porém, há uma superpopulação de gatos sofrendo nas ruas e se reproduzindo descontroladamente (todo mundo sabe disso, não é?) logo, não há necessidade de mais reprodução da espécie.

Mas eles não gostam de “transar”? A atividade sexual dos gatos é regulada única e exclusivamente pela atividade hormonal, não tem o apelo emocional que tem nos humanos, por exemplo, nem é sequer prazeroso. Mas como a gente sabe disso? O pênis do gato possui pequenos espinhos, que servem para sangrar a vagina da fêmea, pois o espermatozóide do gato só sobrevive em meio sanguíneo. A dor e o sangramento estimulam a ovulação na fêmea.

O gato tem primeiro que brigar com outros gatos pela fêmea. Após muita briga, gritaria, arranhões, machucados e mordidas, ele vai até a fêmea que o aceita por causa do cio, induzido pelos hormônios. Ele morde a fêmea pela nuca, para imobilizá-la e introduz o pênis espinhoso. Ela grita de dor, não de prazer. E ele a segura para que ela não se mova, e possa, assim, perpetuar a espécie. Quando a solta, ele ainda apanha dela.

Todo esse estresse é dirigido pelos hormônios que não têm a menor consciência de que a espécie sofre com a superpopulação. O gato chega em casa (quando tem casa) todo machucado das brigas e possivelmente não está nada feliz com essa situação, mas não pode evitar.

Quanto aos riscos…eles são animais, têm instintos, não se defendem sozinhos?

Doenças muito comuns em gatos, para as quais não há tratamento eficaz, nem vacina, como Peritonite Infecciosa Felina (PIF), Aids Felina (FIV) e Leucemia Felina (FELV) são transmitidas nas brigas, através de mordidas e do contato sexual. São muito contagiosas entre os gatos, embora não passem para os seres humanos. Como gatos não castrados – ou mesmo castrados – sem acesso à rua poderiam se defender de brigas de gatos infectados?

Além disso, gatos na rua estão sujeitos a atropelamentos (eles não sabem atravessar a rua, não entendem nossas regras de trânsito), envenenamentos, ataques de cachorros (aí sim, até podem correr para se defender, mas o último que eu soube que fez isso escapou de três cachorros que o perseguiam e na fuga colidiu violentamente com um carro que passava na rua e quebrou o pescoço. O motorista nem teve tempo de desviar) e espancamentos por pessoas ruins (de criaturas tão maiores, maldosas e mais fortes não há como se defender).

A castração e a criação indoor evitam que a vida do gato seja abreviada por motivos tão estúpidos. O que pode ser evitado não deve ser considerado acidente, nem visto com naturalidade quando acontece. Se o gato está sob sua responsabilidade, é seu dever protegê-lo do mundo criado pela nossa espécie e para a nossa espécie, tão hostil aos animais domésticos que não têm culpa de terem sido tirados de seu habitat há milhares de anos, perdido grande parte de seus instintos sem a menor possibilidade de desenvolver ferramentas para se proteger em meio aos humanos.

Com tanta castração, gatos não serão extintos?

Gato castrado não se despersonaliza, ele só deixa de ser guiado exclusivamente pelos hormônios. Assim, ele pode viver tranqüilamente sua vida de gato, sem a neurose da perpetuação da espécie a qualquer custo (já que a espécie está mais do que perpetuada).

Mas se todo mundo castrar, eles não serão extintos? Quem se faz essa pergunta não parou para pensar ou nunca procurou sair às ruas à procura de gatos abandonados para alimentar. Eles saem bem tarde da noite, e voltam a se esconder assim que amanhece. Para começar, existem gatos em todos os lugares, se reproduzindo descontroladamente. Alguns nunca sequer serão pegos, pois são extremamente ariscos e morrerão doentes ou sob as rodas de algum carro, não sem antes se reproduzir muito.

Existem gatos nos bairros mais pobres, nas favelas mais distantes, onde as pessoas nem sequer ouviram falar de controle de natalidade e as próprias mulheres têm dezenas de filhos, que acabam não tendo condições de estudo, nem de um futuro. Essas pessoas criam gatos soltos e que se reproduzem descontroladamente, pois essa é sua própria realidade, vai demorar um bocado para que tenham acesso a informação e castração.

Existem pessoas ignorantes – e elas sempre existirão – cujos gatos continuarão a morrer atropelados, doentes, envenenados, assassinados e sem castrar, se reproduzindo descontroladamente.

Existe uma superpopulação absurda de gatos abandonados, que só cresce, cresce e cresce. A possibilidade de extinção diante dessa realidade, parece piada. E é.

E a liberdade? Gatos não são animais livres?

Mais um conceito que enxergamos baseados em nossos valores. O homem gostaria de viver solto, fazendo o que quisesse, andando de lá para cá sem medo e sem noção, transando com todo mundo sem responsabilidade, fazendo filhos que não precisaria assumir, apenas para provar virilidade. As mulheres gostariam de ter milhares e milhares de filhos para provar a maternidade, sem precisar criá-los ou se preocupar com seu futuro, ser desejadas por dezenas de machos, que se matariam por causa delas. É uma visão, de certa forma, romântica, e bem longe da realidade.

A liberdade dos gatos na rua, da forma como imaginamos, não existe. Já falei da relação sexual, que não é nada bonita, nem prazerosa, e nunca poderia ser chamada de “namoro”.

A estrutura social dos gatos urbanos é um tanto quanto agressiva. Existe um macho dominante (macho alfa) que, aliás, dificilmente vai ser o seu gato domiciliado (antes que algum homem ache legal a idéia do seu gato ser o macho dominante do pedaço). Eles têm uma sociedade dividida em classes (siiim!!), cada um tem seu território e briga por ele.

Existem caminhos que pertencem apenas ao dono do território (e ninguém pode passar ali), outros caminhos são comunitários e também existem regras de tráfego bem definidas. Se um desavisado cortar o caminho do dono do território, pode até ser expulso, sem conseguir voltar.

Gatos que brigam na rua, guiados por hormônios, podem até se matar em uma disputa violenta, cegar ou machucar profundamente. É um mundo violento, com regras estruturadas.

Mas se é tão ruim, por que eles saem? Seus gatos não vão ficar pensando “Ah, lá fora o fulaninho pode me bater, o cachorro já correu atrás de mim, então acho que eu não vou sair”. Eles são curiosos e não têm noção. Embora até consigam se virar bem dentro da estrutura que eles próprios criaram, não conseguem lidar direito com a estrutura dos humanos: carros, motos, gente ruim, veneno, etc. Ao primeiro sinal de perigo, correrão para o lugar em que eles realmente são livres: suas casas (seu território). O gato que citei, que estava fugindo dos três cachorros, foi atropelado enquanto corria, desesperado e atento apenas aos predadores, em direção à casa onde morava com seu “dono”. Estava querendo voltar para a segurança de seu território, onde sabia que ninguém o machucaria.

Dentro de casa

Gatos só são mesmo livres dentro de casa, pois ali é o território deles, onde eles se sentem seguros. Mas são curiosos e sempre irão querer passar pelas portas ou janelas que estiverem abertas para eles. Feche a porta de um cômodo qualquer da sua casa e imediatamente aquele será o lugar mais legal do mundo, no qual seu gato irá querer entrar a qualquer custo, até esquecer da idéia.

Gatos que vivem dentro de casa, com as janelas teladas não ficam miando desesperadamente para sair, sinto desiludir quem se apoiava nesse argumento. Mesmo o que eu adotei adulto e morava na rua, miou por apenas uma semana, pois tinha o hábito de sair (e hábito não é necessidade). Quando viu que eu não cederia, resolveu explorar o ambiente interno e começou a brincar, a se adaptar à nova casa.

Hoje ninguém tenta sair, ninguém fica miando desesperadamente, mas também não tenho sequer um gato apático em casa. Agora mesmo, acabaram de brincar de lutinha, o Tiggy está caçando seu ratinho de brinquedo e o Gatão perseguindo uma bolinha. A Ricota está bebendo água. Eles são bem livres dentro de casa, escolhem seus lugares preferidos, seus brinquedos preferidos, brincam bastante, comem bem e depois dormem junto da gente (ou no sofá da sala, quando está muito calor).

Assistem à janela como assistimos à TV, curiosos com a movimentação de vizinhos, cachorros e pássaros. Eles são pequenos, até mesmo um apartamento de um quarto, como aquele em que eu morava no Rio, é um mundo para eles, pois ao contrário dos cachorros, eles sobem nos móveis, entram embaixo das coisas, o espaço não é apenas horizontal, tem várias possibilidades.

Meus gatos não são exceção, todo mundo que tem gato castrado sem acesso à rua sabe que eles vivem muito melhor do que os que tivemos em casa pelo método “antigo”. Quero ver alguém me dizer, por exemplo, que os gatos da Renata são infelizes porque não saem na rua:

http://www.youtube.com/watch?v=CbTdv9kj8eg

http://www.youtube.com/watch?v=1AlT8F9DoBg

E isso não é egoísmo. Garanto que seria muuuito mais cômodo ter meu gatinho para brincar e apertar, mas não ter o trabalho de levar ao veterinário, me responsabilizar por ele o tempo todo e ainda ter a tranqüilidade de dizer que ele “sumiu” ou que foi morto e culpar o vizinho, depois arrumar outro gato, sem peso algum na consciência.

O cara que odeia animais e envenena o gato que aparece sempre em sua casa está certo? Não. Alguma coisa justifica o que ele fez? Não. Mas ele não é obrigado a aceitar um bicho que ele não gosta em seu quintal. Não é mesmo. Isso não o faz menos assassino, não o faz menos monstro, não o faz menos malvado, nem menos psicopata, nem menos imbecil, covarde, fraco e babaca. Isso não faz com que ele esteja certo ao maltratar, mas mostra que ele não é o único responsável por esse acontecimento, pois ele não foi na casa da menina para matar a gata dela, ele teve seu espaço invadido por uma criatura que ele não sabe respeitar.

É exatamente a mesma coisa de dizer que um pai é co-responsável pela morte de sua filha de dois anos, que ele deixou sair às onze da noite até a casa de um vizinho que já era suspeito de assassinar crianças, inclusive o irmão mais velho da menina. Não dá para dizer “é a vida”, nós temos responsabilidades e devemos assumí-las.

Uma criança não conhece a estrutura da nossa sociedade e os perigos da rua, é pequena, sem maldade e fraca demais para conseguir se defender de adultos, maldades e acidentes. Um gato adulto tem como se defender em sua sociedade felina, mas essa sociedade é estruturada dentro da nossa sociedade e das nossas ruas, para as quais ele também é pequeno, fraco e sem maldade, incapaz de se defender sozinho e supor os perigos que não são naturais, foram criados pelo homem.

Meu gato é louco para entrar dentro do forno. Se eu abro a porta, tenho que cuidar para que ele não se jogue lá dentro. Mas ele não tem instintos que deveriam protegê-lo dessa vontade? Pois é, avise isso para ele. Não é porque ele tem curiosidade de entrar no forno que eu vou achar que ele precisa entrar lá, que ele gosta e vai sofrer se eu não deixar. Se eu deixar e um dia ele entrar no forno ligado e se queimar, não posso dizer que foi culpa dele ou que “pelo menos ele morreu feliz, fazendo o que queria”. Seria um tanto quanto irresponsável de minha parte, não?

Dizer que eles são livres nas ruas, que essa é a “natureza” do gato e que eles têm que “namorar” e são infelizes dentro de casa é argumento de quem não tinha até agora informação suficiente sobre a realidade da sociedade deles, da natureza deles e da vida de gatos castrados e sem acesso à rua.

