Author Archive: Vanessa Lampert

Namorofobia (A Praga da década)

Não é Jabor, nem Danuza Leão

Colaboração da leitora Carol Ueber, que já cansou de avisar suas amigas da verdadeira autoria desse texto. Antes que Jabor comece a vociferar culpando, em sua clássica megalomania, ao plagiador desconhecido que, segundo ele, “copia seu estilo” para fabricar Arnaldos em série, explico, caro amigo, que isso raramente acontece. Geralmente o nome de Jabor, de Verissimo ou de Quintana vai ilustrar esses textos sem o menor critério. É só para enfiar um nome de peso para dar credibilidade a um texto roubado. É, roubado. A maior vítima, na maioria das vezes, é o autor, já que ele não tem os leitores cativos do escritor famosão, não terá seu trabalho reconhecido e ainda será acusado de plágio se tentar recuperar a autoria. No caso do texto abaixo, ele foi originalmente postado no falecido Blog Megeras Magérrimas, em 27/01/2004, pela autora, Patrícia Antoniette.

O original econtra-se neste link .


Namorofobia
Patricia Antoniette

A praga da década são os namorofóbicos. Homens (e mulheres) estão cada vez mais arredios ao título de namorado, mesmo que, na prática, namorem.

Uma coisa muito estranha. Saem, fazem sexo, vão ao cinema, freqüentam as respectivas casas, tudo numa freqüência de namorados, mas não admitem. Tem alguns que até têm o cuidado de quebrar a constância só para não criar jurisprudência, como se diria em juridiquês. Podem sair várias vezes numa semana, mas aí tem que dar um intervalo regulamentar, que é para não parecer namoro.

– É tua namorada?
– Não, a gente tá ficando.

Ficando aonde, cara pálida?

Negam o namoro até a morte, como se namoro fosse casamento, como se o título fizesse o monge, como se namorar fosse outorgar um título de propriedade. Devem temer que ao chamar de namorada(o) a criatura se transforme numa dominadora sádica, que vai arrastar a presa para o covil, fazer enxoval, comprar alianças, apresentar para a parentada toda e falar de casamento – não vai. Não a menos que seja um(a) psicopata. Mais pata que psico.

Namorar é leve, é bom, é gostoso. Se interessar pelo outro e ligar pra ver se está tudo bem pode não ser cobrança, pode ser saudade, vontade de estar junto, de dividir.

A coisa é tão grave e levada a extremos que pode tudo, menos chamar de namorado. Pode viajar junto, dormir junto, até ir ao supermercado junto (há meses!), mas não se pode pronunciar a palavra macabra: NAMORO.

Antes, o problema era outro: CASAMENTO. Ui. Vá de retro! Cruz credo! Desafasta.
Agora é o namoro, que deveria ser o test drive, a experiência, com toda a leveza do mundo. Daqui a pouco, o problema vai ser qualquer tipo de relacionamento que possa durar mais que uma noite e significar um envolvimento maior que saber o nome.

Do que o medo? Da responsabilidade? Da cobrança? De gostar? Sempre que a gente se envolve com alguém tem que ter cuidado. Não é porque “a gente tá ficando” que não se deve respeito, carinho, cuidado. Não é porque “a gente tá ficando” que você vai para cama num dia e no outro finge que não conhece e isso não dói ou não é filhadaputice. Não é porque “a gente tá ficando” que o outro passa ser mais um número no rol das experiências sexuais – e só.

Ou é?

Tô ficando velha?

Paciência. Comigo, só namorando.


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Uma das versões alteradas



A Praga da Década

A praga da década são os namorofóbicos. Homens e mulheres estão cada vez mais arredios a título de namorado, mesmo que, na prática, namorem. Uma coisa muito estranha.

Saem, fazem sexo, vão ao cinema, freqüentam as respectivas casas, tudo numa freqüência de namorados, mas não admitem. Têm alguns que até têm o cuidado de quebrar a constância só para não criar jurisprudência, como se diria em juridiquês. Podem sair várias vezes numa semana, mas aí tem que dar uns intervalos regulamentares, que é para não parecer namoro.

É tua namorada? – Não, a gente tá ficando. Ficando aonde, cara pálida?

Negam o namoro até a morte, como se namoro fosse casamento, como se o título fizesse o monge, como se namorar fosse outorgar um título de propriedade. Devem temer que ao chamar de namorada(o) a criatura se transforme numa dominadora sádica, que vai arrastar a presa para o covil, fazer enxoval, comprar alianças, apresentar para a parentada toda e falar de casamento. – Não vai. Não a menos que seja um(a) psicopata. Mais pata que psico. Namorar é leve, é bom, é gostoso. Se interessar pelo outro e ligar para ver se está tudo bem pode não ser cobrança, pode ser SAUDADE, vontade de estar junto, de dividir.

A coisa é tão grave e levada a extremos que pode tudo, menos chamar de namorado. Pode viajar junto, dormir junto, até ir ao supermercado junto (há

meses!), mas não se pode pronunciar a palavra macabra: NAMORO. Antes, o problema era outro: CASAMENTO. Uiii. Vá de retro! Cruz credo! Desafasta.

Agora é o namoro, que deveria ser o test drive, a experiência, com toda a leveza do mundo. Daqui a pouco, o problema vai ser qualquer tipo de relacionamento que possa durar mais que uma noite e significar um envolvimento maior que saber o nome. Do que o medo? Da responsabilidade? Da cobrança? De gostar? Sempre que a gente se envolve com alguém tem que ter cuidado. Não é porque “a gente tá ficando” que não se deve respeito, carinho, cuidado…

Não é porque “a gente tá ficando” que você vai para cama num dia e no outro finge que não conhece e isso não dói ? Não é porque “a gente ta ficando” que o outro passa a ser mais um número no rol das experiências sexuais – e só.

Ou é? Tô ficando velho(a)? Paciência. Vamos NAMORAR em toda a sua essência

Curtir, cuidar, respeitar… Se preocupar, tá junto, conhecer o outro.

Vocês “ficantes” estão perdendo o que existe de mais bonito e gostoso num relacionamento num Namoro que é a cumplicidade… A magia, o encanto, a

conquista, o Amor!!!

Pensem nisso e Namorem pra valer.”

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Argh!! Se tem uma coisa que eu detesto nessa Entidade Alteradora de textos é essa mania de colocar reticências e exclamações em tudo, imaginando que assim dá maior ênfase, profundidade ou o que quer que seja ao texto. E a capacidade impressionante que ela tem de transformar qualquer texto em algo totalmente piegas. E as liçõezinhas no final: “pensem nisso”. Me desculpem, mas a paciência com esse tipo de coisa chegou ao limite!

Sentir-se amado

Nem Mario Quintana, nem Arnaldo Jabor

O texto que circula com o título “Sentir-se Amado” na verdade é uma deformação do texto da Musa do Autor Desconhecido, Martha Medeiros (eu ainda vou descobrir qual é o pecado que essa mulher cometeu e que está condenada a pagar para sempre), publicado originalmente em sua coluna no Site Almas Gêmeas. Mais especificamente aqui (isso é um link). Cúmulo da degradação da espécie, esse texto (alterado, picotado e distorcido) tem versão em Power Point com “Endless Love” tocando, bregamente, ao fundo. Não acredito que alguém consiga cometer um pecado imenso o suficiente para merecer tal penitência, acho que Martha Medeiros tem um Encosto Desconhecido que altera, deliberadamente, todos os seus textos. A criatura tem toda a lista das crônicas do Almas Gêmeas e se acha “A” artista ao alterar, um a um, com requintes de crueldade. Aí vai, como de praxe, o texto original, e em seguida, a aberração que o persegue:

Sentir-se amado
Martha Medeiros

O cara diz que te ama, então tá. Ele te ama.

Sua mulher diz que te ama, então assunto encerrado.

Você sabe que é amado porque lhe disseram isso, as três palavrinhas mágicas. Mas saber-se amado é uma coisa, sentir-se amado é outra, uma diferença de milhas, um espaço enorme para a angústia instalar-se.

A demonstração de amor requer mais do que beijos, sexo e verbalização, apesar de não sonharmos com outra coisa: se o cara beija, transa e diz que me ama, tenha a santa paciência, vou querer que ele faça pacto de sangue também?

Pactos. Acho que é isso. Não de sangue nem de nada que se possa ver e tocar. É um pacto silencioso que tem a força de manter as coisas enraizadas, um pacto de eternidade, mesmo que o destino um dia venha a dividir o caminho dos dois.

Sentir-se amado é sentir que a pessoa tem interesse real na sua vida, que zela pela sua felicidade, que se preocupa quando as coisas não estão dando certo, que sugere caminhos para melhorar, que coloca-se a postos para ouvir suas dúvidas e que dá uma sacudida em você, caso você esteja delirando. “Não seja tão severa consigo mesma, relaxe um pouco. Vou te trazer um cálice de vinho”.

Sentir-se amado é ver que ela lembra de coisas que você contou dois anos atrás, é vê-la tentar reconciliar você com seu pai, é ver como ela fica triste quando você está triste e como sorri com delicadeza quando diz que você está fazendo uma tempestade em copo d´água. “Lembra que quando eu passei por isso você disse que eu estava dramatizando? Então, chegou sua vez de simplificar as coisas. Vem aqui, tira este sapato.”

Sentem-se amados aqueles que perdoam um ao outro e que não transformam a mágoa em munição na hora da discussão. Sente-se amado aquele que se sente aceito, que se sente bem-vindo, que se sente inteiro. Sente-se amado aquele que tem sua solidão respeitada, aquele que sabe que não existe assunto proibido, que tudo pode ser dito e compreendido. Sente-se amado quem se sente seguro para ser exatamente como é, sem inventar um personagem para a relação, pois personagem nenhum se sustenta muito tempo. Sente-se amado quem não ofega, mas suspira; quem não levanta a voz, mas fala; quem não concorda, mas escuta.

Agora sente-se e escute: eu te amo não diz tudo.”

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Uma das versões alteradas:

Sentir-se amado

O cara diz que te ama, então tá! Ele te ama. Sua mulher diz que te ama, então assunto encerrado. Você sabe que é amado porque lhe disseram isso, as três palavrinhas mágicas. Mas saber-se amado é uma coisa, sentir-se amado é outra, uma diferença de quilômetros. A demonstração de amor requer mais do que beijos, sexo e palavras.

Sentir-se amado é sentir que a pessoa tem interesse real na sua vida, que zela pela sua felicidade, que se preocupa quando as coisas não estão dando certo, que coloca-se a postos para ouvir suas dúvidas e que dá uma sacudida em você quando for preciso.

Sentir-se amado é ver que ela lembra de coisas que você contou dois anos atrás, é vê-la tentar reconciliar você com seu pai, é ver como ela fica triste quando você está triste e como sorri com delicadeza quando diz que você está fazendo uma tempestade em copo d’água.

