Mídia

Site Autor Desconhecido Homenageado

De vez em quando eu descubro umas homenagens e citações. Como já comentei por aqui, dificilmente alguém me avisa que o site foi citado em algum jornal, revista ou site. Assim fica difícil de salvar os registros, coisa que gostaria de fazer. Descobri que o Autor Desconhecido recebeu menção na terceira edição da Revista Contemporânea. Fui a “Persona Contemporânea” da edição, mas a homenagem não foi para mim, foi para o Autor, então que ele receba os devidos louros. :-)

Segue o texto da homenagem:

REVISTA CONTEMPORÂNEA – EDIÇÃO 03

Simone Costa – Editora

PERSONA CONTEMPORÂNEA

Vanessa Lampert – III Selo Persona Contemporânea

O Selo Persona Contemporânea homenageia – a cada edição – um profissional que destaca-se na literatura, nas artes, na cultura ou no entretenimento virtual. Por sua contribuição peculiar e reveladora.
Nesta terceira edição  O Persona Contemporânea vai para a Artista e escritora VANESSA LAMPERT por seu relevante trabalho de “caça créditos” que faz no site AUTOR DESCONHECIDO.
Você tem um texto de autor desconhecido?
Gostaria de conhêce-lo?
Já viu seu texto publicado com créditos para outra pessoa?
Quer resolver?
Fale com a Vanessa…
AUTOR DESCONHECIDO
Vanessa Lampert
Da primeira vez chegamos à noite, olhamos a estátua, a máquina de escrever, a agenda, os jornais e a caneta bic empoeirados sobre o banco, o olhar perdido no horizonte, observando a bela paisagem da orla do Leblon.
– Quem será esse? – Perguntei para o Davison, já procurando uma placa que identificasse a estátua. Absortos em nossa ignorância, não encontramos o nome do cara em lugar algum. Chegamos então à conclusão de que se tratava de uma homenagem ao Autor Desconhecido.
Sim, aquele mesmo que escreve os textos mais legais da internet, que a gente recebe por e-mail, lê em sites, em blogs e até em muito jornal por aí. O Autor Desconhecido é o profissional mais altruísta que existe, ele não quer divulgar seu nome nas coisas que escreve, seu intuito é apenas produzir para jogar ao vento, para espalhar a arte, para que o resultado de seu árduo trabalho seja de domínio público, como uma mente completamente desapegada, como a mãe que joga seus lindos filhos no mundo para que todos possam ter a oportunidade de carregá-los no colo. Ela vira as costas, não deixa nome, telefone, nem endereço, não deixa rastro. Definitivamente, um cara desses merece uma homenagem.
Dia desses resolvi voltar lá, para tirar foto da estátua do Autor Desconhecido. Uma garoa fina me acompanhou até que eu alcançasse o final do calçadão do Leblon, onde repousa a justa homenagem. Um gari, sentado ao lado da escultura atrapalhava a minha foto. Resolvi sentar ali perto enquanto aguardava que o homem retomasse seu trabalho. Em vão. Levantei e olhei para os pertences do Autor Desconhecido, sua caneta, agenda, jornal e máquina de escrever…a garoa retirou a poeira e pude ver que havia, no jornal, algo escrito. Me aproximei e li: “Zózimo”. Pensei alto:
– Não acredito que esta é a placa. – O gari ouviu e me explicou, em tom importante:
– Esse é o Zózimo.
– Ele era jornalista – Explicou o pipoqueiro, sentado próximo, ao que o gari completou, apaixonado:
– É, tinha uma coluna no Jornal do Brasil. Na verdade ele é mais do que isso. É o símbolo do carioca que sai do trabalho, olha o mar, observa a paisagem. Sem essa estátua o Leblon não seria o Leblon.
Após uma rápida aula do gari sobre a vida e obra de Zózimo Barroso, tirei minhas fotos, com os dois ao fundo, porque agora faziam parte do contexto, não?
Aprendi com tudo isso o que eu já sabia: não havia homenagem alguma ao Autor Desconhecido simplesmente porque não existe o Autor Desconhecido. O que existe é a preguiça e a falta de atenção que nos faz passar reto pela identidade do autor, a preguiça de retirar a poeira sobre as letras e descobrir quem escreveu aquele texto. O autor desconhecido não existe. É só procurar um pouco e rapidinho a gente descobre quem ele é. É só ter um pouquinho de paciência e humildade para descobrir, nem que seja através de um gari.
