Depoimento de Escritores

Mude

Essa é uma das histórias mais absurdas de que já tomei conhecimento até agora. Recebi e-mail da minha leitora Nancy há alguns meses pedindo que publicasse esse texto. No entanto, já havia recebido o seguinte e-mail do próprio autor, pedindo esclarecimento neste blog. Acabei ficando muito tempo afastada de minhas atividades on-line e adiei a postagem, mas não poderia deixar de divulgar essa história aqui (em homenagem também à Flávia, que comentou de sua frustração pela falta de atualização do Autor Desconhecido).

Confesso que, ao saber dessa história, cogitei a hipótese de os herdeiros da Clarice Lispector serem tão ignorantes que não conhecem o trabalho da Clarice. Não têm como saber o que é ou não dela porque nunca leram um livro na vida (argumento derrubado por um de meus neurônios, que me lembrou de que eles devem saber o que a Clarice tem registrado como dela, nem que seja pelo título). Existe a possibilidade de que tenham agido como falsos espertos, imaginando que o texto tenha sido escrito pela entidade sem rosto e sem nome conhecida como Autor Desconhecido e que ele – além de tudo – tem um sério problema de memória e se esquece rapidamente de tudo o que escreve (afinal de contas, ele escreve tanto!). Então, não haveria o menor problema, nem conseqüência alguma em aceitar dinheiro por uma obra que não lhes pertencia, como se pertencesse.

Seja como for, é um absurdo sem tamanho que deve, sim, ser exposto ao público, o máximo possível, para que se tenha noção da dimensão do problema e que a irresponsabilidade não é apenas de leitores leigos e internautas, mas de jornalistas, publicitários…gente que deveria ser melhor informada, mais consciente e responsável com o trabalho alheio. Conhecidos como “formadores de opinião”, não lêem, não se informam, não têm conteúdo suficiente para repassar ao público (que também não lê, não se informa….vixe, melhor nem continuar o raciocínio…) e acabam agindo como agentes de desinformação em larga escala. Dá medo.

Segue o e-mail do autor, o link para o site no qual há a explicação de toda a história, e o texto original.

Por um erro da Agência Leo Burnett, meu poema MUDE foi utilizado num comercial da Fiat, e teve sua autoria atribuída, erradamente, a Clarice Lispector.

Os herdeiros de Clarice receberam quarenta mil dólares, ilicitamente, pelo “licenciamento” de uma obra alheia (no caso, minha).

Sentença transitada em julgado deu ganho de causa a mim, em Ação Cautelar.

Os herdeiros recusam-se a devolver o dinheiro, e sequer se pronunciam em público sobre o caso.

Detalhes em http://desafiat.weblogger.com.br

Abraços, flores, estrelas..

Edson Marques.


Mude
Edson Marques.

Mas comece devagar,
porque a direção é mais importante
que a velocidade.
Sente-se em outra cadeira,
no outro lado da mesa.
Mais tarde, mude de mesa.
Quando sair,
procure andar pelo outro lado da rua.
Depois, mude de caminho,
ande por outras ruas,
calmamente,
observando com atenção
os lugares por onde
você passa.
Tome outros ônibus.
Mude por uns tempos o estilo das roupas.
Dê os teus sapatos velhos.
Procure andar descalço alguns dias.
Tire uma tarde inteira
para passear livremente na praia,
ou no parque,
e ouvir o canto dos passarinhos.
Veja o mundo de outras perspectivas.
Abra e feche as gavetas
e portas com a mão esquerda.
Durma no outro lado da cama.
Depois, procure dormir em outras camas.
Assista a outros programas de tv,
compre outros jornais,
leia outros livros,
Viva outros romances!
Não faça do hábito um estilo de vida.
Ame a novidade.
Durma mais tarde.
Durma mais cedo.
Aprenda uma palavra nova por dia
numa outra língua.
Corrija a postura.
Coma um pouco menos,
escolha comidas diferentes,
novos temperos, novas cores,
novas delícias.
Tente o novo todo dia.
o novo lado,
o novo método,
o novo sabor,
o novo jeito,
o novo prazer,
o novo amor.
a nova vida.
Tente.
Busque novos amigos.
Tente novos amores.
Faça novas relações.
Almoce em outros locais,
vá a outros restaurantes,
tome outro tipo de bebida
compre pão em outra padaria.
Almoce mais cedo,
jante mais tarde ou vice-versa.
Escolha outro mercado,
outra marca de sabonete,
outro creme dental.
Tome banho em novos horários.
Use canetas de outras cores.
Vá passear em outros lugares.
Ame muito,
cada vez mais,
de modos diferentes.
Troque de bolsa,
de carteira,
de malas.
Troque de carro.
Compre novos óculos,
escreva outras poesias.
Jogue os velhos relógios,
quebre delicadamente
esses horrorosos despertadores.
Abra conta em outro banco.
Vá a outros cinemas,
outros cabeleireiros,
outros teatros,
visite novos museus.
Mude.
Lembre-se de que a Vida é uma só.
Arrume um outro emprego,
uma nova ocupação,
um trabalho mais light,
mais prazeroso,
mais digno,
mais humano.