Sentem-se amados aqueles que perdoam um ao outro e que não transformam a mágoa em munição na hora da discussão…

Sente- se amado aquele que se sente aceito, que se sente inteiro.

Sente-se amado aquele que tem sua solidão respeitada, aquele que sabe que tudo pode ser dito e compreendido.

Sente-se amado quem se sente seguro para ser exatamente como é, sem inventar um personagem para a relação, pois personagem nenhum se sustenta muito tempo.

Sente-se amado quem não ofega, mas suspira; quem não levanta a voz, mas fala; quem não concorda, mas escuta.

Agora, sente-se e escute: Eu te amo não diz tudo!

Dar ou não dar

Especialmente para meu colega Juscelino, que comentou ter recebido esse texto como se fosse do Luis Fernando Verissimo: “Dar ou não dar” ou “Dar não é fazer amor”, é mais um clássico da troca de autoria e foi publicado originalmente na revista TPM na coluna da autora, Tatiana Bernardi. Na verdade o texto em questão foi pinçado do texto original e ganhou não apenas novo autor e vida própria como também enxertos horrendos, as always. Já estamos acostumados a isso, não é mesmo? Cá entre nós: quem acha que Luis Fernando Verissimo seria capaz de escrever: “Fazer amor é lindo, é sublime, é encantador, é esplêndido, mas dar é bom pra cacete.” claramente duvida da masculinidade do escritor. Então, aí vai o texto verdadeiro e, em seguida, uma das versões que circulam pela net.


Pot-pourri de assuntos
Tatiane Bernardi

O que escrever para a próxima coluna? Listo prováveis assuntos: o mercado de trabalho, homens que cospem catarros horrorosos pelas ruas, minha bunda, sexo sem amor, a necessidade de ter alguém pra chamar de amor.

Demoro um dia inteiro para me decidir porque sou indecisa. Não me decido por nenhum porque sou possessiva e filha única: quero todos. Então vamos lá, seguindo a ordem.
Existe um boato por aí que publicitário tem a vida mansa e que todos eles são meio loucos. Isso dá uma coceirinha nos estudantes que acham esse papo muito cool e se matriculam aos montes pelas faculdades do país. Sou redatora publicitária e há dois anos e meio não tenho um salário decente apesar das mais de doze horas trabalhadas por dia. Já mudei de agência seis vezes e já mudei de assunto mais de mil quando amigos e parentes perguntam por que eu não tenho um horário fixo, um salário fixo e um lugar fixo para ir todos os dias. Aturo a crise mundial, a crise do país, a crise do mercado, a crise do mercado publicitário e a crise de meia-idade de colegas de trabalho com seus leões na mesa, suas baleias em casa e a tara por jovenzinhas deslumbradas e em aprendizado.

O boato da loucura é realidade, ninguém normal atura isso tudo. Quanto a ter a vida mansa, que vão todos para a merda antes que eu me esqueça.

Não sei de muitas coisas nesta vida, mas aprendi que entre a paixão e o ódio pela propaganda, tem sempre um catarro. Vou andando pelas ruas pensando em todos os lados bons e ruins da minha profissão: eu crio, eu não tenho um trabalho burocrático, chato, operacional, burro, exato. Eu movimento grana, eu emociono, eu faço as pessoas rirem. Plá, uma catarrada. Eu ganho mal, me deram uma porra de um PC em vez de um Mac, eu fico muito tempo sentada e minha bunda tá horrível, plá, outra catarrada.
Por que diabos esses imundos homens cospem essas melequeiras pelas ruas? Por que diabos? Por que diabos? Como eu odeio isso. ODEIO. Onde está escrito que o mundo permite essa escatologia exposta à luz do dia? Às vezes é preciso desviar para não sentir respingarem resquícios da nojeira no peito do pé. Desejo do fundo do meu coração que todos eles sufoquem entalados com suas crias gosmentas e fiquem tão verdes quanto elas.

Mas ainda mais nojento do que escutar aquela chupada suína que precede o plá da catarrada, é escutar o sugar de tesão de um escroto qualquer que você nunca viu na vida. É aquele “ssssssssss delícia”, “ufffffffffffffffff gostosa”.

Não se anime não, seu neanderthal urbano, que o que você está vendo é apenas o poder de uma calça jeans caríssima, que uma redatora publicitária em começo de carreira com seu salário de merda só pode ter comprado em cinco vezes sem juros. Cê não tá vendo, querido, que por trás disso é apenas a bunda de uma redatora publicitária que sofre várias crises de mercado e não tem tempo para uma academia? Tá caída, mermão! Já não é mais a mesma. Aliás, isso me lembrou a propaganda, mas este assunto já deu.

E por falar em dar… dar não é fazer amor. Dar é dar. Fazer amor é lindo, é sublime, é encantador, é esplêndido, mas dar é bom pra cacete. Dar é aquela coisa que alguém te puxa os cabelos da nuca, te chama de nomes que eu não escreveria, não te vira com delicadeza, não sente vergonha de ritmos animais. Dar é bom. Melhor do que dar, só dar por dar. Dar sem querer casar, sem querer apresentar pra mãe, sem querer dar o primeiro abraço no Ano Novo. Dar porque o cara te esquenta a coluna vertebral, te amolece o gingado, te molha o instinto. Dar porque a vida de uma publicitária em começo de carreira é estressante e dar relaxa. Dar porque se você não der para ele hoje, vai dar amanhã, ou depois de amanhã. Tem caras que você vai acabar dando, não tem jeito. Dar sem esperar ouvir promessas, sem esperar ouvir carinhos, sem esperar ouvir futuro.

Dar é bom. Na hora. Durante um mês. Para as mais desavisadas, talvez por anos. Mas dar é dar demais e ficar vazia. Dar é não ganhar. É não ganhar um “eu te amo” baixinho, perdido no meio do escuro. É não ganhar uma mão no ombro quando o caos da cidade parece querer te abduzir. É não ter alguém pra querer casar, para apresentar pra mãe, pra dar o primeiro abraço de Ano Novo e pra falar: “Que cê acha, amor?”. Dar é inevitável, dê mesmo, dê sempre, dê muito. Mas dê mais ainda, muito mais do que qualquer coisa, uma chance ao amor, esse sim é o maior tesão. Esse sim relaxa, cura o mau humor, ameniza todas as crises e faz você flutuar o suficiente pra nem perceber as catarradas na rua.”


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alterações

No texto alterado, não dá para entender a presença das nojentas catarradas na rua (cortado em algumas versões), já que o trecho ficou totalmente desprovido de contexto. Mas desde quando os Alteradores de Textos Anônimos se importam com isso? Eles não estão nem aí, só querem alterar e repassar, compulsivamente, com a autoria equivocada, um texto sem braço e sem perna. Nota-se claramente que o texto foi alterado com o objetivo de se suprimir a autoria, a passagem “Dar porque a vida de uma publicitária em começo de carreira é estressante e dar relaxa Em uma das versões foi trocada por Dar porque a vida é estressante e dar relaxa. Ou seja, o crime foi premeditado.

Outra coisa, a Entidade Alteradora de Textos a-do-ra cortar os períodos para que essas crônicas pareçam poesias. Caramba, minha filha, coloca uma coisa na cabeça: não é por que um troço é escrito em uma longa e interminável coluna que é poesia. Coloca outra coisa na cabeça: reticências não dão profundidade a um texto. E coloque, por favor, uma terceira coisa na cabeça: não, você não sabe escrever. Se você acha que escreve, produza seus próprios textos, não altere textos alheios. Não, você não os melhora, muito pelo contrário, dá a todos eles, bons ou ruins, um ar piegas que certamente é sua marca registrada. Não interessa se o texto é bom, ruim, fraco ou sem graça na sua opinião, só quem pode alterá-lo e deixá-lo “mais legal” é o próprio autor.

Dar não é fazer AMOR

Dar não é fazer amor. Dar é dar.
Fazer amor é lindo, é sublime, encantador, é esplêndido.
Mas dar é bom pra cacete.
Dar é aquela coisa que alguém te puxa os cabelos da nuca…
Te chama de nomes que eu não escreveria…
Não te vira com delicadeza…
Não sente vergonha de ritmos animais.
Dar é bom.
Melhor do que dar, é só dar por dar.
Dar sem querer casar…
Sem querer apresentar para mãe…
Sem querer dar o primeiro abraço no Ano Novo.
Dar porque o cara te esquenta a coluna vertebral…
Te amolece o gingado…
Te molha o instinto.
Dar porque a vida é estressante e dar relaxa.
Dar porque se você não der para ele hoje, vai dar amanhã, ou depois
de amanhã. Tem pessoas que você vai acabar dando, não tem jeito.
Dar sem ouvir promessas, sem esperar ouvir carinhos, sem esperar ouvir futuro.
Dar é bom, na hora. Durante um mês. Para os mais desavisados, talvez anos.
Mas dar é dar demais e ficar vazio.
Dar é não ganhar.
É não ganhar um eu te amo baixinho perdido no meio do escuro.
É não ganhar uma mão no ombro quando o caos da cidade parece querer te abduzir.
É não ter alguém para querer casar, para apresentar para mãe, para dar
o primeiro abraço de Ano Novo e para falar: “Que que ce acha amor?”.
É não ter companhia garantida para viajar.
É não ter para quem ligar quando recebe uma boa notícia.
Dar é não querer dormir encaixadinho…
É não ter alguém para ouvir seus dengos…
Mas dar é inevitável, dê mesmo, dê sempre, dê muito.
Mas dê mais ainda, muito mais do que qualquer coisa, uma chance ao amor.
Esse sim é o maior tesão.
Esse sim relaxa, cura o mau humor, ameniza todas as crises
E faz você flutuar o suficiente pra nem perceber as catarradas na rua.
Se você for chata, suas amigas perdoam.

Se você for brava, as suas amigas perdoam.
Até se você for magra, as suas amigas perdoam.

Agora, experimenta ser amada…

Ode à bunda dura

Esse texto é um clássico da troca de autoria. Há milênios circula na Internet como sendo de Arnaldo Jabor. O jornalista está cansado de ter textos que não são dele circulando com seu nome, no que tem toda a razão, mas também não precisava ser grosseiro. Luis Fernando Verissimo foi bem mais polido ao divulgar que não era autor do Quase e negar a autoria de coisas como “Um dia de merda”. São dois lados de uma terrível moeda: o escritor que vê seu texto, seu legítimo texto (não importa se curto ou longo, feio ou bonito, é seu) circulando com o nome de um outro autor, que não moveu uma palha para merecer os créditos, e o escritor que vê seu nome, seu legítimo nome (não importa se curto ou longo, feio ou bonito, é seu) adornando o texto de outra pessoa, que nada tem a ver consigo.

