Monthly Archive: setembro 2005

Preciso de Alguém

Este texto circula pela net atribuído a Charles Chaplin, mas sua autora é Cristiana Passinato. Com uma indignação mais do que justa, ela tenta, sozinha, fazer por seu texto o trabalho que fazemos aqui, buscando alertar os sites que inadvertidamente colocam a autoria trocada (ou o tal “Autor Desconhecido”) para que dêem os créditos à verdadeira autora do texto. A impressão é que somos formiguinhas lutando contra um polvo gigante. Mas quanto mais formigas formos, menor fica o polvo. Não repassemos textos sem autor, e chequemos a autoria de todos os textos que decidamos passar ou publicar. Não é difícil, não tira pedaço, é questão de respeito e ainda faz um escritor feliz :)

“Preciso de Alguém
Cris Passinato

Que me olhe nos olhos quando falo.
Que ouça as minhas tristezas e neuroses com paciência.
E, ainda que não compreenda, respeite os meus sentimentos.
Preciso de alguém, que venha brigar ao meu lado sem precisar ser convocado;
alguém Amigo o suficiente para dizer-me as verdades que não quero ouvir,
mesmo sabendo que posso odiá-lo por isso.
Nesse mundo de céticos, preciso de alguém que creia,
nessa coisa misteriosa, desacreditada, quase impossível: A Amizade.
Que teime em ser leal, simples e justo, que não vá embora se algum dia eu
perder o meu ouro e não for mais a sensação da festa.
Preciso de um Amigo que receba com gratidão o meu auxílio, a minha mão estendida.
Mesmo que isto seja muito pouco para suas necessidades.
Preciso de um Amigo que também seja companheiro, nas farras e pescarias,
nas guerras e alegrias, e que no meio da tempestade, grite em coro comigo :
” Nós ainda vamos rir muito disso tudo ” e ria muito.
Não pude escolher aqueles que me trouxeram ao mundo, mas posso escolher meu Amigo.
E nessa busca empenho a minha própria alma, pois com uma Amizade
Verdadeira, a vida se torna mais simples, mais rica e mais bela .”

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PS: O site da Cris é: www.poesiasdacris.cjb.net

Raridade


Esse tipo de recado em um site que faz coletânea de textos é extremamente raro, por isso sinto-me na obrigação de publicar e dar os parabéns à Liz, que gerencia o site Textos Legais. Lembrando que costumo ser atendida em meus pedidos para troca de créditos, mas algumas vezes sou totalmente ignorada por webmasters e blogueiros que não têm o mínimo respeito pelo trabalho alheio e acham que só porque o texto está na internet, é de domínio público. Infelizmente no site da Liz ainda tem textos do Autor Desconhecido (por mim esses textos ficariam na geladeira até que se descobrisse a paternidade, para evitar a disseminação, mas ao menos ela vai adicionando o nome do verdadeiro autor à medida em que descobre. Só isso já me faz perdoá-la por publicar os textos do Sr Desconhecido…risos…). Aí vai o recado da Liz, ao final de cada página do seu site:

“Prezado leitor,

Se você ler algum texto com autoria incorreta, ou se algum texto estiver como “desconhecido” e você souber a autoria, agradeceria muito se me enviasse um e-mail para que eu possa corrigir o erro: lizluz@gmail.com

Faça você também sua parte, nunca repasse um texto sem autoria e corrija sempre que notar algum equívoco.

Vamos acabar com essa praga virtual que tem infestado a Internet: a apropriação de textos alheios ou inserção de nomes mais conhecidos em textos de autores que julgamos que poucos conhecem. ”

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Ei! Sorria!

Mais um da Cris Passinato, que circula como sendo de Chaplin ou do Mr. Desconhecido

“Ei! Sorria!!!

Cris Passinato

Sorria.
Mas não se esconda atrás deste sorriso.
Mostre aquilo que você é. Sem medo.

