Author Archive: Vanessa Lampert

Depois de um tempo (Aprender)


Texto-Frankenstein

Circula na internet um texto intitulado “Aprender”, creditado a William Shakespeare. Colo abaixo minha resposta ao e-mail de um leitor que queria confirmar se o texto era ou não de Shakespeare:

Olha, existe uma entidade desconhecida que distorce e alonga textos de autores pouco conhecidos e cola o nome de escritores mais conhecidos, para dar credibilidade. O texto que você me enviou é largamente atribuído a Shakespeare, mas você deve ter estranhado o tom “auto-ajúdico” quase adolescente da mensagem e algo lá dentro gritou: “cara, isso não pode ser Shakespeare!”. Você tem razão. É uma coletânea. Ou um “Texto-Frankenstein”, como costumo chamar, cuja base é um poema de Esse é um poema de Veronica Shoffstall (“After a While”, ou “Depois de um Tempo”), de 1971. Também conhecido por “Comes the Dawn”.

Boa lembrança, vou adicionar este texto ao catálogo do Autor Desconhecido. Valeu!

Abaixo vai o poema que originou o texto-Frank, para você conferir.


After a while

Veronica Shoffstall

After a while you learn
the subtle difference between
holding a hand and chaining a soul
and you learn
that love doesn’t mean leaning
and company doesn’t always mean security.
And you begin to learn
that kisses aren’t contracts
and presents aren’t promises
and you begin to accept your defeats
with your head up and your eyes ahead
with the grace of woman, not the grief of a child
and you learn
to build all your roads on today
because tomorrow’s ground is
too uncertain for plans
and futures have a way of falling down
in mid-flight.
After a while you learn
that even sunshine burns
if you get too much
so you plant your own garden
and decorate your own soul
instead of waiting for someone
to bring you flowers.
And you learn that you really can endure
you really are strong
you really do have worth
and you learn
and you learn
with every goodbye, you learn.


A verdadeira tradução:

Depois de um tempo

Veronica Shoffstall

Depois de um tempo você aprende
a sutil diferença entre
segurar uma mão e acorrentar uma alma
e você aprende
que amar não significa apoiar-se
e companhia não quer sempre dizer segurança
e você começa a aprender
que beijos não são contratos
e presentes não são promessas
e você começa a aceitar suas derrotas
com sua cabeça erguida e seus olhos adiante
com a graça de mulher, não a tristeza de uma ciança
e você aprende
a construir todas as estradas hoje
porque o terreno de amanhã é
demasiado incerto para planos
e futuros têm o hábito de cair
no meio do vôo
Depois de um tempo você aprende
que até mesmo a luz do sol queima
se você a tiver demais
então você planta seu próprio jardim
e enfeita sua própria alma
ao invés de esperar que alguém lhe traga flores
E você aprende que você realmente pode resistir
você realmente é forte
você realmente tem valor
e você aprende
e você aprende
com cada adeus, você aprende.




E uma das versões do texto- Frankenstein:

Aprender

Depois de algum tempo você aprende a diferença,
A sutil diferença entre dar a mão e acorrentar uma alma.
E você aprende que amar não significa apoiar-se,
E que companhia nem sempre significa segurança.
E começa a aprender que beijos não são contratos
E presentes não são promessas.
E começa a aceitar suas derrotas
Com a cabeça erguida e olhos adiante,
Com a graça de um adulto
E não com a tristeza de uma criança.
E aprende a construir todas as suas estradas no hoje,
Porque o terreno do amanhã
É incerto demais para os planos,
E o futuro tem o costume de cair em meio ao vão.
Depois de um tempo você aprende
Que o sol queima se ficar exposto por muito tempo.
E aprende que não importa o quanto você se importe,
Algumas pessoas simplesmente não se importam…
E aceita que não importa quão boa seja uma pessoa,
Ela vai feri-lo de vez em quando E você precisa perdoá-la por isso.
Aprende que falar pode aliviar dores emocionais.
Descobre que se leva anos para se construir confiança
E apenas segundos para destruí-la,
E que você pode fazer coisas em um instante,
Das quais se arrependerá pelo resto da vida.
Aprende que verdadeiras amizades
Continuam a crescer mesmo a longas distâncias.
E o que importa não é o que você tem na vida,
Mas quem você tem na vida.
E que bons amigos são a família
Que nos permitiram escolher.
Aprende que não temos que mudar de amigos
Se compreendemos que os amigos mudam,
Percebe que seu melhor amigo e você
Podem fazer qualquer coisa, ou nada,
E terem bons momentos juntos.
Descobre que as pessoas
Com quem você mais se importa na vida
São tomadas de você muito depressa,
Por isso sempre devemos deixar
As pessoas que amamos com palavras amorosas,
Pode ser a última vez que as vejamos.
Aprende que as circunstâncias e os ambientes
Têm influência sobre nós,
Mas nós somos responsáveis por nós mesmos.
Começa a aprender Que não se deve comparar com os outros,
Mas com o melhor que pode ser.
Descobre que se leva muito tempo
Para se tornar a pessoa que quer ser,
E que o tempo é curto. Aprende que não importa aonde já chegou,
Mas onde está indo.
Mas se você não sabe para onde está indo,
Qualquer lugar serve.
Aprende que, ou você controla seus atos
Ou eles o controlarão,
E que ser flexível não significa
Ser fraco ou não ter personalidade,
Pois não importa quão delicada e frágil
Seja um situação, Sempre existem dois lados.
Aprende que heróis são pessoas
Que fizeram o que era necessário fazer,
Enfrentando as conseqüências.
Aprende que paciência requer muita prática.
Descobre que algumas vezes
A pessoas que você espera que o chute quando você cai
É uma das poucas que o ajudam a levantar-se.
Aprende que maturidade tem mais a ver
Com os tipos de experiência que se teve
E o que você aprendeu com elas
Do que com quantos aniversários você já celebrou.
Aprende que há mais dos seus pais em você
Do que você supunha.
Aprende que nunca se deve dizer a uma criança
Que sonhos são bobagens,
Poucas coisas são tão humilhantes
E seria uma tragédia se ela acreditasse nisso.
Aprende que quando está com raiva
Tem o direito de estar com raiva,
Mas isso não te dá o direito de ser cruel.
Descobre que só porque alguém não o ama
Do jeito que você quer que ame,
Não significa que esse alguém
Não o ame com tudo o que pode,
Pois existem pessoas que nos amam,
Mas simplesmente não sabem
Como demonstrar ou viver isso.
Aprende que nem sempre é suficiente
Ser perdoado por alguém,
Algumas vezes você tem que aprender
A perdoar-se a si mesmo.
Aprende que com a mesma severidade com que julga,
Você será em algum momento condenado.
Aprende que não importa
Em quantos pedaços seu coração foi partido,
Mundo não pára para que você o conserte.
Aprende que o tempo não é algo
Que possa voltar para trás,
Portanto, plante seu jardim e decore sua alma,
Ao invés de esperar que alguém lhe traga flores.
E você aprende que realmente pode suportar…
Que realmente é forte,
E que pode ir muito mais longe
Depois de pensar que não se pode mais.
E que realmente a vida tem valor
E que você tem valor diante da vida!
Nossa dádivas são traidoras
E nos fazem perder
O bem que poderíamos conquistar,
Se não fosse o medo de tentar
——-