Deve-se evitar a ignorância de achar que quem escreve o texto é a mesma pessoa que altera o autor. Em minha experiência com autoria trocada, só vi isso acontecer uma única vez. Geralmente o autor do texto é tão ou mais vítima do que o cara a quem o texto foi atribuído. Refletir e respeitar nunca fez mal a ninguém.

Aí vai o texto e o comentário da verdadeira autora, Ailin Aleixo, publicado na revista Vip.

EU NÃO SOU O JABOR, NÃO!
Andam confundindo minha bunda com a do colunista do Estadão
Ailin Aleixo

Há meses um texto meu circula na internet como se fosse do Arnaldo Jabor. Ele já ficou tão puto com essa história de ser elogiado por algo que não é dele que escreveu duas crônicas no jornal O Estado de S. Paulo detonando o autor real do texto, que, na opinião dele, é uma baranga que tenta imitar seu estilo. Eu tentei contatá-lo de todas as formas para esclarecer a situação, mas o moço prefere xingar a se dignar a falar comigo… Então, só para desencargo de consciência, deixo aqui a prova de que “Ode à bunda dura” é meu e ninguém tasca.



Ode à Bunda dura

Tenho horror a mulher perfeitinha. Odeio qualquer uma que fique maravilhosa num biquíni. Sabe aquele tipo que faz escova toda manhã, está sempre na moda e é tão sorridente que parece garotapropaganda de processo de clareamento dentário? E, só pra piorar, tem a bunda dura feito pão francês com mais de uma semana? Pois então, mulheres assim são um porre. E digo mais: são brochantes.


Você, homem, dirá que estou louca, sou despeitada e, provavelmente, baranga. Na boa, pense o que quiser, mas posso provar minha tese com grande tranqüilidade, ponto a ponto. Quer ver?

> A dondoca faz escova toda manhã: fulaninha acorda às 6 da matina pra deixar o cabelo parecido com o da Patrícia de Sabrit, liso feito pau de sebo e à prova de furacão e Katrinas. Nisso, ela perde momentos imprescindíveis de rolamento na cama, encoxamento do namorado, pegação, pra encaixar-se no padrão “Alisabel é que é legal”. Burra.
> A fofucha anda impecavelmente na moda, o que significa igual a todas as amigas: estilo pessoal, pra ela, é o que aparece nos anúncios da revista da Daslu. Você vê-la de shortinho, camiseta surrada e cabelo preso? JAMAIS! O que indica uma coisa: ela não vai querer ficar desarrumada nem enquanto estiver transando. É capaz até de fazer pose em busca do melhor ângulo perante o espelho do quarto. Credo.


HEBE COVER
> A lindinha exibe um sorriso incessante: ela mora na vila dos Smurfs? Está fazendo treinamento pra Hebe? Sou antipática com orgulho – só sorrio para quem provoca meu sorriso. Não gostou? Problema seu. Isso se chama autenticidade, meu caro. Coisa que, pra perfeitinha, não existe. Aliás, ela nem sabe o que a palavra significa. Coitada.
> A queridona tem a bunda pétrea: as muito gostosas são, infalivelmente, muito chatas. Pra manter aquele corpão, comem alface e tomam isotônico, portanto não vão acompanhá-lo nos pasteizinhos nem na porção de bolinho de arroz do sabadão. Bebida dá barriga e ela tem HORROR a qualquer carninha saindo da calça de cintura tão baixa que o cós acaba onde começa a pornografia: nada de tomar um bom vinho ou encarar uma pizza de mussarela. Cerveja? Esquece! Melhor convidar o Jorjão.


Pois é, ela é um tesão. Mas não curte sexo porque desglamouriza, se veste feito um manequim de vitrine, acha inadmissível você apalpar a bunda dela em público, nunca toma porre e só sabe contar até 15, que é até onde chega a seqüência de bíceps e tríceps. E você reparou naquela bunda? Meu Deus…


Legal mesmo é mulher de verdade. E daí se ela tem celulite? O senso de humor compensa. Pode ter uns quilinhos a mais (geralmente eles só existem na opinião dela), mas é uma ótima companheira de bebedeira. Pode até ser meio mal-educada quando você larga a cueca no meio da sala, mas adora sexo. Porque celulite, gordurinhas e desorganização têm solução (e, às vezes, nem chegam a ser um problema). Mas ainda não criaram um remédio pra futilidade. Nem pra dela, nem pra sua.”

Deus usa a solidão

Fernando Pessoa não tem culpa!

Uma amiga recebeu o seguinte texto, creditado a Fernando Pessoa e, certa de que não era dele, me perguntou, bem direta: “Me diz que não foi o Fernando Pessoa que escreveu essa m…”

Bem, eu nunca entro no mérito da questão, se os textos têm ou não qualidade literária, porque todos os textos – até mesmo os ruins – têm autor.

“Deus costuma usar a solidão
para nos ensinar sobre a convivência.
Às vezes, usa a raiva,
para que possamos compreender
o infinito valor da paz.
Outras vezes usa o tédio,
quando quer nos mostrar a importância da aventura e do abandono.
Deus costuma usar o silêncio para nos ensinar sobre a responsabilidade
do que dizemos.
Às vezes usa o cansaço,
para que possamos compreender
o valor do despertar.
Outras vezes usa doença,
quando quer nos mostrar
a importância da saúde.
Deus costuma usar o fogo, para nos ensinar sobre água.
Às vezes usa a terra,
para que possamos compreender o valor do ar.
Outras vezes usa a morte,
quando quer nos mostrar
a importância da vida”.

Ok, não foi o Fernando Pessoa. Eu sabia disso. Era óbvio, mas eu não conseguia descobrir de onde raios a coisa surgiu, até que pedi ajuda aos universitários…risos…na comunidade “Afinal, quem é o autor?” a Betty Vidigal acabou descobrindo que trata-se de um legítimo Paulo Coelho!! Se é que existe algo de legítimo em Paulo Coelho. Está em seu livro“Manual do Guerreiro da Luz”, em prosa, o seguinte parágrafo, sem título, a versão original da coisa:

“O guerreiro da luz aprendeu que Deus usa a solidão para ensinar a convivência. Usa a raiva para mostrar o infinito valor da paz. Usa o tédio para ressaltar a importância da aventura e do abandono. Deus usa o silêncio para ensinar sobre a responsabilidade das palavras. Usa o cansaço para que se possa compreender o valor do despertar. Usa a doença para ressaltar a benção da saúde. Deus usa o fogo para ensinar sobre a água. Usa a terra para que se compreenda o valor do ar. Usa a morte para mostrar a importância da vida.”



Então…créditos dados. Porque nem mesmo Paulo Coelho merece ter autoria trocada. Embora ele mesmo seja fã de “inspirar-se” em textos alheios e citações de autoria desconhecida.

. No comentário escrito por Lucia Joia na comunidade Quem é o Autor, veja que Paulo Coelho tem grandes semelhanças com sua discípula Camila:


Revista Época: O mago Paulo Coelho é acusado de “transmutar” texto originalmente escrito por colombiana… A psicóloga Sonia Hurtado, colunista do jornal El Pais, de Cali, acusou o escritor de plagiar um artigo seu intitulado “Cerrando ciclos” (“Fechando ciclos”)…”

Ele teve a cara-de-pau de dizer: “Na abertura de seu artigo, Paulo Coelho dizia que encontrou o texto na internet e admitia: “Não fui eu quem escreveu o original (infelizmente), mas resolvi adaptá-lo, e agora posso pelo menos reivindicar parte de sua autoria” …

Quem quiser ler o artigo da Revista Época na íntegra: Clique aqui.

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Por essas e outras, não consigo respeitá-lo como escritor. Escritor de verdade, que conhece a dificuldade e o trabalho de se produzir um texto do nada não faz isso NUNCA, sob nenhum pretexto. Nem precisa.
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As possibilidades perdidas

Deixem Drummond em paz

O texto é atribuído a Carlos Drummond de Andrade e ao Desconhecido. É mais um Frankenstein. O original e de autoria da Musa do Autor Desconhecido, nossa amiga Martha Medeiros, que deve ter colado chiclete na cruz ou servido ki-suco na Santa Ceia. No texto que recebi por email, existem alguns enxertos, frases traduzidas que alguém achou que cairiam bem para “completar” a idéia. Comeram o título, tiraram boa parte do primeiro parágrafo. Foi crime premeditado. Não entendo por que essas pessoas não escrevem seus próprios textos ao invés de sair por aí alterando o texto dos outros.

Alteraram até o formato. Não se trata de poesia, mas de prosa. E é um comentário dela sobre uma frase de um poeta mineiro. Deixa eu destrinchar a coisa para que você entenda melhor:

Eis o texto original, da Martha Medeiros, publicado no site Almas Gêmeas
:

“AS POSSIBILIDADES PERDIDAS
20 de agosto de 2002

Martha Medeiros

Fiquei sabendo que um poeta mineiro que eu não conhecia, chamado Emilio Moura, teria completado 100 anos neste mês de agosto, caso vivo fosse. Era amigo de outro grande poeta, Drummond. Chegaram a mim alguns versos dele, e um em especial me chamou a atenção: “Viver não dói. O que dói é a vida que não se vive”.


Definitivo, como tudo o que é simples. Nossa dor não advém das coisas vividas, mas das coisas que foram sonhadas e não se cumpriram.

Por que sofremos tanto por amor? O certo seria a gente não sofrer, apenas agradecer por termos conhecido uma pessoa tão bacana, que gerou em nós um sentimento intenso e que nos fez companhia por um tempo razoável, um tempo feliz. Sofremos por quê?

Porque automaticamente esquecemos o que foi desfrutado e passamos a sofrer pelas nossas projeções irrealizadas, por todas as cidades que gostaríamos de ter conhecido ao lado do nosso amor e não conhecemos, por todos os filhos que gostaríamos de ter tido junto e não tivemos, por todos os shows e livros e silêncios que gostaríamos de ter compartilhado, e não compartilhamos. Por todos os beijos cancelados, pela eternidade interrompida.


Sofremos não porque nosso trabalho é desgastante e paga pouco, mas por todas as horas livres que deixamos de ter para ir ao cinema, para conversar com um amigo, para nadar, para namorar. Sofremos não porque nossa mãe é impaciente conosco, mas por todos os momentos em que poderíamos estar confidenciando a ela nossas mais profundas angústias se ela estivesse interessada em nos compreender. Sofremos não porque nosso time perdeu, mas pela euforia sufocada. Sofremos não porque envelhecemos, mas porque o futuro está sendo confiscado de nós, impedindo assim que mil aventuras nos aconteçam, todas aquelas com as quais sonhamos e nunca chegamos a experimentar.

