Sobre gatos

Nunca pensei que algum dia precisaria usar este blog em proveito próprio. Acreditava, na verdade, que em poucos anos veríamos o problema da autoria desconhecida diminuir na internet (ah, Vanessa, sempre visionária e idealista!). No entanto, infelizmente, a coisa só tem crescido. Felizmente, os textos que temos aqui já estão devidamente desvendados, mas novos continuam a aparecer e a pesquisa para identificar a fonte fica mais complicada conforme a internet cresce. Mas não quero que isso pareça pessimismo! Difícil não é impossível! O desafio aumenta, mas se não houvesse desafios, que graça teria a vida, não é mesmo?

Pois bem, virei Autor Desconhecido. Por um bom motivo, veja bem. Em nome das boas causas e dos bons motivos, atropela-se a ética, como se justificasse. Eu entendo que textos com autoria modificada tornam-se frankensteins em pouquíssimo tempo e daqui a pouco, podem dizer qualquer coisa, inclusive o contrário do que o autor quis dizer. Frankensteins são incontroláveis.  Foi o que aconteceu. Eliminaram o link para o ensaio que deu origem ao texto, porque ele identificava a autoria…e sei lá mais o que eliminaram porque nem quis comparar, para não me irritar…rs…

Ainda que estejamos lutando por uma causa – e principalmente por esse motivo – é importante que a fonte seja mantida.  Nunca me opus à divulgação desse texto, pelo contrário, eu quero que ele seja divulgado, desde que sejam dados os devidos créditos e não haja alteração não autorizada. Então, com vocês, o longo (porém muito informativo ) texto sobre posse responsável de gatos, que tem sido espalhado por aí alucinadamente como se não tivesse pai nem mãe.  O texto original está no meu blog pessoal, neste link aqui (clique para abrir).

Sobre gatos

Alguns esclarecimentos a quem insiste em dizer que quer fazer o melhor por seus gatos:

tela

Por que insistir em conscientizar os proprietários de gatos sobre a importância de mantê-los sem acesso à rua em vez de brigar com os malvados que atropelam, envenenam, torturam… a culpa dessas atrocidades não é de quem as comete? Simples, pois é muito mais fácil e eficiente fazer com que quem REALMENTE GOSTA de gatos se conscientize sobre a importância de castrá-los e não dar acesso à rua do que fazer com que psicopatas deixem de ser psicopatas.

Se com leis rígidas contra o assassinato de seres humanos ainda tem um monte de gente matando por aí, imagina em relação aos gatos, animais de que a maioria das pessoas não gosta e tem preconceito e a quem não há lei eficiente que proteja?

Não, gatos que vivem dentro de casa não estão sofrendo e infelizes. E não, gatos que têm acesso à rua não estão livres e felizes. Como eu sei disso? Porque meu conceito de felicidade e infelicidade felina não está apoiado em meus valores humanos (isso seria um contra senso, não? “Eu sou feliz transando, logo, meu gato é feliz transando também”), mas em como os gatos demonstram felicidade ou infelicidade.

Porém, algumas coisas são universais: nenhum ser espancado é feliz. Nenhum ser envenenado é feliz. Nenhum ser torturado é feliz. Nenhum ser com ferimentos infeccionados é feliz. É só ter noção de causa e conseqüência. Um gato não castrado vai fazer pelo menos quatro gatinhos abandonados em cada gata que encontrar pelo caminho, em suas “andanças”. O que acontecerá com esses gatinhos? O que acontece com filhote de gato na rua? Os poucos que sobreviverem farão mais gatos abandonados, e a responsabilidade é do gato que originou tudo isso ou do dono que não o castrou? E a gata na sua casa que tem uma cria que você distribui entre os amigos?

E os filhotes desses filhotes? O que seus amigos farão com eles? E os que fizerem filhotes pelas ruas? Isso não é responsabilidade nossa?

A realidade sobre a castração

Gatos são animais com uma grande profusão hormonal. Bem maior do que a nossa, aliás. Hormônios sexuais que os obrigam a reproduzir a espécie, para que não desapareça. Porém, há uma superpopulação de gatos sofrendo nas ruas e se reproduzindo descontroladamente (todo mundo sabe disso, não é?) logo, não há necessidade de mais reprodução da espécie.

Mas eles não gostam de “transar”? A atividade sexual dos gatos é regulada única e exclusivamente pela atividade hormonal, não tem o apelo emocional que tem nos humanos, por exemplo, nem é sequer prazeroso. Mas como a gente sabe disso? O pênis do gato possui pequenos espinhos, que servem para sangrar a vagina da fêmea, pois o espermatozóide do gato só sobrevive em meio sanguíneo. A dor e o sangramento estimulam a ovulação na fêmea.

O gato tem primeiro que brigar com outros gatos pela fêmea. Após muita briga, gritaria, arranhões, machucados e mordidas, ele vai até a fêmea que o aceita por causa do cio, induzido pelos hormônios. Ele morde a fêmea pela nuca, para imobilizá-la e introduz o pênis espinhoso. Ela grita de dor, não de prazer. E ele a segura para que ela não se mova, e possa, assim, perpetuar a espécie. Quando a solta, ele ainda apanha dela.

Todo esse estresse é dirigido pelos hormônios que não têm a menor consciência de que a espécie sofre com a superpopulação. O gato chega em casa (quando tem casa) todo machucado das brigas e possivelmente não está nada feliz com essa situação, mas não pode evitar.

Quanto aos riscos…eles são animais, têm instintos, não se defendem sozinhos?

Doenças muito comuns em gatos, para as quais não há tratamento eficaz, nem vacina, como Peritonite Infecciosa Felina (PIF), Aids Felina (FIV) e Leucemia Felina (FELV) são transmitidas nas brigas, através de mordidas e do contato sexual. São muito contagiosas entre os gatos, embora não passem para os seres humanos. Como gatos não castrados – ou mesmo castrados – sem acesso à rua poderiam se defender de brigas de gatos infectados?

Além disso, gatos na rua estão sujeitos a atropelamentos (eles não sabem atravessar a rua, não entendem nossas regras de trânsito), envenenamentos, ataques de cachorros (aí sim, até podem correr para se defender, mas o último que eu soube que fez isso escapou de três cachorros que o perseguiam e na fuga colidiu violentamente com um carro que passava na rua e quebrou o pescoço. O motorista nem teve tempo de desviar) e espancamentos por pessoas ruins (de criaturas tão maiores, maldosas e mais fortes não há como se defender).

A castração e a criação indoor evitam que a vida do gato seja abreviada por motivos tão estúpidos. O que pode ser evitado não deve ser considerado acidente, nem visto com naturalidade quando acontece. Se o gato está sob sua responsabilidade, é seu dever protegê-lo do mundo criado pela nossa espécie e para a nossa espécie, tão hostil aos animais domésticos que não têm culpa de terem sido tirados de seu habitat há milhares de anos, perdido grande parte de seus instintos sem a menor possibilidade de desenvolver ferramentas para se proteger em meio aos humanos.

Com tanta castração, gatos não serão extintos?

Gato castrado não se despersonaliza, ele só deixa de ser guiado exclusivamente pelos hormônios. Assim, ele pode viver tranqüilamente sua vida de gato, sem a neurose da perpetuação da espécie a qualquer custo (já que a espécie está mais do que perpetuada).

Mas se todo mundo castrar, eles não serão extintos? Quem se faz essa pergunta não parou para pensar ou nunca procurou sair às ruas à procura de gatos abandonados para alimentar. Eles saem bem tarde da noite, e voltam a se esconder assim que amanhece. Para começar, existem gatos em todos os lugares, se reproduzindo descontroladamente. Alguns nunca sequer serão pegos, pois são extremamente ariscos e morrerão doentes ou sob as rodas de algum carro, não sem antes se reproduzir muito.

Existem gatos nos bairros mais pobres, nas favelas mais distantes, onde as pessoas nem sequer ouviram falar de controle de natalidade e as próprias mulheres têm dezenas de filhos, que acabam não tendo condições de estudo, nem de um futuro. Essas pessoas criam gatos soltos e que se reproduzem descontroladamente, pois essa é sua própria realidade, vai demorar um bocado para que tenham acesso a informação e castração.

Existem pessoas ignorantes – e elas sempre existirão – cujos gatos continuarão a morrer atropelados, doentes, envenenados, assassinados e sem castrar, se reproduzindo descontroladamente.

Existe uma superpopulação absurda de gatos abandonados, que só cresce, cresce e cresce. A possibilidade de extinção diante dessa realidade, parece piada. E é.

E a liberdade? Gatos não são animais livres?

Mais um conceito que enxergamos baseados em nossos valores. O homem gostaria de viver solto, fazendo o que quisesse, andando de lá para cá sem medo e sem noção, transando com todo mundo sem responsabilidade, fazendo filhos que não precisaria assumir, apenas para provar virilidade. As mulheres gostariam de ter milhares e milhares de filhos para provar a maternidade, sem precisar criá-los ou se preocupar com seu futuro, ser desejadas por dezenas de machos, que se matariam por causa delas. É uma visão, de certa forma, romântica, e bem longe da realidade.

A liberdade dos gatos na rua, da forma como imaginamos, não existe. Já falei da relação sexual, que não é nada bonita, nem prazerosa, e nunca poderia ser chamada de “namoro”.

A estrutura social dos gatos urbanos é um tanto quanto agressiva. Existe um macho dominante (macho alfa) que, aliás, dificilmente vai ser o seu gato domiciliado (antes que algum homem ache legal a idéia do seu gato ser o macho dominante do pedaço). Eles têm uma sociedade dividida em classes (siiim!!), cada um tem seu território e briga por ele.

Existem caminhos que pertencem apenas ao dono do território (e ninguém pode passar ali), outros caminhos são comunitários e também existem regras de tráfego bem definidas. Se um desavisado cortar o caminho do dono do território, pode até ser expulso, sem conseguir voltar.

Gatos que brigam na rua, guiados por hormônios, podem até se matar em uma disputa violenta, cegar ou machucar profundamente. É um mundo violento, com regras estruturadas.

Mas se é tão ruim, por que eles saem? Seus gatos não vão ficar pensando “Ah, lá fora o fulaninho pode me bater, o cachorro já correu atrás de mim, então acho que eu não vou sair”. Eles são curiosos e não têm noção. Embora até consigam se virar bem dentro da estrutura que eles próprios criaram, não conseguem lidar direito com a estrutura dos humanos: carros, motos, gente ruim, veneno, etc. Ao primeiro sinal de perigo, correrão para o lugar em que eles realmente são livres: suas casas (seu território). O gato que citei, que estava fugindo dos três cachorros, foi atropelado enquanto corria, desesperado e atento apenas aos predadores, em direção à casa onde morava com seu “dono”. Estava querendo voltar para a segurança de seu território, onde sabia que ninguém o machucaria.

Dentro de casa

Gatos só são mesmo livres dentro de casa, pois ali é o território deles, onde eles se sentem seguros. Mas são curiosos e sempre irão querer passar pelas portas ou janelas que estiverem abertas para eles. Feche a porta de um cômodo qualquer da sua casa e imediatamente aquele será o lugar mais legal do mundo, no qual seu gato irá querer entrar a qualquer custo, até esquecer da idéia.

Gatos que vivem dentro de casa, com as janelas teladas não ficam miando desesperadamente para sair, sinto desiludir quem se apoiava nesse argumento. Mesmo o que eu adotei adulto e morava na rua, miou por apenas uma semana, pois tinha o hábito de sair (e hábito não é necessidade). Quando viu que eu não cederia, resolveu explorar o ambiente interno e começou a brincar, a se adaptar à nova casa.

Hoje ninguém tenta sair, ninguém fica miando desesperadamente, mas também não tenho sequer um gato apático em casa. Agora mesmo, acabaram de brincar de lutinha, o Tiggy está caçando seu ratinho de brinquedo e o Gatão perseguindo uma bolinha. A Ricota está bebendo água. Eles são bem livres dentro de casa, escolhem seus lugares preferidos, seus brinquedos preferidos, brincam bastante, comem bem e depois dormem junto da gente (ou no sofá da sala, quando está muito calor).