URGH!!!!!!!

Isso é, definitivamente, uma praga. Daquelas que destroem civilizações… será que um dia conseguiremos acabar com essa desgraça? Por favor, não repassem esse texto-Frank, alterado. Se quiserem repassar ou publicar, use o original ou a tradução do original, creditada à Veronica Shoffstall.

O Perigo do Pão


O texto abaixo foi retirado do site www.perigodopao.com.br, é uma tradução. O texto original foi retirado daqui, atribuído a um certo “B.S. Wheatberry”, traduzido por Pinatubo e recebeu modificações pelo Knuttz, do site http://ueba.com.br. Finalmente alguém que modifica e assume a autoria da modificação, dando nome aos bois.

Antes que o texto vire spam, me antecipo, facilitando quem busca autoria por aqui:

O Perigo do Pão
Bread is Dangerous – B.S Wheatberry
Tradução: Pinatubo
Versão Brasileira: Knuttz

Pesquisas Sobre O Pão Indicam Que:

1. 100% dos consumidores de pão acabam MORTOS.

2. 98,3% dos presidiários que cumprem pena por crimes violentos, são usuários de pão.

3. 85,2% de todos os alunos do ensino médio que obtém resultados insatisfatórios nas provas, consomem pão diariamente.

4. No século XVIII, quando todo o pão era preparado nas próprias residências, a expectativa de vida média era de menos de 50 anos. As taxas de mortalidade infantil eram absurdamente elevadas, muitas mulheres morreram no parto e doenças tais como a febres, tifóide, amarela, e surtos de gripe dizimaram cidades inteiras.

5. 92,7% dos crimes violentos são cometidos dentro de 24 horas depois da ingestão de pão.

6. O pão é feito basicamente de farinha de trigo. Está provado que menos de 500 gramas de farinha de trigo são suficientes para sufocar um rato. O indivíduo médio, que consome em média dois pães de cinqüenta gramas por dia, terá ingerido no final do mês farinha suficiente para ter matado seis ratos.

7. Sociedades tribais primitivas que não fazem uso do pão, apresentam baixa incidência, de câncer, do Mal de Alzheimer, de Parkinson e da osteoporose.

8. Está provado estatística e cientificamente que o uso do pão, causa dependência física e mental. Pesquisa feita em voluntários, revelou que 99,8% daqueles que foram submetidos a uma dieta forçada somente à base de água, imploraram por pão, em três dias ou menos.

9. O pão é um alimento freqüentemente utilizado em conjunto com outros alimentos pesados e prejudiciais à saúde, tais como a manteiga, queijo, geléia e aos embutidos ricos em gorduras e colesterol.

10. Testes científicos comprovaram que o pão absorve a água. Partindo do princípio que o mais 90 % corpo humano é água, todo aquele que ingere pão, corre o risco de sofrer desidratação grave.

11. O pão é assado em fornos cujas temperaturas são mantidas acima de 200º Celsius. Essa temperatura pode matar um indivíduo adulto em menos de um minuto.

12. 58% dos indivíduos que consomem pão, são totalmente incapazes de distinguir entre fatos científicos comprovadamente significativos e baboseiras estatísticas sem sentido e manipuladas, como essa.