Como aliviar a dor do que não foi vivido? A resposta é simples como um verso: se iludindo menos e vivendo mais. ”

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Um dos enxertos:

“A cada dia que vivo, mais me convenco de que o desperdicio da vida… Esta no amor que nao damos, nas forças que nao usamos, Na prudencia egoista que nada arrisca e que, esquivando-se do sofrimento, tambem perde a felicidade.” — Mary Cholmondeley

“Every day I live I am more convinced that the waste of life lies in the love we have not given, the powers we have not used, the selfish prudence that will risk nothing and which, shirking pain, misses happiness as well.” Mary Cholmondeley


O enxerto final é retirado do livro ” You gotta keep dancin’ ” de Tim Hansel, um livro de motivação escrito por quem sofreu um acidente e foi perseguido por fortes dores. Ele diz, entre outras coisas, que não podemos evitar a dor, mas podemos evitar a alegria. http://www.amazon.com/gp/product/1564767442/104-1833697-3288713?v=glance&n=283155

“Pain is inevitable, but misery is optional. We cannot avoid pain, but we can avoid joy.” (Tim Hansel)

“A dor é inevitável, mas o sofrimento é opcional. Nós não podemos evitar a dor, mas podemos evitar a alegria” (Tim Hansel)

You Gotta Keep Dancin’ by Tim Hansel

“An amazing book by an amazing man who shares his thoughts, faith and even journal entries through his battle with chronic pain. Stress, disappointment, heartache, hurt — all are part of the human condition. But while PAIN IS UNAVOIDABLE, MISERY IS OPTIONAL! The freeing message of this book is that no matter what your circumstances, with God’s help, you can choose to be joyful. He speaks from experience.”


E, por fim, o poema do autor mineiro que inspirou o plagiado texto da Martha Medeiros:

Canção (Emilio Moura)

Viver nao dói. O que dói
é a vida que se não vive.
Tanto mais bela sonhada,
quanto mais triste perdida.

Viver não dói. O que dói
é o tempo, essa força onírica
em que se criam os mitos
que o proprio tempo devora.

Viver não dói. O que dói
é essa estranha lucidez,
misto de fome e de sede
com que tudo devoramos.

Viver não dói. O que dói,
ferindo fundo, ferindo,
é a distância infinita
entre a vida que se pensa
e o pensamento vivido.

Que tudo o mais é perdido.

O texto-frankenstein em uma de suas versões:

Viver não dói


Definitivo, como tudo o que é simples.
Nossa dor não advém das coisas vividas,
mas das coisas que foram sonhadas
e não se cumpriram.

Por que sofremos tanto por amor?

O certo seria a gente não sofrer,
apenas agradecer por termos conhecido
uma pessoa tão bacana,
que gerou em nós um sentimento intenso
e que nos fez companhia por um tempo razoável,
um tempo feliz.

Sofremos por quê?

Porque automaticamente esquecemos
o que foi desfrutado e passamos a sofrer
pelas nossas projeções irrealizadas,
por todas as cidades que gostaríamos
de ter conhecido ao lado do nosso amor e não conhecemos,
por todos os filhos que
gostaríamos de ter tido junto e não tivemos,
por todos os shows e livros e silêncios
que gostaríamos de ter compartilhado, e não compartilhamos.
Por todos os beijos cancelados, pela eternidade.

Sofremos não porque
nosso trabalho é desgastante e paga pouco,
mas por todas as horas livres
que deixamos de ter para ir ao cinema,
para conversar com um amigo,
para nadar, para namorar.

Sofremos não porque nossa mãe
é impaciente conosco,
mas por todos os momentos em que
poderíamos estar confidenciando a ela
nossas mais profundas angústias
se ela estivesse interessada
em nos compreender.

Sofremos não porque nosso time perdeu,
mas pela euforia sufocada.

Sofremos não porque envelhecemos,
mas porque o futuro está sendo
confiscado de nós,
impedindo assim que mil aventuras
nos aconteçam,
todas aquelas com as quais sonhamos e
nunca chegamos a experimentar.

Como aliviar a dor do que não foi vivido?

A resposta é simples como um verso:
Se iludindo menos e vivendo mais!!!

A cada dia que vivo,
mais me convenço de que o
desperdício da vida
está no amor que não damos,
nas forças que não usamos,
na prudência egoísta que nada arrisca,
e que, esquivando-se do sofrimento,
perdemos também a felicidade.

A dor é inevitável.

O sofrimento é opcional.

Comentário

Recebi o seguinte comentário:

“Olá, meu nome é Camila, moro na cidade de União da Vitória, interior do Paraná, tenho quinze anos e uma opinião bem crítica com relação ao texto de Willian Ferdnand Shakespeare atibuído à Veronica Shoffstall. Primeiro, a outoria de Shakespeare sobre a verdadeira versão desse texto (que tem como verdadeiro título “Depois de um tempo você aprende”)é simplesmente incontestável, traz todos os tradicionais traços literários que Shakespeare usava em textos de auto- ajuda, quanto a isso não há duvidas.

Segundo, a versão dita distorcida e alongada do texto, fora escrita sem o menor propósito de má-intenção, a mais ou menos um ano atrás, é de minha autoria, e não passou de uma carta que eu escrevi a uma grande amiga para homenagear uma data especial. Como ele foi parar aí e quem o encaminhou, eu não tenho a menor idéia! Porém é verdade sim que o texto não passa de uma coletânea, eu apenas fiz uma pequena reunião do que eu mais gostava sobre Paulo Coelho, Vinicius de Moraes, Fernando Pessoa e outros que a fraca memória não me permite citar agora, com base no texto de Shakespeare, mais alguns resquícios completamente originais de lições de vida,e ficou assim.

A quem achar que sou uma desocupada tentando fazer uma brincadeirinha de mau gosto que me contate para tirar a dúvida, eu aponto e comprovo cada uma das citações que fiz acima. Quanto ao fato da versão do texto que eu redigi ter sido taxada de praga, desgraça, dessas que destroem civilizações – meu Deus, quanto exagero!!! – eu acho que quem fez o comentário deveria rever os seus conceitos. Na minha opinião, não existe presente mais profundamente tocante e precioso que se dê a um amigo especial do que qualquer simples pedaço de papel com palavras não escritas, e sim, desenhadas pelo coraçaõ…”
Camila de Lima | 06.10.06 – 1:07 pm IP: 201.35.54.3


Respondi à moça por email:


Camila, Shakespeare nunca escreveu textos de auto-ajuda, se você já leu algum texto de auto-ajuda creditado a Shakespeare, pode ter certeza de que não é dele. Eu sei o que estou dizendo. Segundo, eu realmente acho linda a idéia de escrever um texto de presente para uma amiga, mas escreva um texto SEU, jamais faça “colagens” sobre o trabalho de outra pessoa, que isso é desrespeitoso, isso é crime. Imagine que você é um pintor muito talentoso, vejamos, Leonardo Da Vinci, pintando a Monalisa com seu enigmático sorriso. Então chega alguém que resolve dar uma pintura de presente a um amigo, mas acha que a Monalisa ficaria muito mais legal se tivesse um girassol no cabelo e um sorriso mostrando todos os dentes. Então vai lá e adultera. Aproveitando, pinta as unhas da Monalisa de vermelho, manda para a amiga, que imprime vinte mil cópias e espalha por aí dizendo que foi Michelangelo quem pintou. Entende o absurdo?

Não sei se você leu os outros posts, a opinião dos autores que tiveram seus textos roubados ou adulterados, Martha Medeiros, Cris Passinato, Alexandre Inagaki, Patricia Daltro… é extremamente frustrante criar algo, no caso um texto, ter um trabalhão naquilo e depois vê-lo alterado sem sua autorização. Isso não se faz, Camila. Atrapalha o autor, que merece ter o reconhecimento do seu trabalho, atrapalha os leitores, que querem saber de quem é o texto que estão lendo e atrapalha quem altera, que acaba prestando um desserviço, porque faz um texto sem pai nem mãe, que é menos do que o original e menos do que poderia ser se fosse algo inédito. Entendo que você não tenha feito por mal, mas realmente não tem como eu saber de cara quem fez por mal e quem não fez porque existe gente muito maldosa que altera as coisas de propósito, não sei por qual motivo, mas existe, acredite.

Se você realmente admira quem escreveu um texto bonito, então respeite esse autor e mantenha seu texto intacto, porque é a obra dele. Qualquer alteração feita por outra pessoa descaracterizaria a obra, se você gosta de escrever, sou a primeira a te incentivar a praticar, porém tire a inspiração de dentro de você, não altere textos que já existem. Você tem a capacidade de criar algo novo, se quiser. E assinar com seu próprio nome, o que é bem mais bonito, tocante e precioso. Eu não disse que a versão alterada por você é uma praga que destrói civilizações, mas que esse tipo de atitude, de copiar, alterar e colar, ignorando o autor e a versão original é uma praga destruidora de civilizações, porque igora qualquer senso histórico e noção de preservação da cultura, que são coisas necessárias para a manutenção de qualquer civilização que se preze.

Não posso julgar seu texto porque ele não existe. Você alterou o texto de outra pessoa e agora ele não é nem seu, nem de outra pessoa. Ninguém o mandou para mim, ele simplesmente está circulando na internet como se fosse a versão original e ainda assinada por William Shakespeare!!! Primeiro, reafirmo o que já disse anteriormente: esse texto é uma tradução do texto de Veronica Shoffstall, devidamente registrado. Foi escrito quando a autora tinha dezenove anos, em 1971.


Entendo sua boa intenção, acredito que em sua cidade exista uma biblioteca pública e talvez lá você encontre livros de Shakespeare e possa ler a obra original do escritor, o que certamente vai te dar novos parâmetros. Eu queria que você me dissesse qual livro de auto-ajuda Shakespeare já escreveu. Você já leu Hamlet? Já leu Rei Lear? Já leu Macbeth? Otelo? A Megera Domada? O Mercador de Veneza? Nenhum deles é de auto-ajuda, te garanto. Procure ler esses clássicos e conhecerá os traços literários do autor. Esqueça a internet quando se trata de autores clássicos, como você mesma pôde comprovar, na Net muitos Shakespeares são Camilas de Lima e realmente não existe a menor garantia de que o texto que você esteja lendo seja de quem você acredita.

É por isso que criei o blog Autor Desconhecido, para conscientizar pessoas que não escrevem da importância que os textos têm a quem escreve, a importância de manter a autoria correta, a importância de manter o texto intacto. De outra forma, não conheceríamos hoje Shakespeare, por exemplo. Pense um pouco sobre isso, reflita, compreenda. Espero, sinceramente, poder contar com a sua colaboração nessa caminhada. Adoraria poder colocar seu nome naquele texto, por exemplo, mas não posso. O texto não é seu, não é de Veronica, não é de Shakespeare. Sei – e sei mesmo, eu realmente acredito em você – que você não fez com essa intenção, mas alterar textos de outros autores configura crime de plágio, não é bonito, não é legal. Por isso insisto que o melhor que você pode fazer por você, pelos leitores, pelas suas amigas e pela literatura é escrever seus próprios textos, baseados em sua própria vida e nunca mais alterar o texto alheio, ainda que pareça não ter autor. Sempre tem.

