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Namorofobia (A Praga da década)

Não é Jabor, nem Danuza Leão

Colaboração da leitora Carol Ueber, que já cansou de avisar suas amigas da verdadeira autoria desse texto. Antes que Jabor comece a vociferar culpando, em sua clássica megalomania, ao plagiador desconhecido que, segundo ele, “copia seu estilo” para fabricar Arnaldos em série, explico, caro amigo, que isso raramente acontece. Geralmente o nome de Jabor, de Verissimo ou de Quintana vai ilustrar esses textos sem o menor critério. É só para enfiar um nome de peso para dar credibilidade a um texto roubado. É, roubado. A maior vítima, na maioria das vezes, é o autor, já que ele não tem os leitores cativos do escritor famosão, não terá seu trabalho reconhecido e ainda será acusado de plágio se tentar recuperar a autoria. No caso do texto abaixo, ele foi originalmente postado no falecido Blog Megeras Magérrimas, em 27/01/2004, pela autora, Patrícia Antoniette.

O original econtra-se neste link .


Namorofobia
Patricia Antoniette

A praga da década são os namorofóbicos. Homens (e mulheres) estão cada vez mais arredios ao título de namorado, mesmo que, na prática, namorem.

Uma coisa muito estranha. Saem, fazem sexo, vão ao cinema, freqüentam as respectivas casas, tudo numa freqüência de namorados, mas não admitem. Tem alguns que até têm o cuidado de quebrar a constância só para não criar jurisprudência, como se diria em juridiquês. Podem sair várias vezes numa semana, mas aí tem que dar um intervalo regulamentar, que é para não parecer namoro.

– É tua namorada?
– Não, a gente tá ficando.

Ficando aonde, cara pálida?

Negam o namoro até a morte, como se namoro fosse casamento, como se o título fizesse o monge, como se namorar fosse outorgar um título de propriedade. Devem temer que ao chamar de namorada(o) a criatura se transforme numa dominadora sádica, que vai arrastar a presa para o covil, fazer enxoval, comprar alianças, apresentar para a parentada toda e falar de casamento – não vai. Não a menos que seja um(a) psicopata. Mais pata que psico.

Namorar é leve, é bom, é gostoso. Se interessar pelo outro e ligar pra ver se está tudo bem pode não ser cobrança, pode ser saudade, vontade de estar junto, de dividir.

A coisa é tão grave e levada a extremos que pode tudo, menos chamar de namorado. Pode viajar junto, dormir junto, até ir ao supermercado junto (há meses!), mas não se pode pronunciar a palavra macabra: NAMORO.

Antes, o problema era outro: CASAMENTO. Ui. Vá de retro! Cruz credo! Desafasta.
Agora é o namoro, que deveria ser o test drive, a experiência, com toda a leveza do mundo. Daqui a pouco, o problema vai ser qualquer tipo de relacionamento que possa durar mais que uma noite e significar um envolvimento maior que saber o nome.

Do que o medo? Da responsabilidade? Da cobrança? De gostar? Sempre que a gente se envolve com alguém tem que ter cuidado. Não é porque “a gente tá ficando” que não se deve respeito, carinho, cuidado. Não é porque “a gente tá ficando” que você vai para cama num dia e no outro finge que não conhece e isso não dói ou não é filhadaputice. Não é porque “a gente tá ficando” que o outro passa ser mais um número no rol das experiências sexuais – e só.

Ou é?

Tô ficando velha?

Paciência. Comigo, só namorando.


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Uma das versões alteradas



A Praga da Década

A praga da década são os namorofóbicos. Homens e mulheres estão cada vez mais arredios a título de namorado, mesmo que, na prática, namorem. Uma coisa muito estranha.

Saem, fazem sexo, vão ao cinema, freqüentam as respectivas casas, tudo numa freqüência de namorados, mas não admitem. Têm alguns que até têm o cuidado de quebrar a constância só para não criar jurisprudência, como se diria em juridiquês. Podem sair várias vezes numa semana, mas aí tem que dar uns intervalos regulamentares, que é para não parecer namoro.

É tua namorada? – Não, a gente tá ficando. Ficando aonde, cara pálida?