Preciso de Alguém

Este texto circula pela net atribuído a Charles Chaplin, mas sua autora é Cristiana Passinato. Com uma indignação mais do que justa, ela tenta, sozinha, fazer por seu texto o trabalho que fazemos aqui, buscando alertar os sites que inadvertidamente colocam a autoria trocada (ou o tal “Autor Desconhecido”) para que dêem os créditos à verdadeira autora do texto. A impressão é que somos formiguinhas lutando contra um polvo gigante. Mas quanto mais formigas formos, menor fica o polvo. Não repassemos textos sem autor, e chequemos a autoria de todos os textos que decidamos passar ou publicar. Não é difícil, não tira pedaço, é questão de respeito e ainda faz um escritor feliz :)

“Preciso de Alguém
Cris Passinato

Que me olhe nos olhos quando falo.
Que ouça as minhas tristezas e neuroses com paciência.
E, ainda que não compreenda, respeite os meus sentimentos.
Preciso de alguém, que venha brigar ao meu lado sem precisar ser convocado;
alguém Amigo o suficiente para dizer-me as verdades que não quero ouvir,
mesmo sabendo que posso odiá-lo por isso.
Nesse mundo de céticos, preciso de alguém que creia,
nessa coisa misteriosa, desacreditada, quase impossível: A Amizade.
Que teime em ser leal, simples e justo, que não vá embora se algum dia eu
perder o meu ouro e não for mais a sensação da festa.
Preciso de um Amigo que receba com gratidão o meu auxílio, a minha mão estendida.
Mesmo que isto seja muito pouco para suas necessidades.
Preciso de um Amigo que também seja companheiro, nas farras e pescarias,
nas guerras e alegrias, e que no meio da tempestade, grite em coro comigo :
” Nós ainda vamos rir muito disso tudo ” e ria muito.
Não pude escolher aqueles que me trouxeram ao mundo, mas posso escolher meu Amigo.
E nessa busca empenho a minha própria alma, pois com uma Amizade
Verdadeira, a vida se torna mais simples, mais rica e mais bela .”

.

PS: O site da Cris é: www.poesiasdacris.cjb.net

Raridade


Esse tipo de recado em um site que faz coletânea de textos é extremamente raro, por isso sinto-me na obrigação de publicar e dar os parabéns à Liz, que gerencia o site Textos Legais. Lembrando que costumo ser atendida em meus pedidos para troca de créditos, mas algumas vezes sou totalmente ignorada por webmasters e blogueiros que não têm o mínimo respeito pelo trabalho alheio e acham que só porque o texto está na internet, é de domínio público. Infelizmente no site da Liz ainda tem textos do Autor Desconhecido (por mim esses textos ficariam na geladeira até que se descobrisse a paternidade, para evitar a disseminação, mas ao menos ela vai adicionando o nome do verdadeiro autor à medida em que descobre. Só isso já me faz perdoá-la por publicar os textos do Sr Desconhecido…risos…). Aí vai o recado da Liz, ao final de cada página do seu site:

“Prezado leitor,

Se você ler algum texto com autoria incorreta, ou se algum texto estiver como “desconhecido” e você souber a autoria, agradeceria muito se me enviasse um e-mail para que eu possa corrigir o erro: lizluz@gmail.com

Faça você também sua parte, nunca repasse um texto sem autoria e corrija sempre que notar algum equívoco.

Vamos acabar com essa praga virtual que tem infestado a Internet: a apropriação de textos alheios ou inserção de nomes mais conhecidos em textos de autores que julgamos que poucos conhecem. ”

.

Ei! Sorria!

Mais um da Cris Passinato, que circula como sendo de Chaplin ou do Mr. Desconhecido

“Ei! Sorria!!!

Cris Passinato

Sorria.
Mas não se esconda atrás deste sorriso.
Mostre aquilo que você é. Sem medo.

Existem pessoas que sonham.
Viva.
Tente.
Felicidade é o resultado desta tentativa.

Ame acima de tudo.
Ame a tudo e a todos.
Não faça dos defeitos uma distância e, sim uma aproximação.

Aceite A vida, as pessoas.
Faça delas a sua razão de viver.
Entenda os que pensam diferentemente de você.
Não os reprove.

Olhe à sua volta, quantos amigos…
Você já tornou alguém feliz?
Ou fez alguém sofrer com o seu egoísmo?

Não corra…
Para que tanta pressa?
Corra apenas para dentro de você.
Sonhe, mas não transforme esse sonho em fuga.
Acredite!
Espere!

Sempre deve haver uma esperança.
Sempre brilhará uma estrela.
Chore!
Lute!

Faça aquilo que você gosta.
Sinta o que há dentro de você.

Ouça… Escute o que as pessoas têm a lhe dizer.
É importante.
Faça dos obstáculos degraus para aquilo que você acha supremo.
Mas não esqueça daqueles que não conseguiram subir a escada da vida.

Descubra aquilo de bom dentro de você.
Procure acima de tudo ser gente. Eu também vou tentar.

Hei, você…
Não vá embora.
Eu preciso lhe dizer que você pode e deve ser feliz…
Porque você existe!

Ei, ouça …
Escute o que as pessoas têm a lhe dizer…
É importante!

Faça dos obstáculos degraus para aquilo que você acha supremo.
Mas não esqueça daqueles que não conseguiram subir a escada da vida.

Ei, descubra aquilo de bom dentro de você.
Procure acima de tudo ser gente.
Eu também vou tentar.

Ei, você …
Não vá embora.
Eu preciso lhe dizer que você pode e deve ser feliz …
Porque você existe!”

Desabafo de Cris Passinato

Desabafo de Cris Passinato

Preciso de sua ajuda!