O Zózimo de bronze, no entanto, torna-se o espelho de tantos autores desconhecidos que têm seus textos roubados e repassados sem autoria ou até mesmo assinados por outra pessoa. O legal da internet é poder divulgar textos interessantes, espalhar o que nos chama a atenção, mas sempre respeitando o trabalho alheio, colocando os devidos créditos e não repassando texto sem autor. Sempre checar, aliás, a autoria dos textos que recebemos por e-mail, fazendo uma rápida pesquisa no google com uma frase do texto entre aspas.
Enchi tanto o saco dos meus amigos (e da lista de amigos deles) com esse papo de respeito ao trabalho dos outros quando eles me mandavam textos que eu recebia sem autoria ou com autoria equivocada que hoje em dia ninguém mais me manda nada e eu fico sabendo pelos outros do que anda circulando na internet. O problema é que quando esses textos saem da internet para a coluna de alguém em um jornal, por exemplo, ou como texto de estudo em uma sala de aula, a coisa complica. Dá a impressão de que escrever não é trabalho e que um texto brota do nada, assim, no papel, se auto-escrevendo.
Fiquei sabendo dia desses de um texto para o qual estou fazendo operação caça-créditos que foi parar em uma coluna de jornal sem que fosse citado o autor. Não é o único, eu sei, e a pessoa que o publicou certamente o fez achando que ele havia sido escrito pelo tal Autor Desconhecido do início deste post. A partir do momento em que constatamos a inexistência dessa entidade, nos deparamos com um problema grave. Não é frescura querer que seu nome esteja atrelado a seu trabalho porque o escritor não tem outra forma de ter seu trabalho reconhecido e divulgado, ou seu nome vai com o seu texto, ou seu texto vai e seu nome fica.
Então, por Zózimo, tenhamos um pouco de respeito pelos escritores que abrem seu talento aqui na internet e façamos, cada um, a nossa parte. Tenho falado sobre isso aqui há muito tempo, mas agora decidi que algo mais específico deve ser feito. Pensando nisso, acabo de criar este blog, onde reunirei os textos roubados, falarei de seus autores e farei aqui uma espécie de “banco de dados de textos perdidos”, para facilitar as buscas de quem recebe texto sem autor. A idéia é transformar, em um futuro próximo, o blog em um site, com mecanismo de busca rápida de textos dentro de seu próprio conteúdo.
Já tenho bastante material, mas vou postando aos poucos. Sim, os textos são fantásticos, por isso mesmo devemos respeitar seus autores. Dizer que um texto não tem autor é mentira, atribuir a autoria a outra pessoa, é roubo. Repassar texto sem autor ou roubado, é conivência.
O Autor Desconhecido não existe, todo texto tem autor, nenhum texto se auto-produz. Escrever é trabalho e os escritores que disponibilizam seus textos na net não se importam se você quiser enviar para algum amigo por e-mail ou postar em seu blog, desde que dê os devidos créditos ao autor. E o que é dar os créditos ao autor? É um troço fácil: é só colocar no nome do autor no início ou no final do texto.
Questão de respeito, Internet é só mais um meio de transportar informações, não é uma outra dimensão em que nossos valores e princípios podem ser jogados no lixo assim. Somos pessoas lidando com pessoas, como em qualquer outro lugar, qualquer outra situação. Respeito. É o que pedimos. Simples assim.
Aqui reunirei os textos órfãos aos seus pais. Há tempos fazemos o que eu chamo de “operação caça-créditos” procurando textos de “autor desconhecido” cujos autores eu conheço  e avisando, site por site, da autoria. Muitos sites têm colaborado conosco, mas ainda somos formiguinhas muito pequenas nessa tarefa. Com os textos reunidos aqui e o depoimento dos autores, será mais fácil obter a ajuda de vocês para este trabalho. Vamos nos divertir na internet sim, mas sem desrespeitar o trabalho alheio, assim todo mundo fica feliz e cumpre seu papel.
Fale com a Contemporânea e participe da indicação para o próximo Selo Persona Contemporânea
simonealcosta@gmail.com
parceriacontemporanea@gmail.com

O Selo Persona Contemporânea homenageia – a cada edição – um profissional que destaca-se na literatura, nas artes, na cultura ou no entretenimento virtual. Por sua contribuição peculiar e reveladora.

Nesta terceira edição  O Persona Contemporânea vai para a Artista e escritora VANESSA LAMPERT por seu relevante trabalho de “caça créditos” que faz no site AUTOR DESCONHECIDO.

Você tem um texto de autor desconhecido?

Gostaria de conhecê-lo?

Já viu seu texto publicado com créditos para outra pessoa?