Assistem à janela como assistimos à TV, curiosos com a movimentação de vizinhos, cachorros e pássaros. Eles são pequenos, até mesmo um apartamento de um quarto, como aquele em que eu morava no Rio, é um mundo para eles, pois ao contrário dos cachorros, eles sobem nos móveis, entram embaixo das coisas, o espaço não é apenas horizontal, tem várias possibilidades.

Meus gatos não são exceção, todo mundo que tem gato castrado sem acesso à rua sabe que eles vivem muito melhor do que os que tivemos em casa pelo método “antigo”. Quero ver alguém me dizer, por exemplo, que os gatos da Renata são infelizes porque não saem na rua:

http://www.youtube.com/watch?v=CbTdv9kj8eg

http://www.youtube.com/watch?v=1AlT8F9DoBg

E isso não é egoísmo. Garanto que seria muuuito mais cômodo ter meu gatinho para brincar e apertar, mas não ter o trabalho de levar ao veterinário, me responsabilizar por ele o tempo todo e ainda ter a tranqüilidade de dizer que ele “sumiu” ou que foi morto e culpar o vizinho, depois arrumar outro gato, sem peso algum na consciência.

O cara que odeia animais e envenena o gato que aparece sempre em sua casa está certo? Não. Alguma coisa justifica o que ele fez? Não. Mas ele não é obrigado a aceitar um bicho que ele não gosta em seu quintal. Não é mesmo. Isso não o faz menos assassino, não o faz menos monstro, não o faz menos malvado, nem menos psicopata, nem menos imbecil, covarde, fraco e babaca. Isso não faz com que ele esteja certo ao maltratar, mas mostra que ele não é o único responsável por esse acontecimento, pois ele não foi na casa da menina para matar a gata dela, ele teve seu espaço invadido por uma criatura que ele não sabe respeitar.

É exatamente a mesma coisa de dizer que um pai é co-responsável pela morte de sua filha de dois anos, que ele deixou sair às onze da noite até a casa de um vizinho que já era suspeito de assassinar crianças, inclusive o irmão mais velho da menina. Não dá para dizer “é a vida”, nós temos responsabilidades e devemos assumí-las.

Uma criança não conhece a estrutura da nossa sociedade e os perigos da rua, é pequena, sem maldade e fraca demais para conseguir se defender de adultos, maldades e acidentes. Um gato adulto tem como se defender em sua sociedade felina, mas essa sociedade é estruturada dentro da nossa sociedade e das nossas ruas, para as quais ele também é pequeno, fraco e sem maldade, incapaz de se defender sozinho e supor os perigos que não são naturais, foram criados pelo homem.

Meu gato é louco para entrar dentro do forno. Se eu abro a porta, tenho que cuidar para que ele não se jogue lá dentro. Mas ele não tem instintos que deveriam protegê-lo dessa vontade? Pois é, avise isso para ele. Não é porque ele tem curiosidade de entrar no forno que eu vou achar que ele precisa entrar lá, que ele gosta e vai sofrer se eu não deixar. Se eu deixar e um dia ele entrar no forno ligado e se queimar, não posso dizer que foi culpa dele ou que “pelo menos ele morreu feliz, fazendo o que queria”. Seria um tanto quanto irresponsável de minha parte, não?

Dizer que eles são livres nas ruas, que essa é a “natureza” do gato e que eles têm que “namorar” e são infelizes dentro de casa é argumento de quem não tinha até agora informação suficiente sobre a realidade da sociedade deles, da natureza deles e da vida de gatos castrados e sem acesso à rua.

Gostaria que ninguém comentasse absolutamente nada antes de ler (e ter certeza de que entendeu, nem que precise ler mais de uma vez) tudo o que escrevi. Sei que é muita coisa, mas também sei que ninguém está interessado a exercitar preguiça mental e que todos têm interesse em informações, não apenas em manter suas opiniões arraigadas e “ganhar a discussão”. Eu não quero ganhar nada, meu interesse é ver menos gatos nas ruas, e esse é o único caminho.

Vanessa Lampert

Assunto sem fim

Já escrevi um ensaio sobre isso. Quem quiser ler, por favor, fique à vontade:

http://vanessalampert.blogspot.com/,

Nesse artigo também estão listadas as fontes que usei para pesquisa e também para saber o que eu repeti neste post que acabo de escrever aqui.

PS: Resolvi escrever esse texto porque cansei de repetir sempre as mesmas coisas e ouvir sempre os mesmos argumentos que já foram mais do que refutados pela prática. É consenso entre as entidades sérias de proteção animal de que a castração e criação indoor (sem acesso à rua) é a melhor forma de cuidar de gatos e ao mesmo tempo proteger a espécie. Acredito que quem gosta de gato não gosta apenas do seu gato, mas de todos, e se preocupa com a espécie inteira.

Idéias pré-concebidas e mais do que ultrapassadas, mitos como o que prega que a castração deixa o animal letárgico, que a castração deixa o animal infeliz, que gato precisa “dar voltinhas”, que gato se apega à casa e não ao dono, que mulher grávida pode pegar toxoplasmose acariciando qualquer gato (argh, por favor, se você não tem o hábito de comer fezes de gato infectado pelo toxoplasma expostas no ambiente por 48 horas, ou comer a carne crua de gatos infectados pelo toxoplasma – e poucos gatos são infectados – não se preocupe com uma possível transmissão de toxoplasmose pelos gatos. Muito mais importante é cuidar da higiene dos vegetais que você consome e do cozimento da carne que você costuma comer. Toxoplasmose se pega por via oral, dessas maneiras), que gato é traiçoeiro, etc. etc. etc. são coisas que só prejudicam aos pobres animais, que nada têm com a ignorância humana. E além de prejudicar os gatos, me deixam muito, mas muito revoltada e chateada por ver o quanto minha espécie ainda está atrasada.

E de uma vez por todas: é muito fácil não dar acesso à rua a um gato castrado (e de preferência, castre as fêmeas antes do primeiro cio, com quatro ou no máximo cinco meses. Não, não há risco maior que os benefícios nesse caso. E os machos, com cinco ou seis meses. Embora possa ser feita a castração precoce, mas aí o procedimento é diferente), basta instalar redes de proteção em todas as janelas (inclusive nos vitrôs).

A quem mora em apartamento, redes de proteção são obrigatórias, mas se você mora em casa e quer que seus gatos tenham acesso ao quintal, pode telar os muros e o portão, de maneira a não deixar nenhum lugar pelo qual ele possa escapar. Algumas idéias de tela nesse site:

http://mopibichos.sites.uol.com.br/modelosdetela.htm

Esse post é muito bacana e cheio de fotos de gatinhos fofos e ideias para telar tudo, até árvore!

http://gatinhosdetodaparte.blogspot.com/2007/05/importancia-das-redes-de-protecao.html

UPDATE: Ficou bem clara a explicação sobre toxoplasmose no post, mas deixo também esses dois outros posts a respeito do assunto. Se você está grávida, não precisa abandonar seus gatos, nem ter medo. Há muitos médicos mal informados que acabam expondo seus pacientes a riscos por conta de sua ignorância. Tenho dois posts com informações importantes, clique para ler: Ignorância mata mais do que ToxoplasmosePombos são ratos de asas?

No frigir dos ovos – Na boca do povo

Já tenho a confirmação da autoria deste texto que circula pela web via email com apêndices detestáveis e assinado por…quem? Quem? Quem?…Sim!!! Ele!!! Sempre ele, nosso amável e eternamente altruísta Autor Desconhecido!! Mas não foi ele quem escreveu esse texto, queridos, até porque – você e eu sabemos – ele não existe. Yes, você que está chegando hoje no blog talvez ainda não soubesse e nutrisse a expectativa romântica a respeito da existência de um ser que escreve anonimamente e espalha seus textos pelo mundo pelo simples prazer de ver letras volantes para lá e para cá. Textos legais são obra de mentes legais e é sempre bom conhecê-las, não é mesmo? Neste caso, a mente brilhante por trás do texto atende pelo nome de Claudemir Beneli e o universo agradeceria se os devidos créditos lhe fossem dados.

Note que o larápio que resolveu encaminhar o texto via email o fez de propósito, já que o spam começa com a seguinte declaração:

Encontra-se na internet o seguinte texto relativo à resposta de um internauta para uma pergunta de outro, que indagava:

Alguém sabe me explicar, num português claro e direto, sem figuras de linguagem, o que quer dizer a expressão “no frigir dos ovos“???

Resposta:

Quando comecei, pensava que escrever sobre comida seria sopa no mel, mamão com açúcar. Só que depois de um certo tempo dá crepe, você percebe que comeu gato por lebre e acaba ficando com uma batata quente nas mãos.”

Fingindo tratar-se de uma resposta do Yahoo Respostas – ou coisa do gênero (como se fosse corriqueiro tropeçar nesse tipo de qualidade literária por aí), o indivíduo destroçador de textos o toma como domínio público e encaminha (certamente achou que teve uma “grande sacada” ao formular a falsa pergunta). Outros, aqueles que ainda acreditam que não há o menor problema em divulgar textos apócrifos e sem pai nem mãe, reencaminham…

Acho  triste receber um texto brilhante e não poder saber nada a respeito de seu autor…refaço meu apelo de sempre: ou repasse o texto original com a autoria correta (e confirmada) ou controle-se e não repasse. Ajude a acabar com a decapitação de textos, desmembramento de ideias e evaporação de bons escritores na web. Gostou de um texto? Então respeite a mente que o criou.  Segue o link e o texto original (infelizmente, a coluna foi descontinuada, mas felizmente os arquivos continuam lá, com outros textos igualmente brilhantes do autor):


http://www.bonde.com.br/?id_bonde=1-14–1688-20050520&tit=na+boca+do+povo

20/05/2005 — 11h00
Na boca do povo

Claudemir Beneli

As expressões populares que colocam a comida na “ponta da língua” dos brasileiros
Quando comecei com essa coluna, pensava que escrever sobre comida seria sopa no mel, mamão com açúcar. Só que depois de um certo tempo dá crepe, você percebe que comeu gato por lebre e acaba ficando com uma batata quente nas mãos. Como rapadura é doce mas não é mole, nem sempre você tem idéias e pra descascar esse abacaxi só metendo a mão na massa. E não adianta chorar as pitangas ou, simplesmente, mandar tudo as favas.

Já que é pelo estômago que se conquista o leitor, o negócio é ir comendo o mingau pelas beiradas, cozinhando em banho-maria, porque é de grão em grão que a galinha enche o papo.

Contudo é preciso tomar cuidado para não azedar, passar do ponto, encher lingüiça demais. Além disso, deve-se ter consciência de que é necessário comer o pão que o diabo amassou para vender o seu peixe. Afinal não se faz uma boa omelete sem antes quebrar os ovos.

A quem pense que escrever é como tirar doce da boca de criança e vai com muita sede ao pote. Mas como o apressado come cru, essa gente acaba falando muita abobrinha, são escritores de meia tigela, trocam alhos por bugalhos e confundem Carolina de Sá Leitão com caçarolinha de assar leitão.

Há também aqueles que são arroz de festa, com a faca e o queijo nas mãos, eles se perdem em devaneios (piram na batatinha, viajam na maionese…etc.). Achando que beleza não põe mesa, pisam no tomate, enfiam o pé na jaca, e no fim quem paga o pato é o leitor que sai com cara de quem comeu e não gostou.

O importante é não cuspir no prato em que se come, pois quem lê não é tudo farinha do mesmo saco. Diversificar é a melhor receita para engrossar o caldo e oferecer um texto de se comer com os olhos, literalmente.

Por outro lado se você tiver os olhos maiores que a barriga o negócio desanda e vira um verdadeiro angu de caroço. Aí, não adianta chorar sobre o leite derramado porque ninguém vai colocar uma azeitona na sua empadinha não. O pepino é só seu, e o máximo que você vai ganhar é uma banana, afinal pimenta nos olhos dos outros é refresco.

A carne é fraca, eu sei. Às vezes dá vontade de largar tudo e ir plantar batatas. Mas quem não arrisca não petisca, e depois quando se junta a fome com a vontade de comer as coisas mudam da água pro vinho.