Negam o namoro até a morte, como se namoro fosse casamento, como se o título fizesse o monge, como se namorar fosse outorgar um título de propriedade. Devem temer que ao chamar de namorada(o) a criatura se transforme numa dominadora sádica, que vai arrastar a presa para o covil, fazer enxoval, comprar alianças, apresentar para a parentada toda e falar de casamento. – Não vai. Não a menos que seja um(a) psicopata. Mais pata que psico. Namorar é leve, é bom, é gostoso. Se interessar pelo outro e ligar para ver se está tudo bem pode não ser cobrança, pode ser SAUDADE, vontade de estar junto, de dividir.

A coisa é tão grave e levada a extremos que pode tudo, menos chamar de namorado. Pode viajar junto, dormir junto, até ir ao supermercado junto (há

meses!), mas não se pode pronunciar a palavra macabra: NAMORO. Antes, o problema era outro: CASAMENTO. Uiii. Vá de retro! Cruz credo! Desafasta.

Agora é o namoro, que deveria ser o test drive, a experiência, com toda a leveza do mundo. Daqui a pouco, o problema vai ser qualquer tipo de relacionamento que possa durar mais que uma noite e significar um envolvimento maior que saber o nome. Do que o medo? Da responsabilidade? Da cobrança? De gostar? Sempre que a gente se envolve com alguém tem que ter cuidado. Não é porque “a gente tá ficando” que não se deve respeito, carinho, cuidado…

Não é porque “a gente tá ficando” que você vai para cama num dia e no outro finge que não conhece e isso não dói ? Não é porque “a gente ta ficando” que o outro passa a ser mais um número no rol das experiências sexuais – e só.

Ou é? Tô ficando velho(a)? Paciência. Vamos NAMORAR em toda a sua essência

Curtir, cuidar, respeitar… Se preocupar, tá junto, conhecer o outro.

Vocês “ficantes” estão perdendo o que existe de mais bonito e gostoso num relacionamento num Namoro que é a cumplicidade… A magia, o encanto, a

conquista, o Amor!!!

Pensem nisso e Namorem pra valer.”

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Argh!! Se tem uma coisa que eu detesto nessa Entidade Alteradora de textos é essa mania de colocar reticências e exclamações em tudo, imaginando que assim dá maior ênfase, profundidade ou o que quer que seja ao texto. E a capacidade impressionante que ela tem de transformar qualquer texto em algo totalmente piegas. E as liçõezinhas no final: “pensem nisso”. Me desculpem, mas a paciência com esse tipo de coisa chegou ao limite!

Sentir-se amado

Nem Mario Quintana, nem Arnaldo Jabor

O texto que circula com o título “Sentir-se Amado” na verdade é uma deformação do texto da Musa do Autor Desconhecido, Martha Medeiros (eu ainda vou descobrir qual é o pecado que essa mulher cometeu e que está condenada a pagar para sempre), publicado originalmente em sua coluna no Site Almas Gêmeas. Mais especificamente aqui (isso é um link). Cúmulo da degradação da espécie, esse texto (alterado, picotado e distorcido) tem versão em Power Point com “Endless Love” tocando, bregamente, ao fundo. Não acredito que alguém consiga cometer um pecado imenso o suficiente para merecer tal penitência, acho que Martha Medeiros tem um Encosto Desconhecido que altera, deliberadamente, todos os seus textos. A criatura tem toda a lista das crônicas do Almas Gêmeas e se acha “A” artista ao alterar, um a um, com requintes de crueldade. Aí vai, como de praxe, o texto original, e em seguida, a aberração que o persegue:

Sentir-se amado
Martha Medeiros

O cara diz que te ama, então tá. Ele te ama.

Sua mulher diz que te ama, então assunto encerrado.

Você sabe que é amado porque lhe disseram isso, as três palavrinhas mágicas. Mas saber-se amado é uma coisa, sentir-se amado é outra, uma diferença de milhas, um espaço enorme para a angústia instalar-se.

A demonstração de amor requer mais do que beijos, sexo e verbalização, apesar de não sonharmos com outra coisa: se o cara beija, transa e diz que me ama, tenha a santa paciência, vou querer que ele faça pacto de sangue também?

Pactos. Acho que é isso. Não de sangue nem de nada que se possa ver e tocar. É um pacto silencioso que tem a força de manter as coisas enraizadas, um pacto de eternidade, mesmo que o destino um dia venha a dividir o caminho dos dois.