Existem pessoas que sonham.
Viva.
Tente.
Felicidade é o resultado desta tentativa.

Ame acima de tudo.
Ame a tudo e a todos.
Não faça dos defeitos uma distância e, sim uma aproximação.

Aceite A vida, as pessoas.
Faça delas a sua razão de viver.
Entenda os que pensam diferentemente de você.
Não os reprove.

Olhe à sua volta, quantos amigos…
Você já tornou alguém feliz?
Ou fez alguém sofrer com o seu egoísmo?

Não corra…
Para que tanta pressa?
Corra apenas para dentro de você.
Sonhe, mas não transforme esse sonho em fuga.
Acredite!
Espere!

Sempre deve haver uma esperança.
Sempre brilhará uma estrela.
Chore!
Lute!

Faça aquilo que você gosta.
Sinta o que há dentro de você.

Ouça… Escute o que as pessoas têm a lhe dizer.
É importante.
Faça dos obstáculos degraus para aquilo que você acha supremo.
Mas não esqueça daqueles que não conseguiram subir a escada da vida.

Descubra aquilo de bom dentro de você.
Procure acima de tudo ser gente. Eu também vou tentar.

Hei, você…
Não vá embora.
Eu preciso lhe dizer que você pode e deve ser feliz…
Porque você existe!

Ei, ouça …
Escute o que as pessoas têm a lhe dizer…
É importante!

Faça dos obstáculos degraus para aquilo que você acha supremo.
Mas não esqueça daqueles que não conseguiram subir a escada da vida.

Ei, descubra aquilo de bom dentro de você.
Procure acima de tudo ser gente.
Eu também vou tentar.

Ei, você …
Não vá embora.
Eu preciso lhe dizer que você pode e deve ser feliz …
Porque você existe!”

Desabafo de Cris Passinato

Desabafo de Cris Passinato

Preciso de sua ajuda!

Está ocorrendo há dois anos um grande engano: um texto meu está circulando como se fosse de autoria de Charles Chaplin. Sinto-me vaidosa e lisonjeada a ser comparada a tal artista, mas de qualquer modo, é necessário corrigir tal engano. Por isso, por favor, peço a sua compreensão, ajuda e divulgação do titulo correto e a autoria…

Eu fiz uma busca no Yahoo que dá em 955 ocorrências de sites. É muita coisa e meus amigos poetas estão também me ajudando muito nesta tarefa. Acontece que os webmaster recebem muitas vezes via e-mail vários textos do tipo: autor desconhecido, e, assim, outros autores sendo confundidos. Há pouco, tivemos um exemplo de uma crônica escrita por alguém que se intitulou ou trocaram o autor como se fosse o jornalista Arnaldo Jabor, Faz Parte e no Manhattan Connection. O “Jaba” mandou ver nos internautas sem saber realmente o que ocorre, porque realmente é triste vermos o nosso nome veiculado de uma forma indevida, ou mesmo se não colocam os créditos de nossos trabalhos em algum lugar. Imagine eu com essa troca de autoria

Tentando provar que não é do Chaplin e sim meu o texto, às vezes tenho que escanear minha agenda antiga para mostrar, e, assim mesmo, pouca credibilidade tenho, porque poderia tê-lo copiado. Peço aos companheiros que façam buscas a sites de universidades e, aos pesquisadores da área de letras e cinema, que estudam e publicam na internet sobre a vida de Chaplin. Com certeza não encontrarão tal poesia na obra dele..Os textos de Chaplin são na maioria das vezes narrativos e assim mesmo, quando traduzidos não teriam tal harmonia, só se eu tivesse um domínio muito bom do inglês e o estudasse muito para fazer tão boa tradução, o que não é nem de longe o meu caso.