Se embananar, de vez em quando, é normal, o importante é não desistir mesmo quando o caldo entornar. Puxe a brasa pra sua sardinha que no frigir dos ovos a conversa chega na cozinha e fica de se comer rezando. Daí, com água na boca, é só saborear, porque o que não mata engorda.

Acompanhamentos

Como vimos, além de rica em cores e sabores a culinária brasileira também oferece ótimos eufemismos e deliciosas metáforas. Desempenhando uma função social que vai muito além da nutrição, a comida, no Brasil, está relacionada a diversas manifestações da cultura popular, entre elas a linguagem.

Dessa interação nasceram várias expressões famosas e corriqueiras, verdadeiras “pérolas” do colóquio nacional. Saber a origem de algumas delas pode ser tão prazeroso quanto provar um bom prato. O difícil é conseguir provar a tal origem, pois quando se trata de expressões populares cada um tem sua própria versão.

As descritas abaixo são as minhas versões, às vezes, inspiradas na de outros, já que andei pesquisando um pouco. Não acredite em tudo. Mas, por mais estapafúrdias que pareçam, certas origens podem muito bem ser verdadeiras.

– A carne é fraca – Essa expressão retirada da bíblia representa a dificuldade de se resistir a certas tentações. A gula (pecado ou não) está sempre nos mostrando isso, porque a carne pode até ser fraca, mas grelhadinha no molho de mostarda…hum! Fica divina. “Vigiai e orai, para que não entreis em tentação; o espírito, na verdade, está pronto, mas a carne é fraca”. (Mt. 26:41)

– Apressado come cru – Como o microondas e o fast food são invenções recentes, até certo tempo atrás era preciso esperar um pouco mais para a comida ficar pronta, ou então comê-la crua. Nessa época a culinária japonesa ainda não estava na moda, logo comida crua era vista com maus olhos, e a expressão passou a ser usada para significar afobamento, precipitação…etc.

– Arroz de festa – Assim são chamadas aquelas pessoas que não perdem uma festa por nada, tendo ou não sido convidadas pra mesma. A origem dessa expressão talvez advenha do costume de se jogar arroz em recém casados. Mas o mais provável é que ela tenha surgido devido a uma antiga tradição portuguesa. Nas festas e comemorações das tradicionais famílias portuguesas nunca faltava uma sobremesa feita com arroz, leite, açúcar e algumas especiarias (arroz doce) e que era conhecida, na época, como “arroz de festa”.

– Chorar as pitangas – Pitangas são deliciosas frutinhas vermelhas cultivadas e apreciadas em todo o país, principalmente nas regiões norte e nordeste. A palavra pitanga deriva de pyrang, que em tupi guarani significa vermelho. Sendo assim a provável relação da fruta com o pranto vem do fato de os olhos ficarem vermelhos, parecendo duas pitangas, quando se chora muito.

– Comer o pão que o diabo amassou – Significa passar por uma situação difícil, um sofrimento. Imagino que a origem dessa expressão venha do fato de que deve ser, realmente, indigesto engolir um pão amassado (amassar é o mesmo que fazer a massa) pelo capeta. Além da procedência, nada confiável, do produto (se vem do coisa ruim, boa coisa não pode ser) tem grandes chances desse pão vir queimado, já que foi assado no fogo do inferno.

– Dar uma banana – É das poucas expressões que são acompanhadas por um gesto. Aliás, neste caso, o mais provável é que o gesto tenha inspirado a expressão, já que ele existe em vários países como Portugal, Espanha, Itália e Brasil. Em todos esses lugares o gesto significa a mesma coisa: um desabafo ou uma ofensa. Já a alusão à banana é exclusividade tupiniquim e fica por conta da criatividade, tão peculiar ao brasileiro.

– Farinha do mesmo saco – “Homines sunt ejusdem farinae” esta frase em latim (homens da mesma farinha) é a origem dessa expressão, utilizada para generalizar um comportamento reprovável. Como a farinha boa é posta em sacos diferentes da farinha ruim, faz-se essa comparação para insinuar que os bons andam com os bons enquanto os maus preferem os maus.

– Pagar o pato – A expressão deriva de um antigo jogo praticado em Portugal. Amarrava-se um pato a um poste e o jogador (em um cavalo) deveria passar rapidamente e arrancá-lo de uma só vez do poste. Quem perdia era que pagava pelo animal sacrificado, sendo assim passou-se a empregar a expressão para representar situações onde se paga por algo sem obter um benefício em troca.

– Ser de meia tigela – Na época da monarquia portuguesa muitos jovens habitavam os castelos, eles prestavam serviços domésticos à corte e recebiam alimentação e moradia por isso. Entre estes jovens, haviam vários vindos do interior, que pela pouca experiência e origem humilde, eram desprezados pelos veteranos, sendo ironicamente tratados por “fidalgos de meia tigela”, já que embora habitassem o palácio não participavam de rituais importantes da corte. Como em alguns desses ritos quebravam-se tigelas, dizia-se que eles eram de meia tigela porque nunca quebrariam a tigela, privilégio reservado aos nobres.

Bom, essas são algumas das histórias mais interessantes, mas se você se interessou pelo assunto e quer continuar a desvendar a origem das expressões, pode recorrer a sua própria criatividade, a sua avó e as amigas dela do jogo de biriba ou então aos seguintes livros:

– De onde vêm as palavras, Deonísio da Silva (Editora A Girafa, 2004). – Neste livro se encontram milhares de verbetes explicando a origem etimológica de várias palavras e expressões. Mais do que desvendar a origem, Deonísio explica, em alguns casos, a história das palavras e como elas se modificaram desde o seu surgimento.

– Mas será o Benedito?, Mario Prata (Editora Globo, 1996) – Várias histórias criadas pelo autor para explicar a origem de algumas expressões populares faladas por nós estão presentes neste livro. Privilegiando mais o humor que o rigor científico, Mario Prata assume que inventou a maioria dos verbetes sem se preocupar com a verdade histórica. O livro também pode ser encontrado na Internet, no site do autor está disponível uma versão integral do texto, o endereço é: www.marioprataonline.com.br

Claudemir Beneli – Gastronomia e Culinária

Beijo na boca

Publicado em 28 de setembro de 1998 no site “Almas Gêmeas”, o texto “As razões que o amor desconhece” circula como sendo do desconhecido, mas é da Martha Medeiros.

BEIJO NA BOCA
Martha Medeiros

Uma vez a atriz e cineasta Carla Camuratti declarou, numa entrevista, que um bom beijo é melhor do que uma transa insossa. Quando a escutei dizendo isso, pensei: “então não sou só eu”. Estou com Carla: o beijo é a parte mais importante da relação física entre duas pessoas, e se ele não funcionar, pode desistir do resto.

A Editora Mandarim acaba de lançar um livro que reúne ensaios de diversos intelectuais a respeito do assunto. O nome do livro é O Beijo – Primeiras Lições de Amor, História, Arte e Erotismo. Os autores discutem o beijo materno, o beijo nos contos-de-fadas, o beijo traiçoeiro de Judas, os primeiros beijos impressos em cartazes, o beijo na propaganda, o mais longo beijo do cinema e todas as suas simbologias. Às vezes o livro fica prolixo demais, mas ainda assim é um assunto tentador. Procure-o nas melhores casas do ramo. O livro, porque beijo não está à venda.

Todo mundo sonha com aquele beijo made in Hollywood, que tira o fôlego e dá início a um romance incandescente. Pena que nem sempre isso aconteça na vida real. O primeiro beijo entre um casal costuma ser suave, investigativo, decente. Aos pouquinhos, no entanto, acende-se a labareda e as bocas dizem a que vieram. Existe um prazo para isso acontecer: entre cinco minutos depois do primeiro roçar de lábios até, no máximo, cinco dias. Neste espaço de tempo, ainda compreende-se que os beijos sejam vacilantes: tratam-se de duas pessoas criando um vínculo e testando suas reações. Mas se a decência persistir, não espere ver estrelinhas na etapa seguinte. A química não aconteceu.

Beijo é maravilhoso porque você interage com o corpo do outro sem deixar vestígios, é um mergulho no escuro, uma viagem sem volta. Beijo é uma maneira de compartilhar intimidades, de sentir o sabor de quem se gosta, de dizer mil coisas em silêncio. Beijo é gostoso porque não cansa, não engravida, não transmite o HIV. Beijo é prático porque não precisa tirar a roupa, não precisa sair da festa, não precisa ligar no dia seguinte. E sem essa de que beijo é insalubre porque troca-se até 9 miligramas de água, 0,7 grama de albumia, 0,18 de substâncias orgânicas, 0,711 miligrama de matérias gordurosas e 0,45 miligrama de sais, sem contar os vírus e as bactérias. Quem está preocupado com isso? Insalubre é não amar.

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Site Autor Desconhecido Homenageado

De vez em quando eu descubro umas homenagens e citações. Como já comentei por aqui, dificilmente alguém me avisa que o site foi citado em algum jornal, revista ou site. Assim fica difícil de salvar os registros, coisa que gostaria de fazer. Descobri que o Autor Desconhecido recebeu menção na terceira edição da Revista Contemporânea. Fui a “Persona Contemporânea” da edição, mas a homenagem não foi para mim, foi para o Autor, então que ele receba os devidos louros. :-)

Segue o texto da homenagem:

REVISTA CONTEMPORÂNEA – EDIÇÃO 03

Simone Costa – Editora

PERSONA CONTEMPORÂNEA

Vanessa Lampert – III Selo Persona Contemporânea

O Selo Persona Contemporânea homenageia – a cada edição – um profissional que destaca-se na literatura, nas artes, na cultura ou no entretenimento virtual. Por sua contribuição peculiar e reveladora.
Nesta terceira edição  O Persona Contemporânea vai para a Artista e escritora VANESSA LAMPERT por seu relevante trabalho de “caça créditos” que faz no site AUTOR DESCONHECIDO.
Você tem um texto de autor desconhecido?
Gostaria de conhêce-lo?
Já viu seu texto publicado com créditos para outra pessoa?
Quer resolver?
Fale com a Vanessa…
AUTOR DESCONHECIDO
Vanessa Lampert
Da primeira vez chegamos à noite, olhamos a estátua, a máquina de escrever, a agenda, os jornais e a caneta bic empoeirados sobre o banco, o olhar perdido no horizonte, observando a bela paisagem da orla do Leblon.
– Quem será esse? – Perguntei para o Davison, já procurando uma placa que identificasse a estátua. Absortos em nossa ignorância, não encontramos o nome do cara em lugar algum. Chegamos então à conclusão de que se tratava de uma homenagem ao Autor Desconhecido.
Sim, aquele mesmo que escreve os textos mais legais da internet, que a gente recebe por e-mail, lê em sites, em blogs e até em muito jornal por aí. O Autor Desconhecido é o profissional mais altruísta que existe, ele não quer divulgar seu nome nas coisas que escreve, seu intuito é apenas produzir para jogar ao vento, para espalhar a arte, para que o resultado de seu árduo trabalho seja de domínio público, como uma mente completamente desapegada, como a mãe que joga seus lindos filhos no mundo para que todos possam ter a oportunidade de carregá-los no colo. Ela vira as costas, não deixa nome, telefone, nem endereço, não deixa rastro. Definitivamente, um cara desses merece uma homenagem.
Dia desses resolvi voltar lá, para tirar foto da estátua do Autor Desconhecido. Uma garoa fina me acompanhou até que eu alcançasse o final do calçadão do Leblon, onde repousa a justa homenagem. Um gari, sentado ao lado da escultura atrapalhava a minha foto. Resolvi sentar ali perto enquanto aguardava que o homem retomasse seu trabalho. Em vão. Levantei e olhei para os pertences do Autor Desconhecido, sua caneta, agenda, jornal e máquina de escrever…a garoa retirou a poeira e pude ver que havia, no jornal, algo escrito. Me aproximei e li: “Zózimo”. Pensei alto:
– Não acredito que esta é a placa. – O gari ouviu e me explicou, em tom importante:
– Esse é o Zózimo.
– Ele era jornalista – Explicou o pipoqueiro, sentado próximo, ao que o gari completou, apaixonado:
– É, tinha uma coluna no Jornal do Brasil. Na verdade ele é mais do que isso. É o símbolo do carioca que sai do trabalho, olha o mar, observa a paisagem. Sem essa estátua o Leblon não seria o Leblon.
Após uma rápida aula do gari sobre a vida e obra de Zózimo Barroso, tirei minhas fotos, com os dois ao fundo, porque agora faziam parte do contexto, não?
Aprendi com tudo isso o que eu já sabia: não havia homenagem alguma ao Autor Desconhecido simplesmente porque não existe o Autor Desconhecido. O que existe é a preguiça e a falta de atenção que nos faz passar reto pela identidade do autor, a preguiça de retirar a poeira sobre as letras e descobrir quem escreveu aquele texto. O autor desconhecido não existe. É só procurar um pouco e rapidinho a gente descobre quem ele é. É só ter um pouquinho de paciência e humildade para descobrir, nem que seja através de um gari.
O Zózimo de bronze, no entanto, torna-se o espelho de tantos autores desconhecidos que têm seus textos roubados e repassados sem autoria ou até mesmo assinados por outra pessoa. O legal da internet é poder divulgar textos interessantes, espalhar o que nos chama a atenção, mas sempre respeitando o trabalho alheio, colocando os devidos créditos e não repassando texto sem autor. Sempre checar, aliás, a autoria dos textos que recebemos por e-mail, fazendo uma rápida pesquisa no google com uma frase do texto entre aspas.
Enchi tanto o saco dos meus amigos (e da lista de amigos deles) com esse papo de respeito ao trabalho dos outros quando eles me mandavam textos que eu recebia sem autoria ou com autoria equivocada que hoje em dia ninguém mais me manda nada e eu fico sabendo pelos outros do que anda circulando na internet. O problema é que quando esses textos saem da internet para a coluna de alguém em um jornal, por exemplo, ou como texto de estudo em uma sala de aula, a coisa complica. Dá a impressão de que escrever não é trabalho e que um texto brota do nada, assim, no papel, se auto-escrevendo.
Fiquei sabendo dia desses de um texto para o qual estou fazendo operação caça-créditos que foi parar em uma coluna de jornal sem que fosse citado o autor. Não é o único, eu sei, e a pessoa que o publicou certamente o fez achando que ele havia sido escrito pelo tal Autor Desconhecido do início deste post. A partir do momento em que constatamos a inexistência dessa entidade, nos deparamos com um problema grave. Não é frescura querer que seu nome esteja atrelado a seu trabalho porque o escritor não tem outra forma de ter seu trabalho reconhecido e divulgado, ou seu nome vai com o seu texto, ou seu texto vai e seu nome fica.
Então, por Zózimo, tenhamos um pouco de respeito pelos escritores que abrem seu talento aqui na internet e façamos, cada um, a nossa parte. Tenho falado sobre isso aqui há muito tempo, mas agora decidi que algo mais específico deve ser feito. Pensando nisso, acabo de criar este blog, onde reunirei os textos roubados, falarei de seus autores e farei aqui uma espécie de “banco de dados de textos perdidos”, para facilitar as buscas de quem recebe texto sem autor. A idéia é transformar, em um futuro próximo, o blog em um site, com mecanismo de busca rápida de textos dentro de seu próprio conteúdo.
Já tenho bastante material, mas vou postando aos poucos. Sim, os textos são fantásticos, por isso mesmo devemos respeitar seus autores. Dizer que um texto não tem autor é mentira, atribuir a autoria a outra pessoa, é roubo. Repassar texto sem autor ou roubado, é conivência.
O Autor Desconhecido não existe, todo texto tem autor, nenhum texto se auto-produz. Escrever é trabalho e os escritores que disponibilizam seus textos na net não se importam se você quiser enviar para algum amigo por e-mail ou postar em seu blog, desde que dê os devidos créditos ao autor. E o que é dar os créditos ao autor? É um troço fácil: é só colocar no nome do autor no início ou no final do texto.
Questão de respeito, Internet é só mais um meio de transportar informações, não é uma outra dimensão em que nossos valores e princípios podem ser jogados no lixo assim. Somos pessoas lidando com pessoas, como em qualquer outro lugar, qualquer outra situação. Respeito. É o que pedimos. Simples assim.
Aqui reunirei os textos órfãos aos seus pais. Há tempos fazemos o que eu chamo de “operação caça-créditos” procurando textos de “autor desconhecido” cujos autores eu conheço  e avisando, site por site, da autoria. Muitos sites têm colaborado conosco, mas ainda somos formiguinhas muito pequenas nessa tarefa. Com os textos reunidos aqui e o depoimento dos autores, será mais fácil obter a ajuda de vocês para este trabalho. Vamos nos divertir na internet sim, mas sem desrespeitar o trabalho alheio, assim todo mundo fica feliz e cumpre seu papel.
Fale com a Contemporânea e participe da indicação para o próximo Selo Persona Contemporânea
simonealcosta@gmail.com
parceriacontemporanea@gmail.com

O Selo Persona Contemporânea homenageia – a cada edição – um profissional que destaca-se na literatura, nas artes, na cultura ou no entretenimento virtual. Por sua contribuição peculiar e reveladora.

Nesta terceira edição  O Persona Contemporânea vai para a Artista e escritora VANESSA LAMPERT por seu relevante trabalho de “caça créditos” que faz no site AUTOR DESCONHECIDO.

Você tem um texto de autor desconhecido?

Gostaria de conhecê-lo?

Já viu seu texto publicado com créditos para outra pessoa?

Quer resolver?

Fale com a Vanessa…

AUTOR DESCONHECIDO

Vanessa Lampert

Da primeira vez chegamos à noite, olhamos a estátua, a máquina de escrever, a agenda, os jornais e a caneta bic empoeirados sobre o banco, o olhar perdido no horizonte, observando a bela paisagem da orla do Leblon.

– Quem será esse? – Perguntei para o Davison, já procurando uma placa que identificasse a estátua. Absortos em nossa ignorância, não encontramos o nome do cara em lugar algum. Chegamos então à conclusão de que se tratava de uma homenagem ao Autor Desconhecido.

Sim, aquele mesmo que escreve os textos mais legais da internet, que a gente recebe por e-mail, lê em sites, em blogs e até em muito jornal por aí. O Autor Desconhecido é o profissional mais altruísta que existe, ele não quer divulgar seu nome nas coisas que escreve, seu intuito é apenas produzir para jogar ao vento, para espalhar a arte, para que o resultado de seu árduo trabalho seja de domínio público, como uma mente completamente desapegada, como a mãe que joga seus lindos filhos no mundo para que todos possam ter a oportunidade de carregá-los no colo. Ela vira as costas, não deixa nome, telefone, nem endereço, não deixa rastro. Definitivamente, um cara desses merece uma homenagem.

Dia desses resolvi voltar lá, para tirar foto da estátua do Autor Desconhecido. Uma garoa fina me acompanhou até que eu alcançasse o final do calçadão do Leblon, onde repousa a justa homenagem. Um gari, sentado ao lado da escultura atrapalhava a minha foto. Resolvi sentar ali perto enquanto aguardava que o homem retomasse seu trabalho. Em vão. Levantei e olhei para os pertences do Autor Desconhecido, sua caneta, agenda, jornal e máquina de escrever…a garoa retirou a poeira e pude ver que havia, no jornal, algo escrito. Me aproximei e li: “Zózimo”. Pensei alto:

– Não acredito que esta é a placa. – O gari ouviu e me explicou, em tom importante:

– Esse é o Zózimo.

– Ele era jornalista – Explicou o pipoqueiro, sentado próximo, ao que o gari completou, apaixonado:

– É, tinha uma coluna no Jornal do Brasil. Na verdade ele é mais do que isso. É o símbolo do carioca que sai do trabalho, olha o mar, observa a paisagem. Sem essa estátua o Leblon não seria o Leblon.

Após uma rápida aula do gari sobre a vida e obra de Zózimo Barroso, tirei minhas fotos, com os dois ao fundo, porque agora faziam parte do contexto, não?

Aprendi com tudo isso o que eu já sabia: não havia homenagem alguma ao Autor Desconhecido simplesmente porque não existe o Autor Desconhecido. O que existe é a preguiça e a falta de atenção que nos faz passar reto pela identidade do autor, a preguiça de retirar a poeira sobre as letras e descobrir quem escreveu aquele texto. O autor desconhecido não existe. É só procurar um pouco e rapidinho a gente descobre quem ele é. É só ter um pouquinho de paciência e humildade para descobrir, nem que seja através de um gari.

O Zózimo de bronze, no entanto, torna-se o espelho de tantos autores desconhecidos que têm seus textos roubados e repassados sem autoria ou até mesmo assinados por outra pessoa. O legal da internet é poder divulgar textos interessantes, espalhar o que nos chama a atenção, mas sempre respeitando o trabalho alheio, colocando os devidos créditos e não repassando texto sem autor. Sempre checar, aliás, a autoria dos textos que recebemos por e-mail, fazendo uma rápida pesquisa no google com uma frase do texto entre aspas.

Enchi tanto o saco dos meus amigos (e da lista de amigos deles) com esse papo de respeito ao trabalho dos outros quando eles me mandavam textos que eu recebia sem autoria ou com autoria equivocada que hoje em dia ninguém mais me manda nada e eu fico sabendo pelos outros do que anda circulando na internet. O problema é que quando esses textos saem da internet para a coluna de alguém em um jornal, por exemplo, ou como texto de estudo em uma sala de aula, a coisa complica. Dá a impressão de que escrever não é trabalho e que um texto brota do nada, assim, no papel, se auto-escrevendo.

Fiquei sabendo dia desses de um texto para o qual estou fazendo operação caça-créditos que foi parar em uma coluna de jornal sem que fosse citado o autor. Não é o único, eu sei, e a pessoa que o publicou certamente o fez achando que ele havia sido escrito pelo tal Autor Desconhecido do início deste post. A partir do momento em que constatamos a inexistência dessa entidade, nos deparamos com um problema grave. Não é frescura querer que seu nome esteja atrelado a seu trabalho porque o escritor não tem outra forma de ter seu trabalho reconhecido e divulgado, ou seu nome vai com o seu texto, ou seu texto vai e seu nome fica.

Então, por Zózimo, tenhamos um pouco de respeito pelos escritores que abrem seu talento aqui na internet e façamos, cada um, a nossa parte. Tenho falado sobre isso aqui há muito tempo, mas agora decidi que algo mais específico deve ser feito. Pensando nisso, acabo de criar este blog, onde reunirei os textos roubados, falarei de seus autores e farei aqui uma espécie de “banco de dados de textos perdidos”, para facilitar as buscas de quem recebe texto sem autor. A idéia é transformar, em um futuro próximo, o blog em um site, com mecanismo de busca rápida de textos dentro de seu próprio conteúdo.

Já tenho bastante material, mas vou postando aos poucos. Sim, os textos são fantásticos, por isso mesmo devemos respeitar seus autores. Dizer que um texto não tem autor é mentira, atribuir a autoria a outra pessoa, é roubo. Repassar texto sem autor ou roubado, é conivência.

O Autor Desconhecido não existe, todo texto tem autor, nenhum texto se auto-produz. Escrever é trabalho e os escritores que disponibilizam seus textos na net não se importam se você quiser enviar para algum amigo por e-mail ou postar em seu blog, desde que dê os devidos créditos ao autor. E o que é dar os créditos ao autor? É um troço fácil: é só colocar no nome do autor no início ou no final do texto.

Questão de respeito, Internet é só mais um meio de transportar informações, não é uma outra dimensão em que nossos valores e princípios podem ser jogados no lixo assim. Somos pessoas lidando com pessoas, como em qualquer outro lugar, qualquer outra situação. Respeito. É o que pedimos. Simples assim.

Aqui reunirei os textos órfãos aos seus pais. Há tempos fazemos o que eu chamo de “operação caça-créditos” procurando textos de “autor desconhecido” cujos autores eu conheço  e avisando, site por site, da autoria. Muitos sites têm colaborado conosco, mas ainda somos formiguinhas muito pequenas nessa tarefa. Com os textos reunidos aqui e o depoimento dos autores, será mais fácil obter a ajuda de vocês para este trabalho. Vamos nos divertir na internet sim, mas sem desrespeitar o trabalho alheio, assim todo mundo fica feliz e cumpre seu papel.

