Monthly Archive: abril 2005

FELICIDADE REALISTA

A Suely postou esse texto, que recebeu atribuído ao Mário Quintana. É outro clássico da internet e que, para um leitor mais atento, se denuncia no linguajar contemporâneo demais para Quintana. Na verdade o texto é da escritora Martha Medeiros e foi originalmente publicado no site Almas Gêmeas, em 08 de janeiro de 2001

“FELICIDADE REALISTA

Martha Medeiros

De norte a sul, de leste a oeste, todo mundo quer ser feliz. Não é tarefa das mais fáceis. A princípio, bastaria ter saúde, dinheiro e amor, o que já é um pacote louvável, mas nossos desejos são ainda mais complexos.

Não basta que a gente esteja sem febre: queremos, além de saúde, ser magérrimos, sarados, irresistíveis. Dinheiro? Não basta termos para pagar o aluguel, a comida e o cinema: queremos a piscina olímpica, a bolsa Louis Vitton e uma temporada num spa cinco estrelas. E quanto ao amor? Ah, o amor… não basta termos alguém com quem podemos conversar, dividir uma pizza e fazer sexo de vez em quando. Isso é pensar pequeno: queremos AMOR, todinho maiúsculo. Queremos estar visceralmente apaixonados, queremos ser surpreendidos por declarações e presentes inesperados, queremos jantar à luz de velas de segunda a domingo, queremos sexo selvagem e diário, queremos ser felizes assim e não de outro jeito.

É o que dá ver tanta televisão. Simplesmente esquecemos de tentar ser felizes de uma forma mais realista. Por que só podemos ser felizes formando um par, e não como ímpares? Ter um parceiro constante não é sinônimo de felicidade, a não ser que seja a felicidade de estar correspondendo às expectativas da sociedade, mas isso é outro assunto. Você pode ser feliz solteiro, feliz com uns romances ocasionais, feliz com três parceiros, feliz sem nenhum. Não existe amor minúsculo, principalmente quando se trata de amor-próprio.

Dinheiro é uma benção. Quem tem, precisa aproveitá-lo, gastá-lo, usufruí-lo. Não perder tempo juntando, juntando, juntando. Apenas o suficiente para se sentir seguro, mas não aprisionado. E se a gente tem pouco, é com este pouco que vai tentar segurar a onda, buscando coisas que saiam de graça, como um pouco de humor, um pouco de fé e um pouco de criatividade.

Ser feliz de uma forma realista é fazer o possível e aceitar o improvável. Fazer exercícios sem almejar passarelas, trabalhar sem almejar o estrelato, amar sem almejar o eterno. Olhe para o relógio: hora de acordar. É importante pensar-se ao extremo, buscar lá dentro o que nos mobiliza, instiga e conduz, mas sem exigir-se desumanamente. A vida não é um game onde só quem testa seus limites é que leva o prêmio. Não sejamos vítimas ingênuas desta tal competitividade. Se a meta está alta demais, reduza-a. Se você não está de acordo com as regras, demita-se. Invente seu próprio jogo.”

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PS: Fiquei muito feliz em ver que o site mal começou e vocês já estão me dando força. O trabalho é de formiguinha, portanto, preciso de outras formiguinhas para me ajudar no processo. Já tem gente me mandando textos de autoria duvidosa para que eu esclareça e se eu ainda não respondi seu e-mail é porque não tenho certeza sobre a autoria do texto, mas estou procurando. E quem me conhece sabe que sou teimosa…risos… Mas preciso da ajuda de todo mundo, se algum texto seu circula com autoria trocada ou desconhecida, se você recebeu um texto de autoria desconhecida ou duvidosa e não conseguiu descobrir o verdadeiro autor… envie para: autordesconhecido@gmail.com com cópia para vanlampert@gmail.com, para não ter erro.

De qualquer forma, é sempre bom reforçar: não repassem textos de autoria desconhecida. Na verdade eu gostaria de dizer: não repassem textos. Mas como isso é praticamente impossível de conseguir, o ideal é a gente se habituar a fazer uma pesquisa no google para saber se o texto é realmente de quem diz ser. Acreditem ou não, na maioria das vezes não é.