Sentir-se amado é sentir que a pessoa tem interesse real na sua vida, que zela pela sua felicidade, que se preocupa quando as coisas não estão dando certo, que sugere caminhos para melhorar, que coloca-se a postos para ouvir suas dúvidas e que dá uma sacudida em você, caso você esteja delirando. “Não seja tão severa consigo mesma, relaxe um pouco. Vou te trazer um cálice de vinho”.

Sentir-se amado é ver que ela lembra de coisas que você contou dois anos atrás, é vê-la tentar reconciliar você com seu pai, é ver como ela fica triste quando você está triste e como sorri com delicadeza quando diz que você está fazendo uma tempestade em copo d´água. “Lembra que quando eu passei por isso você disse que eu estava dramatizando? Então, chegou sua vez de simplificar as coisas. Vem aqui, tira este sapato.”

Sentem-se amados aqueles que perdoam um ao outro e que não transformam a mágoa em munição na hora da discussão. Sente-se amado aquele que se sente aceito, que se sente bem-vindo, que se sente inteiro. Sente-se amado aquele que tem sua solidão respeitada, aquele que sabe que não existe assunto proibido, que tudo pode ser dito e compreendido. Sente-se amado quem se sente seguro para ser exatamente como é, sem inventar um personagem para a relação, pois personagem nenhum se sustenta muito tempo. Sente-se amado quem não ofega, mas suspira; quem não levanta a voz, mas fala; quem não concorda, mas escuta.

Agora sente-se e escute: eu te amo não diz tudo.”

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Uma das versões alteradas:

Sentir-se amado

O cara diz que te ama, então tá! Ele te ama. Sua mulher diz que te ama, então assunto encerrado. Você sabe que é amado porque lhe disseram isso, as três palavrinhas mágicas. Mas saber-se amado é uma coisa, sentir-se amado é outra, uma diferença de quilômetros. A demonstração de amor requer mais do que beijos, sexo e palavras.

Sentir-se amado é sentir que a pessoa tem interesse real na sua vida, que zela pela sua felicidade, que se preocupa quando as coisas não estão dando certo, que coloca-se a postos para ouvir suas dúvidas e que dá uma sacudida em você quando for preciso.

Sentir-se amado é ver que ela lembra de coisas que você contou dois anos atrás, é vê-la tentar reconciliar você com seu pai, é ver como ela fica triste quando você está triste e como sorri com delicadeza quando diz que você está fazendo uma tempestade em copo d’água.

Sentem-se amados aqueles que perdoam um ao outro e que não transformam a mágoa em munição na hora da discussão…

Sente- se amado aquele que se sente aceito, que se sente inteiro.

Sente-se amado aquele que tem sua solidão respeitada, aquele que sabe que tudo pode ser dito e compreendido.

Sente-se amado quem se sente seguro para ser exatamente como é, sem inventar um personagem para a relação, pois personagem nenhum se sustenta muito tempo.

Sente-se amado quem não ofega, mas suspira; quem não levanta a voz, mas fala; quem não concorda, mas escuta.

Agora, sente-se e escute: Eu te amo não diz tudo!

Ode à bunda dura

Esse texto é um clássico da troca de autoria. Há milênios circula na Internet como sendo de Arnaldo Jabor. O jornalista está cansado de ter textos que não são dele circulando com seu nome, no que tem toda a razão, mas também não precisava ser grosseiro. Luis Fernando Verissimo foi bem mais polido ao divulgar que não era autor do Quase e negar a autoria de coisas como “Um dia de merda”. São dois lados de uma terrível moeda: o escritor que vê seu texto, seu legítimo texto (não importa se curto ou longo, feio ou bonito, é seu) circulando com o nome de um outro autor, que não moveu uma palha para merecer os créditos, e o escritor que vê seu nome, seu legítimo nome (não importa se curto ou longo, feio ou bonito, é seu) adornando o texto de outra pessoa, que nada tem a ver consigo.

Deve-se evitar a ignorância de achar que quem escreve o texto é a mesma pessoa que altera o autor. Em minha experiência com autoria trocada, só vi isso acontecer uma única vez. Geralmente o autor do texto é tão ou mais vítima do que o cara a quem o texto foi atribuído. Refletir e respeitar nunca fez mal a ninguém.