Gostaria que ninguém comentasse absolutamente nada antes de ler (e ter certeza de que entendeu, nem que precise ler mais de uma vez) tudo o que escrevi. Sei que é muita coisa, mas também sei que ninguém está interessado a exercitar preguiça mental e que todos têm interesse em informações, não apenas em manter suas opiniões arraigadas e “ganhar a discussão”. Eu não quero ganhar nada, meu interesse é ver menos gatos nas ruas, e esse é o único caminho.

Vanessa Lampert

Assunto sem fim

Já escrevi um ensaio sobre isso. Quem quiser ler, por favor, fique à vontade:

http://vanessalampert.blogspot.com/,

Nesse artigo também estão listadas as fontes que usei para pesquisa e também para saber o que eu repeti neste post que acabo de escrever aqui.

PS: Resolvi escrever esse texto porque cansei de repetir sempre as mesmas coisas e ouvir sempre os mesmos argumentos que já foram mais do que refutados pela prática. É consenso entre as entidades sérias de proteção animal de que a castração e criação indoor (sem acesso à rua) é a melhor forma de cuidar de gatos e ao mesmo tempo proteger a espécie. Acredito que quem gosta de gato não gosta apenas do seu gato, mas de todos, e se preocupa com a espécie inteira.

Idéias pré-concebidas e mais do que ultrapassadas, mitos como o que prega que a castração deixa o animal letárgico, que a castração deixa o animal infeliz, que gato precisa “dar voltinhas”, que gato se apega à casa e não ao dono, que mulher grávida pode pegar toxoplasmose acariciando qualquer gato (argh, por favor, se você não tem o hábito de comer fezes de gato infectado pelo toxoplasma expostas no ambiente por 48 horas, ou comer a carne crua de gatos infectados pelo toxoplasma – e poucos gatos são infectados – não se preocupe com uma possível transmissão de toxoplasmose pelos gatos. Muito mais importante é cuidar da higiene dos vegetais que você consome e do cozimento da carne que você costuma comer. Toxoplasmose se pega por via oral, dessas maneiras), que gato é traiçoeiro, etc. etc. etc. são coisas que só prejudicam aos pobres animais, que nada têm com a ignorância humana. E além de prejudicar os gatos, me deixam muito, mas muito revoltada e chateada por ver o quanto minha espécie ainda está atrasada.

E de uma vez por todas: é muito fácil não dar acesso à rua a um gato castrado (e de preferência, castre as fêmeas antes do primeiro cio, com quatro ou no máximo cinco meses. Não, não há risco maior que os benefícios nesse caso. E os machos, com cinco ou seis meses. Embora possa ser feita a castração precoce, mas aí o procedimento é diferente), basta instalar redes de proteção em todas as janelas (inclusive nos vitrôs).

A quem mora em apartamento, redes de proteção são obrigatórias, mas se você mora em casa e quer que seus gatos tenham acesso ao quintal, pode telar os muros e o portão, de maneira a não deixar nenhum lugar pelo qual ele possa escapar. Algumas idéias de tela nesse site:

http://mopibichos.sites.uol.com.br/modelosdetela.htm

Esse post é muito bacana e cheio de fotos de gatinhos fofos e ideias para telar tudo, até árvore!

http://gatinhosdetodaparte.blogspot.com/2007/05/importancia-das-redes-de-protecao.html

UPDATE: Ficou bem clara a explicação sobre toxoplasmose no post, mas deixo também esses dois outros posts a respeito do assunto. Se você está grávida, não precisa abandonar seus gatos, nem ter medo. Há muitos médicos mal informados que acabam expondo seus pacientes a riscos por conta de sua ignorância. Tenho dois posts com informações importantes, clique para ler: Ignorância mata mais do que ToxoplasmosePombos são ratos de asas?

No frigir dos ovos – Na boca do povo

Já tenho a confirmação da autoria deste texto que circula pela web via email com apêndices detestáveis e assinado por…quem? Quem? Quem?…Sim!!! Ele!!! Sempre ele, nosso amável e eternamente altruísta Autor Desconhecido!! Mas não foi ele quem escreveu esse texto, queridos, até porque – você e eu sabemos – ele não existe. Yes, você que está chegando hoje no blog talvez ainda não soubesse e nutrisse a expectativa romântica a respeito da existência de um ser que escreve anonimamente e espalha seus textos pelo mundo pelo simples prazer de ver letras volantes para lá e para cá. Textos legais são obra de mentes legais e é sempre bom conhecê-las, não é mesmo? Neste caso, a mente brilhante por trás do texto atende pelo nome de Claudemir Beneli e o universo agradeceria se os devidos créditos lhe fossem dados.

Note que o larápio que resolveu encaminhar o texto via email o fez de propósito, já que o spam começa com a seguinte declaração:

Encontra-se na internet o seguinte texto relativo à resposta de um internauta para uma pergunta de outro, que indagava:

Alguém sabe me explicar, num português claro e direto, sem figuras de linguagem, o que quer dizer a expressão “no frigir dos ovos“???

Resposta:

Quando comecei, pensava que escrever sobre comida seria sopa no mel, mamão com açúcar. Só que depois de um certo tempo dá crepe, você percebe que comeu gato por lebre e acaba ficando com uma batata quente nas mãos.”

Fingindo tratar-se de uma resposta do Yahoo Respostas – ou coisa do gênero (como se fosse corriqueiro tropeçar nesse tipo de qualidade literária por aí), o indivíduo destroçador de textos o toma como domínio público e encaminha (certamente achou que teve uma “grande sacada” ao formular a falsa pergunta). Outros, aqueles que ainda acreditam que não há o menor problema em divulgar textos apócrifos e sem pai nem mãe, reencaminham…

Acho  triste receber um texto brilhante e não poder saber nada a respeito de seu autor…refaço meu apelo de sempre: ou repasse o texto original com a autoria correta (e confirmada) ou controle-se e não repasse. Ajude a acabar com a decapitação de textos, desmembramento de ideias e evaporação de bons escritores na web. Gostou de um texto? Então respeite a mente que o criou.  Segue o link e o texto original (infelizmente, a coluna foi descontinuada, mas felizmente os arquivos continuam lá, com outros textos igualmente brilhantes do autor):


http://www.bonde.com.br/?id_bonde=1-14–1688-20050520&tit=na+boca+do+povo

20/05/2005 — 11h00
Na boca do povo

Claudemir Beneli

As expressões populares que colocam a comida na “ponta da língua” dos brasileiros
Quando comecei com essa coluna, pensava que escrever sobre comida seria sopa no mel, mamão com açúcar. Só que depois de um certo tempo dá crepe, você percebe que comeu gato por lebre e acaba ficando com uma batata quente nas mãos. Como rapadura é doce mas não é mole, nem sempre você tem idéias e pra descascar esse abacaxi só metendo a mão na massa. E não adianta chorar as pitangas ou, simplesmente, mandar tudo as favas.

Já que é pelo estômago que se conquista o leitor, o negócio é ir comendo o mingau pelas beiradas, cozinhando em banho-maria, porque é de grão em grão que a galinha enche o papo.

Contudo é preciso tomar cuidado para não azedar, passar do ponto, encher lingüiça demais. Além disso, deve-se ter consciência de que é necessário comer o pão que o diabo amassou para vender o seu peixe. Afinal não se faz uma boa omelete sem antes quebrar os ovos.

A quem pense que escrever é como tirar doce da boca de criança e vai com muita sede ao pote. Mas como o apressado come cru, essa gente acaba falando muita abobrinha, são escritores de meia tigela, trocam alhos por bugalhos e confundem Carolina de Sá Leitão com caçarolinha de assar leitão.

Há também aqueles que são arroz de festa, com a faca e o queijo nas mãos, eles se perdem em devaneios (piram na batatinha, viajam na maionese…etc.). Achando que beleza não põe mesa, pisam no tomate, enfiam o pé na jaca, e no fim quem paga o pato é o leitor que sai com cara de quem comeu e não gostou.

O importante é não cuspir no prato em que se come, pois quem lê não é tudo farinha do mesmo saco. Diversificar é a melhor receita para engrossar o caldo e oferecer um texto de se comer com os olhos, literalmente.

Por outro lado se você tiver os olhos maiores que a barriga o negócio desanda e vira um verdadeiro angu de caroço. Aí, não adianta chorar sobre o leite derramado porque ninguém vai colocar uma azeitona na sua empadinha não. O pepino é só seu, e o máximo que você vai ganhar é uma banana, afinal pimenta nos olhos dos outros é refresco.

A carne é fraca, eu sei. Às vezes dá vontade de largar tudo e ir plantar batatas. Mas quem não arrisca não petisca, e depois quando se junta a fome com a vontade de comer as coisas mudam da água pro vinho.

Se embananar, de vez em quando, é normal, o importante é não desistir mesmo quando o caldo entornar. Puxe a brasa pra sua sardinha que no frigir dos ovos a conversa chega na cozinha e fica de se comer rezando. Daí, com água na boca, é só saborear, porque o que não mata engorda.

Acompanhamentos

Como vimos, além de rica em cores e sabores a culinária brasileira também oferece ótimos eufemismos e deliciosas metáforas. Desempenhando uma função social que vai muito além da nutrição, a comida, no Brasil, está relacionada a diversas manifestações da cultura popular, entre elas a linguagem.

Dessa interação nasceram várias expressões famosas e corriqueiras, verdadeiras “pérolas” do colóquio nacional. Saber a origem de algumas delas pode ser tão prazeroso quanto provar um bom prato. O difícil é conseguir provar a tal origem, pois quando se trata de expressões populares cada um tem sua própria versão.

As descritas abaixo são as minhas versões, às vezes, inspiradas na de outros, já que andei pesquisando um pouco. Não acredite em tudo. Mas, por mais estapafúrdias que pareçam, certas origens podem muito bem ser verdadeiras.

– A carne é fraca – Essa expressão retirada da bíblia representa a dificuldade de se resistir a certas tentações. A gula (pecado ou não) está sempre nos mostrando isso, porque a carne pode até ser fraca, mas grelhadinha no molho de mostarda…hum! Fica divina. “Vigiai e orai, para que não entreis em tentação; o espírito, na verdade, está pronto, mas a carne é fraca”. (Mt. 26:41)

– Apressado come cru – Como o microondas e o fast food são invenções recentes, até certo tempo atrás era preciso esperar um pouco mais para a comida ficar pronta, ou então comê-la crua. Nessa época a culinária japonesa ainda não estava na moda, logo comida crua era vista com maus olhos, e a expressão passou a ser usada para significar afobamento, precipitação…etc.

– Arroz de festa – Assim são chamadas aquelas pessoas que não perdem uma festa por nada, tendo ou não sido convidadas pra mesma. A origem dessa expressão talvez advenha do costume de se jogar arroz em recém casados. Mas o mais provável é que ela tenha surgido devido a uma antiga tradição portuguesa. Nas festas e comemorações das tradicionais famílias portuguesas nunca faltava uma sobremesa feita com arroz, leite, açúcar e algumas especiarias (arroz doce) e que era conhecida, na época, como “arroz de festa”.

– Chorar as pitangas – Pitangas são deliciosas frutinhas vermelhas cultivadas e apreciadas em todo o país, principalmente nas regiões norte e nordeste. A palavra pitanga deriva de pyrang, que em tupi guarani significa vermelho. Sendo assim a provável relação da fruta com o pranto vem do fato de os olhos ficarem vermelhos, parecendo duas pitangas, quando se chora muito.