Infelizmente ainda não tive como pagar o registro dos direitos autorais de minhas poesias, mas tenho uma amiga que esta me ajudando quanto a esse problema e tão logo eu possa publicarei um livro impresso e até quem sabe um e-book. Senti uma enorme sensação de perda, de roubo, mesmo confundida com um consagrado Gênio, que está morto e que admiro muito também. São quase 1000 páginas publicando minha poesia como se fosse de Chaplin e até mesmo no site da CBN o jornalista Reinaldo (esqueci o sobrenome) em sua coluna no site colocou duas poesias minhas, com autoria do ator; mas, “Preciso deAlguém” (às vezes confundida por títulos como Amizade e Preciso de Alguém Como Você) e “Sorria…” são poesias minhas e referem-se, inclusive, a situações vividas por mim.

Sabendo do seu interesse no assunto, se puder repassar esse depoimento eu agradeceria muito.

Um abraço
Cristiana Passinato
ICQ 44500248
www.poesiasdacris.cjb.net

A IMPONTUALIDADE DO AMOR

Martha Medeiros rides again

Ok, eu vou fazer um estudo sério para entender por que raios essa mulher tem o poder de se transformar em Luis Fernando Verissimo e Mário Quintana na internet com tanta facilidade? Depois de tantas amostras, é só eu bater o olho em um texto creditado ao Verissimo, ao Jabor, ao Quintana ou ao tal Desconhecido para saber que é dela. Mas esse não foi bolinho… algumas versões estavam tão alteradas, com anexos imensos no final para deixar o texto no estilo “auto-ajuda” que ficou meio difícil identificar o que era original e o que era acrescentado. Em outras o acréscimo era tão grotesco, tão mal escrito, que não foi nada complicado. Agora aprendi: na dúvida, vou direto no Almas Gêmeas, que parece ser a fonte de spammers. Este texto foi publicado em 12 de maio de 1998, lá. Quando um texto pula para a caixa de e-mail de alguém as chances de ele ser mutilado, distorcido e virar outra coisa nada a ver com autoria amputada aumenta exponencialmente. E talvez o botãozinho “envie esta mensagem para um amigo” disponível na ex-coluna dela no Almas Gêmeas seja parcialmente culpado por isso…

A IMPONTUALIDADE DO AMOR
Martha Medeiros

Você está sozinho. Você e a torcida do Flamengo. Em frente a tevê, devora dois pacotes de Doritos enquanto espera o telefone tocar. Bem que podia ser hoje, bem que podia ser agora, um amor novinho em folha.

Trimmm! É sua mãe, quem mais poderia ser? Amor nenhum faz chamadas por telepatia. Amor não atende com hora marcada. Ele pode chegar antes do esperado e encontrar você numa fase galinha, sem disposição para relacionamentos sérios. Ele passa batido e você nem aí. Ou pode chegar tarde demais e encontrar você desiludido da vida, desconfiado, cheio de olheiras. O amor dá meia-volta, volver. Por que o amor nunca chega na hora certa?

Agora, por exemplo, que você está de banho tomado e camisa jeans. Agora que você está empregado, lavou o carro e está com grana para um cinema. Agora que você pintou o apartamento, ganhou um porta-retrato e começou a gostar de jazz. Agora que você está com o coração às moscas e morrendo de frio.

O amor aparece quando menos se espera e de onde menos se imagina. Você passa uma festa inteira hipnotizado por alguém que nem lhe enxerga, e mal repara em outro alguém que só tem olhos pra você. Ou então fica arrasado porque não foi pra praia no final de semana. Toda a sua turma está lá, azarando-se uns aos outros. Sentindo-se um ET perdido na cidade grande, você busca refúgio numa locadora de vídeo, sem prever que ali mesmo, na locadora, irá encontrar a pessoa que dará sentido a sua vida. O amor é que nem tesourinha de unhas, nunca está onde a gente pensa.

O jeito é direcionar o radar para norte, sul, leste e oeste. Seu amor pode estar no corredor de um supermercado, pode estar impaciente na fila de um banco, pode estar pechinchando numa livraria, pode estar cantarolando sozinho dentro de um carro. Pode estar aqui mesmo, no computador, dando o maior mole. O amor está em todos os lugares, você que não procura direito.