Está ocorrendo há dois anos um grande engano: um texto meu está circulando como se fosse de autoria de Charles Chaplin. Sinto-me vaidosa e lisonjeada a ser comparada a tal artista, mas de qualquer modo, é necessário corrigir tal engano. Por isso, por favor, peço a sua compreensão, ajuda e divulgação do titulo correto e a autoria…

Eu fiz uma busca no Yahoo que dá em 955 ocorrências de sites. É muita coisa e meus amigos poetas estão também me ajudando muito nesta tarefa. Acontece que os webmaster recebem muitas vezes via e-mail vários textos do tipo: autor desconhecido, e, assim, outros autores sendo confundidos. Há pouco, tivemos um exemplo de uma crônica escrita por alguém que se intitulou ou trocaram o autor como se fosse o jornalista Arnaldo Jabor, Faz Parte e no Manhattan Connection. O “Jaba” mandou ver nos internautas sem saber realmente o que ocorre, porque realmente é triste vermos o nosso nome veiculado de uma forma indevida, ou mesmo se não colocam os créditos de nossos trabalhos em algum lugar. Imagine eu com essa troca de autoria

Tentando provar que não é do Chaplin e sim meu o texto, às vezes tenho que escanear minha agenda antiga para mostrar, e, assim mesmo, pouca credibilidade tenho, porque poderia tê-lo copiado. Peço aos companheiros que façam buscas a sites de universidades e, aos pesquisadores da área de letras e cinema, que estudam e publicam na internet sobre a vida de Chaplin. Com certeza não encontrarão tal poesia na obra dele..Os textos de Chaplin são na maioria das vezes narrativos e assim mesmo, quando traduzidos não teriam tal harmonia, só se eu tivesse um domínio muito bom do inglês e o estudasse muito para fazer tão boa tradução, o que não é nem de longe o meu caso.

Infelizmente ainda não tive como pagar o registro dos direitos autorais de minhas poesias, mas tenho uma amiga que esta me ajudando quanto a esse problema e tão logo eu possa publicarei um livro impresso e até quem sabe um e-book. Senti uma enorme sensação de perda, de roubo, mesmo confundida com um consagrado Gênio, que está morto e que admiro muito também. São quase 1000 páginas publicando minha poesia como se fosse de Chaplin e até mesmo no site da CBN o jornalista Reinaldo (esqueci o sobrenome) em sua coluna no site colocou duas poesias minhas, com autoria do ator; mas, “Preciso deAlguém” (às vezes confundida por títulos como Amizade e Preciso de Alguém Como Você) e “Sorria…” são poesias minhas e referem-se, inclusive, a situações vividas por mim.

Sabendo do seu interesse no assunto, se puder repassar esse depoimento eu agradeceria muito.

Um abraço
Cristiana Passinato
ICQ 44500248
www.poesiasdacris.cjb.net

A IMPONTUALIDADE DO AMOR

Martha Medeiros rides again

Ok, eu vou fazer um estudo sério para entender por que raios essa mulher tem o poder de se transformar em Luis Fernando Verissimo e Mário Quintana na internet com tanta facilidade? Depois de tantas amostras, é só eu bater o olho em um texto creditado ao Verissimo, ao Jabor, ao Quintana ou ao tal Desconhecido para saber que é dela. Mas esse não foi bolinho… algumas versões estavam tão alteradas, com anexos imensos no final para deixar o texto no estilo “auto-ajuda” que ficou meio difícil identificar o que era original e o que era acrescentado. Em outras o acréscimo era tão grotesco, tão mal escrito, que não foi nada complicado. Agora aprendi: na dúvida, vou direto no Almas Gêmeas, que parece ser a fonte de spammers. Este texto foi publicado em 12 de maio de 1998, lá. Quando um texto pula para a caixa de e-mail de alguém as chances de ele ser mutilado, distorcido e virar outra coisa nada a ver com autoria amputada aumenta exponencialmente. E talvez o botãozinho “envie esta mensagem para um amigo” disponível na ex-coluna dela no Almas Gêmeas seja parcialmente culpado por isso…

A IMPONTUALIDADE DO AMOR
Martha Medeiros

Você está sozinho. Você e a torcida do Flamengo. Em frente a tevê, devora dois pacotes de Doritos enquanto espera o telefone tocar. Bem que podia ser hoje, bem que podia ser agora, um amor novinho em folha.

Trimmm! É sua mãe, quem mais poderia ser? Amor nenhum faz chamadas por telepatia. Amor não atende com hora marcada. Ele pode chegar antes do esperado e encontrar você numa fase galinha, sem disposição para relacionamentos sérios. Ele passa batido e você nem aí. Ou pode chegar tarde demais e encontrar você desiludido da vida, desconfiado, cheio de olheiras. O amor dá meia-volta, volver. Por que o amor nunca chega na hora certa?

Agora, por exemplo, que você está de banho tomado e camisa jeans. Agora que você está empregado, lavou o carro e está com grana para um cinema. Agora que você pintou o apartamento, ganhou um porta-retrato e começou a gostar de jazz. Agora que você está com o coração às moscas e morrendo de frio.

O amor aparece quando menos se espera e de onde menos se imagina. Você passa uma festa inteira hipnotizado por alguém que nem lhe enxerga, e mal repara em outro alguém que só tem olhos pra você. Ou então fica arrasado porque não foi pra praia no final de semana. Toda a sua turma está lá, azarando-se uns aos outros. Sentindo-se um ET perdido na cidade grande, você busca refúgio numa locadora de vídeo, sem prever que ali mesmo, na locadora, irá encontrar a pessoa que dará sentido a sua vida. O amor é que nem tesourinha de unhas, nunca está onde a gente pensa.

O jeito é direcionar o radar para norte, sul, leste e oeste. Seu amor pode estar no corredor de um supermercado, pode estar impaciente na fila de um banco, pode estar pechinchando numa livraria, pode estar cantarolando sozinho dentro de um carro. Pode estar aqui mesmo, no computador, dando o maior mole. O amor está em todos os lugares, você que não procura direito.

A primeira lição está dada: o amor é onipresente. Agora a segunda: mas é imprevisível. Jamais espere ouvir “eu te amo” num jantar à luz de velas, no dia dos namorados. Ou receber flores logo após a primeira transa. O amor odeia clichês. Você vai ouvir “eu te amo” numa terça-feira, às quatro da tarde, depois de uma discussão, e as flores vão chegar no dia que você tirar carteira de motorista, depois de aprovado no teste de baliza. Idealizar é sofrer. Amar é surpreender.