– Comer o pão que o diabo amassou – Significa passar por uma situação difícil, um sofrimento. Imagino que a origem dessa expressão venha do fato de que deve ser, realmente, indigesto engolir um pão amassado (amassar é o mesmo que fazer a massa) pelo capeta. Além da procedência, nada confiável, do produto (se vem do coisa ruim, boa coisa não pode ser) tem grandes chances desse pão vir queimado, já que foi assado no fogo do inferno.

– Dar uma banana – É das poucas expressões que são acompanhadas por um gesto. Aliás, neste caso, o mais provável é que o gesto tenha inspirado a expressão, já que ele existe em vários países como Portugal, Espanha, Itália e Brasil. Em todos esses lugares o gesto significa a mesma coisa: um desabafo ou uma ofensa. Já a alusão à banana é exclusividade tupiniquim e fica por conta da criatividade, tão peculiar ao brasileiro.

– Farinha do mesmo saco – “Homines sunt ejusdem farinae” esta frase em latim (homens da mesma farinha) é a origem dessa expressão, utilizada para generalizar um comportamento reprovável. Como a farinha boa é posta em sacos diferentes da farinha ruim, faz-se essa comparação para insinuar que os bons andam com os bons enquanto os maus preferem os maus.

– Pagar o pato – A expressão deriva de um antigo jogo praticado em Portugal. Amarrava-se um pato a um poste e o jogador (em um cavalo) deveria passar rapidamente e arrancá-lo de uma só vez do poste. Quem perdia era que pagava pelo animal sacrificado, sendo assim passou-se a empregar a expressão para representar situações onde se paga por algo sem obter um benefício em troca.

– Ser de meia tigela – Na época da monarquia portuguesa muitos jovens habitavam os castelos, eles prestavam serviços domésticos à corte e recebiam alimentação e moradia por isso. Entre estes jovens, haviam vários vindos do interior, que pela pouca experiência e origem humilde, eram desprezados pelos veteranos, sendo ironicamente tratados por “fidalgos de meia tigela”, já que embora habitassem o palácio não participavam de rituais importantes da corte. Como em alguns desses ritos quebravam-se tigelas, dizia-se que eles eram de meia tigela porque nunca quebrariam a tigela, privilégio reservado aos nobres.

Bom, essas são algumas das histórias mais interessantes, mas se você se interessou pelo assunto e quer continuar a desvendar a origem das expressões, pode recorrer a sua própria criatividade, a sua avó e as amigas dela do jogo de biriba ou então aos seguintes livros:

– De onde vêm as palavras, Deonísio da Silva (Editora A Girafa, 2004). – Neste livro se encontram milhares de verbetes explicando a origem etimológica de várias palavras e expressões. Mais do que desvendar a origem, Deonísio explica, em alguns casos, a história das palavras e como elas se modificaram desde o seu surgimento.

– Mas será o Benedito?, Mario Prata (Editora Globo, 1996) – Várias histórias criadas pelo autor para explicar a origem de algumas expressões populares faladas por nós estão presentes neste livro. Privilegiando mais o humor que o rigor científico, Mario Prata assume que inventou a maioria dos verbetes sem se preocupar com a verdade histórica. O livro também pode ser encontrado na Internet, no site do autor está disponível uma versão integral do texto, o endereço é: www.marioprataonline.com.br

Claudemir Beneli – Gastronomia e Culinária

Beijo na boca

Publicado em 28 de setembro de 1998 no site “Almas Gêmeas”, o texto “As razões que o amor desconhece” circula como sendo do desconhecido, mas é da Martha Medeiros.

BEIJO NA BOCA
Martha Medeiros

Uma vez a atriz e cineasta Carla Camuratti declarou, numa entrevista, que um bom beijo é melhor do que uma transa insossa. Quando a escutei dizendo isso, pensei: “então não sou só eu”. Estou com Carla: o beijo é a parte mais importante da relação física entre duas pessoas, e se ele não funcionar, pode desistir do resto.

A Editora Mandarim acaba de lançar um livro que reúne ensaios de diversos intelectuais a respeito do assunto. O nome do livro é O Beijo – Primeiras Lições de Amor, História, Arte e Erotismo. Os autores discutem o beijo materno, o beijo nos contos-de-fadas, o beijo traiçoeiro de Judas, os primeiros beijos impressos em cartazes, o beijo na propaganda, o mais longo beijo do cinema e todas as suas simbologias. Às vezes o livro fica prolixo demais, mas ainda assim é um assunto tentador. Procure-o nas melhores casas do ramo. O livro, porque beijo não está à venda.

Todo mundo sonha com aquele beijo made in Hollywood, que tira o fôlego e dá início a um romance incandescente. Pena que nem sempre isso aconteça na vida real. O primeiro beijo entre um casal costuma ser suave, investigativo, decente. Aos pouquinhos, no entanto, acende-se a labareda e as bocas dizem a que vieram. Existe um prazo para isso acontecer: entre cinco minutos depois do primeiro roçar de lábios até, no máximo, cinco dias. Neste espaço de tempo, ainda compreende-se que os beijos sejam vacilantes: tratam-se de duas pessoas criando um vínculo e testando suas reações. Mas se a decência persistir, não espere ver estrelinhas na etapa seguinte. A química não aconteceu.

Beijo é maravilhoso porque você interage com o corpo do outro sem deixar vestígios, é um mergulho no escuro, uma viagem sem volta. Beijo é uma maneira de compartilhar intimidades, de sentir o sabor de quem se gosta, de dizer mil coisas em silêncio. Beijo é gostoso porque não cansa, não engravida, não transmite o HIV. Beijo é prático porque não precisa tirar a roupa, não precisa sair da festa, não precisa ligar no dia seguinte. E sem essa de que beijo é insalubre porque troca-se até 9 miligramas de água, 0,7 grama de albumia, 0,18 de substâncias orgânicas, 0,711 miligrama de matérias gordurosas e 0,45 miligrama de sais, sem contar os vírus e as bactérias. Quem está preocupado com isso? Insalubre é não amar.

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Mude

Essa é uma das histórias mais absurdas de que já tomei conhecimento até agora. Recebi e-mail da minha leitora Nancy há alguns meses pedindo que publicasse esse texto. No entanto, já havia recebido o seguinte e-mail do próprio autor, pedindo esclarecimento neste blog. Acabei ficando muito tempo afastada de minhas atividades on-line e adiei a postagem, mas não poderia deixar de divulgar essa história aqui (em homenagem também à Flávia, que comentou de sua frustração pela falta de atualização do Autor Desconhecido).

Confesso que, ao saber dessa história, cogitei a hipótese de os herdeiros da Clarice Lispector serem tão ignorantes que não conhecem o trabalho da Clarice. Não têm como saber o que é ou não dela porque nunca leram um livro na vida (argumento derrubado por um de meus neurônios, que me lembrou de que eles devem saber o que a Clarice tem registrado como dela, nem que seja pelo título). Existe a possibilidade de que tenham agido como falsos espertos, imaginando que o texto tenha sido escrito pela entidade sem rosto e sem nome conhecida como Autor Desconhecido e que ele – além de tudo – tem um sério problema de memória e se esquece rapidamente de tudo o que escreve (afinal de contas, ele escreve tanto!). Então, não haveria o menor problema, nem conseqüência alguma em aceitar dinheiro por uma obra que não lhes pertencia, como se pertencesse.

Seja como for, é um absurdo sem tamanho que deve, sim, ser exposto ao público, o máximo possível, para que se tenha noção da dimensão do problema e que a irresponsabilidade não é apenas de leitores leigos e internautas, mas de jornalistas, publicitários…gente que deveria ser melhor informada, mais consciente e responsável com o trabalho alheio. Conhecidos como “formadores de opinião”, não lêem, não se informam, não têm conteúdo suficiente para repassar ao público (que também não lê, não se informa….vixe, melhor nem continuar o raciocínio…) e acabam agindo como agentes de desinformação em larga escala. Dá medo.

Segue o e-mail do autor, o link para o site no qual há a explicação de toda a história, e o texto original.

Por um erro da Agência Leo Burnett, meu poema MUDE foi utilizado num comercial da Fiat, e teve sua autoria atribuída, erradamente, a Clarice Lispector.

Os herdeiros de Clarice receberam quarenta mil dólares, ilicitamente, pelo “licenciamento” de uma obra alheia (no caso, minha).

Sentença transitada em julgado deu ganho de causa a mim, em Ação Cautelar.

Os herdeiros recusam-se a devolver o dinheiro, e sequer se pronunciam em público sobre o caso.

Detalhes em http://desafiat.weblogger.com.br

Abraços, flores, estrelas..

Edson Marques.


Mude
Edson Marques.

Mas comece devagar,
porque a direção é mais importante
que a velocidade.
Sente-se em outra cadeira,
no outro lado da mesa.
Mais tarde, mude de mesa.
Quando sair,
procure andar pelo outro lado da rua.
Depois, mude de caminho,
ande por outras ruas,
calmamente,
observando com atenção
os lugares por onde
você passa.
Tome outros ônibus.
Mude por uns tempos o estilo das roupas.
Dê os teus sapatos velhos.
Procure andar descalço alguns dias.
Tire uma tarde inteira
para passear livremente na praia,
ou no parque,
e ouvir o canto dos passarinhos.
Veja o mundo de outras perspectivas.
Abra e feche as gavetas
e portas com a mão esquerda.
Durma no outro lado da cama.
Depois, procure dormir em outras camas.
Assista a outros programas de tv,
compre outros jornais,
leia outros livros,
Viva outros romances!
Não faça do hábito um estilo de vida.
Ame a novidade.
Durma mais tarde.
Durma mais cedo.
Aprenda uma palavra nova por dia
numa outra língua.
Corrija a postura.
Coma um pouco menos,
escolha comidas diferentes,
novos temperos, novas cores,
novas delícias.
Tente o novo todo dia.
o novo lado,
o novo método,
o novo sabor,
o novo jeito,
o novo prazer,
o novo amor.
a nova vida.
Tente.
Busque novos amigos.
Tente novos amores.
Faça novas relações.
Almoce em outros locais,
vá a outros restaurantes,
tome outro tipo de bebida
compre pão em outra padaria.
Almoce mais cedo,
jante mais tarde ou vice-versa.
Escolha outro mercado,
outra marca de sabonete,
outro creme dental.
Tome banho em novos horários.
Use canetas de outras cores.
Vá passear em outros lugares.
Ame muito,
cada vez mais,
de modos diferentes.
Troque de bolsa,
de carteira,
de malas.
Troque de carro.
Compre novos óculos,
escreva outras poesias.
Jogue os velhos relógios,
quebre delicadamente
esses horrorosos despertadores.
Abra conta em outro banco.
Vá a outros cinemas,
outros cabeleireiros,
outros teatros,
visite novos museus.
Mude.
Lembre-se de que a Vida é uma só.
Arrume um outro emprego,
uma nova ocupação,
um trabalho mais light,
mais prazeroso,
mais digno,
mais humano.

Se você não encontrar razões para ser livre,
invente-as.

Seja criativo.
E aproveite para fazer uma viagem despretensiosa,
longa, se possível sem destino.
Experimente coisas novas.
Troque novamente.
Mude, de novo.
Experimente outra vez.
Você certamente conhecerá coisas melhores
e coisas piores,
mas não é isso o que importa.
O mais importante é a mudança,
o movimento,
o dinamismo,
a energia.
Só o que está morto não muda! “

Ter ou não ter namorado

Outro clássico, enviado pela leitora Niza:

Esse texto foi publicado em 1984 e circula há anos, inclusive em revistas, jornais e antologias, como sendo de Carlos Drummond de Andrade. Muita gente já sabe que é de Artur da Távola, mas em pleno 2007 o encontrei até mesmo creditado ao Verissimo e ao nosso amigo Desconhecido. As alterações que ainda circulam por aí (inclusive transformando a crônica em poesia, colocando as frases em coluna….argh!!!) são apavorantes. Por que fazem isso com textos inocentes? Alguns acréscimos, alguns cortes, algumas deformações…a maioria dos textos alterados suprimiu a ordem “ENLOU-CRESÇA.” Provavelmente, os Alteradores de Textos Anônimos não entenderam o novo termo.