Então você vai entender o quanto um autor ama seu próprio texto e o quanto dói vê-lo alterado, mutilado, modificado e atribuído a outra pessoa. Pode parecer bonito esse negócio de “texto escrito com o coração”, mas escrever é trabalho e dá trabalho, respeitar esse trabalho é o mínimo que devemos aos escritores que dia após dia nos brindam com linhas inspiradas e interessantes. Espero que compreenda isso.

Grande abraço

Vanessa Lampert

Ao menos uma entidade que distorce e alonga textos já não é mais tão desconhecida assim :-) E é confortador saber que, ao menos nesse caso, ela não fez de propósito, nem estava mal intencionada, o que me leva a crer que vai refletir sobre o que eu disse. Eu espero.


UPDATE

Betty Vidigal, outra lutadora incansável de nosso ingrato trabalho de formiguinha, alerta para a existência de um site que tem tudo sobre Shakespeare, segundo ela, é praticamente um Google de Shakespeare. Então, para tirar qualquer dúvida, vá atéhttp://www.psrg.cs.usyd.edu.au/~matty/Shakespeare/, digite todas as traduções possíveis de “um dia você aprende que” e não vai encontrar nada. Simplesmente porque não há um mísero registro sério desse texto em nome de Shakespeare. Por que não é dele, obviamente. Como disse Veronica no texto anterior, “This poem has been plagiarized, bastardized, renamed, reworded, redesigned, expanded and reduced.” . Eu, sinceramente, espero que com esse nosso trabalho consigamos devolver ao menos um pouco da dignidade da obra original à sua autora. E espero contar com a compreensão e colaboração de quem visita esta página para isto.

.

Mais do mesmo

O texto ainda gera controvérsias, portanto, passo a palavra à autora, Veronica Shoffstall, para que ela diga o que acha de ver seu texto atribuído a Shakespeare. Antes de mais nada, o texto não é de Shakespeare, está registrado em nome de Veronica Shoffstall e foi escrito em 1971. Shakespeare jamais escreveu nenhum texto de auto-ajuda.

“This poem has been plagiarized, bastardized, renamed, reworded, redesigned, expanded and reduced. But it is my work, which I wrote at the age of 19 and had published in my college yearbook. Why anyone would want to claim it is beyond me, but for what it’s worth, I wrote it, and if I’d known it was going to be this popular, I’d have done a better job of it. – Veronica Shoffstall
Retirado daqui


“After a While”
Veronica Shoffstall
After a while you learn
the subtle difference between
holding a hand and chaining a soul
and you learn
that love doesn’t mean leaning
and company doesn’t always mean security.
And you begin to learn
that kisses aren’t contracts
and presents aren’t promises
and you begin to accept your defeats
with your head up and your eyes ahead
with the grace of woman, not the grief of a child
and you learn
to build all your roads on today
because tomorrow’s ground is
too uncertain for plans
and futures have a way of falling down
in mid-flight.
After a while you learn
that even sunshine burns
if you get too much
so you plant your own garden
and decorate your own soul
instead of waiting for someone
to bring you flowers.
And you learn that you really can endure
you really are strong
you really do have worth
and you learn
and you learn
with every goodbye, you learn…

© 1971 Veronica A. Shoffstall

O amor e o amor plagiado

Sobre o texto anterior, “Pequeno tratado sobre a mortalidade do amor” escreve Alexandre Inagaki, autor do blog Pensar Enlouquece. Pense Nisso.: Originalmente postado em seu blog e posteriormente reproduzido no Digestivo Cultural e colado aqui :)


O amor e o amor plagiado

Agora como me tornei um autor (des)conhecido
e fui parar em um anexo de PowerPoint

Alexandre Inagaki

Há tempos não publico ficções no meu blog, optando por deixá-las guardadas em uma gaveta nada virtual, por dois motivos principais. O primeiro é o fato de que há na blogosfera diversos escritores mais inspirados do que eu (dois bons exemplos: Fabio Danesi Rossi eDennis D. ). O segundo é a praga virtual que infesta há tempos a Internet: a mania que certas pessoas têm de se apropriar de textos alheios. Enquanto alguns acrescentam sua assinatura a textos que jamais escreveram (e nem seriam capazes de), outros atribuem a escritores conhecidos a autoria de versos e prosas alheios.

Tão inacreditável quanto a conduta daqueles que adulteram a autoria de textos é tentar entender como é que existem pessoas que crêem piamente que um escritor como Luis Fernando Veríssimo teria sido capaz de escrever uma crônica com o sutilíssimo título “Um Dia de Merda”. Enfim, coisas de uma nação de analfabetos funcionais, que lêem e interpretam textos com neurônios apáticos e apaziguados. Acham um artigo bonitinho ou engraçadinho, decidem reencaminhá-lo via e-mail para sua lista de contatos ou copiá-lo em seus blogs e mal se preocupam com detalhes “secundários” como dar os devidos créditos do texto que tanto apreciaram.

Tempos estranhos. Fama virtual é escrever um texto e vê-lo atribuído a Clarice Lispector, Arnaldo Jabor ou Herbert Vianna, isso quando você não se torna o tal do “autor desconhecido”. Eu, por exemplo, já perdi a conta de quantas vezes vi contos, crônicas, artigos e poemas meus sendo publicados em sites como se fossem escritos por outros. São situações pra lá de chatas, que no entanto são inevitáveis a qualquer um que se disponha a usar a Internet como meio de publicação.

Semanas atrás, por exemplo, fui surpreendido ao receber o forward de um arquivo de PowerPoint baseado em minha crônica “Pequeno Tratado sobre a Mortalidade do Amor” (texto acima), publicada pela primeira vez em novembro de 2000. Além do choque que sofri ao ver palavras transpostas para esta que é a mais infame das interfaces de um texto, ainda tive o desprazer de constatar que o zé mané que manipulou minha crônica adulterou-a completamente, mudando ou acrescentando sentenças inteiras ao seu bel-prazer. Os trechos mais irônicos, a discreta citação a um poema de T. S. Eliot, a piada sobre “amores inteligentes” ou a referência à fase decadente de Elvis Presley foram tolhidos, e em seu lugar foram incluídas frases típicas de livrecos de auto-ajuda, do tipo “o amor é simplesmente o resultado concreto de um relacionamento maduro e crescente entre duas pessoas”. Mas, pior do que ver meu texto retalhado e deturpado, foi encontrar essa versão apócrifa reproduzida na Web em sites entuchados com gifs animados e arquivos mid: de que desgosto.

O que fazer para atenuar os danos causados por tais aberrações? Antes de mais nada, é bom saber que os direitos autorais são regulados no Brasil pela Lei 9.610/98 , que afirma: “É expressamente vedada, sob pena de serem tomadas as medidas judiciais cabíveis, a reprodução, publicação, distribuição e/ou o uso indevido de qualquer dos textos ora em questão, seja na íntegra ou em partes, sem o expresso consentimento e concordância por escrito dos respectivos autores”. Mas só o conhecimento da lei não basta: a fim de resguardar seus direitos, todo autor deve registrar oficialmente suas criações na Biblioteca Nacional (clique aqui para saber como fazer isso).

Vale a pena registrar ainda a observação da jornalista e professora Tina Andrade, que em seu artigo “Copy-paste: na web plágio (ainda) é muito relativo “, escreve: “O poder das networks está disparando e, na minha modestíssima opinião, a melhor maneira de evitar o plágio ainda é, foi e sempre será tornar a sua obra pública para o maior número de pessoas possível! Basta saber transformar internautas-de-carteirinha, ‘listeiros’, leitores assíduos, formadores de opinião em fiéis escudeiros… Como? Relacionamento: transparente, bem-humorado, interessante. Porque o bom quando se fala em web é mesmo saber lidar com gente”. Outra dica é aproveitar os recursos do Copyscape , site que dedura plagiadores de textos. Seu funcionamento é simples: você acessa a página, digita a URL de seu blog ou site e inicia a busca. Em poucos segundos o Copyscape rastreará a Internet em busca de outros sites que tenham copiado excertos de seus escritos.

A propósito: se você gostou de algum texto que escrevi e deseja republicá-lo em algum site, sinta-se à vontade para reproduzi-lo, desde que respeitando as normas do Creative Commons . Last, but not least: e nada de anexos e de PowerPoint, por favor…



Alexandre Inagaki
São Paulo, 8/12/2004

Pequeno Tratado sobre a Mortalidade do Amor

“Pequeno Tratado sobre a Mortalidade do Amor”
Alexandre Inagaki

Todos os dias morre um amor. Quase nunca percebemos, mas todos os dias morre um amor. Às vezes de forma lenta e gradativa, quase indolor, após anos e anos de rotina. Às vezes melodramaticamente, como nas piores novelas mexicanas, com direito a bate-bocas vexaminosos, capazes de acordar o mais surdo dos vizinhos. Morre em uma cama de motel ou em frente à televisão de domingo. Morre sem beijo antes de dormir, sem mãos dadas, sem olhares compreensivos, com gosto de lágrima nos lábios. Morre depois de telefonemas cada vez mais espaçados, cartas cada vez mais concisas, beijos que esfriam aos poucos. Morre da mais completa e letal inanição.

Todos os dias morre um amor. Às vezes com uma explosão, quase sempre com um suspiro. Todos os dias morre um amor, embora nós, românticos mais na teoria do que na prática, relutemos em admitir. Porque nada é mais dolorido do que a constatação de um fracasso. De saber que, mais uma vez, um amor morreu. Porque, por mais que não queiramos aprender, a vida sempre nos ensina alguma coisa. E esta é a lição: amores morrem.

Todos os dias um amor é assassinado. Com a adaga do tédio, a cicuta da indiferença, a forca do escárnio, a metralhadora da traição. A sacola de presentes devolvidos, os ponteiros tiquetaqueando no relógio, o silêncio ensurdecedor depois de uma discussão: todo crime deixa evidências.

Todos nós fomos assassinos um dia. Há aqueles que, feito Lee Harvey Oswald, se refugiam em salas de cinema vazias. Ou preferem se esconder debaixo da cama, ao lado do bicho-papão. Outros confessam sua culpa em altos brados, fazendo de penico os ouvidos de infelizes garçons. Há aqueles que negam, veementemente, participação no crime, e buscam por novas vítimas em salas de chat ou pistas de danceteria, sem dor ou remorso. Os mais periculosos aproveitam sua experiência de criminosos para escrever livros de auto-ajuda com nomes paradoxais como O Amor Inteligente ou romances açucarados de banca de jornal, do tipo A Paixão Tem Olhos Azuis, difundindo ao mundo ilusões fatais aos corações sem cicatrizes.

Existem os amores que clamam por um tiro de misericórdia: corcéis feridos.