Aí vai o texto e o comentário da verdadeira autora, Ailin Aleixo, publicado na revista Vip.

EU NÃO SOU O JABOR, NÃO!
Andam confundindo minha bunda com a do colunista do Estadão
Ailin Aleixo

Há meses um texto meu circula na internet como se fosse do Arnaldo Jabor. Ele já ficou tão puto com essa história de ser elogiado por algo que não é dele que escreveu duas crônicas no jornal O Estado de S. Paulo detonando o autor real do texto, que, na opinião dele, é uma baranga que tenta imitar seu estilo. Eu tentei contatá-lo de todas as formas para esclarecer a situação, mas o moço prefere xingar a se dignar a falar comigo… Então, só para desencargo de consciência, deixo aqui a prova de que “Ode à bunda dura” é meu e ninguém tasca.



Ode à Bunda dura

Tenho horror a mulher perfeitinha. Odeio qualquer uma que fique maravilhosa num biquíni. Sabe aquele tipo que faz escova toda manhã, está sempre na moda e é tão sorridente que parece garotapropaganda de processo de clareamento dentário? E, só pra piorar, tem a bunda dura feito pão francês com mais de uma semana? Pois então, mulheres assim são um porre. E digo mais: são brochantes.


Você, homem, dirá que estou louca, sou despeitada e, provavelmente, baranga. Na boa, pense o que quiser, mas posso provar minha tese com grande tranqüilidade, ponto a ponto. Quer ver?

> A dondoca faz escova toda manhã: fulaninha acorda às 6 da matina pra deixar o cabelo parecido com o da Patrícia de Sabrit, liso feito pau de sebo e à prova de furacão e Katrinas. Nisso, ela perde momentos imprescindíveis de rolamento na cama, encoxamento do namorado, pegação, pra encaixar-se no padrão “Alisabel é que é legal”. Burra.
> A fofucha anda impecavelmente na moda, o que significa igual a todas as amigas: estilo pessoal, pra ela, é o que aparece nos anúncios da revista da Daslu. Você vê-la de shortinho, camiseta surrada e cabelo preso? JAMAIS! O que indica uma coisa: ela não vai querer ficar desarrumada nem enquanto estiver transando. É capaz até de fazer pose em busca do melhor ângulo perante o espelho do quarto. Credo.


HEBE COVER
> A lindinha exibe um sorriso incessante: ela mora na vila dos Smurfs? Está fazendo treinamento pra Hebe? Sou antipática com orgulho – só sorrio para quem provoca meu sorriso. Não gostou? Problema seu. Isso se chama autenticidade, meu caro. Coisa que, pra perfeitinha, não existe. Aliás, ela nem sabe o que a palavra significa. Coitada.
> A queridona tem a bunda pétrea: as muito gostosas são, infalivelmente, muito chatas. Pra manter aquele corpão, comem alface e tomam isotônico, portanto não vão acompanhá-lo nos pasteizinhos nem na porção de bolinho de arroz do sabadão. Bebida dá barriga e ela tem HORROR a qualquer carninha saindo da calça de cintura tão baixa que o cós acaba onde começa a pornografia: nada de tomar um bom vinho ou encarar uma pizza de mussarela. Cerveja? Esquece! Melhor convidar o Jorjão.


Pois é, ela é um tesão. Mas não curte sexo porque desglamouriza, se veste feito um manequim de vitrine, acha inadmissível você apalpar a bunda dela em público, nunca toma porre e só sabe contar até 15, que é até onde chega a seqüência de bíceps e tríceps. E você reparou naquela bunda? Meu Deus…


Legal mesmo é mulher de verdade. E daí se ela tem celulite? O senso de humor compensa. Pode ter uns quilinhos a mais (geralmente eles só existem na opinião dela), mas é uma ótima companheira de bebedeira. Pode até ser meio mal-educada quando você larga a cueca no meio da sala, mas adora sexo. Porque celulite, gordurinhas e desorganização têm solução (e, às vezes, nem chegam a ser um problema). Mas ainda não criaram um remédio pra futilidade. Nem pra dela, nem pra sua.”