Artur da Távola reclama, em adendo colado ao texto:


“Não sei mais o que fazer! Aviso às editoras que fazem antologias, que de agora em diante irei à Justiça e as processarei por uso indevido de uma crônica de minha autoria, ‘Ter ou não ter namorado’, publicada em 1984 no Livro ‘Amor A Sim Mesmo’, da Editora Nova Fronteira, como se fosse do grande poeta e cronista Carlos Drummond de Andrade. Algumas editoras, para aproveitarem-se da justa fama de Drummond não se preocupam de examinar com cuidado e tascam nas antologias essa minha crônica, como dele. É a que se segue, com o título que está aí em cima:”


Aí vai o texto original, postado em seu site :

TER OU NÃO TER NAMORADO
Artur da Távola


Quem não tem namorado é alguém que tirou férias não remuneradas de si mesmo.
Namorado é a mais difícil das conquistas.
Difícil porque namorado de verdade é muito raro. Necessita de adivinhação, de pele, saliva, lágrima, nuvem, quindim, brisa ou filosofia. Paquera, gabiru, flerte, caso, transa, envolvimento, até paixão, é fácil.
Mas namorado, mesmo, é muito difícil. Namorado não precisa ser o mais bonito, mas ser aquele a quem se quer proteger e quando se chega ao lado dele a gente treme, sua frio e quase desmaia pedindo proteção. A proteção não precisa ser parruda, decidida; ou bandoleira basta um olhar de compreensão ou mesmo de aflição.
Quem não tem namorado é quem não tem amor é quem não sabe o gosto de namorar. Há quem não sabe o gosto de namorar. Se você tem três pretendentes, dois paqueras, um envolvimento e dois amantes; mesmo assim pode não ter nenhum namorado.
Não tem namorado quem não sabe o gosto de chuva, cinema sessão das duas, medo do pai, sanduíche de padaria ou drible no trabalho.
Não tem namorado quem transa sem carinho, quem se acaricia sem vontade de virar sorvete ou lagartixa e quem ama sem alegria.
Não tem namorado quem faz pacto de amor apenas com a infelicidade. Namorar é fazer pactos com a felicidade ainda que rápida, escondida, fugidia ou impossível de durar.
Não tem namorado quem não sabe o valor de mãos dadas; de carinho escondido na hora em que passa o filme; de flor catada no muro e entregue de repente; de poesia de Fernando Pessoa, Vinícius de Moraes ou Chico Buarque lida bem devagar; de gargalhada quando fala junto ou descobre meia rasgada; de ânsia enorme de viajar junto para a Escócia ou mesmo de metrô, bonde, nuvem, cavalo alado, tapete mágico ou foguete interplanetário.
Não tem namorado quem não gosta de dormir agarrado, de fazer cesta abraçado, fazer compra junto.
Não tem namorado quem não gosta de falar do próprio amor, nem de ficar horas e horas olhando o mistério do outro dentro dos olhos dele, abobalhados de alegria pela lucidez do amor.
Não tem namorado quem não redescobre a criança própria e a do amado e sai com ela para parques, fliperamas, beira – d’água, show do Milton Nascimento, bosques enluarados, ruas de sonhos ou musical da Metro.
Não tem namorado quem não tem música secreta com ele, quem não dedica livros, quem não recorta artigos; quem gosta sem curtir; quem curte sem aprofundar.
Não tem namorado quem nunca sentiu o gosto de ser lembrado de repente no fim de semana, na madrugada, ou meio-dia do dia de sol em plena praia cheia de rivais.
Não tem namorado quem ama sem se dedicar; quem namora sem brincar; quem vive cheio de obrigações; quem faz sexo sem esperar o outro ir junto com ele.
Não tem namorado quem confunde solidão com ficar sozinho e em paz.
Não tem namorado quem não fala sozinho, não ri de si mesmo e quem tem medo de ser afetivo.
Se você não tem namorado porque não descobriu que o amor é alegre e você vive pesando duzentos quilos de grilos e medos, ponha a saia mais leve, aquela de chita e passeie de mãos dadas com o ar. Enfeite-se com margaridas e ternuras e escove a alma com leves fricções de esperança. De alma escovada e coração estouvado, saia do quintal de si mesmo e descubra o próprio jardim.
Acorde com gosto de caqui e sorria lírios para quem passe debaixo de sua janela. Ponha intenções de quermesse em seus olhos e beba licor de contos de fada. Ande como se o chão estivesse repleto de sons de flauta e do céu descesse uma névoa de borboletas, cada qual trazendo uma pérola falante a dizer frases sutis e palavras de galanteria.
Se você não tem namorado é porque ainda não enlouqueceu aquele pouquinho necessário a fazer a vida parar e de repente parecer que faz sentido. ENLOU-CRESÇA.

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Navegue

Esse texto foi enviado pela leitora Nancy, tem circulado como sendo uma poesia de Fernando Pessoa. Não é. É de autoria de Silvana Duboc, e não tem absolutamente nada a ver com nada que Pessoa escreveu em toda a sua vida. Ocorre que uma criatura resolveu “completar” o texto com uma frase que creditou a Fernando Pessoa “Circunda-te de rosas, ama, bebe e cala.
O mais é nada”
e o texto todo foi engolido pelo crédito equivocado. A autora inclusive divulga o número do registro do poema, para que não haja dúvida.

NAVEGUE

Silvana Duboc

Navegue,

descubra tesouros, mas não os tire do fundo do mar,
o lugar deles é lá.


Admire a lua,

sonhe com ela, mas não queira trazê-la para a terra.


Curta o sol,

se deixe acariciar por ele,
mas lembre-se que o seu calor é para todos.


Sonhe com as estrelas,

apenas sonhe, elas só podem brilhar no céu.


Não tente deter o vento,

ele precisa correr por toda parte,
ele tem pressa de chegar sabe-se lá onde.

Não apare a chuva,

ela quer cair e molhar muitos rostos,
não pode molhar só o seu.

As lágrimas?

Não as seque, elas precisam correr na minha,
na sua, em todas as faces.

O sorriso!

Esse você deve segurar, não deixe-o ir embora, agarre-o!

Quem você ama?

Guarde dentro de um porta-jóias, tranque, perca a chave!
Quem você ama é a maior jóia que você possui,
a mais valiosa.

Não importa se a estação do ano muda,

se o século vira,
se o milênio é outro, se a idade aumenta;
conserve a vontade de viver,
não se chega à parte alguma sem ela,


Abra todas as janelas

que encontrar, e as portas também.

Persiga um sonho,

mas não deixe ele viver sozinho.

Alimente sua alma

com amor, cure suas feridas com carinho.

Descubra-se todos os dias,

deixe-se levar pelas vontades,
mas não enlouqueça por elas.

Procure,

sempre procure o fim de uma história, seja ela qual for.

Dê um sorriso

para quem esqueceu como se faz isso.

Acelere seus pensamentos,

mas não permita que eles te consumam.

Olhe para o lado,

alguém precisa de você.

Abasteça seu coração de fé,

não a perca nunca.

Mergulhe de cabeça

nos seus desejos, e satisfaça-os.

Agonize de dor

por um amigo,
só saia dessa agonia se conseguir tirá-lo também.


Procure os seus caminhos,

mas não magoe ninguém nessa procura.


Arrependa-se,

volte atrás, peça perdão!


Não se acostume

com o que não o faz feliz,
revolte-se quando julgar necessário.

Alague

seu coração de esperanças,
mas não deixe que ele se afogue nelas.

Se achar

que precisa voltar, volte!

Se perceber

que precisa seguir, siga!

Se estiver tudo errado,

comece novamente.

Se estiver tudo certo,

continue.

Se sentir saudades,

mate-a.

Se perder um amor,

não se perca!

Se achá-lo, segure-o!

Caso sinta-se só,

olhe para as estrelas: eu sempre estarei nelas.

Não estão ao seu alcance

mas estarão eternamente brilhando para você! ”



A publicação desta obra foi autorizada pela Autora – Silvana Duboc – e encontra-se devidamente Registrada na Fundação Biblioteca Nacional
Ministério da Cultura – Escritório de Direitos Autorais
Rua da Imprensa 16 – sala 1205 – Centro – Rio de Janeiro
Registro – 309.788
Livro – 564
Folha – 448
Analisado por – Pedro José Guilherme de Aragão
Assinado por – Célia Ribeiro Zaher- Diretora do Centro de Processos Técnicos

Focinhos

Não, o Autor Desconhecido não gosta de cachorros….até por que ele não existe, lembra?

O poema “Focinhos” foi escrito por Claudia Zippin Ferri em dezembro de 2005 e deu à autora o primeiro lugar no IV Concurso de Poesia e Prosa da SPPA (Piracicaba), em 2006, e tem sido repassado em listas de emails como sendo do Autor Desconhecido.

A pessoa que repassou esse texto soltou a terrível pérola: “Mas uma poesia linda assim não importa quem fez … A pessoa q o fez deve ter um bom coração e não deve importar-se com essas coisas”. Sei que obviamente ninguém diz isso na maldade, mas na ignorância. Ainda assim, respondi o que canso de repetir por aqui: É direito do autor ter seu trabalho respeitado, isso independe do fato de ele ter bom coração ou não. Autoria é coisa séria.

Não é errado, nem indigno exigir os créditos pelo seu trabalho, muito pelo contrário, é mais do que digno. Profissional ou não, o escritor deve ter seu nome escrito entre o título e o texto. Nome que não está lá por ego, mas por direito. Então, entrego “Focinhos” à sua legítima dona :-) Claudia Zippin Ferri, que respondeu ao meu contato de forma tão simpática.


Focinhos
Claudia Zippin Ferri

Ah, se as pessoas soubessem o que há por trás de um focinho,
Focinho úmido, geladinho,
Preto, marrom, desbotadinho,
Simples e lindos focinhos.

Ah, se as pessoas soubessem o valor de um focinho,
Focinho medroso ou metido,
Focinho manhoso, carinhoso,
Simples amigos focinhos.

Ah, se as pessoas tivessem ao menos um focinho,
Não sobre o próprio rosto,
Mas em carne, pelo e osso,
Fonte pura de carinhos.

Ah, se as pessoas protegessem os focinhos,
Focinhos que vivem sozinhos,
Amores desperdiçados; focinhos amargurados,
Focinhos pra todo lado.

Ah, se as pessoas conhecessem os focinhos,
Quanto amor, quanto carinho,
Anjos peludos, sem narizinhos.
Anjos fofos atrás de focinhos.

Ah, se eu pudesse ver todos os focinhos,
Amados e acolhidos,
Crianças da criação, anjos de bem querer,
Focinhos em plena evolução.

Ah, se as pessoas soubessem,
Quanto amor e dedicação,
Quanta vida, quanta paixão,
Quanto vale o amor de um cão.

Ah, se eu pudesse mostrar para todos, o valor de um focinho,
A gratuidade de um carinho,
O que existe de verdade,
Por trás de um simples focinho.