Rodeio de ego

Para encerrar o momento Rosana Hermann :

Rodeio de Ego

Rosana Hermann

“Não se deixe enganar por essa letrinha com corpinho 1, em
itálico, mostrando meu nome bem pequenininho. É disfarce.
No fundo, meu ego megalomaníaco gostaria que o nome
estivesse em letras garrafais, brilhantes, luminosas, em
Times Square, Nova York, como aliás, fazem alguns
apresentadores de tv nas aberturas de seus próprios
programas, em geral, com seus nomes também no título.

Se não o faço é mais por medo que por humildade, mais
por escrúpulo do que por ética. Eu tenho um ego do
tamanho de um bonde, descendo uma ladeira em
São Francisco, sem freio e cheio de passageiros.
Acredite, é mais fácil montar um touro bravo num
rodeio durante oito segundos do que segurar meu
ego selvagem no momento em que alguém abre
a porteira desavisadamente.
A porteira, aliás, acabou de ser aberta. Estou aqui,
me segurando, me roendo, sangrando, navegando
pela web pra me distrair e não liberar o demônio da
Tazmania por uma bobagem.
O pior é que a alegria da platéia é ver o circo pegar
fogo e o palhaço se f..der. A simples menção de que
estou em ponto de bala para deixar meu ego explodir
faz com que a galera grite ‘pula! pula!’, ‘solta, solta’
e ‘conta!conta!”.
Sim, porque, assim como a indústria alimentícia e o
marketing não colaboram pra que a gente emagreça,
o povo não ajuda ninguém a ser generoso e humilde.
Queremos sangue. Gostamos de sangue. A cor, o cheiro,
o salgado do sangue nos atrai. Por isso todo mundo
diminui a velocidade pra ver um acidente causando
outros acidentes e muito congestionamento.
O ser humano é carnívoro. Competimos por espaço
há milênios. E agora, competimos também na web.

Competimos, é plural de majestade. Eu compito.
Mesmo que não exista a primeira pessoa do
singular do verbo competir. Dane-se. Eu sei
o que meu ego indomável quer:
re-co-nhe-ci-men-to.
O ego quer ser admirado Quer adjetivos elogiosos e
exclamações de grata surpresa. Quer muitos
clap clap clap, quer ohhhhhhhhh! cheios
de agás, quer beijinhos, cutchie cutchie,
e muito bem.
Aperto na bochecha nenê não quer, nenê
não gosta.
Ego é bebê. É criança, fedelho, pentelho.
Ego é chato, voraz, desagradável.
Inadequado. Mas está lá. Sempre pronto
para clamar por justiça.
Mania de ego inflado é se sentir injustiçado.
Passatempo de ego grande é esmagar
em nome da lei. É clamar pelo correto
quando o razoável resolveria.
Ego não samba, não tem jogo de cintura.
Ego não dorme, morre de insônia.
Ego não goza, finge prazer com gemidinhos.
Quem tem ego tem problema, ema ema ema.
Por isso peço ajuda, encarecidamente, a
todos os que convivem com este monstro
na coleira que arrasto pela mão, meu ego
alemão, com mossarela italiana, convertido
ao judaísmo, trancafiado num corpo pícnico,
agarrado a um cérebro atento, medroso e
inseguro como uma criança que segura um ursinho.
Minha cabeça, é tudo o que meu ego tem pra brincar.
E por isso, de vez em quando, meu ego pega
meu cérebro e chuta como bola no quintal do
coração e marca um gol de mão,
que deveria ser anulado.
Meu ego e meu cérebro, aliás, vivem em constante
disputa e quem perde a partida, sou eu.
Meu cérebro sobe na balança, o ego mente o peso.
Meu cérebro escreve um post, o ego mede as visitas.
Meu cérebro abre a porta, o ego passa primeiro.
No carro, o cérebro dá a partida, o ego acelera.
No vermelho, o cérebro freia, o ego xinga.

O cérebro quer se encontrar, o ego,se acha.
O cérebro quer um amor, o ego, se masturba.
O cérebro busca a performance, o ego quer a medalha.
O cérebro quer terminar este texto, o ego sopra
palavras.

Não é por mal, é só doença. Doença da
ilusão, de todo ser humano, de querer ser
eternamente amado.
Ser continuamente reconhecido.
Infinitamente aplaudido. Em pé.
E, claro, com transmissão simultânea
para todo o planeta.

Ao vivo. “

Minha inguinorância é pobrema meu!

Rosana Hermann Rides Again – Porque nem só de Martha Medeiros vive a Entidade Distorcedora de Textos.

Este texto foi publicado em 17 de março de 2004 na coluna que a Rosana Hermann tinha no site Humortadela. Logo o texto foi atribuído aos nossos dois ícones máximos: Luís Fernando Verissimo e Autor Desconhecido da Silva. Vai o texto original:

Minha inguinorância é pobrema meu!

Minha Santa Gramática das Últimas Concordâncias! Meu Santo Aurélio da Ordem Alfabética! Herrar é Umano, ninguém é per-feito, cultura não é inteligência, ninguém tem culpa de não ter formação cultural num país que só tem Juiz Lalau mas… o que é essa santa inguinorância da Solange do Big Brother Brasil de Quatro??? Gente, eu temo pela vida dessa moça! Se ela entrar no Zoológico de São Paulo, corre o risco de ser envenenada! De onde ela veio? Do Poço das Antas? Sai Capeta!!!

Não vou nem entrar em detalhes da edição de ontem que mostrou a grande final da 1a. Mar-anta-tona de Asneiras Estratosféricas, com Cida e Solange competindo de pau a pau nos quesitos “brócos” e “personal trem”. A gente sabemos (!) que elas têm origem humilde e que se tivessem tido oportunidade tudo seria diferente. Mas assim como o pior cego é aquele que não quer ver o pior burro é aquele que não quer aprender! Solange QUER ficar na santa inguinorânça, quer ser grossa, faz questã (!) de se manter porquinha!

A Solange é o tipo de pessoa que vai no aeroporto pra dar milho pra avião. Ela acredita piamente que quando sobe, o avião degola e quando desce, aterroriza! Pra ela, prédio moderno é aquele que tem garagem mediterrânea, luz de spock, sistema de esquecimento central e playboy pra criança brincar. Tenho certeza que ela não gosta de casa germinada onde as paredes estão cheias de humildade e nem aceita dormir em cama boliche!

Ela é do tipo que mata dois coelhos com uma caixa d’água e não põe a mãe no fogo por ninguém! E tem mais: garanto que ela nunca aprendeu português porque acha que a matéria é um bife de sete cabeças! Um dia eu posso até fazer uma meia-culpa por falar tudo isso da moça, já que a ignorância é uma questão de forno íntimo, mas eu acho que ela está indo com muita sede ao poste!!! De qualquer forma, ela não me respira confiança!

A ignorância da moça é tão genuína que deveria ser tombada pelo patrimônio histórico! (Já a Marcela deveria ser tombada pelo patrimônio.. histérico!)

Aliás, nesta edição que está fadada (pra não dizer mordida…) a ter uma mulher como vencedora, estamos totalmente mal representadas. Além da turma das superpobrinhas de espírito, há várias suspeitas sobre a conduta das moças mais bem afortunadas. Várias matérias já insinuaram que se uma delas for morar na Índia, vai ser considerada uma criatura sagrada! Pegou? Pegou? Então larga que tá doendo!

Mas a vida é como circuito elétrico, sempre tem um lado positivo. E neste caso, o lado positivo é que um dia o programa acaba, a Solange ladra, as caravanas passam e a gente nunca mais vai ter que assistir em horário nobre alguém dizer ‘Jack o Estuprador’ sem saber que está num programa de humor!!

Agora, com licença, que eu tenho que me recompor, de tanto rir desta participante que tem mais sorte do que juiz ! Já ri tanto que depilei o fígado!

Um beijo, um browse, um aperto de mouse,
da
Rosana Hermann

O desafio da gordura


A entidade do mal mutiladora de textos e engolidora de autores deve ser muito, muito gorda. Porque ela tem uma estranha fixação por textos sobre dieta e padrões de beleza. O texto abaixo é mais um da Rosana Hermann (que está roubando, no momento, o título de Miss Spam de Martha Medeiros, nossa musa). O texto foi publicado em 06 de março de 2004, na coluna da Rosana no site Humortadela, depois de raptado ganhou o título “O desafio da gordura” (quem escolhe esses títulos??), tornou-se texto de “Autor Desconhecido” e virou até apresentação de Power Point! (o último estágio de degradação de um texto roubado, a meu ver)

Por um mundo diet e uma vida light!
Rosana Hermann

Tenho dois grandes problemas em relação a meu peso: dificuldade de emagrecer e facilidade de engordar. Em algum lugar do meu DNA implantaram um gene de urso polar e meu organismo sempre tem a sensação de que eu vou hibernar durante seis meses e assim, resolve guardar tudo o que como pra sobreviver ao inverno. O problema é que a vida do urso polar é só inverno.

Sem contar que eu devo ter um sério distúrbio oftalmológico, ligado ao acúmulo de gordura, porque basta eu olhar para uma lasagna que minha bunda aumenta. Pelo menos a recíproca não é verdadeira, quando eu me sento, felizmente, não fico cega.

Claro, ao longo da vida já engordei, emagreci, engordei, emagreci, como qualquer sanfona histérica. Nada de tão grave que me impedisse de virar a roleta no metrô com uma pequena ajuda ou que me fizesse entalar na roda-gigante. Inclusive, em duas ocasiões em que eu havia engordado muito, tive uma grande melhora depois que tiraram as crianças de dentro. O caso é que nesse engorda-emagrecer engorda-emagrece, eu parei por último no engorda.

O problema é que passar a vida inteira preocupada com o peso, é um porre. E a pior parte é ouvir as mesmas soluções e receitas de dieta que você não vai fazer, como ‘comer muita fruta, muita verdura, cortar massas e suspender o açúcar’. Ah, então ta. Vamos cortar as massas. Pega a tesoura, por favor. que eu vou picotar o espaguete e já volto. O açúcar eu vou guardar em cima do armário prá ficar suspenso. As frutas eu vou comer, todas, como um bom abacatesão e uma jaca gay. E, claro, vou recorrer à piada mais velha do mundo e dizer que toda mulher adora ver dura.

Vamos deixar de ser hipócritas, o mundo ocidental, capitalista, foi projetado para produzir gente gorda. Parece que estou vendo, os maiores conglomerados de empresas alimentícias e a os maiores representantes da indústria estética e farmacêutica sentados naquelas mesas de reunião que tem lugar para 356 pessoas, todas em cadeiras de couro preto. E aí, o povo da comida abre a reunião dizendo:

– Ó, vamos combinar assim, a turma de cá cobra pra engordar o povo e a turma daí cobra pra emagrecer. Quando o pessoal perceber a jogada, a gente de cá começa a vender produtos diet e light mais caro e fatura mais ainda e vocês, produzem mais remédios contra obesidade e mais clínicas de emagrecimento. Quando mais eles engordam a bunda e a barriga mais a gente engorda nossa poupança. Combinado?

E todos saíram de lá com essa intenção. Dá pra ver. Você vai na lanchonete e tudo é gorduroso, calórico e cheio de açúcar. Pra disfarçar eles vendem uma daquelas saladinhas transgênicas cuja embalagem é mais saudável que o conteúdo. Em qualquer lugar do planeta, na padaria, no posto de gasolina, na banca de revistas, você pode comer salgadinhos, bala, chocolate, tudo que engorda. Ninguém nunca viu um um pacote de cenoura picada, pepino em rodelinha, talos de salsão na boca de caixa da padaria. Ali é o mundo dos dadinhos, balas de goma, guardachuvinhas de chocolate. Tudo feito, planejado e pensado pra você virar um bujão.