Existem os amores-zumbis, aqueles que se recusam a admitir que morreram. São capazes de perdurar anos, mortos-vivos sobre a Terra teimando em resistir à base de camas separadas, beijos burocráticos, sexo sem tesão. Estes não querem ser sacrificados, e, à semelhança dos zumbis hollywoodianos, também se alimentam de cérebros humanos, definhando paulatinamente até se tornarem laranjas chupadas.

Existem os amores-vegetais, aqueles que vivem em permanente estado de letargia, comuns principalmente entre os amantes platônicos que recordarão até o fim de seus dias o sorriso daquela ruivinha da 4ª série, ou entre fãs que ainda suspiram em frente a um pôster do Elvis Presley (e, pior, da fase havaiana). Mas titubeio em dizer que isso possa ser classificado como amor (bah, isso não é amor; amor vivido só do pescoço pra cima não é amor).

Existem, por fim, os amores-fênix. Aqueles que, apesar da luta diária pela sobrevivência, das contas a pagar, da paixão que escasseia com o decorrer dos anos, da TV ligada na mesa-redonda ao final do domingo, das calcinhas penduradas no chuveiro e das brigas que não levam a nada, ressuscitam das cinzas a cada fim de dia e perduram – teimosos, e belos, e cegos, e intensos. Mas estes são raríssimos, e há quem duvide de sua existência. Alguns os chamam de amores-unicórnio, porque são de uma beleza tão pura e rara que jamais poderiam ter existido, a não ser como lendas. Mas não quero acreditar nisso.

Um dia vou colocar um anúncio, bem espalhafatoso, no jornal.

PROCURA-SE: AMOR-FÊNIX
(oferece-se generosa recompensa)

—————–//———————

Tento ainda entender quem é a criatura criminosa que conseguiu transformar um texto tão bom na coisa que segue, abaixo. É uma prova de que pode-se matar um texto com simples “adaptações”. Certamente essa pessoa achou que, “traduzido” para sua linguagem medíocre, o texto ficaria mais “tocante”. Daí para um acréscimo e outro, e outro e outro, foi um passo. Não bastasse ter sido sutilmente distorcido, o texto ainda foi transformado em poema (?!) assinado pelo Autor Desconhecido. E, o cúmulo da degradação do indivíduo, o texto, alterado, foi inserido em uma daquelas apresentações bregas de Power Point. Leia, agora, o texto assassinado (uma das versões que circulam pela net):


Morre Um Amor
***
Todos os dias morre um amor.
Quase nunca percebemos,
mas todos os dias morre um amor.
Às vezes de forma lenta e gradativa,
quase indolor, após anos e anos de rotina.
Às vezes melodramaticamente,
como nas piores novelas mexicanas,
com direito a bate bocas vexaminosos,
capazes de acordar o mais surdo dos vizinhos.
Pode morrer em uma cama de motel
ou simplesmente em frente à televisão de domingo.
Morre sem um beijo antes de dormir,
sem mãos dadas, sem olhares compreensivos,
com um gosto salgado de uma lágrima nos lábios.
Morre depois de telefonemas cada vez mais espaçados,
diálogos cada vez mais resumidos,
de beijos cada vez mais gelados…
Morre da mais completa e letal inanição!!!

Todos os dias morre um amor, embora nós,
românticos mais na teoria do que na prática,
relutemos em admitir.
Pode morrer como uma explosão,
seguida de um suspiro profundo
(porque nada é mais dolorido do que a constatação de um fracasso),
de saber que, mais uma vez, um amor morreu.
Porque, por mais que não queiramos aprender,
a vida sempre nos ensina alguma coisa.
Esta é a lição: qualquer amor pode morrer!
E todos os dias, em algum lugar do mundo,
existe um amor sendo assassinado.
Como pista desse terrível crime,
surge uma sacola de presentes devolvidos,
uma lista de palavrões sem censura,
ou o barulho insuportável do relógio depois da discussão…
Afinal, todo crime deixa as suas evidências!
Todos nós podemos ser um assassino.
E podemos agir como age um assassino:
podemos nos esconder debaixo das cobertas,
podemos nos refugiar em salas de cinema vazias,
ou preferir trabalhar que nem um louco,
ou viajar para “espairecer”,
ou confessar a culpa em altos brados,
fazendo do garçom o seu confidente…

Mas há também aqueles que negam, veementemente,
a sua participação no crime, e buscam por novas vítimas
em salas de bate papo ou pistas de danceteria,
sem dor ou remorso.
Os mais perigosos aproveitam sua experiência
de criminosos para escreverem livros de auto ajuda,
com a ironia de quem tem muito a ensinar
para os corações ainda puros.
Existem também os amores
que clamam por um tiro de misericórdia:
ainda estão juntos,
mas se comportam como um cavalo ferido,
esperando ser sacrificado.

Existem também os amores fantasma,
aqueles que se recusam a admitir que já morreram..
São capazes de perdurar anos,
como mortos vivos sobre a Terra,
teimando em resistir apesar das camas separadas,
beijos frios e burocráticos,
e sexo sem tesão (se houver).
Estes não querem ser sacrificados,
mas irão definhar aos poucos,
até se tornarem como laranjas chupadas.
Existem ainda os amores vegetais,
aqueles que vivem em permanente estado de letargia,
que se refugiam em fantasias platônicas,
recordando até o fim de seus dias
o sorriso daquela ruivinha da 4a. série.
Ou, se faz presente na fã que até hoje suspira e delira
em frente a um pôster do Elvis Presley.
Mas eu, quase já desistindo da minha busca,
pude ainda encontrar uma outra classificação:
os amores vencedores.
Aqueles que, apesar da luta diária pela sobrevivência,
das infinitas contas a pagar,
da paixão que decresce com o decorrer dos anos,
da mesa-redonda no final de domingo,
das calcinhas penduradas no chuveiro
e das brigas que não levam a nada,
ressuscitam das cinzas e se revelaram fortes,
pacientes e esperançosos.
Mas estes são raríssimos,
e há quem duvide de sua existência.
São de uma beleza tão pura e rara que parecem lendas.
Um dia vou colocar um anúncio,
bem espalhafatoso, no jornal:
PROCURA-SE UM AMOR VENCEDOR
– ofereço generosa recompensa.
Mas, no fundo, sei que ele não surgiria como por acaso…
O que esses poucos vencedores
falam é de que esse amor foi suado,
trabalhado, bem administrado
nas centenas de situações do cotidiano.
Não é um presente de loteria,
de sorte, nem de magia.
É simplesmente o resultado concreto daquilo
que foi um relacionamento maduro
e crescente entre duas pessoas .




Um pedaço de outra versão do atentado ao texto:

“Mas eu, desiludida, triste e quase já desistindo de acreditar no amor, pude ainda encontrar uma outra classificação: os amores-vencedores.
Aqueles que, apesar da luta diária pela sobrevivência, das infinitas diferenças a serem superadas, das mágoas que às vezes acontecem sem querer, ressuscitam a cada momento e se revelam fortes, pacientes e esperançosos.

Esses são raríssimos, e há quem duvide de sua existência, jurando que irão acabar a qualquer momento.
São de uma beleza tão pura e rara que parecem lendas, impressionando a quem os observa incrédulos, sem entender como duas pessoas podem se amar tanto.

Mas, no fundo, sei que estes não surgem como por acaso…
O que se observa é que esse amor foi suado, cultivado, trabalhado, bem administrado nas centenas de situações do cotidiano.
Não é um presente de loteria, de sorte, nem de magia.
É simplesmente o resultado concreto daquilo que foi
um relacionamento maduro, seguro e crescente entre duas pessoas.”

Acréscimos ou A Festa da Mediocridade:

Algumas versões circulam com acréscimos no final:
“E, assim sendo, renasce como um fenix a cada tentativa de morte. Surgindo mais brilhante e forte, apresentando-se como indissociável da própria vida, que não mais poderia ser vivida sem ele.

Estou sentindo sua falta…”

Outros preferem assassinar o texto (já agonizante) discordando, na apoteose da breguice:

“Alguns chamam-nos de “Amores-unicórnio”, porque são de uma beleza tão pura e rara que jamais poderiam ter existido, a não ser como lendas.

Mas… Eu recuso-me a acreditar nisso!!!

Não importa o tamanho da montanha… Ela não pode tapar o Sol!!! ”


E uma versão tão revoltante quanto:

Todos os dias nascem pessoas, morrem pessoas.
Mas existe também, A MORTE DO AMOR:
Todo o dia morre um amor.
(…)

Morre depois de telefonemas cada vez mais espaçados, camas separadas, distância, diálogos cada vez mais resumidos, de beijos cada vez mais gelados, do sexo sem tesão (qdo há)…

Todos os dias morre um amor.

Existem também os amores que clamam por um tiro de misericórdia: ainda estão juntos mas se comportam como um cavalo ferido, esperando ser sacrificado.
Existem também os amores-fantasma, aqueles que se recusam a admitir que já morreram.
Todo dia um amor começa a morrer.
Há quem perceba a tempo de salvá-lo.
Há quem perceba tarde demais.
Há quem veja isto acontecer e nada possa fazer…ou apenas omita socorro.
Há quem perceba bem depois que ele morreu, daí não há mais como ressuscitá-lo.

Mas que todo dia morre um amor, ah, isso morre.
Afinal, o pra sempre, sempre acaba, né não? ”

Urgh

Encontrei uma versão em que a pessoa parece ter escrito (errado) enquanto alguém ditava. Assim, “quase indolor” virou “quase incolor”, “telefonemas cada vez mais espaçados” virou “telefonemas cada vez mais gelados” e, por fim “Morre da mais completa e letal inanição” virou “Morre da mais completa e letal inanimação”.

Alguns terminam antes de acabar, assim:

“Alguns os chamam de amores-unicórnio, porque são de uma beleza tão pura e rara que jamais poderiam ter existido, a não ser como lendas. E é esse amor que eu quero viver , PARA SEMPRE!!”


E assim, vira festa da uva. Se o texto é de Autor Desconhecido significa que o autor não existe (me abstenho de comentar tal dedução) e, portanto, não vai reclamar de ter sido roubado e adulterado. Pensando (?) por esse lado, a pessoa acrescenta o que melhor se encaixe em sua realidade ou altera pura e simplesmente para convencer seus amigos de que ela realmente escreveu aquilo. Eu, sinceramente, não entendo qual é a graça de receber elogios por um texto que foi feito por outra pessoa. Atestado de loser. Desculpe, mas é o que eu mais vejo por aí. Copiam e colam textos “sem autor”, modificam e respondem aos elogios dos leitores com um “ah, obrigada, eu estava inspirada nesse dia”.