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Namorofobia (A Praga da década)

Não é Jabor, nem Danuza Leão

Colaboração da leitora Carol Ueber, que já cansou de avisar suas amigas da verdadeira autoria desse texto. Antes que Jabor comece a vociferar culpando, em sua clássica megalomania, ao plagiador desconhecido que, segundo ele, “copia seu estilo” para fabricar Arnaldos em série, explico, caro amigo, que isso raramente acontece. Geralmente o nome de Jabor, de Verissimo ou de Quintana vai ilustrar esses textos sem o menor critério. É só para enfiar um nome de peso para dar credibilidade a um texto roubado. É, roubado. A maior vítima, na maioria das vezes, é o autor, já que ele não tem os leitores cativos do escritor famosão, não terá seu trabalho reconhecido e ainda será acusado de plágio se tentar recuperar a autoria. No caso do texto abaixo, ele foi originalmente postado no falecido Blog Megeras Magérrimas, em 27/01/2004, pela autora, Patrícia Antoniette.

O original econtra-se neste link .


Namorofobia
Patricia Antoniette

A praga da década são os namorofóbicos. Homens (e mulheres) estão cada vez mais arredios ao título de namorado, mesmo que, na prática, namorem.

Uma coisa muito estranha. Saem, fazem sexo, vão ao cinema, freqüentam as respectivas casas, tudo numa freqüência de namorados, mas não admitem. Tem alguns que até têm o cuidado de quebrar a constância só para não criar jurisprudência, como se diria em juridiquês. Podem sair várias vezes numa semana, mas aí tem que dar um intervalo regulamentar, que é para não parecer namoro.

– É tua namorada?
– Não, a gente tá ficando.

Ficando aonde, cara pálida?

Negam o namoro até a morte, como se namoro fosse casamento, como se o título fizesse o monge, como se namorar fosse outorgar um título de propriedade. Devem temer que ao chamar de namorada(o) a criatura se transforme numa dominadora sádica, que vai arrastar a presa para o covil, fazer enxoval, comprar alianças, apresentar para a parentada toda e falar de casamento – não vai. Não a menos que seja um(a) psicopata. Mais pata que psico.

Namorar é leve, é bom, é gostoso. Se interessar pelo outro e ligar pra ver se está tudo bem pode não ser cobrança, pode ser saudade, vontade de estar junto, de dividir.

A coisa é tão grave e levada a extremos que pode tudo, menos chamar de namorado. Pode viajar junto, dormir junto, até ir ao supermercado junto (há meses!), mas não se pode pronunciar a palavra macabra: NAMORO.

Antes, o problema era outro: CASAMENTO. Ui. Vá de retro! Cruz credo! Desafasta.
Agora é o namoro, que deveria ser o test drive, a experiência, com toda a leveza do mundo. Daqui a pouco, o problema vai ser qualquer tipo de relacionamento que possa durar mais que uma noite e significar um envolvimento maior que saber o nome.

Do que o medo? Da responsabilidade? Da cobrança? De gostar? Sempre que a gente se envolve com alguém tem que ter cuidado. Não é porque “a gente tá ficando” que não se deve respeito, carinho, cuidado. Não é porque “a gente tá ficando” que você vai para cama num dia e no outro finge que não conhece e isso não dói ou não é filhadaputice. Não é porque “a gente tá ficando” que o outro passa ser mais um número no rol das experiências sexuais – e só.

Ou é?

Tô ficando velha?

Paciência. Comigo, só namorando.


——————


Uma das versões alteradas



A Praga da Década

A praga da década são os namorofóbicos. Homens e mulheres estão cada vez mais arredios a título de namorado, mesmo que, na prática, namorem. Uma coisa muito estranha.

Saem, fazem sexo, vão ao cinema, freqüentam as respectivas casas, tudo numa freqüência de namorados, mas não admitem. Têm alguns que até têm o cuidado de quebrar a constância só para não criar jurisprudência, como se diria em juridiquês. Podem sair várias vezes numa semana, mas aí tem que dar uns intervalos regulamentares, que é para não parecer namoro.

É tua namorada? – Não, a gente tá ficando. Ficando aonde, cara pálida?

Negam o namoro até a morte, como se namoro fosse casamento, como se o título fizesse o monge, como se namorar fosse outorgar um título de propriedade. Devem temer que ao chamar de namorada(o) a criatura se transforme numa dominadora sádica, que vai arrastar a presa para o covil, fazer enxoval, comprar alianças, apresentar para a parentada toda e falar de casamento. – Não vai. Não a menos que seja um(a) psicopata. Mais pata que psico. Namorar é leve, é bom, é gostoso. Se interessar pelo outro e ligar para ver se está tudo bem pode não ser cobrança, pode ser SAUDADE, vontade de estar junto, de dividir.

A coisa é tão grave e levada a extremos que pode tudo, menos chamar de namorado. Pode viajar junto, dormir junto, até ir ao supermercado junto (há

meses!), mas não se pode pronunciar a palavra macabra: NAMORO. Antes, o problema era outro: CASAMENTO. Uiii. Vá de retro! Cruz credo! Desafasta.

Agora é o namoro, que deveria ser o test drive, a experiência, com toda a leveza do mundo. Daqui a pouco, o problema vai ser qualquer tipo de relacionamento que possa durar mais que uma noite e significar um envolvimento maior que saber o nome. Do que o medo? Da responsabilidade? Da cobrança? De gostar? Sempre que a gente se envolve com alguém tem que ter cuidado. Não é porque “a gente tá ficando” que não se deve respeito, carinho, cuidado…

Não é porque “a gente tá ficando” que você vai para cama num dia e no outro finge que não conhece e isso não dói ? Não é porque “a gente ta ficando” que o outro passa a ser mais um número no rol das experiências sexuais – e só.

Ou é? Tô ficando velho(a)? Paciência. Vamos NAMORAR em toda a sua essência

Curtir, cuidar, respeitar… Se preocupar, tá junto, conhecer o outro.

Vocês “ficantes” estão perdendo o que existe de mais bonito e gostoso num relacionamento num Namoro que é a cumplicidade… A magia, o encanto, a

conquista, o Amor!!!

Pensem nisso e Namorem pra valer.”

——–

Argh!! Se tem uma coisa que eu detesto nessa Entidade Alteradora de textos é essa mania de colocar reticências e exclamações em tudo, imaginando que assim dá maior ênfase, profundidade ou o que quer que seja ao texto. E a capacidade impressionante que ela tem de transformar qualquer texto em algo totalmente piegas. E as liçõezinhas no final: “pensem nisso”. Me desculpem, mas a paciência com esse tipo de coisa chegou ao limite!

Sentir-se amado

Nem Mario Quintana, nem Arnaldo Jabor

O texto que circula com o título “Sentir-se Amado” na verdade é uma deformação do texto da Musa do Autor Desconhecido, Martha Medeiros (eu ainda vou descobrir qual é o pecado que essa mulher cometeu e que está condenada a pagar para sempre), publicado originalmente em sua coluna no Site Almas Gêmeas. Mais especificamente aqui (isso é um link). Cúmulo da degradação da espécie, esse texto (alterado, picotado e distorcido) tem versão em Power Point com “Endless Love” tocando, bregamente, ao fundo. Não acredito que alguém consiga cometer um pecado imenso o suficiente para merecer tal penitência, acho que Martha Medeiros tem um Encosto Desconhecido que altera, deliberadamente, todos os seus textos. A criatura tem toda a lista das crônicas do Almas Gêmeas e se acha “A” artista ao alterar, um a um, com requintes de crueldade. Aí vai, como de praxe, o texto original, e em seguida, a aberração que o persegue:

Sentir-se amado
Martha Medeiros

O cara diz que te ama, então tá. Ele te ama.

Sua mulher diz que te ama, então assunto encerrado.

Você sabe que é amado porque lhe disseram isso, as três palavrinhas mágicas. Mas saber-se amado é uma coisa, sentir-se amado é outra, uma diferença de milhas, um espaço enorme para a angústia instalar-se.

A demonstração de amor requer mais do que beijos, sexo e verbalização, apesar de não sonharmos com outra coisa: se o cara beija, transa e diz que me ama, tenha a santa paciência, vou querer que ele faça pacto de sangue também?

Pactos. Acho que é isso. Não de sangue nem de nada que se possa ver e tocar. É um pacto silencioso que tem a força de manter as coisas enraizadas, um pacto de eternidade, mesmo que o destino um dia venha a dividir o caminho dos dois.

Sentir-se amado é sentir que a pessoa tem interesse real na sua vida, que zela pela sua felicidade, que se preocupa quando as coisas não estão dando certo, que sugere caminhos para melhorar, que coloca-se a postos para ouvir suas dúvidas e que dá uma sacudida em você, caso você esteja delirando. “Não seja tão severa consigo mesma, relaxe um pouco. Vou te trazer um cálice de vinho”.

Sentir-se amado é ver que ela lembra de coisas que você contou dois anos atrás, é vê-la tentar reconciliar você com seu pai, é ver como ela fica triste quando você está triste e como sorri com delicadeza quando diz que você está fazendo uma tempestade em copo d´água. “Lembra que quando eu passei por isso você disse que eu estava dramatizando? Então, chegou sua vez de simplificar as coisas. Vem aqui, tira este sapato.”

Sentem-se amados aqueles que perdoam um ao outro e que não transformam a mágoa em munição na hora da discussão. Sente-se amado aquele que se sente aceito, que se sente bem-vindo, que se sente inteiro. Sente-se amado aquele que tem sua solidão respeitada, aquele que sabe que não existe assunto proibido, que tudo pode ser dito e compreendido. Sente-se amado quem se sente seguro para ser exatamente como é, sem inventar um personagem para a relação, pois personagem nenhum se sustenta muito tempo. Sente-se amado quem não ofega, mas suspira; quem não levanta a voz, mas fala; quem não concorda, mas escuta.

Agora sente-se e escute: eu te amo não diz tudo.”

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Uma das versões alteradas:

Sentir-se amado

O cara diz que te ama, então tá! Ele te ama. Sua mulher diz que te ama, então assunto encerrado. Você sabe que é amado porque lhe disseram isso, as três palavrinhas mágicas. Mas saber-se amado é uma coisa, sentir-se amado é outra, uma diferença de quilômetros. A demonstração de amor requer mais do que beijos, sexo e palavras.

Sentir-se amado é sentir que a pessoa tem interesse real na sua vida, que zela pela sua felicidade, que se preocupa quando as coisas não estão dando certo, que coloca-se a postos para ouvir suas dúvidas e que dá uma sacudida em você quando for preciso.

Sentir-se amado é ver que ela lembra de coisas que você contou dois anos atrás, é vê-la tentar reconciliar você com seu pai, é ver como ela fica triste quando você está triste e como sorri com delicadeza quando diz que você está fazendo uma tempestade em copo d’água.

Sentem-se amados aqueles que perdoam um ao outro e que não transformam a mágoa em munição na hora da discussão…

Sente- se amado aquele que se sente aceito, que se sente inteiro.

Sente-se amado aquele que tem sua solidão respeitada, aquele que sabe que tudo pode ser dito e compreendido.

Sente-se amado quem se sente seguro para ser exatamente como é, sem inventar um personagem para a relação, pois personagem nenhum se sustenta muito tempo.

Sente-se amado quem não ofega, mas suspira; quem não levanta a voz, mas fala; quem não concorda, mas escuta.

Agora, sente-se e escute: Eu te amo não diz tudo!