Quer resolver?

Fale com a Vanessa…

AUTOR DESCONHECIDO

Vanessa Lampert

Da primeira vez chegamos à noite, olhamos a estátua, a máquina de escrever, a agenda, os jornais e a caneta bic empoeirados sobre o banco, o olhar perdido no horizonte, observando a bela paisagem da orla do Leblon.

– Quem será esse? – Perguntei para o Davison, já procurando uma placa que identificasse a estátua. Absortos em nossa ignorância, não encontramos o nome do cara em lugar algum. Chegamos então à conclusão de que se tratava de uma homenagem ao Autor Desconhecido.

Sim, aquele mesmo que escreve os textos mais legais da internet, que a gente recebe por e-mail, lê em sites, em blogs e até em muito jornal por aí. O Autor Desconhecido é o profissional mais altruísta que existe, ele não quer divulgar seu nome nas coisas que escreve, seu intuito é apenas produzir para jogar ao vento, para espalhar a arte, para que o resultado de seu árduo trabalho seja de domínio público, como uma mente completamente desapegada, como a mãe que joga seus lindos filhos no mundo para que todos possam ter a oportunidade de carregá-los no colo. Ela vira as costas, não deixa nome, telefone, nem endereço, não deixa rastro. Definitivamente, um cara desses merece uma homenagem.

Dia desses resolvi voltar lá, para tirar foto da estátua do Autor Desconhecido. Uma garoa fina me acompanhou até que eu alcançasse o final do calçadão do Leblon, onde repousa a justa homenagem. Um gari, sentado ao lado da escultura atrapalhava a minha foto. Resolvi sentar ali perto enquanto aguardava que o homem retomasse seu trabalho. Em vão. Levantei e olhei para os pertences do Autor Desconhecido, sua caneta, agenda, jornal e máquina de escrever…a garoa retirou a poeira e pude ver que havia, no jornal, algo escrito. Me aproximei e li: “Zózimo”. Pensei alto:

– Não acredito que esta é a placa. – O gari ouviu e me explicou, em tom importante:

– Esse é o Zózimo.

– Ele era jornalista – Explicou o pipoqueiro, sentado próximo, ao que o gari completou, apaixonado:

– É, tinha uma coluna no Jornal do Brasil. Na verdade ele é mais do que isso. É o símbolo do carioca que sai do trabalho, olha o mar, observa a paisagem. Sem essa estátua o Leblon não seria o Leblon.

Após uma rápida aula do gari sobre a vida e obra de Zózimo Barroso, tirei minhas fotos, com os dois ao fundo, porque agora faziam parte do contexto, não?

Aprendi com tudo isso o que eu já sabia: não havia homenagem alguma ao Autor Desconhecido simplesmente porque não existe o Autor Desconhecido. O que existe é a preguiça e a falta de atenção que nos faz passar reto pela identidade do autor, a preguiça de retirar a poeira sobre as letras e descobrir quem escreveu aquele texto. O autor desconhecido não existe. É só procurar um pouco e rapidinho a gente descobre quem ele é. É só ter um pouquinho de paciência e humildade para descobrir, nem que seja através de um gari.

O Zózimo de bronze, no entanto, torna-se o espelho de tantos autores desconhecidos que têm seus textos roubados e repassados sem autoria ou até mesmo assinados por outra pessoa. O legal da internet é poder divulgar textos interessantes, espalhar o que nos chama a atenção, mas sempre respeitando o trabalho alheio, colocando os devidos créditos e não repassando texto sem autor. Sempre checar, aliás, a autoria dos textos que recebemos por e-mail, fazendo uma rápida pesquisa no google com uma frase do texto entre aspas.

Enchi tanto o saco dos meus amigos (e da lista de amigos deles) com esse papo de respeito ao trabalho dos outros quando eles me mandavam textos que eu recebia sem autoria ou com autoria equivocada que hoje em dia ninguém mais me manda nada e eu fico sabendo pelos outros do que anda circulando na internet. O problema é que quando esses textos saem da internet para a coluna de alguém em um jornal, por exemplo, ou como texto de estudo em uma sala de aula, a coisa complica. Dá a impressão de que escrever não é trabalho e que um texto brota do nada, assim, no papel, se auto-escrevendo.