Se você não encontrar razões para ser livre,
invente-as.

Seja criativo.
E aproveite para fazer uma viagem despretensiosa,
longa, se possível sem destino.
Experimente coisas novas.
Troque novamente.
Mude, de novo.
Experimente outra vez.
Você certamente conhecerá coisas melhores
e coisas piores,
mas não é isso o que importa.
O mais importante é a mudança,
o movimento,
o dinamismo,
a energia.
Só o que está morto não muda! “

Ter ou não ter namorado

Outro clássico, enviado pela leitora Niza:

Esse texto foi publicado em 1984 e circula há anos, inclusive em revistas, jornais e antologias, como sendo de Carlos Drummond de Andrade. Muita gente já sabe que é de Artur da Távola, mas em pleno 2007 o encontrei até mesmo creditado ao Verissimo e ao nosso amigo Desconhecido. As alterações que ainda circulam por aí (inclusive transformando a crônica em poesia, colocando as frases em coluna….argh!!!) são apavorantes. Por que fazem isso com textos inocentes? Alguns acréscimos, alguns cortes, algumas deformações…a maioria dos textos alterados suprimiu a ordem “ENLOU-CRESÇA.” Provavelmente, os Alteradores de Textos Anônimos não entenderam o novo termo.

Artur da Távola reclama, em adendo colado ao texto:


“Não sei mais o que fazer! Aviso às editoras que fazem antologias, que de agora em diante irei à Justiça e as processarei por uso indevido de uma crônica de minha autoria, ‘Ter ou não ter namorado’, publicada em 1984 no Livro ‘Amor A Sim Mesmo’, da Editora Nova Fronteira, como se fosse do grande poeta e cronista Carlos Drummond de Andrade. Algumas editoras, para aproveitarem-se da justa fama de Drummond não se preocupam de examinar com cuidado e tascam nas antologias essa minha crônica, como dele. É a que se segue, com o título que está aí em cima:”


Aí vai o texto original, postado em seu site :