Porém, não é só a parte da entrada, a ingestão da comida que é programada para deixar você obeso e infeliz: todo o marketing da segunda parte, a indústria do emagrecimento, foi construída para roubar no jogo, mentir pra você e levar seu dinheirinho. As modelos que vendem aparelhos de ginástica, fazem lipo, botam silicone e depois vão dizer que foi aquela cadeirinha super-duper-lipo-sculpt, em quatro parcelinhas de xis e noventa e nove, que fez com que ela ficasse com aquele corpinho. O apresentador toma remédio pra emagrecer, faz uma plástica e depois vende diet-sucos pra enganar você.

Quem nasceu magro, seja magro de ruim ou magro de fome, está na vantagem. Vai economizar muito dinheiro, tempo e sanidade mental. Quem tem tendência a sair rolando, sabe como é o momento de enfrentar a balança do banheiro.

Já contei isso várias vezes, se você já leu em algum lugar pode pular essa parte da pesagem. É um desespero. Primeiro você tira a roupa, o sapato, a meia, e sobe na balança. Não acredita naqueles quilos todos. Aí você faz xixi, escova os dentes, corta as unhas, pra se livrar de mais alguns gramas e sobe na balança de novo. Nada. O ponteiro já está rindo da sua cara e não sai do lugar. Você resolve botar mais coisas pra fora. Chora, corta o cabelo, tira a sobrancelha, depila as pernas, arranca uma obturação. Nada. Dá vontade de pular da janela mas morrer gordo e pelado é o pior vexame. Melhor ficar vivo com uma roupinha larga. Você volta, se veste e sai do banheiro se sentindo uma pizza de ontem grudada na tampa, um lixo, um nada.

Mas, dizem que enquanto há vida há ex-pelancas e para tudo há uma solução. É só você fazer reeducação alimentar. Ah, bom! Era isso… falta de educação. Agora sim, vou dividir minhas horas do dia, fragmentar as refeições, ingerir mais proteínas do que carboidratos, trocar o açúcar por adoçante e tudo vai dar certo. Sim, porque no fim, você vai ao spa, faz uma lipo, bota uma prótese. Se não der certo, você grampeia o estômago, costura a boca e amplia o reto! Você vai ver que fácil vai ser, você vai ficar magro, direto!!

O que eu faria com uns ‘quilinhos a menos’? Sairia correndo pra dar um soco na cara do imbecil que criou esse comercial! Aproveitando o nome do remédio já faço a rima: vá K-gá no matagal!!!

Agora, com licença que eu tenho que sair pra caminhar. Sabe, fazer exercícios queima calorias… emagrece…ou pelo menos, desengorda!E, claro, vou usar todas aquelas instruções cômicas para regime que rolam pela web, com dados científicos como “bolacha quebrada não conta calorias”, “tudo o que você come e ninguém vê, não engorda”, “depois da meia noite, a comida perde o efeito”! Se não tem jeito, então, não tem jeito. A solução é viver satisfeito!

Um low-fat beijo, um light-browse, um diet aperto de mouse,
da

Rosana Hermann

Vaidade

Mais um da Rosana Hermann . Este texto foi roubado do blog da Rosana, adulterado e postado no orkut como se fosse de Herbert Vianna e ganhou o título “Vaidade” (leia mais aqui ). Aí vai a versão original:

“no trabalho e.. chocada
Rosana Hermann

Cantor do LS Jack é internado em coma no Rio após lipoaspiração
É possível isso? É admissível isso? Um rapaz de 27 anos ter uma parada cardíaca e entrar em coma após uma cirurgia de lipoaspiração? Pelo amor de D’us, eu não quero usar nada nem ninguém, nem falar do que não sei, nem procurar culpados, nem acusar ou apontar pessoas, mas ninguém está percebendo que toda essa busca insana pela estética ideal é muito menos lipo-as e muito mais piração?
Uma coisa é saúde outra é obsessão. O mundo pirou, enlouqueceu.
Hoje, D’us é a auto imagem.
Religião, é dieta.
Fé, só na estética.
Ritual é malhação.
Amor é cafona, sinceridade é careta, pudor é ridículo, sentimento é bobagem.
Gordura é pecado mortal.
Ruga é contravenção.
Roubar pode, envelhecer, não.
Estria é caso de polícia.
Celulite é falta de educação.
Filho da puta bem sucedido é exemplo de sucesso.
A máxima moderna é uma só: pagando bem, que mal tem?

A sociedade consumidora, a que tem dinheiro, a que produz, não pensa em mais nada além da imagem, imagem, imagem.
Imagem, estética, medidas, beleza. Nada mais importa.
Não importam os sentimentos, não importa a cultura, a sabedoria, o relacionamento, a amizade, a ajuda, nada mais importa. Não importa o outro, a humanidade, o coletivo. Jovens não tem mais fé, nem idealismo, nem posição política. Adultos perdem o senso em busca da juventude fabricada.
Ok, eu também quero me sentir bem, quero caber nas roupas, quero ficar legal, quero caminhar correr, viver muito, ter uma aparência legal mas… uma sociedade de adolescentes anoréxicas e bulímicas, de jovens lipoaspirados, turbinados, aos vinte anos não é natural. Não é, não pode ser.

D’us permita que ele volte do coma sem seqüelas. Que as pessoas discutam o assunto. Que alguém acorde. Que o mundo mude. Que eu me acalme. Que o amor sobreviva.

PS – Desulpe o desabafo, o texto em um fôlego só. Mas sabe, isso é um blog.”

Chegou o verão

Início da Sessão Rosana Hermann . Agradecendo a colaboração da autora, que deu uma mãozona para a criatura que vos escreve, enviando os textos originais, para a inclusão em nosso banco de dados anti-autor desconhecido e anti-autoria trocada. O texto que segue também é encontrado sob o título “Chegou o verão” e creditado erroneamente a….adivinhem quem??? Luis Fernando Verissimo!!! E ao nosso amigo inexistente, Mr. Desconhecido. O texto foi originalmente publicado no primeiro número da revista “Jovem Pan” e é de autoria da jornalista Rosana Hermann, vítima constante da troca de textos na maternidade.

The summer is tragic!

por
RosanaHermann

Chegou o verão. E com ele também chegam os pedágios, os congestionamentos na estrada, os bichos geográficos no pé e a empregada cobrando hora-extra.

Verão tambem é sinônimo de pouca roupa e muito chifre, pouca cintura e muita gordura, pouco trabalho e muita micose.

Verão é picolé de Ki-suco no palito reciclado, é milho cozido na água da torneira, é coco verde aberto pra comer a gosminha branca.

Verão é prisão de ventre de uma semana e pé inchado que não entra no tênis. Mas o principal, o ponto alto do verão é… a praia!!

Ah, como é bela a praia!

Os cachorros fazem cocô e as crianças pegam pra fazer coleção.

Os casais jogam frescobol e acertam a bolinha na cabeça das véias.

Os jovens de jet ski atropelam os surfistas, que por sua vez, miram a prancha pra abrir a cabeça dos banhistas.

O verão é Brasil, é selva, é carnaval, é tribo de índio canibal.

Todo mundo nu de pele vermelha. As mulheres de tanga, os homens de calção tão justo que dá até pra ver o
veneno da flecha, e todo mundo se comendo cru.

O melhor programa pra quem vai à praia é chegar bem cedo, antes do sorveteiro, quando o sol ainda está fraco e as famílias estão chegando. É muito bonito ver aquelas pessoas carregando vinte cadeiras, três geladeiras de isopor, cinco guarda-sóis, raquete, frango, farofa, toalha, bola, balde, chapéu e prancha, acreditando que estão de férias.

Em menos de cinqüenta minutos, todos já estão instalados, besuntados e prontos pra enterrar a avó na areia.

E as crianças? Ah, que gracinha! Os bebês chorando de desidratação, as crianças pequenas se socando por uma conchinha do mar, os adolescentes ouvindo walkman enquanto dormem.

As mulheres também têm muita diversão na praia, como buscar o filho afogado e caminhar vinte quilômetros pra encontrar o
outro pé do chinelo.

Já os homens ficam com as tarefas mais chatas, como perfurar um poço pra fincar o cabo do guarda-sol. É mais fácil achar petróleo do que conseguir fazer o guarda-sol ficar em pé.

Mas tudo isso não conta, diante da alegria, da felicidade, da maravilha que é entrar no mar! Aquela água tão cristalina, que dá pra ver os cardumes de latinha de cerveja no fundo. Aquela sensação de boiar na salmoura como um pepino em conserva.

Depois de um belo banho de mar, com o rego cheio de sal e a periquita cheia de areia, vem aquela vontade de fritar na chapa.

A gente abre a esteira velha, com cheiro de velório de bode, bota o chapéu, os óculos escuros e puxa um ronco bacaninha.

Isso é paz, isso é amor, isso é o absurdo do calor.

Mas, claro, tudo tem seu lado bom. E à noite o sol vai embora. Todo mundo volta pra casa, toma banho e deixa o sabonete cheio de areia pro próximo. O xampu acaba e a gente acaba lavando a cabeça com qualquer coisa, desde o creme de barbear até desinfetante de privada. As toalhas, com aquele cheirinho de mofo que só a casa de praia oferece.Aí, uma bela macarronada pra entupir o bucho e uma dormidinha na rede pra adquirir um bom torcicolo.

O dia termina com uma boa rodada de tranca e uma briga em família. Todo mundo vai dormir bêbado e emburrado, babando na fronha e torcendo, pra que na manhã seguinte, faça aquele sol e todo mundo possa se encontrar no mesmo inferno tropical.

The summer is tragic!”

Para quem não percebeu o link do início do post, mais um atalho para o blog da Rosana Hermann

Bem-vindo à Holanda


Esse texto circula como sendo…adivinhem de quem??? Sim!! Dele mesmo!! Do incrível, insuperável e workaholic Desconhecido, o cara que escreve compulsivamente o dia inteiro e tem milhões de textos creditados a ele. Este é um texto que merece ser devolvido à sua legítima mãe (não que os outros não mereçam). É bem raro um texto me emocionar, pois eu não sou uma pessoa emotiva (sou dramática, exagerada, brincalhona, mas bastante racional nesse aspecto), mas esse texto foi muito bem escrito e mereceu um “bah, que legal” meu ao final da leitura. O que é uma grande coisa, deixo claro. :-)

É tocante, bem sóbrio, uma ótima metáfora que sim, me emocionou, dentro dos meus limites, é claro. Ilustra algo que eu sempre digo e repito: ter um filho exige muita responsabilidade e consciência. Não entendo quem engravida sem pensar em todas as possibilidades que podem acontecer. Muitas vezes as pessoas até mesmo se submetem a tratamentos atrás de um “sonho”, idealizando uma situação sem se preparar para mais nada. Recusam-se a pensar em adoção, querem o filho perfeito, que nem sempre vem como se sonhou.

Mesmo o filho biológico é uma total surpresa para os pais, tanto quanto um possível filho adotado, que já nasceu, já está aí, sozinho, sem uma chance. Às vezes ele está dentro dos padrões, às vezes ele é diferente, como pode acontecer com um filho biológico. Eu só teria um filho (biológico ou adotado) se estivesse disposta a entrar em um avião sem saber exatamente o destino. Preparada para aterrissar na Itália, na Holanda ou na Etiópia, se fosse o caso. Se todo mundo pensasse assim, provavelmente não existiria explosão demográfica :-)

Li esse texto em um perfil do Orkut, gostei muito, mas desconfiei (desenvolvi um olho clínico…risos…) e resolvi pesquisar. O texto original é de Emily Perl Kinsley, autora de livros infantis, foi escrito em 1987 e traduzido em 1995 . Modificado algumas vezes depois :-) Aqui não uso a tradução que circula por aí, mas a minha, que não é muito diferente, mas eu preferi traduzir novamente direto do original, porque é assim que eu trabalho, minha intenção neste blog é divulgar o texto correto com a autoria correta.

Bem-vindo à Holanda
Emily Perl Kinsley

Freqüentemente sou solicitada a descrever a experiência de criar um filho portador de deficiência, para tentar ajudar as pessoas que nunca compartilharam dessa experiência única a entender, a imaginar como deve ser. É mais ou menos assim…

Quando você vai ter um bebê, é como planejar uma fabulosa viagem de férias – para a Itália. Você compra uma penca de guias de viagem e faz planos maravilhosos. O Coliseu. Davi, de Michelangelo. As gôndolas de Veneza. Você pode aprender algumas frases convenientes em italiano. É tudo muito empolgante.