Dia desses encontrei um post datado de 2005 no blog de uma menina, formado por dois parágrafos de um post meu de 2004 (notem que nem era um texto, era um post de blog) como se tivesse sido escrito por ela. E teve ainda a história de uma amiga que teve o blog inteiro copiado por uma menina que queria impressionar o namorado. Para que isso? Será que não existe nada dentro dessas criaturas? Me desculpe, mas não adianta falar mal do governo, a honestidade tem que estar presente nas pequenas coisas, naquilo que fazemos sozinhos, sem que ninguém nos veja. Só assim estaremos preparados para mostrar honestidade diante de outras pessoas e cobrar o mesmo de quem quer que seja. Não nos deixar corromper por dinheiro, por poder ou por vaidade. Por nada.

Por favor, não repasse esse texto-Frank, alterado. Se quiser repassar ou publicar, use o original, creditado ao autor, Alexandre Inagaki, do blog Pensar Enlouquece. Pense Nisso.

PS: Mantenho o direito de expressar meu repúdio a esse tipo de coisa, afinal de contas, é mais ou menos para isso que este blog serve.
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Jornalista desconhecido

Finalmente estamos fazendo barulho.

Considerações sobre o blog, o livro da Cora, espaço na mídia e o Jornalista Desconhecido

Porque este blog foi citado na introdução do livro Caiu na Rede , da Editora Agir, organizado por Cora Rónai, que trata do mesmo tema (é uma coletânea de textos apócrifos da internet). Porque este blog foi citado em reportagem da Zero Hora no dia 25 de abril (não sei quem foi o jornalista responsável, portanto estou impossibilitada de dar os créditos a tão amável criatura) e porque eu fui, definitivamente, excluída das listas de e-mails de quase todos os meus amigos e praticamente não recebo textos encaminhados e fico sabendo dos textos do Desconhecido através de leitores deste blog, sinto que minha existência neste planeta tem um objetivo superior :-)

Fico feliz pela idéia estar dando certo, finalmente a contribiução do Autor Desconhecido à causa dos textos roubados, descaracterizados e órfãos começa a ser significativa. Mas ainda é muito pouco. São apenas vinte textos catalogados em um ano de funcionamento, o que ainda é muito pouco, mas felizmente, conforme minha intenção inicial, a maior parte dos acessos vem de pesquisas google e cada vez mais recebo mensagens de pessoas agradecendo por eu ter solucionado suas dúvidas. Colaborações também são bem-vindas (e sempre checadas), mas geralmente sou mesmo eu que fico com o “trabalho sujo”. Parece um trabalho sem fim e também por isso, bastante ingrato, mas quem sabe, unindo nossas forças de formiguinha, consigamos alterar, ainda que lentamente, esse quadro.

Agradeço ao responsável pela matéria sobre o Caiu na Rede, na Zero Hora, que citou o blog. Pena que o nome não estava lá, entre o título e o texto, para ser citado aqui. Ironia das ironias, não encontrei o nome do autor da reportagem sobre textos trocados e de autoria desconhecida. Infelizmente, ao que parece, a figura do Jornalista Desconhecido é mais comum do que deveria. :-)

Meus secretos amigos

Não é Shakespeare, não é do Desconhecido, não é Vinícius, não é Garth Henrichs (seja lá quem for)

Essa me foi perguntada pela Alice nos comentários do texto anterior. Esse texto foi publicado originalmente pelo cronista gaúcho Paulo Sant’Ana, o verdadeiro autor, na coluna que ele assina no jornal Zero Hora e também consta no livro “O Gênio Idiota” (1992, ed. Mercado Aberto). Sobre a confusão, o próprio jornal Zero Hora, publicou, em 19 de junho de 2002: “O colunista Paulo Sant’Ana recebeu esse e-mail do jornalista Emanuel Mattos no dia de seu aniversário e, para seu espanto, identificou que o texto, assinado por Vinícius de Moraes, é de sua autoria. Surpreso, imediatamente ligou e desfez a confusão. A criação de Sant’Ana já deve ter circulado por muitas caixas de mensagens com a assinatura de Vinícius, sem que ninguém soubesse da troca de autor. Somente, é claro, o próprio Sant’Ana.”

Sendo assim, autoria desvendada, agradeço a colaboração de outras formiguinhas do direito autoral, de quem encontrei os textos prontos que me facilitaram (e muito) o trabalho: o jornalista gaúcho Emilio Pacheco e a escritora Betty Vidigal . Agradecendo também ao meu marido, o escritor e cartunista Davison Lampert, gaúcho, porto-alegrense, que já tinha lido o texto de seu conterrâneo e me confirmou, sem sombra de dúvidas, que o Paulo Sant’Ana era o pai do negócio.



MEUS SECRETOS AMIGOS

Paulo Sant’Ana

Tenho amigos que não sabem o quanto são meus amigos. Não percebem o amor que lhes devoto e a absoluta necessidade que tenho deles.

A amizade é um sentimento mais nobre do que o amor, eis que permite que o objeto dela se divida em outros afetos, enquanto o amor tem intrínseco o ciúme, que não admite a rivalidade. E eu poderia suportar, embora não sem dor, que tivessem morrido todos os meus amores, mas enlouqueceria se morressem todos os meus amigos! Até mesmo aqueles que não percebem o quanto são meus amigos e o quanto minha vida depende de suas existências…

A alguns deles não procuro, basta-me saber que eles existem. Esta mera condição me encoraja a seguir em frente pela vida. Mas, porque não os procuro com assiduidade, não posso lhes dizer o quanto gosto deles. Eles não iriam acreditar.

Muitos deles estão lendo esta crônica e não sabem que estão incluídos na sagrada relação de meus amigos. Mas é delicioso que eu saiba e sinta que os adoro, embora não declare e não os procure. E às vezes, quando os procuro, noto que eles não tem noção de como me são necessários, de como são indispensáveis ao meu equilíbrio vital, porque eles fazem parte do mundo que eu, tremulamente, construí e se tornaram alicerces do meu encanto pela vida.

Se um deles morrer, eu ficarei torto para um lado. Se todos eles morrerem, eu desabo! Por isso é que, sem que eles saibam, eu rezo pela vida deles. E me envergonho, porque essa minha prece é, em síntese, dirigida ao meu bem estar. Ela é, talvez, fruto do meu egoísmo.

Por vezes, mergulho em pensamentos sobre alguns deles. Quando viajo e fico diante de lugares maravilhosos, cai-me alguma lágrima por não estarem junto de mim, compartilhando daquele prazer…

Se alguma coisa me consome e me envelhece é que a roda furiosa da vida não me permite ter sempre ao meu lado, morando comigo, andando comigo, falando comigo, vivendo comigo, todos os meus amigos, e, principalmente os que só desconfiam ou talvez nunca vão saber que são meus amigos!

——————–

UPDATE

Já tinha lido isso, mas não tinha dado crédito por conta da republicação do texto como o recebi, na Zero Hora, sem explicação do paulo Sant’Ana sobre a última frase: “A gente não faz amigos, reconhece-os”. Recebi o seguinte comentário do Emilio Pacheco:

Só uma observação: a última frase, segundo consta (acho que foi realmente Betty Vidigal quem desvendou isso), é mesmo de Garth Henrichs. “One does not make friends. One recognizes them.” Fui olhar no livro “O Gênio Idiota” e – surpresa! – essa frase não constava no final da crônica. Ela foi acrescentada “a posteriori” na “ciranda” de e-mails. Só que, ao republicar a crônica na Zero Hora para reivindicar sua autoria, Sant’ana deixou a frase a mais, como se constasse do original e fosse também dele.

Então, Emilio, a famigerada frase de Garth Henrichs foi sumariamente cortada do texto postado aqui. A César o que é de César. Se não é de César a gente deleta e credita o resto ao próprio :) E que seja feita a justiça ao pobre Henrichs, que ninguém conhece.

A verdade sobre Romeu e Julieta

Não é Verissimo!! – Parte vinte.

Demorei um século para identificar a autora desse texto e entrar em contato com ela, mas finalmente encontrei. Francine Bittencourt de Oliveira é a autora do texto abaixo, intitulado “A verdade sobre Romeu e Julieta”, espalhado pela internet como sendo do Luis Fernando Verissimo, ou mesmo do nosso amigo, o Desconhecido. Por favor, corrijam a autoria, espalhem os nomes dos verdadeiros autores dos textos aqui postados, vamos combater essa praga que é a bagunça autoral que textos encaminhados causam.


: A VERDADE SOBRE ROMEU E JULIETA ::

Francine Bittencourt de Oliveira

Sabem porque Romeu e Julieta são ícones do amor? São falados e lembrados, atravessaram os séculos incólumes no tempo, se instalando no mundo de hoje como casal modelo de amor eterno?

Porque morreram e não tiveram tempo de passar pelas adversidades que os relacionamentos estão sujeitos pela vida afora. Senão provavelmente Romeu estaria hoje com a Manoela e Julieta com o Ricardão.

Romeu nunca traiu a Julieta numa balada com uma loira linda e siliconada motivado pelo impulso do álcool.

Julieta nunca ficou 5 horas seguidas esperando Romeu ,fumando um cigarro atrás do outro, ligando incessantemente para o celular dele que estava desligado.

Romeu não disse para Julieta que a amava, que ela especial e depois sumiu por semanas. Julieta não teve a oportunidade de mostrar para ele o quanto ficava insuportável na TPM.

Romeu não saia sexta feira a noite para jogar futebol com os amigos e só voltava as 6:00 da manhã bêbado e com um sutiã perdido no meio da jaqueta (que não era da Julieta). Julieta não teve filhos, engordou, ficou cheia de estrias e celulite e histérica com muita coisa para fazer.

Romeu não disse para Julieta que precisava de um tempo, que estava confuso, querendo na verdade curtir a vida e que ainda era muito novo para se envolver definitivamente com alguém. Julieta não tinha um ex-namorado em quem ela sempre pensava ficando por horas distante, deixando Romeu com a pulga atrás da orelha.

Romeu nunca deixou de mandar flores para Julieta no dia dos namorados alegando estar sem dinheiro. Julieta nunca tomou um porre fenomenal e num momento de descontrole bateu na cara do Romeu no meio de um bar lotado.

Romeu nunca duvidou da virgindade da Julieta. Julieta nunca ficou com o melhor amigo de Romeu.

Romeu nunca foi numa despedida de solteiro com os amigos num prostíbulo.

Julieta nunca teve uma crise de ciúme achando que Romeu estava dando mole para uma amiga dela.

Romeu nunca disse para Julieta que na verdade só queria sexo e não um relacionamento sério, ela deve ter confundido as coisas. Julieta nunca cortou dois dedos de cabelo e depois teve uma crise porque Romeu não percebeu a mudança.

Romeu não tinha uma ex- mulher que infernizava a vida da Julieta.

Julieta nunca disse que estava com dor de cabeça e virou para o lado e dormiu.