TER OU NÃO TER NAMORADO
Artur da Távola


Quem não tem namorado é alguém que tirou férias não remuneradas de si mesmo.
Namorado é a mais difícil das conquistas.
Difícil porque namorado de verdade é muito raro. Necessita de adivinhação, de pele, saliva, lágrima, nuvem, quindim, brisa ou filosofia. Paquera, gabiru, flerte, caso, transa, envolvimento, até paixão, é fácil.
Mas namorado, mesmo, é muito difícil. Namorado não precisa ser o mais bonito, mas ser aquele a quem se quer proteger e quando se chega ao lado dele a gente treme, sua frio e quase desmaia pedindo proteção. A proteção não precisa ser parruda, decidida; ou bandoleira basta um olhar de compreensão ou mesmo de aflição.
Quem não tem namorado é quem não tem amor é quem não sabe o gosto de namorar. Há quem não sabe o gosto de namorar. Se você tem três pretendentes, dois paqueras, um envolvimento e dois amantes; mesmo assim pode não ter nenhum namorado.
Não tem namorado quem não sabe o gosto de chuva, cinema sessão das duas, medo do pai, sanduíche de padaria ou drible no trabalho.
Não tem namorado quem transa sem carinho, quem se acaricia sem vontade de virar sorvete ou lagartixa e quem ama sem alegria.
Não tem namorado quem faz pacto de amor apenas com a infelicidade. Namorar é fazer pactos com a felicidade ainda que rápida, escondida, fugidia ou impossível de durar.
Não tem namorado quem não sabe o valor de mãos dadas; de carinho escondido na hora em que passa o filme; de flor catada no muro e entregue de repente; de poesia de Fernando Pessoa, Vinícius de Moraes ou Chico Buarque lida bem devagar; de gargalhada quando fala junto ou descobre meia rasgada; de ânsia enorme de viajar junto para a Escócia ou mesmo de metrô, bonde, nuvem, cavalo alado, tapete mágico ou foguete interplanetário.
Não tem namorado quem não gosta de dormir agarrado, de fazer cesta abraçado, fazer compra junto.
Não tem namorado quem não gosta de falar do próprio amor, nem de ficar horas e horas olhando o mistério do outro dentro dos olhos dele, abobalhados de alegria pela lucidez do amor.
Não tem namorado quem não redescobre a criança própria e a do amado e sai com ela para parques, fliperamas, beira – d’água, show do Milton Nascimento, bosques enluarados, ruas de sonhos ou musical da Metro.
Não tem namorado quem não tem música secreta com ele, quem não dedica livros, quem não recorta artigos; quem gosta sem curtir; quem curte sem aprofundar.
Não tem namorado quem nunca sentiu o gosto de ser lembrado de repente no fim de semana, na madrugada, ou meio-dia do dia de sol em plena praia cheia de rivais.
Não tem namorado quem ama sem se dedicar; quem namora sem brincar; quem vive cheio de obrigações; quem faz sexo sem esperar o outro ir junto com ele.
Não tem namorado quem confunde solidão com ficar sozinho e em paz.
Não tem namorado quem não fala sozinho, não ri de si mesmo e quem tem medo de ser afetivo.
Se você não tem namorado porque não descobriu que o amor é alegre e você vive pesando duzentos quilos de grilos e medos, ponha a saia mais leve, aquela de chita e passeie de mãos dadas com o ar. Enfeite-se com margaridas e ternuras e escove a alma com leves fricções de esperança. De alma escovada e coração estouvado, saia do quintal de si mesmo e descubra o próprio jardim.
Acorde com gosto de caqui e sorria lírios para quem passe debaixo de sua janela. Ponha intenções de quermesse em seus olhos e beba licor de contos de fada. Ande como se o chão estivesse repleto de sons de flauta e do céu descesse uma névoa de borboletas, cada qual trazendo uma pérola falante a dizer frases sutis e palavras de galanteria.
Se você não tem namorado é porque ainda não enlouqueceu aquele pouquinho necessário a fazer a vida parar e de repente parecer que faz sentido. ENLOU-CRESÇA.

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O amor e o amor plagiado

Sobre o texto anterior, “Pequeno tratado sobre a mortalidade do amor” escreve Alexandre Inagaki, autor do blog Pensar Enlouquece. Pense Nisso.: Originalmente postado em seu blog e posteriormente reproduzido no Digestivo Cultural e colado aqui :)


O amor e o amor plagiado

Agora como me tornei um autor (des)conhecido
e fui parar em um anexo de PowerPoint

Alexandre Inagaki

Há tempos não publico ficções no meu blog, optando por deixá-las guardadas em uma gaveta nada virtual, por dois motivos principais. O primeiro é o fato de que há na blogosfera diversos escritores mais inspirados do que eu (dois bons exemplos: Fabio Danesi Rossi eDennis D. ). O segundo é a praga virtual que infesta há tempos a Internet: a mania que certas pessoas têm de se apropriar de textos alheios. Enquanto alguns acrescentam sua assinatura a textos que jamais escreveram (e nem seriam capazes de), outros atribuem a escritores conhecidos a autoria de versos e prosas alheios.

Tão inacreditável quanto a conduta daqueles que adulteram a autoria de textos é tentar entender como é que existem pessoas que crêem piamente que um escritor como Luis Fernando Veríssimo teria sido capaz de escrever uma crônica com o sutilíssimo título “Um Dia de Merda”. Enfim, coisas de uma nação de analfabetos funcionais, que lêem e interpretam textos com neurônios apáticos e apaziguados. Acham um artigo bonitinho ou engraçadinho, decidem reencaminhá-lo via e-mail para sua lista de contatos ou copiá-lo em seus blogs e mal se preocupam com detalhes “secundários” como dar os devidos créditos do texto que tanto apreciaram.

Tempos estranhos. Fama virtual é escrever um texto e vê-lo atribuído a Clarice Lispector, Arnaldo Jabor ou Herbert Vianna, isso quando você não se torna o tal do “autor desconhecido”. Eu, por exemplo, já perdi a conta de quantas vezes vi contos, crônicas, artigos e poemas meus sendo publicados em sites como se fossem escritos por outros. São situações pra lá de chatas, que no entanto são inevitáveis a qualquer um que se disponha a usar a Internet como meio de publicação.