A primeira lição está dada: o amor é onipresente. Agora a segunda: mas é imprevisível. Jamais espere ouvir “eu te amo” num jantar à luz de velas, no dia dos namorados. Ou receber flores logo após a primeira transa. O amor odeia clichês. Você vai ouvir “eu te amo” numa terça-feira, às quatro da tarde, depois de uma discussão, e as flores vão chegar no dia que você tirar carteira de motorista, depois de aprovado no teste de baliza. Idealizar é sofrer. Amar é surpreender.

A dor que dói mais

Nem Verissimo, nem Jabor, muito menos Miguel Falabella. A autora do texto abaixo é a escritora gaúcha Martha Medeiros. Foi publicada originalmente no dia 20 de Julho de 1998 na coluna que ela mantinha no site “Almas Gêmeas”. Posteriormente algum espírito de porco acrescentou alguns itens ao final do texto e creditou-o ao Falabella. Daí a virar Verissimo e Jabor foi um passo. Aliás, é só um texto dar uma voltinha pela net que já vira Verissimo e Jabor quase que automaticamente. Incrível. Como quase todos os textos surrupiados, este também foi mutilado e distorcido, tendo mais de uma versão em circulação (o que me leva a crer que nem tudo acontece tão “sem querer” quanto a gente prefere acreditar). Abaixo a original, assinada pela autora no Almas Gêmeas.

A DOR QUE DÓI MAIS
Martha Medeiros

Trancar o dedo numa porta dói. Bater com o queixo no chão dói. Torcer o tornozelo dói. Um tapa, um soco, um pontapé, dóem. Dói bater a cabeça na quina da mesa, dói morder a língua, dói cólica, cárie e pedra no rim. Mas o que mais dói é saudade.

Saudade de um irmão que mora longe. Saudade de uma cachoeira da infância. Saudade do gosto de uma fruta que não se encontra mais. Saudade do pai que já morreu. Saudade de um amigo imaginário que nunca existiu. Saudade de uma cidade. Saudade da gente mesmo, que o tempo não perdoa. Dóem essas saudades todas.

Mas a saudade mais dolorida é a saudade de quem se ama. Saudade da pele, do cheiro, dos beijos. Saudade da presença, e até da ausência consentida. Você podia ficar na sala e ele no quarto, sem se verem, mas sabiam-se lá. Você podia ir para o escritório e ele para o dentista, mas sabiam-se onde. Você podia ficar o dia sem vê-lo, ele o dia sem vê-la, mas sabiam-se amanhã. Mas quando o amor de um acaba, ao outro sobra uma saudade que ninguém sabe como deter.

Saudade é não saber. Não saber mais se ele continua se gripando no inverno. Não saber mais se ela continua pintando o cabelo de vermelho. Não saber se ele ainda usa a camisa que você deu. Não saber se ela foi na consulta com o dermatologista como prometeu. Não saber se ele tem comido frango assado, se ela tem assistido as aulas de inglês, se ele aprendeu a entrar na Internet, se ela aprendeu a estacionar entre dois carros, se ele continua fumando Carlton, se ela continua preferindo Pepsi, se ele continua sorrindo, se ela continua dançando, se ele continua surfando, se ela continua lhe amando.

Saudade é não saber. Não saber o que fazer com os dias que ficaram mais compridos, não saber como encontrar tarefas que lhe cessem o pensamento, não saber como frear as lágrimas diante de uma música, não saber como vencer a dor de um silêncio que nada preenche.

Saudade é não querer saber se ele está com outra, e ao mesmo tempo querer. É não querer saber se ela está feliz, e ao mesmo tempo querer. É não querer saber se ele está mais magro, se ela está mais bela. Saudade é nunca mais saber de quem se ama, e ainda assim, doer.