Dar ou não dar

Especialmente para meu colega Juscelino, que comentou ter recebido esse texto como se fosse do Luis Fernando Verissimo: “Dar ou não dar” ou “Dar não é fazer amor”, é mais um clássico da troca de autoria e foi publicado originalmente na revista TPM na coluna da autora, Tatiana Bernardi. Na verdade o texto em questão foi pinçado do texto original e ganhou não apenas novo autor e vida própria como também enxertos horrendos, as always. Já estamos acostumados a isso, não é mesmo? Cá entre nós: quem acha que Luis Fernando Verissimo seria capaz de escrever: “Fazer amor é lindo, é sublime, é encantador, é esplêndido, mas dar é bom pra cacete.” claramente duvida da masculinidade do escritor. Então, aí vai o texto verdadeiro e, em seguida, uma das versões que circulam pela net.


Pot-pourri de assuntos
Tatiane Bernardi

O que escrever para a próxima coluna? Listo prováveis assuntos: o mercado de trabalho, homens que cospem catarros horrorosos pelas ruas, minha bunda, sexo sem amor, a necessidade de ter alguém pra chamar de amor.

Demoro um dia inteiro para me decidir porque sou indecisa. Não me decido por nenhum porque sou possessiva e filha única: quero todos. Então vamos lá, seguindo a ordem.
Existe um boato por aí que publicitário tem a vida mansa e que todos eles são meio loucos. Isso dá uma coceirinha nos estudantes que acham esse papo muito cool e se matriculam aos montes pelas faculdades do país. Sou redatora publicitária e há dois anos e meio não tenho um salário decente apesar das mais de doze horas trabalhadas por dia. Já mudei de agência seis vezes e já mudei de assunto mais de mil quando amigos e parentes perguntam por que eu não tenho um horário fixo, um salário fixo e um lugar fixo para ir todos os dias. Aturo a crise mundial, a crise do país, a crise do mercado, a crise do mercado publicitário e a crise de meia-idade de colegas de trabalho com seus leões na mesa, suas baleias em casa e a tara por jovenzinhas deslumbradas e em aprendizado.

O boato da loucura é realidade, ninguém normal atura isso tudo. Quanto a ter a vida mansa, que vão todos para a merda antes que eu me esqueça.

Não sei de muitas coisas nesta vida, mas aprendi que entre a paixão e o ódio pela propaganda, tem sempre um catarro. Vou andando pelas ruas pensando em todos os lados bons e ruins da minha profissão: eu crio, eu não tenho um trabalho burocrático, chato, operacional, burro, exato. Eu movimento grana, eu emociono, eu faço as pessoas rirem. Plá, uma catarrada. Eu ganho mal, me deram uma porra de um PC em vez de um Mac, eu fico muito tempo sentada e minha bunda tá horrível, plá, outra catarrada.
Por que diabos esses imundos homens cospem essas melequeiras pelas ruas? Por que diabos? Por que diabos? Como eu odeio isso. ODEIO. Onde está escrito que o mundo permite essa escatologia exposta à luz do dia? Às vezes é preciso desviar para não sentir respingarem resquícios da nojeira no peito do pé. Desejo do fundo do meu coração que todos eles sufoquem entalados com suas crias gosmentas e fiquem tão verdes quanto elas.

Mas ainda mais nojento do que escutar aquela chupada suína que precede o plá da catarrada, é escutar o sugar de tesão de um escroto qualquer que você nunca viu na vida. É aquele “ssssssssss delícia”, “ufffffffffffffffff gostosa”.

Não se anime não, seu neanderthal urbano, que o que você está vendo é apenas o poder de uma calça jeans caríssima, que uma redatora publicitária em começo de carreira com seu salário de merda só pode ter comprado em cinco vezes sem juros. Cê não tá vendo, querido, que por trás disso é apenas a bunda de uma redatora publicitária que sofre várias crises de mercado e não tem tempo para uma academia? Tá caída, mermão! Já não é mais a mesma. Aliás, isso me lembrou a propaganda, mas este assunto já deu.

E por falar em dar… dar não é fazer amor. Dar é dar. Fazer amor é lindo, é sublime, é encantador, é esplêndido, mas dar é bom pra cacete. Dar é aquela coisa que alguém te puxa os cabelos da nuca, te chama de nomes que eu não escreveria, não te vira com delicadeza, não sente vergonha de ritmos animais. Dar é bom. Melhor do que dar, só dar por dar. Dar sem querer casar, sem querer apresentar pra mãe, sem querer dar o primeiro abraço no Ano Novo. Dar porque o cara te esquenta a coluna vertebral, te amolece o gingado, te molha o instinto. Dar porque a vida de uma publicitária em começo de carreira é estressante e dar relaxa. Dar porque se você não der para ele hoje, vai dar amanhã, ou depois de amanhã. Tem caras que você vai acabar dando, não tem jeito. Dar sem esperar ouvir promessas, sem esperar ouvir carinhos, sem esperar ouvir futuro.

Dar é bom. Na hora. Durante um mês. Para as mais desavisadas, talvez por anos. Mas dar é dar demais e ficar vazia. Dar é não ganhar. É não ganhar um “eu te amo” baixinho, perdido no meio do escuro. É não ganhar uma mão no ombro quando o caos da cidade parece querer te abduzir. É não ter alguém pra querer casar, para apresentar pra mãe, pra dar o primeiro abraço de Ano Novo e pra falar: “Que cê acha, amor?”. Dar é inevitável, dê mesmo, dê sempre, dê muito. Mas dê mais ainda, muito mais do que qualquer coisa, uma chance ao amor, esse sim é o maior tesão. Esse sim relaxa, cura o mau humor, ameniza todas as crises e faz você flutuar o suficiente pra nem perceber as catarradas na rua.”


————–
alterações

No texto alterado, não dá para entender a presença das nojentas catarradas na rua (cortado em algumas versões), já que o trecho ficou totalmente desprovido de contexto. Mas desde quando os Alteradores de Textos Anônimos se importam com isso? Eles não estão nem aí, só querem alterar e repassar, compulsivamente, com a autoria equivocada, um texto sem braço e sem perna. Nota-se claramente que o texto foi alterado com o objetivo de se suprimir a autoria, a passagem “Dar porque a vida de uma publicitária em começo de carreira é estressante e dar relaxa Em uma das versões foi trocada por Dar porque a vida é estressante e dar relaxa. Ou seja, o crime foi premeditado.

Outra coisa, a Entidade Alteradora de Textos a-do-ra cortar os períodos para que essas crônicas pareçam poesias. Caramba, minha filha, coloca uma coisa na cabeça: não é por que um troço é escrito em uma longa e interminável coluna que é poesia. Coloca outra coisa na cabeça: reticências não dão profundidade a um texto. E coloque, por favor, uma terceira coisa na cabeça: não, você não sabe escrever. Se você acha que escreve, produza seus próprios textos, não altere textos alheios. Não, você não os melhora, muito pelo contrário, dá a todos eles, bons ou ruins, um ar piegas que certamente é sua marca registrada. Não interessa se o texto é bom, ruim, fraco ou sem graça na sua opinião, só quem pode alterá-lo e deixá-lo “mais legal” é o próprio autor.

Dar não é fazer AMOR

Dar não é fazer amor. Dar é dar.
Fazer amor é lindo, é sublime, encantador, é esplêndido.
Mas dar é bom pra cacete.
Dar é aquela coisa que alguém te puxa os cabelos da nuca…
Te chama de nomes que eu não escreveria…
Não te vira com delicadeza…
Não sente vergonha de ritmos animais.
Dar é bom.
Melhor do que dar, é só dar por dar.
Dar sem querer casar…
Sem querer apresentar para mãe…
Sem querer dar o primeiro abraço no Ano Novo.
Dar porque o cara te esquenta a coluna vertebral…
Te amolece o gingado…
Te molha o instinto.
Dar porque a vida é estressante e dar relaxa.
Dar porque se você não der para ele hoje, vai dar amanhã, ou depois
de amanhã. Tem pessoas que você vai acabar dando, não tem jeito.
Dar sem ouvir promessas, sem esperar ouvir carinhos, sem esperar ouvir futuro.
Dar é bom, na hora. Durante um mês. Para os mais desavisados, talvez anos.
Mas dar é dar demais e ficar vazio.
Dar é não ganhar.
É não ganhar um eu te amo baixinho perdido no meio do escuro.
É não ganhar uma mão no ombro quando o caos da cidade parece querer te abduzir.
É não ter alguém para querer casar, para apresentar para mãe, para dar
o primeiro abraço de Ano Novo e para falar: “Que que ce acha amor?”.
É não ter companhia garantida para viajar.
É não ter para quem ligar quando recebe uma boa notícia.
Dar é não querer dormir encaixadinho…
É não ter alguém para ouvir seus dengos…
Mas dar é inevitável, dê mesmo, dê sempre, dê muito.
Mas dê mais ainda, muito mais do que qualquer coisa, uma chance ao amor.
Esse sim é o maior tesão.
Esse sim relaxa, cura o mau humor, ameniza todas as crises
E faz você flutuar o suficiente pra nem perceber as catarradas na rua.
Se você for chata, suas amigas perdoam.

Se você for brava, as suas amigas perdoam.
Até se você for magra, as suas amigas perdoam.

Agora, experimenta ser amada…

Ode à bunda dura

Esse texto é um clássico da troca de autoria. Há milênios circula na Internet como sendo de Arnaldo Jabor. O jornalista está cansado de ter textos que não são dele circulando com seu nome, no que tem toda a razão, mas também não precisava ser grosseiro. Luis Fernando Verissimo foi bem mais polido ao divulgar que não era autor do Quase e negar a autoria de coisas como “Um dia de merda”. São dois lados de uma terrível moeda: o escritor que vê seu texto, seu legítimo texto (não importa se curto ou longo, feio ou bonito, é seu) circulando com o nome de um outro autor, que não moveu uma palha para merecer os créditos, e o escritor que vê seu nome, seu legítimo nome (não importa se curto ou longo, feio ou bonito, é seu) adornando o texto de outra pessoa, que nada tem a ver consigo.

Deve-se evitar a ignorância de achar que quem escreve o texto é a mesma pessoa que altera o autor. Em minha experiência com autoria trocada, só vi isso acontecer uma única vez. Geralmente o autor do texto é tão ou mais vítima do que o cara a quem o texto foi atribuído. Refletir e respeitar nunca fez mal a ninguém.

Aí vai o texto e o comentário da verdadeira autora, Ailin Aleixo, publicado na revista Vip.

EU NÃO SOU O JABOR, NÃO!
Andam confundindo minha bunda com a do colunista do Estadão
Ailin Aleixo

Há meses um texto meu circula na internet como se fosse do Arnaldo Jabor. Ele já ficou tão puto com essa história de ser elogiado por algo que não é dele que escreveu duas crônicas no jornal O Estado de S. Paulo detonando o autor real do texto, que, na opinião dele, é uma baranga que tenta imitar seu estilo. Eu tentei contatá-lo de todas as formas para esclarecer a situação, mas o moço prefere xingar a se dignar a falar comigo… Então, só para desencargo de consciência, deixo aqui a prova de que “Ode à bunda dura” é meu e ninguém tasca.



Ode à Bunda dura

Tenho horror a mulher perfeitinha. Odeio qualquer uma que fique maravilhosa num biquíni. Sabe aquele tipo que faz escova toda manhã, está sempre na moda e é tão sorridente que parece garotapropaganda de processo de clareamento dentário? E, só pra piorar, tem a bunda dura feito pão francês com mais de uma semana? Pois então, mulheres assim são um porre. E digo mais: são brochantes.


Você, homem, dirá que estou louca, sou despeitada e, provavelmente, baranga. Na boa, pense o que quiser, mas posso provar minha tese com grande tranqüilidade, ponto a ponto. Quer ver?