Semanas atrás, por exemplo, fui surpreendido ao receber o forward de um arquivo de PowerPoint baseado em minha crônica “Pequeno Tratado sobre a Mortalidade do Amor” (texto acima), publicada pela primeira vez em novembro de 2000. Além do choque que sofri ao ver palavras transpostas para esta que é a mais infame das interfaces de um texto, ainda tive o desprazer de constatar que o zé mané que manipulou minha crônica adulterou-a completamente, mudando ou acrescentando sentenças inteiras ao seu bel-prazer. Os trechos mais irônicos, a discreta citação a um poema de T. S. Eliot, a piada sobre “amores inteligentes” ou a referência à fase decadente de Elvis Presley foram tolhidos, e em seu lugar foram incluídas frases típicas de livrecos de auto-ajuda, do tipo “o amor é simplesmente o resultado concreto de um relacionamento maduro e crescente entre duas pessoas”. Mas, pior do que ver meu texto retalhado e deturpado, foi encontrar essa versão apócrifa reproduzida na Web em sites entuchados com gifs animados e arquivos mid: de que desgosto.

O que fazer para atenuar os danos causados por tais aberrações? Antes de mais nada, é bom saber que os direitos autorais são regulados no Brasil pela Lei 9.610/98 , que afirma: “É expressamente vedada, sob pena de serem tomadas as medidas judiciais cabíveis, a reprodução, publicação, distribuição e/ou o uso indevido de qualquer dos textos ora em questão, seja na íntegra ou em partes, sem o expresso consentimento e concordância por escrito dos respectivos autores”. Mas só o conhecimento da lei não basta: a fim de resguardar seus direitos, todo autor deve registrar oficialmente suas criações na Biblioteca Nacional (clique aqui para saber como fazer isso).

Vale a pena registrar ainda a observação da jornalista e professora Tina Andrade, que em seu artigo “Copy-paste: na web plágio (ainda) é muito relativo “, escreve: “O poder das networks está disparando e, na minha modestíssima opinião, a melhor maneira de evitar o plágio ainda é, foi e sempre será tornar a sua obra pública para o maior número de pessoas possível! Basta saber transformar internautas-de-carteirinha, ‘listeiros’, leitores assíduos, formadores de opinião em fiéis escudeiros… Como? Relacionamento: transparente, bem-humorado, interessante. Porque o bom quando se fala em web é mesmo saber lidar com gente”. Outra dica é aproveitar os recursos do Copyscape , site que dedura plagiadores de textos. Seu funcionamento é simples: você acessa a página, digita a URL de seu blog ou site e inicia a busca. Em poucos segundos o Copyscape rastreará a Internet em busca de outros sites que tenham copiado excertos de seus escritos.

A propósito: se você gostou de algum texto que escrevi e deseja republicá-lo em algum site, sinta-se à vontade para reproduzi-lo, desde que respeitando as normas do Creative Commons . Last, but not least: e nada de anexos e de PowerPoint, por favor…



Alexandre Inagaki
São Paulo, 8/12/2004

Clonagem de textos

No dia 28 de maio de 2001, em sua extinta coluna no Almas Gêmeas, Martha Medeiros escreveu sobre o assunto (ou parte dele):

CLONAGEM DE TEXTOS

Martha Medeiros

A internet aproxima amigos e divulga informação: só é nociva à medida que as pessoas são, elas próprias, nocivas. Infelizmente, uma destas nocividades tem se manifestado em forma de desrespeito ao direito autoral.

Circula pela internet um texto meu sobre saudade, chamado A dor que dói mais, publicada aqui no Almas Gêmeas e no meu livro Trem-Bala, assinado por Miguel Falabella, inclusive com uns enxertos vulgares, licença-poética que o “co-autor”, seja quem for, se permitiu. Também andou circulando um texto meu chamado As razões que o amor desconhece, desta vez creditado a Roberto Freire. No Dia Internacional da Mulher, a apresentadora Olga Bongiovanni, da TV Bandeirantes, gentilmente leu no ar o meu texto O Mulherão, e em seguida o disponibilizou no site do programa, onde pude constatar alguns parágrafos adicionados por algum outro co-autor ávido por fazer sua singela contribuição. A produção corrigiu o erro assim que foi avisada. Quem controla isso?