A dor que dói mais

Nem Verissimo, nem Jabor, muito menos Miguel Falabella. A autora do texto abaixo é a escritora gaúcha Martha Medeiros. Foi publicada originalmente no dia 20 de Julho de 1998 na coluna que ela mantinha no site “Almas Gêmeas”. Posteriormente algum espírito de porco acrescentou alguns itens ao final do texto e creditou-o ao Falabella. Daí a virar Verissimo e Jabor foi um passo. Aliás, é só um texto dar uma voltinha pela net que já vira Verissimo e Jabor quase que automaticamente. Incrível. Como quase todos os textos surrupiados, este também foi mutilado e distorcido, tendo mais de uma versão em circulação (o que me leva a crer que nem tudo acontece tão “sem querer” quanto a gente prefere acreditar). Abaixo a original, assinada pela autora no Almas Gêmeas.

A DOR QUE DÓI MAIS
Martha Medeiros

Trancar o dedo numa porta dói. Bater com o queixo no chão dói. Torcer o tornozelo dói. Um tapa, um soco, um pontapé, dóem. Dói bater a cabeça na quina da mesa, dói morder a língua, dói cólica, cárie e pedra no rim. Mas o que mais dói é saudade.

Saudade de um irmão que mora longe. Saudade de uma cachoeira da infância. Saudade do gosto de uma fruta que não se encontra mais. Saudade do pai que já morreu. Saudade de um amigo imaginário que nunca existiu. Saudade de uma cidade. Saudade da gente mesmo, que o tempo não perdoa. Dóem essas saudades todas.

Mas a saudade mais dolorida é a saudade de quem se ama. Saudade da pele, do cheiro, dos beijos. Saudade da presença, e até da ausência consentida. Você podia ficar na sala e ele no quarto, sem se verem, mas sabiam-se lá. Você podia ir para o escritório e ele para o dentista, mas sabiam-se onde. Você podia ficar o dia sem vê-lo, ele o dia sem vê-la, mas sabiam-se amanhã. Mas quando o amor de um acaba, ao outro sobra uma saudade que ninguém sabe como deter.

Saudade é não saber. Não saber mais se ele continua se gripando no inverno. Não saber mais se ela continua pintando o cabelo de vermelho. Não saber se ele ainda usa a camisa que você deu. Não saber se ela foi na consulta com o dermatologista como prometeu. Não saber se ele tem comido frango assado, se ela tem assistido as aulas de inglês, se ele aprendeu a entrar na Internet, se ela aprendeu a estacionar entre dois carros, se ele continua fumando Carlton, se ela continua preferindo Pepsi, se ele continua sorrindo, se ela continua dançando, se ele continua surfando, se ela continua lhe amando.

Saudade é não saber. Não saber o que fazer com os dias que ficaram mais compridos, não saber como encontrar tarefas que lhe cessem o pensamento, não saber como frear as lágrimas diante de uma música, não saber como vencer a dor de um silêncio que nada preenche.

Saudade é não querer saber se ele está com outra, e ao mesmo tempo querer. É não querer saber se ela está feliz, e ao mesmo tempo querer. É não querer saber se ele está mais magro, se ela está mais bela. Saudade é nunca mais saber de quem se ama, e ainda assim, doer.

Prefiro ser baleia

Este texto recebi por e-mail como sendo de autor desconhecido. Após uma rápida busca no google, descobri que o texto foi roubado de um blog cuja autora tem nome e sobrenome, embora só revele mesmo o nick: Gabi, do blog Casa da Gabi.

“Ontem vi um outdoor da Runner, com a foto de uma moça de biquíni e a frase: “Neste verão, qual você quer ser? Sereia ou Baleia?”

Respondo: Baleias sempre estão cercadas de amigos. Baleias têm vida sexual ativa, engravidam e têm filhotinhos fofos. Baleias amamentam. Baleias nadam por aí, singrando os mares e conhecendo lugares legais como as banquisas de gelo da Antártida e os recifes de coral da Polinésia. Baleias têm amigos golfinhos. Baleias comem camarão à beça. Baleias esguicham água e brincam muito. Baleias cantam muito bem e têm até CDs gravados. Baleias são enormes e quase não têm predadores naturais. Baleias são lindas e amadas.

Sereias não existem.

Se existissem, viveriam em crise existencial: Sou um peixe ou um ser humano?

Runner, querida, prefiro ser baleia. ”

Gabi, do Casa da Gabi

FELICIDADE REALISTA

A Suely postou esse texto, que recebeu atribuído ao Mário Quintana. É outro clássico da internet e que, para um leitor mais atento, se denuncia no linguajar contemporâneo demais para Quintana. Na verdade o texto é da escritora Martha Medeiros e foi originalmente publicado no site Almas Gêmeas, em 08 de janeiro de 2001

“FELICIDADE REALISTA

Martha Medeiros

De norte a sul, de leste a oeste, todo mundo quer ser feliz. Não é tarefa das mais fáceis. A princípio, bastaria ter saúde, dinheiro e amor, o que já é um pacote louvável, mas nossos desejos são ainda mais complexos.