> A dondoca faz escova toda manhã: fulaninha acorda às 6 da matina pra deixar o cabelo parecido com o da Patrícia de Sabrit, liso feito pau de sebo e à prova de furacão e Katrinas. Nisso, ela perde momentos imprescindíveis de rolamento na cama, encoxamento do namorado, pegação, pra encaixar-se no padrão “Alisabel é que é legal”. Burra.
> A fofucha anda impecavelmente na moda, o que significa igual a todas as amigas: estilo pessoal, pra ela, é o que aparece nos anúncios da revista da Daslu. Você vê-la de shortinho, camiseta surrada e cabelo preso? JAMAIS! O que indica uma coisa: ela não vai querer ficar desarrumada nem enquanto estiver transando. É capaz até de fazer pose em busca do melhor ângulo perante o espelho do quarto. Credo.


HEBE COVER
> A lindinha exibe um sorriso incessante: ela mora na vila dos Smurfs? Está fazendo treinamento pra Hebe? Sou antipática com orgulho – só sorrio para quem provoca meu sorriso. Não gostou? Problema seu. Isso se chama autenticidade, meu caro. Coisa que, pra perfeitinha, não existe. Aliás, ela nem sabe o que a palavra significa. Coitada.
> A queridona tem a bunda pétrea: as muito gostosas são, infalivelmente, muito chatas. Pra manter aquele corpão, comem alface e tomam isotônico, portanto não vão acompanhá-lo nos pasteizinhos nem na porção de bolinho de arroz do sabadão. Bebida dá barriga e ela tem HORROR a qualquer carninha saindo da calça de cintura tão baixa que o cós acaba onde começa a pornografia: nada de tomar um bom vinho ou encarar uma pizza de mussarela. Cerveja? Esquece! Melhor convidar o Jorjão.


Pois é, ela é um tesão. Mas não curte sexo porque desglamouriza, se veste feito um manequim de vitrine, acha inadmissível você apalpar a bunda dela em público, nunca toma porre e só sabe contar até 15, que é até onde chega a seqüência de bíceps e tríceps. E você reparou naquela bunda? Meu Deus…


Legal mesmo é mulher de verdade. E daí se ela tem celulite? O senso de humor compensa. Pode ter uns quilinhos a mais (geralmente eles só existem na opinião dela), mas é uma ótima companheira de bebedeira. Pode até ser meio mal-educada quando você larga a cueca no meio da sala, mas adora sexo. Porque celulite, gordurinhas e desorganização têm solução (e, às vezes, nem chegam a ser um problema). Mas ainda não criaram um remédio pra futilidade. Nem pra dela, nem pra sua.”

Deus usa a solidão

Fernando Pessoa não tem culpa!

Uma amiga recebeu o seguinte texto, creditado a Fernando Pessoa e, certa de que não era dele, me perguntou, bem direta: “Me diz que não foi o Fernando Pessoa que escreveu essa m…”

Bem, eu nunca entro no mérito da questão, se os textos têm ou não qualidade literária, porque todos os textos – até mesmo os ruins – têm autor.

“Deus costuma usar a solidão
para nos ensinar sobre a convivência.
Às vezes, usa a raiva,
para que possamos compreender
o infinito valor da paz.
Outras vezes usa o tédio,
quando quer nos mostrar a importância da aventura e do abandono.
Deus costuma usar o silêncio para nos ensinar sobre a responsabilidade
do que dizemos.
Às vezes usa o cansaço,
para que possamos compreender
o valor do despertar.
Outras vezes usa doença,
quando quer nos mostrar
a importância da saúde.
Deus costuma usar o fogo, para nos ensinar sobre água.
Às vezes usa a terra,
para que possamos compreender o valor do ar.
Outras vezes usa a morte,
quando quer nos mostrar
a importância da vida”.

Ok, não foi o Fernando Pessoa. Eu sabia disso. Era óbvio, mas eu não conseguia descobrir de onde raios a coisa surgiu, até que pedi ajuda aos universitários…risos…na comunidade “Afinal, quem é o autor?” a Betty Vidigal acabou descobrindo que trata-se de um legítimo Paulo Coelho!! Se é que existe algo de legítimo em Paulo Coelho. Está em seu livro“Manual do Guerreiro da Luz”, em prosa, o seguinte parágrafo, sem título, a versão original da coisa:

“O guerreiro da luz aprendeu que Deus usa a solidão para ensinar a convivência. Usa a raiva para mostrar o infinito valor da paz. Usa o tédio para ressaltar a importância da aventura e do abandono. Deus usa o silêncio para ensinar sobre a responsabilidade das palavras. Usa o cansaço para que se possa compreender o valor do despertar. Usa a doença para ressaltar a benção da saúde. Deus usa o fogo para ensinar sobre a água. Usa a terra para que se compreenda o valor do ar. Usa a morte para mostrar a importância da vida.”



Então…créditos dados. Porque nem mesmo Paulo Coelho merece ter autoria trocada. Embora ele mesmo seja fã de “inspirar-se” em textos alheios e citações de autoria desconhecida.

. No comentário escrito por Lucia Joia na comunidade Quem é o Autor, veja que Paulo Coelho tem grandes semelhanças com sua discípula Camila:


Revista Época: O mago Paulo Coelho é acusado de “transmutar” texto originalmente escrito por colombiana… A psicóloga Sonia Hurtado, colunista do jornal El Pais, de Cali, acusou o escritor de plagiar um artigo seu intitulado “Cerrando ciclos” (“Fechando ciclos”)…”

Ele teve a cara-de-pau de dizer: “Na abertura de seu artigo, Paulo Coelho dizia que encontrou o texto na internet e admitia: “Não fui eu quem escreveu o original (infelizmente), mas resolvi adaptá-lo, e agora posso pelo menos reivindicar parte de sua autoria” …

Quem quiser ler o artigo da Revista Época na íntegra: Clique aqui.

—-

Por essas e outras, não consigo respeitá-lo como escritor. Escritor de verdade, que conhece a dificuldade e o trabalho de se produzir um texto do nada não faz isso NUNCA, sob nenhum pretexto. Nem precisa.
.

As possibilidades perdidas

Deixem Drummond em paz

O texto é atribuído a Carlos Drummond de Andrade e ao Desconhecido. É mais um Frankenstein. O original e de autoria da Musa do Autor Desconhecido, nossa amiga Martha Medeiros, que deve ter colado chiclete na cruz ou servido ki-suco na Santa Ceia. No texto que recebi por email, existem alguns enxertos, frases traduzidas que alguém achou que cairiam bem para “completar” a idéia. Comeram o título, tiraram boa parte do primeiro parágrafo. Foi crime premeditado. Não entendo por que essas pessoas não escrevem seus próprios textos ao invés de sair por aí alterando o texto dos outros.

Alteraram até o formato. Não se trata de poesia, mas de prosa. E é um comentário dela sobre uma frase de um poeta mineiro. Deixa eu destrinchar a coisa para que você entenda melhor:

Eis o texto original, da Martha Medeiros, publicado no site Almas Gêmeas
:

“AS POSSIBILIDADES PERDIDAS
20 de agosto de 2002

Martha Medeiros

Fiquei sabendo que um poeta mineiro que eu não conhecia, chamado Emilio Moura, teria completado 100 anos neste mês de agosto, caso vivo fosse. Era amigo de outro grande poeta, Drummond. Chegaram a mim alguns versos dele, e um em especial me chamou a atenção: “Viver não dói. O que dói é a vida que não se vive”.


Definitivo, como tudo o que é simples. Nossa dor não advém das coisas vividas, mas das coisas que foram sonhadas e não se cumpriram.

Por que sofremos tanto por amor? O certo seria a gente não sofrer, apenas agradecer por termos conhecido uma pessoa tão bacana, que gerou em nós um sentimento intenso e que nos fez companhia por um tempo razoável, um tempo feliz. Sofremos por quê?

Porque automaticamente esquecemos o que foi desfrutado e passamos a sofrer pelas nossas projeções irrealizadas, por todas as cidades que gostaríamos de ter conhecido ao lado do nosso amor e não conhecemos, por todos os filhos que gostaríamos de ter tido junto e não tivemos, por todos os shows e livros e silêncios que gostaríamos de ter compartilhado, e não compartilhamos. Por todos os beijos cancelados, pela eternidade interrompida.


Sofremos não porque nosso trabalho é desgastante e paga pouco, mas por todas as horas livres que deixamos de ter para ir ao cinema, para conversar com um amigo, para nadar, para namorar. Sofremos não porque nossa mãe é impaciente conosco, mas por todos os momentos em que poderíamos estar confidenciando a ela nossas mais profundas angústias se ela estivesse interessada em nos compreender. Sofremos não porque nosso time perdeu, mas pela euforia sufocada. Sofremos não porque envelhecemos, mas porque o futuro está sendo confiscado de nós, impedindo assim que mil aventuras nos aconteçam, todas aquelas com as quais sonhamos e nunca chegamos a experimentar.

Como aliviar a dor do que não foi vivido? A resposta é simples como um verso: se iludindo menos e vivendo mais. ”

—–


Um dos enxertos:

“A cada dia que vivo, mais me convenco de que o desperdicio da vida… Esta no amor que nao damos, nas forças que nao usamos, Na prudencia egoista que nada arrisca e que, esquivando-se do sofrimento, tambem perde a felicidade.” — Mary Cholmondeley

“Every day I live I am more convinced that the waste of life lies in the love we have not given, the powers we have not used, the selfish prudence that will risk nothing and which, shirking pain, misses happiness as well.” Mary Cholmondeley


O enxerto final é retirado do livro ” You gotta keep dancin’ ” de Tim Hansel, um livro de motivação escrito por quem sofreu um acidente e foi perseguido por fortes dores. Ele diz, entre outras coisas, que não podemos evitar a dor, mas podemos evitar a alegria. http://www.amazon.com/gp/product/1564767442/104-1833697-3288713?v=glance&n=283155

“Pain is inevitable, but misery is optional. We cannot avoid pain, but we can avoid joy.” (Tim Hansel)

“A dor é inevitável, mas o sofrimento é opcional. Nós não podemos evitar a dor, mas podemos evitar a alegria” (Tim Hansel)

You Gotta Keep Dancin’ by Tim Hansel

“An amazing book by an amazing man who shares his thoughts, faith and even journal entries through his battle with chronic pain. Stress, disappointment, heartache, hurt — all are part of the human condition. But while PAIN IS UNAVOIDABLE, MISERY IS OPTIONAL! The freeing message of this book is that no matter what your circumstances, with God’s help, you can choose to be joyful. He speaks from experience.”


E, por fim, o poema do autor mineiro que inspirou o plagiado texto da Martha Medeiros:

Canção (Emilio Moura)

Viver nao dói. O que dói
é a vida que se não vive.
Tanto mais bela sonhada,
quanto mais triste perdida.

Viver não dói. O que dói
é o tempo, essa força onírica
em que se criam os mitos
que o proprio tempo devora.

Viver não dói. O que dói
é essa estranha lucidez,
misto de fome e de sede
com que tudo devoramos.

Viver não dói. O que dói,
ferindo fundo, ferindo,
é a distância infinita
entre a vida que se pensa
e o pensamento vivido.

Que tudo o mais é perdido.

O texto-frankenstein em uma de suas versões:

Viver não dói


Definitivo, como tudo o que é simples.
Nossa dor não advém das coisas vividas,
mas das coisas que foram sonhadas
e não se cumpriram.

Por que sofremos tanto por amor?

O certo seria a gente não sofrer,
apenas agradecer por termos conhecido
uma pessoa tão bacana,
que gerou em nós um sentimento intenso
e que nos fez companhia por um tempo razoável,
um tempo feliz.