Imagino que essa apropriação indevida venha lesando diversos outros cronistas, que por dever de ofício produzem textos diariamente, tornando-se inviável o registro de cada um deles. A fiscalização fica por conta do leitor, que, conhecendo o estilo do escritor, pode detectar sua autenticidade.

Não chega a ser um crime hediondo e também não é novo. Credita-se a Borges um texto sobre como ele viveria se pudesse nascer de novo, que os estudiosos da sua obra negam a autoria, e Garcia Marquez, pouco tempo atrás, teve que desmentir ser ele o autor de um manifesto meloso que andou circulando entre os internautas. Luis Fernando Verissimo também andou negando a autoria de um texto sobre drogas, que assinaram como se fosse dele. Todas as pessoas que escrevem estão e sempre estiveram vulneráveis a esses enganos, involuntários ou não, mas não há dúvida de que a internet, pela facilidade e rapidez de divulgação de e-mails, massificou a rapinagem.

Perde com isso, primeiramente, o autor, que vive de seu trabalho e que fica à mercê de ter suas palavras e pensamentos transferidos para outro nome ou adulterados: não são poucos os que acrescentam sua própria idéia ao texto e mantém o nome do autor verdadeiro, pouco se importando em corromper a legitimidade da obra. E perde também o leitor, que é enganado na sua crença e que poderá vir a passar por desinformado. Viva a internet, mas que os gatunos virtuais tratem de produzir eles mesmos suas próprias verdades.

Desabafo de Cris Passinato

Desabafo de Cris Passinato

Preciso de sua ajuda!

Está ocorrendo há dois anos um grande engano: um texto meu está circulando como se fosse de autoria de Charles Chaplin. Sinto-me vaidosa e lisonjeada a ser comparada a tal artista, mas de qualquer modo, é necessário corrigir tal engano. Por isso, por favor, peço a sua compreensão, ajuda e divulgação do titulo correto e a autoria…

Eu fiz uma busca no Yahoo que dá em 955 ocorrências de sites. É muita coisa e meus amigos poetas estão também me ajudando muito nesta tarefa. Acontece que os webmaster recebem muitas vezes via e-mail vários textos do tipo: autor desconhecido, e, assim, outros autores sendo confundidos. Há pouco, tivemos um exemplo de uma crônica escrita por alguém que se intitulou ou trocaram o autor como se fosse o jornalista Arnaldo Jabor, Faz Parte e no Manhattan Connection. O “Jaba” mandou ver nos internautas sem saber realmente o que ocorre, porque realmente é triste vermos o nosso nome veiculado de uma forma indevida, ou mesmo se não colocam os créditos de nossos trabalhos em algum lugar. Imagine eu com essa troca de autoria

Tentando provar que não é do Chaplin e sim meu o texto, às vezes tenho que escanear minha agenda antiga para mostrar, e, assim mesmo, pouca credibilidade tenho, porque poderia tê-lo copiado. Peço aos companheiros que façam buscas a sites de universidades e, aos pesquisadores da área de letras e cinema, que estudam e publicam na internet sobre a vida de Chaplin. Com certeza não encontrarão tal poesia na obra dele..Os textos de Chaplin são na maioria das vezes narrativos e assim mesmo, quando traduzidos não teriam tal harmonia, só se eu tivesse um domínio muito bom do inglês e o estudasse muito para fazer tão boa tradução, o que não é nem de longe o meu caso.

Infelizmente ainda não tive como pagar o registro dos direitos autorais de minhas poesias, mas tenho uma amiga que esta me ajudando quanto a esse problema e tão logo eu possa publicarei um livro impresso e até quem sabe um e-book. Senti uma enorme sensação de perda, de roubo, mesmo confundida com um consagrado Gênio, que está morto e que admiro muito também. São quase 1000 páginas publicando minha poesia como se fosse de Chaplin e até mesmo no site da CBN o jornalista Reinaldo (esqueci o sobrenome) em sua coluna no site colocou duas poesias minhas, com autoria do ator; mas, “Preciso deAlguém” (às vezes confundida por títulos como Amizade e Preciso de Alguém Como Você) e “Sorria…” são poesias minhas e referem-se, inclusive, a situações vividas por mim.

Sabendo do seu interesse no assunto, se puder repassar esse depoimento eu agradeceria muito.

Um abraço
Cristiana Passinato
ICQ 44500248
www.poesiasdacris.cjb.net

O Dia em que virei Spam!