PS2: Perguntei se a Sarah Westphal tinha blog e o Emilio avisou que ela está no Orkut, com o nome “Sarinha Westphal”. O Emilio não sabe, mas eu já sabia disso…risos…vi – olhem só – no blog dele mesmo, após uma pesquisa no google :)

Off-Topic: A propósito, vi uma reportagem sobre o ocorrido na Zero Hora e me surpreendi ao ver o texto transcrito creditado à moça…ou melhor, ao nome inteiro da moça!!! Sarah Westphal Batista da Silva. Quase tão grande quanto o meu (poucos ganham de mim nesse quesito) e quase tão pouco sonoro quanto. Sinceramente, prefiro Sarah Westphal, assim como prefiro Vanessa Lampert ou, em situações extremas, Vanessa Stella Lampert. Por mais estrangeiro que seja o sobrenome, sem dúvida alguma é mais sonoro e mais fácil de lembrar do que Sarah Westphal Batista da Silva ou Vanessa Stella Rodrigues Santana de Resende Lampert. Optar pela praticidade é (quase) sempre a melhor escolha.

Ps do off-topic: Claro, sempre vai ter alguém pronunciando errado, assim como dizem “Vanessa Lampérti”, ao invés do sonoro Lâmper, mas de tanto ouvir todo mundo se acostuma. E o nome dela nem é tão difícil assim…bem menos do que o da Letícia Wierzchowski…aliás, até esse nome eu já decorei…risos…

Quase

Este virou clássico. Atribuído ao Luís Fernando Verissimo, rodou o mundo e foi elogiado na frança. A autora, Sarah Westphal é estudante de medicina e mora em Florianópolis. Aí vai o texto, creditado à escritora certa:

Quase
Sarah Westphal

Ainda pior que a convicção do não e a incerteza do talvez é a desilusão de um quase. É o quase que me incomoda, que me entristece, que me mata trazendo tudo que poderia ter sido e não foi. Quem quase ganhou ainda joga, quem quase passou ainda estuda, quem quase morreu está vivo, quem quase amou não amou. Basta pensar nas oportunidades que escaparam pelos dedos, nas chances que se perdem por medo, nas idéias que nunca sairão do papel por essa maldita mania de viver no outono.

Pergunto-me, às vezes, o que nos leva a escolher uma vida morna; ou melhor não me pergunto, contesto. A resposta eu sei de cór, está estampada na distância e frieza dos sorrisos, na frouxidão dos abraços, na indiferença dos “Bom dia”, quase que sussurrados. Sobra covardia e falta coragem até pra ser feliz. A paixão queima, o amor enlouquece, o desejo trai. Talvez esses fossem bons motivos para decidir entre a alegria e a dor, sentir o nada, mas não são. Se a virtude estivesse mesmo no meio termo, o mar não teria ondas, os dias seriam nublados e o arco-íris em tons de cinza. O nada não ilumina, não inspira, não aflige nem acalma, apenas amplia o vazio que cada um traz dentro de si.

Não é que fé mova montanhas, nem que todas as estrelas estejam ao alcance, para as coisas que não podem ser mudadas resta-nos somente paciência porém,preferir a derrota prévia à dúvida da vitória é desperdiçar a oportunidade de merecer. Pros erros há perdão; pros fracassos, chance; pros amores impossíveis, tempo. De nada adianta cercar um coração vazio ou economizar alma. Um romance cujo fim é instantâneo ou indolor não é romance. Não deixe que a saudade sufoque, que a rotina acomode, que o medo impeça de tentar. Desconfie do destino e acredite em você. Gaste mais horas realizando que sonhando, fazendo que planejando, vivendo que esperando porque, embora quem quase morre esteja vivo, quem quase vive já morreu.”

Algo me diz que essa menina deve ter um blog. Se alguém souber, favor entrar em contato comigo.

UPDATE :

Depois de quatro anos, eis que Sarah Westphal rende-se ao mundo dos blogs. Ela nos deixou, neste post, o seguinte comentário, que repasso, alegremente:

“Antes tarde do que nunca…
Sim, eu tenho um blog.
http://www.papelbaunilha.blogspot.com

Seja bem-vinda à blogosfera, Sarinha! Leitores amigos, façam uma visita à moça.