Sofremos por quê?

Porque automaticamente esquecemos
o que foi desfrutado e passamos a sofrer
pelas nossas projeções irrealizadas,
por todas as cidades que gostaríamos
de ter conhecido ao lado do nosso amor e não conhecemos,
por todos os filhos que
gostaríamos de ter tido junto e não tivemos,
por todos os shows e livros e silêncios
que gostaríamos de ter compartilhado, e não compartilhamos.
Por todos os beijos cancelados, pela eternidade.

Sofremos não porque
nosso trabalho é desgastante e paga pouco,
mas por todas as horas livres
que deixamos de ter para ir ao cinema,
para conversar com um amigo,
para nadar, para namorar.

Sofremos não porque nossa mãe
é impaciente conosco,
mas por todos os momentos em que
poderíamos estar confidenciando a ela
nossas mais profundas angústias
se ela estivesse interessada
em nos compreender.

Sofremos não porque nosso time perdeu,
mas pela euforia sufocada.

Sofremos não porque envelhecemos,
mas porque o futuro está sendo
confiscado de nós,
impedindo assim que mil aventuras
nos aconteçam,
todas aquelas com as quais sonhamos e
nunca chegamos a experimentar.

Como aliviar a dor do que não foi vivido?

A resposta é simples como um verso:
Se iludindo menos e vivendo mais!!!

A cada dia que vivo,
mais me convenço de que o
desperdício da vida
está no amor que não damos,
nas forças que não usamos,
na prudência egoísta que nada arrisca,
e que, esquivando-se do sofrimento,
perdemos também a felicidade.

A dor é inevitável.

O sofrimento é opcional.

Comentário

Recebi o seguinte comentário:

“Olá, meu nome é Camila, moro na cidade de União da Vitória, interior do Paraná, tenho quinze anos e uma opinião bem crítica com relação ao texto de Willian Ferdnand Shakespeare atibuído à Veronica Shoffstall. Primeiro, a outoria de Shakespeare sobre a verdadeira versão desse texto (que tem como verdadeiro título “Depois de um tempo você aprende”)é simplesmente incontestável, traz todos os tradicionais traços literários que Shakespeare usava em textos de auto- ajuda, quanto a isso não há duvidas.

Segundo, a versão dita distorcida e alongada do texto, fora escrita sem o menor propósito de má-intenção, a mais ou menos um ano atrás, é de minha autoria, e não passou de uma carta que eu escrevi a uma grande amiga para homenagear uma data especial. Como ele foi parar aí e quem o encaminhou, eu não tenho a menor idéia! Porém é verdade sim que o texto não passa de uma coletânea, eu apenas fiz uma pequena reunião do que eu mais gostava sobre Paulo Coelho, Vinicius de Moraes, Fernando Pessoa e outros que a fraca memória não me permite citar agora, com base no texto de Shakespeare, mais alguns resquícios completamente originais de lições de vida,e ficou assim.

A quem achar que sou uma desocupada tentando fazer uma brincadeirinha de mau gosto que me contate para tirar a dúvida, eu aponto e comprovo cada uma das citações que fiz acima. Quanto ao fato da versão do texto que eu redigi ter sido taxada de praga, desgraça, dessas que destroem civilizações – meu Deus, quanto exagero!!! – eu acho que quem fez o comentário deveria rever os seus conceitos. Na minha opinião, não existe presente mais profundamente tocante e precioso que se dê a um amigo especial do que qualquer simples pedaço de papel com palavras não escritas, e sim, desenhadas pelo coraçaõ…”
Camila de Lima | 06.10.06 – 1:07 pm IP: 201.35.54.3


Respondi à moça por email:


Camila, Shakespeare nunca escreveu textos de auto-ajuda, se você já leu algum texto de auto-ajuda creditado a Shakespeare, pode ter certeza de que não é dele. Eu sei o que estou dizendo. Segundo, eu realmente acho linda a idéia de escrever um texto de presente para uma amiga, mas escreva um texto SEU, jamais faça “colagens” sobre o trabalho de outra pessoa, que isso é desrespeitoso, isso é crime. Imagine que você é um pintor muito talentoso, vejamos, Leonardo Da Vinci, pintando a Monalisa com seu enigmático sorriso. Então chega alguém que resolve dar uma pintura de presente a um amigo, mas acha que a Monalisa ficaria muito mais legal se tivesse um girassol no cabelo e um sorriso mostrando todos os dentes. Então vai lá e adultera. Aproveitando, pinta as unhas da Monalisa de vermelho, manda para a amiga, que imprime vinte mil cópias e espalha por aí dizendo que foi Michelangelo quem pintou. Entende o absurdo?

Não sei se você leu os outros posts, a opinião dos autores que tiveram seus textos roubados ou adulterados, Martha Medeiros, Cris Passinato, Alexandre Inagaki, Patricia Daltro… é extremamente frustrante criar algo, no caso um texto, ter um trabalhão naquilo e depois vê-lo alterado sem sua autorização. Isso não se faz, Camila. Atrapalha o autor, que merece ter o reconhecimento do seu trabalho, atrapalha os leitores, que querem saber de quem é o texto que estão lendo e atrapalha quem altera, que acaba prestando um desserviço, porque faz um texto sem pai nem mãe, que é menos do que o original e menos do que poderia ser se fosse algo inédito. Entendo que você não tenha feito por mal, mas realmente não tem como eu saber de cara quem fez por mal e quem não fez porque existe gente muito maldosa que altera as coisas de propósito, não sei por qual motivo, mas existe, acredite.

Se você realmente admira quem escreveu um texto bonito, então respeite esse autor e mantenha seu texto intacto, porque é a obra dele. Qualquer alteração feita por outra pessoa descaracterizaria a obra, se você gosta de escrever, sou a primeira a te incentivar a praticar, porém tire a inspiração de dentro de você, não altere textos que já existem. Você tem a capacidade de criar algo novo, se quiser. E assinar com seu próprio nome, o que é bem mais bonito, tocante e precioso. Eu não disse que a versão alterada por você é uma praga que destrói civilizações, mas que esse tipo de atitude, de copiar, alterar e colar, ignorando o autor e a versão original é uma praga destruidora de civilizações, porque igora qualquer senso histórico e noção de preservação da cultura, que são coisas necessárias para a manutenção de qualquer civilização que se preze.

Não posso julgar seu texto porque ele não existe. Você alterou o texto de outra pessoa e agora ele não é nem seu, nem de outra pessoa. Ninguém o mandou para mim, ele simplesmente está circulando na internet como se fosse a versão original e ainda assinada por William Shakespeare!!! Primeiro, reafirmo o que já disse anteriormente: esse texto é uma tradução do texto de Veronica Shoffstall, devidamente registrado. Foi escrito quando a autora tinha dezenove anos, em 1971.


Entendo sua boa intenção, acredito que em sua cidade exista uma biblioteca pública e talvez lá você encontre livros de Shakespeare e possa ler a obra original do escritor, o que certamente vai te dar novos parâmetros. Eu queria que você me dissesse qual livro de auto-ajuda Shakespeare já escreveu. Você já leu Hamlet? Já leu Rei Lear? Já leu Macbeth? Otelo? A Megera Domada? O Mercador de Veneza? Nenhum deles é de auto-ajuda, te garanto. Procure ler esses clássicos e conhecerá os traços literários do autor. Esqueça a internet quando se trata de autores clássicos, como você mesma pôde comprovar, na Net muitos Shakespeares são Camilas de Lima e realmente não existe a menor garantia de que o texto que você esteja lendo seja de quem você acredita.

É por isso que criei o blog Autor Desconhecido, para conscientizar pessoas que não escrevem da importância que os textos têm a quem escreve, a importância de manter a autoria correta, a importância de manter o texto intacto. De outra forma, não conheceríamos hoje Shakespeare, por exemplo. Pense um pouco sobre isso, reflita, compreenda. Espero, sinceramente, poder contar com a sua colaboração nessa caminhada. Adoraria poder colocar seu nome naquele texto, por exemplo, mas não posso. O texto não é seu, não é de Veronica, não é de Shakespeare. Sei – e sei mesmo, eu realmente acredito em você – que você não fez com essa intenção, mas alterar textos de outros autores configura crime de plágio, não é bonito, não é legal. Por isso insisto que o melhor que você pode fazer por você, pelos leitores, pelas suas amigas e pela literatura é escrever seus próprios textos, baseados em sua própria vida e nunca mais alterar o texto alheio, ainda que pareça não ter autor. Sempre tem.

Então você vai entender o quanto um autor ama seu próprio texto e o quanto dói vê-lo alterado, mutilado, modificado e atribuído a outra pessoa. Pode parecer bonito esse negócio de “texto escrito com o coração”, mas escrever é trabalho e dá trabalho, respeitar esse trabalho é o mínimo que devemos aos escritores que dia após dia nos brindam com linhas inspiradas e interessantes. Espero que compreenda isso.

Grande abraço

Vanessa Lampert

Ao menos uma entidade que distorce e alonga textos já não é mais tão desconhecida assim :-) E é confortador saber que, ao menos nesse caso, ela não fez de propósito, nem estava mal intencionada, o que me leva a crer que vai refletir sobre o que eu disse. Eu espero.


UPDATE

Betty Vidigal, outra lutadora incansável de nosso ingrato trabalho de formiguinha, alerta para a existência de um site que tem tudo sobre Shakespeare, segundo ela, é praticamente um Google de Shakespeare. Então, para tirar qualquer dúvida, vá atéhttp://www.psrg.cs.usyd.edu.au/~matty/Shakespeare/, digite todas as traduções possíveis de “um dia você aprende que” e não vai encontrar nada. Simplesmente porque não há um mísero registro sério desse texto em nome de Shakespeare. Por que não é dele, obviamente. Como disse Veronica no texto anterior, “This poem has been plagiarized, bastardized, renamed, reworded, redesigned, expanded and reduced.” . Eu, sinceramente, espero que com esse nosso trabalho consigamos devolver ao menos um pouco da dignidade da obra original à sua autora. E espero contar com a compreensão e colaboração de quem visita esta página para isto.

.

Mais do mesmo

O texto ainda gera controvérsias, portanto, passo a palavra à autora, Veronica Shoffstall, para que ela diga o que acha de ver seu texto atribuído a Shakespeare. Antes de mais nada, o texto não é de Shakespeare, está registrado em nome de Veronica Shoffstall e foi escrito em 1971. Shakespeare jamais escreveu nenhum texto de auto-ajuda.

“This poem has been plagiarized, bastardized, renamed, reworded, redesigned, expanded and reduced. But it is my work, which I wrote at the age of 19 and had published in my college yearbook. Why anyone would want to claim it is beyond me, but for what it’s worth, I wrote it, and if I’d known it was going to be this popular, I’d have done a better job of it. – Veronica Shoffstall
Retirado daqui


“After a While”
Veronica Shoffstall
After a while you learn
the subtle difference between
holding a hand and chaining a soul
and you learn
that love doesn’t mean leaning
and company doesn’t always mean security.
And you begin to learn
that kisses aren’t contracts
and presents aren’t promises
and you begin to accept your defeats
with your head up and your eyes ahead
with the grace of woman, not the grief of a child
and you learn
to build all your roads on today
because tomorrow’s ground is
too uncertain for plans
and futures have a way of falling down
in mid-flight.
After a while you learn
that even sunshine burns
if you get too much
so you plant your own garden
and decorate your own soul
instead of waiting for someone
to bring you flowers.
And you learn that you really can endure
you really are strong
you really do have worth
and you learn
and you learn
with every goodbye, you learn…

© 1971 Veronica A. Shoffstall