Não basta que a gente esteja sem febre: queremos, além de saúde, ser magérrimos, sarados, irresistíveis. Dinheiro? Não basta termos para pagar o aluguel, a comida e o cinema: queremos a piscina olímpica, a bolsa Louis Vitton e uma temporada num spa cinco estrelas. E quanto ao amor? Ah, o amor… não basta termos alguém com quem podemos conversar, dividir uma pizza e fazer sexo de vez em quando. Isso é pensar pequeno: queremos AMOR, todinho maiúsculo. Queremos estar visceralmente apaixonados, queremos ser surpreendidos por declarações e presentes inesperados, queremos jantar à luz de velas de segunda a domingo, queremos sexo selvagem e diário, queremos ser felizes assim e não de outro jeito.

É o que dá ver tanta televisão. Simplesmente esquecemos de tentar ser felizes de uma forma mais realista. Por que só podemos ser felizes formando um par, e não como ímpares? Ter um parceiro constante não é sinônimo de felicidade, a não ser que seja a felicidade de estar correspondendo às expectativas da sociedade, mas isso é outro assunto. Você pode ser feliz solteiro, feliz com uns romances ocasionais, feliz com três parceiros, feliz sem nenhum. Não existe amor minúsculo, principalmente quando se trata de amor-próprio.

Dinheiro é uma benção. Quem tem, precisa aproveitá-lo, gastá-lo, usufruí-lo. Não perder tempo juntando, juntando, juntando. Apenas o suficiente para se sentir seguro, mas não aprisionado. E se a gente tem pouco, é com este pouco que vai tentar segurar a onda, buscando coisas que saiam de graça, como um pouco de humor, um pouco de fé e um pouco de criatividade.

Ser feliz de uma forma realista é fazer o possível e aceitar o improvável. Fazer exercícios sem almejar passarelas, trabalhar sem almejar o estrelato, amar sem almejar o eterno. Olhe para o relógio: hora de acordar. É importante pensar-se ao extremo, buscar lá dentro o que nos mobiliza, instiga e conduz, mas sem exigir-se desumanamente. A vida não é um game onde só quem testa seus limites é que leva o prêmio. Não sejamos vítimas ingênuas desta tal competitividade. Se a meta está alta demais, reduza-a. Se você não está de acordo com as regras, demita-se. Invente seu próprio jogo.”

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PS: Fiquei muito feliz em ver que o site mal começou e vocês já estão me dando força. O trabalho é de formiguinha, portanto, preciso de outras formiguinhas para me ajudar no processo. Já tem gente me mandando textos de autoria duvidosa para que eu esclareça e se eu ainda não respondi seu e-mail é porque não tenho certeza sobre a autoria do texto, mas estou procurando. E quem me conhece sabe que sou teimosa…risos… Mas preciso da ajuda de todo mundo, se algum texto seu circula com autoria trocada ou desconhecida, se você recebeu um texto de autoria desconhecida ou duvidosa e não conseguiu descobrir o verdadeiro autor… envie para: autordesconhecido@gmail.com com cópia para vanlampert@gmail.com, para não ter erro.

De qualquer forma, é sempre bom reforçar: não repassem textos de autoria desconhecida. Na verdade eu gostaria de dizer: não repassem textos. Mas como isso é praticamente impossível de conseguir, o ideal é a gente se habituar a fazer uma pesquisa no google para saber se o texto é realmente de quem diz ser. Acreditem ou não, na maioria das vezes não é.

PS2: Perguntei se a Sarah Westphal tinha blog e o Emilio avisou que ela está no Orkut, com o nome “Sarinha Westphal”. O Emilio não sabe, mas eu já sabia disso…risos…vi – olhem só – no blog dele mesmo, após uma pesquisa no google :)

Off-Topic: A propósito, vi uma reportagem sobre o ocorrido na Zero Hora e me surpreendi ao ver o texto transcrito creditado à moça…ou melhor, ao nome inteiro da moça!!! Sarah Westphal Batista da Silva. Quase tão grande quanto o meu (poucos ganham de mim nesse quesito) e quase tão pouco sonoro quanto. Sinceramente, prefiro Sarah Westphal, assim como prefiro Vanessa Lampert ou, em situações extremas, Vanessa Stella Lampert. Por mais estrangeiro que seja o sobrenome, sem dúvida alguma é mais sonoro e mais fácil de lembrar do que Sarah Westphal Batista da Silva ou Vanessa Stella Rodrigues Santana de Resende Lampert. Optar pela praticidade é (quase) sempre a melhor escolha.

Ps do off-topic: Claro, sempre vai ter alguém pronunciando errado, assim como dizem “Vanessa Lampérti”, ao invés do sonoro Lâmper, mas de tanto ouvir todo mundo se acostuma. E o nome dela nem é tão difícil assim…bem menos do que o da Letícia Wierzchowski…aliás, até esse nome eu já decorei…risos…

Quase

Este virou clássico. Atribuído ao Luís Fernando Verissimo, rodou o mundo e foi elogiado na frança. A autora, Sarah Westphal é estudante de medicina e mora em Florianópolis. Aí vai o texto, creditado à escritora certa:

Quase
Sarah Westphal

Ainda pior que a convicção do não e a incerteza do talvez é a desilusão de um quase. É o quase que me incomoda, que me entristece, que me mata trazendo tudo que poderia ter sido e não foi. Quem quase ganhou ainda joga, quem quase passou ainda estuda, quem quase morreu está vivo, quem quase amou não amou. Basta pensar nas oportunidades que escaparam pelos dedos, nas chances que se perdem por medo, nas idéias que nunca sairão do papel por essa maldita mania de viver no outono.