Depoimento de Patricia Daltro ao Jornal do Blogueiro
sobre o texto “Querido Diário”, disponível aqui no post anterior:

Edição de Terça-feira, Novembro 18, 2003

O Dia em que virei Spam!
Por Patricia Daltro. *

“Abro o e-mail de manhã. Como aumentar seu pênis, ganhe dinheiro fácil, faça um curso de sexo tântrico on line, lixo, lixo, lixo, epa! Diário de uma Gorda, parece ser interessante, paro para ler. Heim? Mas esse texto está me soando familiar. Claro! Fui eu que escrevi!!! E foi assim que descobri que havia virado Spam.

Ueba que meus 15 minutinhos de fama finalmente aconteceram. TV Globo me aguarde, mas… meu nome não estava lá. Nem o endereço do blog. Meu texto estava assinado por um tal de Autor Desconhecido, sujeito muito importante na internet, afinal todo dia recebo um texto dele.

Respondo a lista, informando que eu sou a autora do tal texto. Embora pareça uma pobre crônica abandonada ela tem pai e mãe, que a amam muito, oras! Volto aos meus afazeres. Assunto encerrado.

Não demora muito, recebo outra enxurrada de lixo eletrônico, no meio daquilo vejo o e-mail de uma amiga, que também está informando em outra lista que o texto é da minha autoria. De repente, começo a ficar preocupada. Coloco um recado no blog, para que as pessoas que lá passam, saibam que se receber o texto com um frango dançando can-can, avisem a lista que ele não é cachorro sem-dono.

A Bia me informa que também recebeu um e-mail com o tal texto. Onze horas da manha, e três listas diversas contendo minha crônica, passeiam impunemente pela rede. Todas elas sem dizer nome e origem! Consulto o Google, e para minha surpresa, aparecem mais de 400 referências ao dito cujo! E em apenas uma delas, a que se refere ao meu blog, indica que fui eu que escrevi.

Sou masoquista, confesso, e sou o próprio gato morto por curiosidade do ditado. Então começo a entrar em alguns desses blogs. Uns continuam com o tal Autor Desconhecido, (gostaria de conhecer esse cara, ele escreve muito!), outros dizem ser os autores. Tem uma meia-dúzia que afirma ser da Heloisa Perrisé! Tá bom, tá bom, fiquei meio envaidecida com essa comparação. Afinal, ela é uma global!

Lá pelas tantas, já estou me divertindo. Vejo a crônica de diversas maneiras, alguns mudaram o título, a mais engraçada é o Diário de uma Executiva, eita que meu bolso agradeceria muito se isso fosse verdade! Mas, ninguém tirou o frango dançarino de can-can, isso para mim, foi importante, afinal ele é um grande amigo meu!

Gostaria de que esse texto fosse mais um dos meus contos, uma alegre brincadeira sobre um dos muitos fantasmas da internet. Mas, não é. O texto Querido Diário, postado aqui no dia 9 de outubro virou Spam. E pior, foi colocado em vários blogs como de outros autores. Isso é sério. É ilegal. Todos os textos lá escritos são registrados na Biblioteca Nacional. Utilizá-los sem a devida autorização, implica em multas e penalidades outras.

Essa é a parte legal, no sentido jurídico da palavra. Mas, existe a parte do respeito. Tanto eu quanto a Criatura, nunca proibimos ninguém de pegar um dos textos ou desenhos aqui postados, só pedimos que cite a origem e a autoria. Essa sempre foi a nossa política, e quem vem sempre aqui, sabe disso. E respeita. Por isso eu realmente fiquei chateada com esse fato.

Faço malabarismos com o tempo, para escrever um texto novo aqui, todo dia. Trabalho oito horas diárias, estamos endividados até o último fio do cabelo, a vida anda uma M*, mas eu reservo sempre um tempinho, em que afasto tudo ao redor, para escrever. Não só por mim, mas para todos os que vem aqui. Às vezes, acordo de madrugada e fico ali, em frente ao computador, matutando causos para contar. Experimentando palavras, saboreando frases, tudo para chegar a um prato que possa agradar ao paladar de quem por aqui passa.

E agora, esse travo amargo na boca. Desculpem-me todos os amigos e visitantes “da casa”, mas hoje a comida azedou. ”

*Patricia Daltro é escritora e mantém o blog A Criatura e a Moça com o marido, o ilustrador Marcelo Daltro.