Após meses de ansiosa expectativa, finalmente chega o dia. Você arruma suas malas e vai embora. Várias horas depois, o avião aterrissa. A comissária de bordo chega e diz: “Bem-vindos à Holanda”.

“Holanda?!? Você diz, “Como assim, Holanda? Eu escolhi a Itália. Toda a minha vida eu tenho sonhado em ir para a Itália.”

Mas houve uma mudança no plano de vôo. Eles aterrissaram na Holanda e é lá que você deve ficar.

O mais importante é que eles não te levaram para um lugar horrível, repulsivo, imundo, cheio de pestilências, inanição e doenças. É apenas um lugar diferente.

Então você deve sair e comprar novos guias de viagem. E você deve aprender todo um novo idioma. E você vai conhecer todo um novo grupo de pessoas que você nunca teria conhecido.

É apenas um lugar diferente. Tem um ritmo mais lento do que a Itália, é menos vistoso que a itália. Mas depois de você estar lá por um tempo e respirar fundo, você olha ao redor e começa a perceber que a Holanda tem moinhos de vento, a Holanda tem tulipas, a Holanda tem até Rembrandts.

Mas todo mundo que você conhece está ocupado indo e voltando da Itália, e todos se gabam de quão maravilhosos foram os momentos que eles tiveram lá. E toda sua vida você vai dizer “Sim, era para onde eu deveria ter ido. É o que eu tinha planejado.”

E a dor que isso causa não irá embora nunca, jamais, porque a perda desse sonho é uma perda extremamente significativa.

No entanto, se você passar sua vida de luto pelo fato de não ter chegado à Itália, você nunca estará livre para aproveitar as coisas muito especiais e absolutamente fascinantes da Holanda.

E abaixo, o texto original:

Welcome to Holland

by Emily Perl Kinsley

I am often asked to describe the experience of raising a child with a disability — to try to help people who have not shared that unique experience to understand it, to imagine how it would feel. It’s like this…

When you’re going to have a baby, it’s like planning a fabulous vacation trip – to Italy. You buy a bunch of guidebooks and make your wonderful plans. The Coliseum. The Michelangelo David. The gondolas in Venice. You may learn some handy phrases in Italian. It’s all very exciting.

After months of eager anticipation, the day finally arrives. You pack your bags and off you go. Several hours later, the plane lands. The stewardess comes in and says, “Welcome to Holland.”

“Holland?!?” you say, “What do you mean, Holland? I signed up for Italy. All my life I’ve dreamed of going to Italy.”

But there’s been a change in the flight plan. They’ve landed in Holland and there you must stay.

The most important thing is that they haven’t taken you to a horrible, disgusting, filthy place, fun of pestilence, famine, and disease. It’s just a different place.

So you must go out and buy new guidebooks. And you must learn a whole new language. And you will meet a whole new group of people you would have never met.

It’s just a different place. It’s slower-paced than Italy, less flashy than Italy. But after you’ve been there for a while and catch your breath, you look around, and you begin to notice that Holland has windmills, Holland has tulips, Holland even has Rembrandts.

But everyone you know is busy coming and going from Italy, and they’re all bragging about what a wonderful time they all had there. And all the rest of your life you will say, “Yes, that’s where I was supposed to go. That’s what I had planned.”

And the pain of that will never, ever go away, because the loss of that dream is a very significant loss.

But if you spend your life mourning the fact that you didn’t get to Italy, you may never be free to enjoy the very special, the very lovely things about Holland.

Para finalizar, uma das versões que circulam por aí, para ajudar a quem chega aqui através do google a encontrar este post:

“Bem-vindo à Holanda

Autora: Emily Perl Kinsley

Ter um bebê é como planejar uma fabulosa viagem de férias para a ITÁLIA. Você compra montes de guias e faz planos maravilhosos! O Coliseu, o Davi de Michelângelo, as gôndolas em Veneza. Você pode até aprender algumas frases em italiano. É tudo muito excitante.


Após meses de antecipação, finalmente chega o grande dia! Você arruma as malas e embarca. Algumas horas depois, você aterrissa. O comissário de bordo chega e diz: BEM-VINDO À HOLANDA!!!


Holanda??!! diz você. O que quer dizer com Holanda? Eu escolhi a Itália! Eu devia ter chegado à Itália. Toda a minha vida eu quis conhecer a Itália!
Mas houve uma mudança no plano de vôo. Eles aterrissaram na Holanda, e é lá que você deve ficar.
O mais importante é que eles não levaram você para um lugar horrível e desagradável, com sujeira, fome e doenças. É apenas um lugar diferente!
Você precisa sair e comprar outros guias. Deve aprender uma nova língua. E irá encontrar pessoas que jamais imaginara.


É apenas um lugar diferente. É mais baixo e menos ensolarado que a Itália. Mas, após alguns minutos, você pode respirar fundo e olhar ao redor. Começa a notar que a Holanda tem moinhos de vento, tulipas, Rembrandts e até Van Goghs.


Mas todos que você conhece estão ocupados indo e vindo da Itália, comentando a temporada maravilhosa que passaram lá. E por toda a sua vida você dirá: Sim, era onde eu deveria estar. Era tudo que eu havia planejado.
A dor que isso causa nunca, nunca irá embora. Porque a perda desse sonho é uma perda extremamente significativa.


Porém, se você passar a vida toda remoendo o fato de não ter chegado à Itália, nunca estará livre para apreciar as coisas belas e muito especiais existentes na HOLANDA!”

Mude

Essa é uma das histórias mais absurdas de que já tomei conhecimento até agora. Recebi e-mail da minha leitora Nancy há alguns meses pedindo que publicasse esse texto. No entanto, já havia recebido o seguinte e-mail do próprio autor, pedindo esclarecimento neste blog. Acabei ficando muito tempo afastada de minhas atividades on-line e adiei a postagem, mas não poderia deixar de divulgar essa história aqui (em homenagem também à Flávia, que comentou de sua frustração pela falta de atualização do Autor Desconhecido).

Confesso que, ao saber dessa história, cogitei a hipótese de os herdeiros da Clarice Lispector serem tão ignorantes que não conhecem o trabalho da Clarice. Não têm como saber o que é ou não dela porque nunca leram um livro na vida (argumento derrubado por um de meus neurônios, que me lembrou de que eles devem saber o que a Clarice tem registrado como dela, nem que seja pelo título). Existe a possibilidade de que tenham agido como falsos espertos, imaginando que o texto tenha sido escrito pela entidade sem rosto e sem nome conhecida como Autor Desconhecido e que ele – além de tudo – tem um sério problema de memória e se esquece rapidamente de tudo o que escreve (afinal de contas, ele escreve tanto!). Então, não haveria o menor problema, nem conseqüência alguma em aceitar dinheiro por uma obra que não lhes pertencia, como se pertencesse.

Seja como for, é um absurdo sem tamanho que deve, sim, ser exposto ao público, o máximo possível, para que se tenha noção da dimensão do problema e que a irresponsabilidade não é apenas de leitores leigos e internautas, mas de jornalistas, publicitários…gente que deveria ser melhor informada, mais consciente e responsável com o trabalho alheio. Conhecidos como “formadores de opinião”, não lêem, não se informam, não têm conteúdo suficiente para repassar ao público (que também não lê, não se informa….vixe, melhor nem continuar o raciocínio…) e acabam agindo como agentes de desinformação em larga escala. Dá medo.

Segue o e-mail do autor, o link para o site no qual há a explicação de toda a história, e o texto original.

Por um erro da Agência Leo Burnett, meu poema MUDE foi utilizado num comercial da Fiat, e teve sua autoria atribuída, erradamente, a Clarice Lispector.

Os herdeiros de Clarice receberam quarenta mil dólares, ilicitamente, pelo “licenciamento” de uma obra alheia (no caso, minha).

Sentença transitada em julgado deu ganho de causa a mim, em Ação Cautelar.

Os herdeiros recusam-se a devolver o dinheiro, e sequer se pronunciam em público sobre o caso.

Detalhes em http://desafiat.weblogger.com.br

Abraços, flores, estrelas..

Edson Marques.


Mude
Edson Marques.

Mas comece devagar,
porque a direção é mais importante
que a velocidade.
Sente-se em outra cadeira,
no outro lado da mesa.
Mais tarde, mude de mesa.
Quando sair,
procure andar pelo outro lado da rua.
Depois, mude de caminho,
ande por outras ruas,
calmamente,
observando com atenção
os lugares por onde
você passa.
Tome outros ônibus.
Mude por uns tempos o estilo das roupas.
Dê os teus sapatos velhos.
Procure andar descalço alguns dias.
Tire uma tarde inteira
para passear livremente na praia,
ou no parque,
e ouvir o canto dos passarinhos.
Veja o mundo de outras perspectivas.
Abra e feche as gavetas
e portas com a mão esquerda.
Durma no outro lado da cama.
Depois, procure dormir em outras camas.
Assista a outros programas de tv,
compre outros jornais,
leia outros livros,
Viva outros romances!
Não faça do hábito um estilo de vida.
Ame a novidade.
Durma mais tarde.
Durma mais cedo.
Aprenda uma palavra nova por dia
numa outra língua.
Corrija a postura.
Coma um pouco menos,
escolha comidas diferentes,
novos temperos, novas cores,
novas delícias.
Tente o novo todo dia.
o novo lado,
o novo método,
o novo sabor,
o novo jeito,
o novo prazer,
o novo amor.
a nova vida.
Tente.
Busque novos amigos.
Tente novos amores.
Faça novas relações.
Almoce em outros locais,
vá a outros restaurantes,
tome outro tipo de bebida
compre pão em outra padaria.
Almoce mais cedo,
jante mais tarde ou vice-versa.
Escolha outro mercado,
outra marca de sabonete,
outro creme dental.
Tome banho em novos horários.
Use canetas de outras cores.
Vá passear em outros lugares.
Ame muito,
cada vez mais,
de modos diferentes.
Troque de bolsa,
de carteira,
de malas.
Troque de carro.
Compre novos óculos,
escreva outras poesias.
Jogue os velhos relógios,
quebre delicadamente
esses horrorosos despertadores.
Abra conta em outro banco.
Vá a outros cinemas,
outros cabeleireiros,
outros teatros,
visite novos museus.
Mude.
Lembre-se de que a Vida é uma só.
Arrume um outro emprego,
uma nova ocupação,
um trabalho mais light,
mais prazeroso,
mais digno,
mais humano.

Se você não encontrar razões para ser livre,
invente-as.

Seja criativo.
E aproveite para fazer uma viagem despretensiosa,
longa, se possível sem destino.
Experimente coisas novas.
Troque novamente.
Mude, de novo.
Experimente outra vez.
Você certamente conhecerá coisas melhores
e coisas piores,
mas não é isso o que importa.
O mais importante é a mudança,
o movimento,
o dinamismo,
a energia.
Só o que está morto não muda! “

Ter ou não ter namorado

Outro clássico, enviado pela leitora Niza:

Esse texto foi publicado em 1984 e circula há anos, inclusive em revistas, jornais e antologias, como sendo de Carlos Drummond de Andrade. Muita gente já sabe que é de Artur da Távola, mas em pleno 2007 o encontrei até mesmo creditado ao Verissimo e ao nosso amigo Desconhecido. As alterações que ainda circulam por aí (inclusive transformando a crônica em poesia, colocando as frases em coluna….argh!!!) são apavorantes. Por que fazem isso com textos inocentes? Alguns acréscimos, alguns cortes, algumas deformações…a maioria dos textos alterados suprimiu a ordem “ENLOU-CRESÇA.” Provavelmente, os Alteradores de Textos Anônimos não entenderam o novo termo.