Romeu nunca chegou para buscar a Julieta com uma camisa xadrez horrível de manga curta e um sapato para lá de ultrapassado, deixando- a sem saber onde enfiar a cara de vergonha…

Por essas e por outras que eles morreram se amando…

Clonagem de textos

No dia 28 de maio de 2001, em sua extinta coluna no Almas Gêmeas, Martha Medeiros escreveu sobre o assunto (ou parte dele):

CLONAGEM DE TEXTOS

Martha Medeiros

A internet aproxima amigos e divulga informação: só é nociva à medida que as pessoas são, elas próprias, nocivas. Infelizmente, uma destas nocividades tem se manifestado em forma de desrespeito ao direito autoral.

Circula pela internet um texto meu sobre saudade, chamado A dor que dói mais, publicada aqui no Almas Gêmeas e no meu livro Trem-Bala, assinado por Miguel Falabella, inclusive com uns enxertos vulgares, licença-poética que o “co-autor”, seja quem for, se permitiu. Também andou circulando um texto meu chamado As razões que o amor desconhece, desta vez creditado a Roberto Freire. No Dia Internacional da Mulher, a apresentadora Olga Bongiovanni, da TV Bandeirantes, gentilmente leu no ar o meu texto O Mulherão, e em seguida o disponibilizou no site do programa, onde pude constatar alguns parágrafos adicionados por algum outro co-autor ávido por fazer sua singela contribuição. A produção corrigiu o erro assim que foi avisada. Quem controla isso?

Imagino que essa apropriação indevida venha lesando diversos outros cronistas, que por dever de ofício produzem textos diariamente, tornando-se inviável o registro de cada um deles. A fiscalização fica por conta do leitor, que, conhecendo o estilo do escritor, pode detectar sua autenticidade.

Não chega a ser um crime hediondo e também não é novo. Credita-se a Borges um texto sobre como ele viveria se pudesse nascer de novo, que os estudiosos da sua obra negam a autoria, e Garcia Marquez, pouco tempo atrás, teve que desmentir ser ele o autor de um manifesto meloso que andou circulando entre os internautas. Luis Fernando Verissimo também andou negando a autoria de um texto sobre drogas, que assinaram como se fosse dele. Todas as pessoas que escrevem estão e sempre estiveram vulneráveis a esses enganos, involuntários ou não, mas não há dúvida de que a internet, pela facilidade e rapidez de divulgação de e-mails, massificou a rapinagem.

Perde com isso, primeiramente, o autor, que vive de seu trabalho e que fica à mercê de ter suas palavras e pensamentos transferidos para outro nome ou adulterados: não são poucos os que acrescentam sua própria idéia ao texto e mantém o nome do autor verdadeiro, pouco se importando em corromper a legitimidade da obra. E perde também o leitor, que é enganado na sua crença e que poderá vir a passar por desinformado. Viva a internet, mas que os gatunos virtuais tratem de produzir eles mesmos suas próprias verdades.

Pedido de amigo

Não é por nada, não, mas acho que esse pessoal que acredita nos pseudo-textos de Verissimo nunca leu UM mísero livro do cara. O texto abaixo não é estilo dele, assim como os da Martha Medeiros não são, muito menos o “Quase” da Sarah Westphal é. O texto abaixo não é do Luis Fernando Verissimo, não é do Autor Desconhecido, foi publicado no dia 1/11/2004 nesta página da Revista O Caixote , é um conto de autoria de J. Miguel. Antes do texto, uma pequena Bio (retirada do site) para apresentar o autor:
“J. Miguel – É carioca, tem 39 anos de idade e mora no Rio. Estudou no Colégio Pedro II e depois fez Física na Faculdade de Humanidades Pedro II, em São Cristóvão, também no Rio. Lecionou por um período, mas deixou as salas de aula para trabalhar na Petrobras, onde passou dez anos, até 1998, quando resolveu se dedicar a uma empresa de equipamentos de informática, ramo de atividade com o qual trabalha até o momento.
Editou apenas um livro, lançado em maio de 2004, com o título Contos de vida ¿ e vida após a vida, cujo conteúdo reúne cinco contos relacionando os conhecimentos científicos e a existência de uma vida após a morte.
Vem escrevendo, simultaneamente, um romance baseado na história de Antônio Conselheiro e Canudos; um livro de ficção futurística, a respeito de uma raça de humanóides criada geneticamente para suportar o fim da camada de ozônio e uma guerra entre essa raça e a humanidade; um livro científico a respeito das teorias de formação do Universo, inclusive a semimorta atual, do Big Bang e sua provável substituta, a Teoria das Supercordas e Multiversos (que particularmente pensa tratar-se de uma manobra, apenas para não dar fim à Teoria do Big Bang ¿ o que enterraria muitas mentes soberbas da atualidade) e, por fim, diversos contos curtos, alguns de humor, outros metafísicos.”
Pedido de Amigo
J.Miguel
Vinte anos. Ah, os vinte anos. De casados, claro!
Casamos novos. Ela com 19 e eu com 20 anos de idade. Lua-de-mel, viagens, mobílias na casa alugada, prestações da casa própria e o primeiro bebê. Anos oitenta e a moda era ter uma filmadora do Paraguai. Sempre tinha um vizinho ou amigo contrabandista disposto a trazer aquela muambazinha por um preço módico.
Ela tinha vergonha, mas eu desejava eternizar aquele momento. Irrompi na sala de parto com a câmera no ombro e chorei enquanto filmava o parto do meu primeiro filho. Todo mundo que chegava lá em casa era obrigado a assistir o filme. Perdi a conta das cópias que fiz do parto e distribuí entre amigos, parentes e parentes dos amigos. Meu filho e minha esposa eram o meu orgulho.
Três anos depois, novo parto, nova filmagem, nova crise de choro. Como ela categoricamente disse que não queria que eu filmasse, invadi a sala de parto mais uma vez com a câmera ao ombro. As pessoas que me conhecem sabem que havia apenas amor de pai e marido naquele ato. O fato de fazer diversas cópias da fita era apenas uma demonstração de meu orgulho. Nada que se comparasse ao fato de ela, essa semana, invadir a sala do meu proctologista, câmera ao ombro, filmando o meu exame de próstata. Eu lá, com as pernas naquelas malditas braçadeiras, o cara com um dedo (ele jura que era só um!) quase na minha garganta e a mulher gritando:
– Ah! Doutoor! Que maravilha! Vou fazer duas mil cópias dessa fita! Semana que vem estou enviando uma para o senhor!
Meus olhos saindo da órbita a fuzilaram, mas a dor era tanta que não conseguia falar. O miserável do médico girou o dedo e eu vi o teto a dois centímetros do meu nariz. A mulher continuou a gritar, como um diretor de cinema:
– Isso, doutor! Agora gire de novo, mais devagar. Vou dar um close agora…
Alcancei um sapato na mesa e joguei na maldita.
Agora, estou escrevendo este e-mail, pedindo aos amigos que receberem uma cópia do filme, que o enviem de volta para mim. Eu pago o reembolso.
Não é por nada, não, mas acho que esse pessoal que acredita nos pseudos-textos de Verissimo nunca leu UM mísero livro do cara. O texto abaixo não é estilo dele, assim como os da Martha Medeiros não são, muito menos o “Quase” da Sarah Westphal é. O texto abaixo não é do Luis Fernando Verissimo, não é do Autor Desconhecido, foi publicado no dia 1/11/2004 nesta página da Revista O Caixote , é um conto de autoria de J. Miguel. Antes do texto, uma pequena Bio (retirada do site) para apresentar o autor:

“J. Miguel – É carioca, tem 39 anos de idade e mora no Rio. Estudou no Colégio Pedro II e depois fez Física na Faculdade de Humanidades Pedro II, em São Cristóvão, também no Rio. Lecionou por um período, mas deixou as salas de aula para trabalhar na Petrobras, onde passou dez anos, até 1998, quando resolveu se dedicar a uma empresa de equipamentos de informática, ramo de atividade com o qual trabalha até o momento.

Editou apenas um livro, lançado em maio de 2004, com o título Contos de vida ¿ e vida após a vida, cujo conteúdo reúne cinco contos relacionando os conhecimentos científicos e a existência de uma vida após a morte.

Vem escrevendo, simultaneamente, um romance baseado na história de Antônio Conselheiro e Canudos; um livro de ficção futurística, a respeito de uma raça de humanóides criada geneticamente para suportar o fim da camada de ozônio e uma guerra entre essa raça e a humanidade; um livro científico a respeito das teorias de formação do Universo, inclusive a semimorta atual, do Big Bang e sua provável substituta, a Teoria das Supercordas e Multiversos (que particularmente pensa tratar-se de uma manobra, apenas para não dar fim à Teoria do Big Bang ¿ o que enterraria muitas mentes soberbas da atualidade) e, por fim, diversos contos curtos, alguns de humor, outros metafísicos.”


Pedido de Amigo
J.Miguel
Vinte anos. Ah, os vinte anos. De casados, claro!

Casamos novos. Ela com 19 e eu com 20 anos de idade. Lua-de-mel, viagens, mobílias na casa alugada, prestações da casa própria e o primeiro bebê. Anos oitenta e a moda era ter uma filmadora do Paraguai. Sempre tinha um vizinho ou amigo contrabandista disposto a trazer aquela muambazinha por um preço módico.

Ela tinha vergonha, mas eu desejava eternizar aquele momento. Irrompi na sala de parto com a câmera no ombro e chorei enquanto filmava o parto do meu primeiro filho. Todo mundo que chegava lá em casa era obrigado a assistir o filme. Perdi a conta das cópias que fiz do parto e distribuí entre amigos, parentes e parentes dos amigos. Meu filho e minha esposa eram o meu orgulho.

Três anos depois, novo parto, nova filmagem, nova crise de choro. Como ela categoricamente disse que não queria que eu filmasse, invadi a sala de parto mais uma vez com a câmera ao ombro. As pessoas que me conhecem sabem que havia apenas amor de pai e marido naquele ato. O fato de fazer diversas cópias da fita era apenas uma demonstração de meu orgulho. Nada que se comparasse ao fato de ela, essa semana, invadir a sala do meu proctologista, câmera ao ombro, filmando o meu exame de próstata. Eu lá, com as pernas naquelas malditas braçadeiras, o cara com um dedo (ele jura que era só um!) quase na minha garganta e a mulher gritando:

– Ah! Doutoor! Que maravilha! Vou fazer duas mil cópias dessa fita! Semana que vem estou enviando uma para o senhor!

Meus olhos saindo da órbita a fuzilaram, mas a dor era tanta que não conseguia falar. O miserável do médico girou o dedo e eu vi o teto a dois centímetros do meu nariz. A mulher continuou a gritar, como um diretor de cinema:

– Isso, doutor! Agora gire de novo, mais devagar. Vou dar um close agora…

Alcancei um sapato na mesa e joguei na maldita.

Agora, estou escrevendo este e-mail, pedindo aos amigos que receberem uma cópia do filme, que o enviem de volta para mim. Eu pago o reembolso.