Pergunto-me, às vezes, o que nos leva a escolher uma vida morna; ou melhor não me pergunto, contesto. A resposta eu sei de cór, está estampada na distância e frieza dos sorrisos, na frouxidão dos abraços, na indiferença dos “Bom dia”, quase que sussurrados. Sobra covardia e falta coragem até pra ser feliz. A paixão queima, o amor enlouquece, o desejo trai. Talvez esses fossem bons motivos para decidir entre a alegria e a dor, sentir o nada, mas não são. Se a virtude estivesse mesmo no meio termo, o mar não teria ondas, os dias seriam nublados e o arco-íris em tons de cinza. O nada não ilumina, não inspira, não aflige nem acalma, apenas amplia o vazio que cada um traz dentro de si.

Não é que fé mova montanhas, nem que todas as estrelas estejam ao alcance, para as coisas que não podem ser mudadas resta-nos somente paciência porém,preferir a derrota prévia à dúvida da vitória é desperdiçar a oportunidade de merecer. Pros erros há perdão; pros fracassos, chance; pros amores impossíveis, tempo. De nada adianta cercar um coração vazio ou economizar alma. Um romance cujo fim é instantâneo ou indolor não é romance. Não deixe que a saudade sufoque, que a rotina acomode, que o medo impeça de tentar. Desconfie do destino e acredite em você. Gaste mais horas realizando que sonhando, fazendo que planejando, vivendo que esperando porque, embora quem quase morre esteja vivo, quem quase vive já morreu.”

Algo me diz que essa menina deve ter um blog. Se alguém souber, favor entrar em contato comigo.

UPDATE :

Depois de quatro anos, eis que Sarah Westphal rende-se ao mundo dos blogs. Ela nos deixou, neste post, o seguinte comentário, que repasso, alegremente:

“Antes tarde do que nunca…
Sim, eu tenho um blog.
http://www.papelbaunilha.blogspot.com

Seja bem-vinda à blogosfera, Sarinha! Leitores amigos, façam uma visita à moça.

O Dia em que virei Spam!

Depoimento de Patricia Daltro ao Jornal do Blogueiro
sobre o texto “Querido Diário”, disponível aqui no post anterior:

Edição de Terça-feira, Novembro 18, 2003

O Dia em que virei Spam!
Por Patricia Daltro. *

“Abro o e-mail de manhã. Como aumentar seu pênis, ganhe dinheiro fácil, faça um curso de sexo tântrico on line, lixo, lixo, lixo, epa! Diário de uma Gorda, parece ser interessante, paro para ler. Heim? Mas esse texto está me soando familiar. Claro! Fui eu que escrevi!!! E foi assim que descobri que havia virado Spam.

Ueba que meus 15 minutinhos de fama finalmente aconteceram. TV Globo me aguarde, mas… meu nome não estava lá. Nem o endereço do blog. Meu texto estava assinado por um tal de Autor Desconhecido, sujeito muito importante na internet, afinal todo dia recebo um texto dele.

Respondo a lista, informando que eu sou a autora do tal texto. Embora pareça uma pobre crônica abandonada ela tem pai e mãe, que a amam muito, oras! Volto aos meus afazeres. Assunto encerrado.

Não demora muito, recebo outra enxurrada de lixo eletrônico, no meio daquilo vejo o e-mail de uma amiga, que também está informando em outra lista que o texto é da minha autoria. De repente, começo a ficar preocupada. Coloco um recado no blog, para que as pessoas que lá passam, saibam que se receber o texto com um frango dançando can-can, avisem a lista que ele não é cachorro sem-dono.

A Bia me informa que também recebeu um e-mail com o tal texto. Onze horas da manha, e três listas diversas contendo minha crônica, passeiam impunemente pela rede. Todas elas sem dizer nome e origem! Consulto o Google, e para minha surpresa, aparecem mais de 400 referências ao dito cujo! E em apenas uma delas, a que se refere ao meu blog, indica que fui eu que escrevi.

Sou masoquista, confesso, e sou o próprio gato morto por curiosidade do ditado. Então começo a entrar em alguns desses blogs. Uns continuam com o tal Autor Desconhecido, (gostaria de conhecer esse cara, ele escreve muito!), outros dizem ser os autores. Tem uma meia-dúzia que afirma ser da Heloisa Perrisé! Tá bom, tá bom, fiquei meio envaidecida com essa comparação. Afinal, ela é uma global!

Lá pelas tantas, já estou me divertindo. Vejo a crônica de diversas maneiras, alguns mudaram o título, a mais engraçada é o Diário de uma Executiva, eita que meu bolso agradeceria muito se isso fosse verdade! Mas, ninguém tirou o frango dançarino de can-can, isso para mim, foi importante, afinal ele é um grande amigo meu!

Gostaria de que esse texto fosse mais um dos meus contos, uma alegre brincadeira sobre um dos muitos fantasmas da internet. Mas, não é. O texto Querido Diário, postado aqui no dia 9 de outubro virou Spam. E pior, foi colocado em vários blogs como de outros autores. Isso é sério. É ilegal. Todos os textos lá escritos são registrados na Biblioteca Nacional. Utilizá-los sem a devida autorização, implica em multas e penalidades outras.

Essa é a parte legal, no sentido jurídico da palavra. Mas, existe a parte do respeito. Tanto eu quanto a Criatura, nunca proibimos ninguém de pegar um dos textos ou desenhos aqui postados, só pedimos que cite a origem e a autoria. Essa sempre foi a nossa política, e quem vem sempre aqui, sabe disso. E respeita. Por isso eu realmente fiquei chateada com esse fato.

Faço malabarismos com o tempo, para escrever um texto novo aqui, todo dia. Trabalho oito horas diárias, estamos endividados até o último fio do cabelo, a vida anda uma M*, mas eu reservo sempre um tempinho, em que afasto tudo ao redor, para escrever. Não só por mim, mas para todos os que vem aqui. Às vezes, acordo de madrugada e fico ali, em frente ao computador, matutando causos para contar. Experimentando palavras, saboreando frases, tudo para chegar a um prato que possa agradar ao paladar de quem por aqui passa.