Artur da Távola reclama, em adendo colado ao texto:


“Não sei mais o que fazer! Aviso às editoras que fazem antologias, que de agora em diante irei à Justiça e as processarei por uso indevido de uma crônica de minha autoria, ‘Ter ou não ter namorado’, publicada em 1984 no Livro ‘Amor A Sim Mesmo’, da Editora Nova Fronteira, como se fosse do grande poeta e cronista Carlos Drummond de Andrade. Algumas editoras, para aproveitarem-se da justa fama de Drummond não se preocupam de examinar com cuidado e tascam nas antologias essa minha crônica, como dele. É a que se segue, com o título que está aí em cima:”


Aí vai o texto original, postado em seu site :

TER OU NÃO TER NAMORADO
Artur da Távola


Quem não tem namorado é alguém que tirou férias não remuneradas de si mesmo.
Namorado é a mais difícil das conquistas.
Difícil porque namorado de verdade é muito raro. Necessita de adivinhação, de pele, saliva, lágrima, nuvem, quindim, brisa ou filosofia. Paquera, gabiru, flerte, caso, transa, envolvimento, até paixão, é fácil.
Mas namorado, mesmo, é muito difícil. Namorado não precisa ser o mais bonito, mas ser aquele a quem se quer proteger e quando se chega ao lado dele a gente treme, sua frio e quase desmaia pedindo proteção. A proteção não precisa ser parruda, decidida; ou bandoleira basta um olhar de compreensão ou mesmo de aflição.
Quem não tem namorado é quem não tem amor é quem não sabe o gosto de namorar. Há quem não sabe o gosto de namorar. Se você tem três pretendentes, dois paqueras, um envolvimento e dois amantes; mesmo assim pode não ter nenhum namorado.
Não tem namorado quem não sabe o gosto de chuva, cinema sessão das duas, medo do pai, sanduíche de padaria ou drible no trabalho.
Não tem namorado quem transa sem carinho, quem se acaricia sem vontade de virar sorvete ou lagartixa e quem ama sem alegria.
Não tem namorado quem faz pacto de amor apenas com a infelicidade. Namorar é fazer pactos com a felicidade ainda que rápida, escondida, fugidia ou impossível de durar.
Não tem namorado quem não sabe o valor de mãos dadas; de carinho escondido na hora em que passa o filme; de flor catada no muro e entregue de repente; de poesia de Fernando Pessoa, Vinícius de Moraes ou Chico Buarque lida bem devagar; de gargalhada quando fala junto ou descobre meia rasgada; de ânsia enorme de viajar junto para a Escócia ou mesmo de metrô, bonde, nuvem, cavalo alado, tapete mágico ou foguete interplanetário.
Não tem namorado quem não gosta de dormir agarrado, de fazer cesta abraçado, fazer compra junto.
Não tem namorado quem não gosta de falar do próprio amor, nem de ficar horas e horas olhando o mistério do outro dentro dos olhos dele, abobalhados de alegria pela lucidez do amor.
Não tem namorado quem não redescobre a criança própria e a do amado e sai com ela para parques, fliperamas, beira – d’água, show do Milton Nascimento, bosques enluarados, ruas de sonhos ou musical da Metro.
Não tem namorado quem não tem música secreta com ele, quem não dedica livros, quem não recorta artigos; quem gosta sem curtir; quem curte sem aprofundar.
Não tem namorado quem nunca sentiu o gosto de ser lembrado de repente no fim de semana, na madrugada, ou meio-dia do dia de sol em plena praia cheia de rivais.
Não tem namorado quem ama sem se dedicar; quem namora sem brincar; quem vive cheio de obrigações; quem faz sexo sem esperar o outro ir junto com ele.
Não tem namorado quem confunde solidão com ficar sozinho e em paz.
Não tem namorado quem não fala sozinho, não ri de si mesmo e quem tem medo de ser afetivo.
Se você não tem namorado porque não descobriu que o amor é alegre e você vive pesando duzentos quilos de grilos e medos, ponha a saia mais leve, aquela de chita e passeie de mãos dadas com o ar. Enfeite-se com margaridas e ternuras e escove a alma com leves fricções de esperança. De alma escovada e coração estouvado, saia do quintal de si mesmo e descubra o próprio jardim.
Acorde com gosto de caqui e sorria lírios para quem passe debaixo de sua janela. Ponha intenções de quermesse em seus olhos e beba licor de contos de fada. Ande como se o chão estivesse repleto de sons de flauta e do céu descesse uma névoa de borboletas, cada qual trazendo uma pérola falante a dizer frases sutis e palavras de galanteria.
Se você não tem namorado é porque ainda não enlouqueceu aquele pouquinho necessário a fazer a vida parar e de repente parecer que faz sentido. ENLOU-CRESÇA.

.

Navegue

Esse texto foi enviado pela leitora Nancy, tem circulado como sendo uma poesia de Fernando Pessoa. Não é. É de autoria de Silvana Duboc, e não tem absolutamente nada a ver com nada que Pessoa escreveu em toda a sua vida. Ocorre que uma criatura resolveu “completar” o texto com uma frase que creditou a Fernando Pessoa “Circunda-te de rosas, ama, bebe e cala.
O mais é nada”
e o texto todo foi engolido pelo crédito equivocado. A autora inclusive divulga o número do registro do poema, para que não haja dúvida.

NAVEGUE

Silvana Duboc

Navegue,

descubra tesouros, mas não os tire do fundo do mar,
o lugar deles é lá.


Admire a lua,

sonhe com ela, mas não queira trazê-la para a terra.


Curta o sol,

se deixe acariciar por ele,
mas lembre-se que o seu calor é para todos.


Sonhe com as estrelas,

apenas sonhe, elas só podem brilhar no céu.


Não tente deter o vento,

ele precisa correr por toda parte,
ele tem pressa de chegar sabe-se lá onde.

Não apare a chuva,

ela quer cair e molhar muitos rostos,
não pode molhar só o seu.

As lágrimas?

Não as seque, elas precisam correr na minha,
na sua, em todas as faces.

O sorriso!

Esse você deve segurar, não deixe-o ir embora, agarre-o!

Quem você ama?

Guarde dentro de um porta-jóias, tranque, perca a chave!
Quem você ama é a maior jóia que você possui,
a mais valiosa.

Não importa se a estação do ano muda,

se o século vira,
se o milênio é outro, se a idade aumenta;
conserve a vontade de viver,
não se chega à parte alguma sem ela,


Abra todas as janelas

que encontrar, e as portas também.

Persiga um sonho,

mas não deixe ele viver sozinho.

Alimente sua alma

com amor, cure suas feridas com carinho.

Descubra-se todos os dias,

deixe-se levar pelas vontades,
mas não enlouqueça por elas.

Procure,

sempre procure o fim de uma história, seja ela qual for.

Dê um sorriso

para quem esqueceu como se faz isso.

Acelere seus pensamentos,

mas não permita que eles te consumam.

Olhe para o lado,

alguém precisa de você.

Abasteça seu coração de fé,

não a perca nunca.

Mergulhe de cabeça

nos seus desejos, e satisfaça-os.

Agonize de dor

por um amigo,
só saia dessa agonia se conseguir tirá-lo também.


Procure os seus caminhos,

mas não magoe ninguém nessa procura.


Arrependa-se,

volte atrás, peça perdão!


Não se acostume

com o que não o faz feliz,
revolte-se quando julgar necessário.

Alague

seu coração de esperanças,
mas não deixe que ele se afogue nelas.

Se achar

que precisa voltar, volte!

Se perceber

que precisa seguir, siga!

Se estiver tudo errado,

comece novamente.

Se estiver tudo certo,

continue.

Se sentir saudades,

mate-a.

Se perder um amor,

não se perca!

Se achá-lo, segure-o!

Caso sinta-se só,

olhe para as estrelas: eu sempre estarei nelas.

Não estão ao seu alcance

mas estarão eternamente brilhando para você! ”



A publicação desta obra foi autorizada pela Autora – Silvana Duboc – e encontra-se devidamente Registrada na Fundação Biblioteca Nacional
Ministério da Cultura – Escritório de Direitos Autorais
Rua da Imprensa 16 – sala 1205 – Centro – Rio de Janeiro
Registro – 309.788
Livro – 564
Folha – 448
Analisado por – Pedro José Guilherme de Aragão
Assinado por – Célia Ribeiro Zaher- Diretora do Centro de Processos Técnicos

Aviso

Andei afastada nos últimos meses não apenas deste blog, mas da internet, como um todo. Tenho feito as pesquisas de forma bem menos intensa, e recebendo vários emails de leitores pedindo para que eu desvende algumas autorias ou enviando os textos já com autoria esclarecida (mesmo nesses casos, eu sempre checo as informações). Agradeço imensamente a ajuda que vocês me dão através desses emails, pois como já comentei aqui, não recebo mais textos encaminhados por amigos (eles cansaram de ouvir…risos…), então é uma boa forma de saber o que anda circulando por aí.

Peço desculpas a quem ainda não recebeu resposta, e desculpas antecipadas, pois responderei cara-de-paumente até aos que estão com incrível atraso. De agora em diante conseguirei voltar a postar aqui com certa frequência, material é o que não falta. Peço que tenham paciência e agradeço a colaboração e o contato dos leitores, os comentários deixados aqui e os emails que me enviam diariamente. Espero conseguir reunir aqui o maior número de textos com paternidade devidamente reconhecida, tirando os louros do inexistente Desconhecido e os entregando a quem tem direito, realmente. O trabalho é árduo e feito meticulosamente, demoradamente, com o perfeccionismo suicida que me é peculiar. Pelo menos vocês têm a certeza de que a autoria que estiver exposta aqui foi suficientemente escarafunchada, até chegar ao resultado final. Continuem a me mandar textos, ainda que demore horrores, farei a devida investigação.

Até logo!

Focinhos

Não, o Autor Desconhecido não gosta de cachorros….até por que ele não existe, lembra?

O poema “Focinhos” foi escrito por Claudia Zippin Ferri em dezembro de 2005 e deu à autora o primeiro lugar no IV Concurso de Poesia e Prosa da SPPA (Piracicaba), em 2006, e tem sido repassado em listas de emails como sendo do Autor Desconhecido.

A pessoa que repassou esse texto soltou a terrível pérola: “Mas uma poesia linda assim não importa quem fez … A pessoa q o fez deve ter um bom coração e não deve importar-se com essas coisas”. Sei que obviamente ninguém diz isso na maldade, mas na ignorância. Ainda assim, respondi o que canso de repetir por aqui: É direito do autor ter seu trabalho respeitado, isso independe do fato de ele ter bom coração ou não. Autoria é coisa séria.

Não é errado, nem indigno exigir os créditos pelo seu trabalho, muito pelo contrário, é mais do que digno. Profissional ou não, o escritor deve ter seu nome escrito entre o título e o texto. Nome que não está lá por ego, mas por direito. Então, entrego “Focinhos” à sua legítima dona :-) Claudia Zippin Ferri, que respondeu ao meu contato de forma tão simpática.


Focinhos
Claudia Zippin Ferri

Ah, se as pessoas soubessem o que há por trás de um focinho,
Focinho úmido, geladinho,
Preto, marrom, desbotadinho,
Simples e lindos focinhos.

Ah, se as pessoas soubessem o valor de um focinho,
Focinho medroso ou metido,
Focinho manhoso, carinhoso,
Simples amigos focinhos.

Ah, se as pessoas tivessem ao menos um focinho,
Não sobre o próprio rosto,
Mas em carne, pelo e osso,
Fonte pura de carinhos.

Ah, se as pessoas protegessem os focinhos,
Focinhos que vivem sozinhos,
Amores desperdiçados; focinhos amargurados,
Focinhos pra todo lado.

Ah, se as pessoas conhecessem os focinhos,
Quanto amor, quanto carinho,
Anjos peludos, sem narizinhos.
Anjos fofos atrás de focinhos.

Ah, se eu pudesse ver todos os focinhos,
Amados e acolhidos,
Crianças da criação, anjos de bem querer,
Focinhos em plena evolução.

Ah, se as pessoas soubessem,
Quanto amor e dedicação,
Quanta vida, quanta paixão,
Quanto vale o amor de um cão.

Ah, se eu pudesse mostrar para todos, o valor de um focinho,
A gratuidade de um carinho,
O que existe de verdade,
Por trás de um simples focinho.

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