Fiquei sabendo dia desses de um texto para o qual estou fazendo operação caça-créditos que foi parar em uma coluna de jornal sem que fosse citado o autor. Não é o único, eu sei, e a pessoa que o publicou certamente o fez achando que ele havia sido escrito pelo tal Autor Desconhecido do início deste post. A partir do momento em que constatamos a inexistência dessa entidade, nos deparamos com um problema grave. Não é frescura querer que seu nome esteja atrelado a seu trabalho porque o escritor não tem outra forma de ter seu trabalho reconhecido e divulgado, ou seu nome vai com o seu texto, ou seu texto vai e seu nome fica.

Então, por Zózimo, tenhamos um pouco de respeito pelos escritores que abrem seu talento aqui na internet e façamos, cada um, a nossa parte. Tenho falado sobre isso aqui há muito tempo, mas agora decidi que algo mais específico deve ser feito. Pensando nisso, acabo de criar este blog, onde reunirei os textos roubados, falarei de seus autores e farei aqui uma espécie de “banco de dados de textos perdidos”, para facilitar as buscas de quem recebe texto sem autor. A idéia é transformar, em um futuro próximo, o blog em um site, com mecanismo de busca rápida de textos dentro de seu próprio conteúdo.

Já tenho bastante material, mas vou postando aos poucos. Sim, os textos são fantásticos, por isso mesmo devemos respeitar seus autores. Dizer que um texto não tem autor é mentira, atribuir a autoria a outra pessoa, é roubo. Repassar texto sem autor ou roubado, é conivência.

O Autor Desconhecido não existe, todo texto tem autor, nenhum texto se auto-produz. Escrever é trabalho e os escritores que disponibilizam seus textos na net não se importam se você quiser enviar para algum amigo por e-mail ou postar em seu blog, desde que dê os devidos créditos ao autor. E o que é dar os créditos ao autor? É um troço fácil: é só colocar no nome do autor no início ou no final do texto.

Questão de respeito, Internet é só mais um meio de transportar informações, não é uma outra dimensão em que nossos valores e princípios podem ser jogados no lixo assim. Somos pessoas lidando com pessoas, como em qualquer outro lugar, qualquer outra situação. Respeito. É o que pedimos. Simples assim.

Aqui reunirei os textos órfãos aos seus pais. Há tempos fazemos o que eu chamo de “operação caça-créditos” procurando textos de “autor desconhecido” cujos autores eu conheço  e avisando, site por site, da autoria. Muitos sites têm colaborado conosco, mas ainda somos formiguinhas muito pequenas nessa tarefa. Com os textos reunidos aqui e o depoimento dos autores, será mais fácil obter a ajuda de vocês para este trabalho. Vamos nos divertir na internet sim, mas sem desrespeitar o trabalho alheio, assim todo mundo fica feliz e cumpre seu papel.

Jornalista desconhecido

Finalmente estamos fazendo barulho.

Considerações sobre o blog, o livro da Cora, espaço na mídia e o Jornalista Desconhecido

Porque este blog foi citado na introdução do livro Caiu na Rede , da Editora Agir, organizado por Cora Rónai, que trata do mesmo tema (é uma coletânea de textos apócrifos da internet). Porque este blog foi citado em reportagem da Zero Hora no dia 25 de abril (não sei quem foi o jornalista responsável, portanto estou impossibilitada de dar os créditos a tão amável criatura) e porque eu fui, definitivamente, excluída das listas de e-mails de quase todos os meus amigos e praticamente não recebo textos encaminhados e fico sabendo dos textos do Desconhecido através de leitores deste blog, sinto que minha existência neste planeta tem um objetivo superior :-)

Fico feliz pela idéia estar dando certo, finalmente a contribiução do Autor Desconhecido à causa dos textos roubados, descaracterizados e órfãos começa a ser significativa. Mas ainda é muito pouco. São apenas vinte textos catalogados em um ano de funcionamento, o que ainda é muito pouco, mas felizmente, conforme minha intenção inicial, a maior parte dos acessos vem de pesquisas google e cada vez mais recebo mensagens de pessoas agradecendo por eu ter solucionado suas dúvidas. Colaborações também são bem-vindas (e sempre checadas), mas geralmente sou mesmo eu que fico com o “trabalho sujo”. Parece um trabalho sem fim e também por isso, bastante ingrato, mas quem sabe, unindo nossas forças de formiguinha, consigamos alterar, ainda que lentamente, esse quadro.

Agradeço ao responsável pela matéria sobre o Caiu na Rede, na Zero Hora, que citou o blog. Pena que o nome não estava lá, entre o título e o texto, para ser citado aqui. Ironia das ironias, não encontrei o nome do autor da reportagem sobre textos trocados e de autoria desconhecida. Infelizmente, ao que parece, a figura do Jornalista Desconhecido é mais comum do que deveria. :-)