E agora, esse travo amargo na boca. Desculpem-me todos os amigos e visitantes “da casa”, mas hoje a comida azedou. ”

*Patricia Daltro é escritora e mantém o blog A Criatura e a Moça com o marido, o ilustrador Marcelo Daltro.

Querido Diário

O texto a seguir foi postado no dia 09 de Outubro de 2003 pela escritora Patrícia Daltro em seu blog, A Criatura e a Moça.

Querido Diário
Patrícia Daltro

Hoje começo a fazer dieta. Preciso perder 8 kg. O médico aconselhou a fazer um diário, onde devo colocar minha alimentação e falar sobre o meu estado de espírito. Sinto-me de volta a adolescência, mas estou muito empolgada com tudo. Por mais que dieta seja dolorosa, quando conseguir entrar naquele vestidinho preto maravilhoso, vai ser tudo de bom.

Primeiro dia de dieta. Um queijo branco. Um copo de diet shake. Meu humor está maravilhoso. Me sinto mais leve. Uma leve dor de cabeça talvez.

Segundo dia de dieta. Uma saladinha básica. Algumas torradas e um copo de iogurte. Ainda me sinto maravilhosa. A cabeça doi um pouquinho mais forte, mas nada que uma aspirina não resolva.

Terceiro dia de dieta. Acordei no meio da madrugada com um barulho esquisito. Achei que fosse ladrão. Mas, depois de um tempo percebi que era o meu próprio estômago. Roncando de dar medo. Tomei um litro de chá. Fiquei mijando o resto da noite.
Anotação: Nunca mais tomo chá de camomila.

Quarto dia de dieta. Estou começando a odiar salada. Me sinto uma vaca mascando capim. Estou meio irritada. Mas acho que é o tempo. Minha cabeça parece um tambor. J. comeu uma torta alemã hoje no almoço. Mas eu resisti.
Anotação: Odeio J.

Quinta dia de dieta. Juro por Deus que se ver mais um pedaço de queijo branco na minha frente, eu vomito! No almoço, a salada parecia rir da minha cara. Gritei com o boy hoje! E com a J. Preciso me acalmar e voltar a me concentrar. Comprei uma revista com a Gisele na capa. Minha meta. Não posso perder o foco.

Sexto dia de dieta. Estou um caco. Não dormi nada essa noite. E o pouco que consegui sonhei com um pudim de leite. Acho que mataria hoje por um pedaço de brigadeiro…

Sétimo dia de dieta. Fui ao médico. Emagreci 250 gramas. Tá de sacanagem! A semana toda comendo mato. Só faltando mugir e perdi 250 gramas! Ele explicou que isso é normal. Mulher demora mais emagrecer, ainda mais na minha idade. O FDP me chamou de gorda e velha!
Anotação: Procurar outro médico.

Oitavo dia de dieta. Fui acordada hoje por um frango assado. Juro! Ele estava na beirada da cama, dançando can-can.
Anotação: O pessoal do escritório ficou me olhando esquisito hoje, J. diz que é porque estou parecendo o Jack do Iluminado.

Nono dia de dieta. Não fui trabalhar hoje. O frango assado voltou a me acordar, dançando dança-do-ventre dessa vez. Passei o dia no sofá vendo tv. Acho que existe um complô. Todos os canais passavam receita culinária. Ensinaram a fazer Torta de morangos, salpicão e sanduiche de rocambole.
Anotação: Comprar outro controle remoto, num acesso de fúria, joguei o meu pela janela.

Décimo dia de dieta. Eu odeio Gisele B.

Décimo primeiro dia de dieta. Chutei o cachorro da vizinha. Gritei com o porteiro. O boy não entra mais na minha sala e as secretárias encostam na parede quando eu passo.

Décimo segundo dia de dieta. Sopa.
Anotação:Nunca mais jogo poquer com o frango assado. Ele rouba.

Décimo terceiro dia de dieta. A balança não se moveu. Ela não se moveu! Não perdi um mísero grama! Comecei a gargalhar. Assustado o médico sugeriu um psicologo. Acho que chegou a falar em psiquiatra. Será porque eu o ameacei com um bisturi?
Anotação: Não volto mais ao médico, o frango acha que ele é um charlatão.

Décimo quarto dia de dieta. O frango me apresentou uns amigos. A picanha é super gente boa, e a torta, embora meio enfezada, é um doce.

Décimo quinto dia de dieta. Matei a Gisele B! Cortei ela em pedacinhos e todas as fotos de modelos magérrimas que tinha em casa.
Anotação: O frango e seus amigos estão chateados comigo. Comi um pedaço do Sr. Pão. Mas foi em legítima defesa. Ele me ameaçou com um pedaço de salame.

Décimo sexto dia. Não estou mais de dieta. Aborrecida com o frango, comi ele junto com o pão. E arrematei com a torta. Ela realmente era um doce.

Por Moça – que apesar de estar acima do peso, se recusa a fazer dieta.

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O texto é legal, não é? Muito. Patrícia Daltro é uma escritora de talento e gasta seu tempo precioso bolando textos como esses e disponibilizando-os na internet. Se você gostou do texto e quiser repassá-lo ou colar em seu blog, não deixe de mostrar seu respeito pelo trabalho dessa profissional mantendo o nome dela no texto.

PS: Patrícia escreveu em um comentário, no outro site: “Para os interessados, a autora deste texto, está agora no blog Http://www.avidasemmanual.blogspot.com e o texto é registrado no Escritório de Direitos autorais.”
Já virou peça, inclusive.